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Vamos seguir com a emissão com o Gabriel Alves, o Júlio Magalhães, o Augusto Inácio e também o Bruno Vieira Amaral. Temos os 11 homens que vão representar Portugal nestes quartos de final. Vou começar pelo Bruno, que ainda não te ouvimos esta tarde. Bruno, o que te parece esta alteração? Só tivemos uma mexida, sai o William, entra Ruben.
Boa tarde a todos. É estranho, sabendo nós da predileção justificada de Fernando Santos por William Carvalho, mas eu nos últimos dias andei a estudar, porque quem percebe de táticas são estes senhores aqui, mas andei a ler umas coisas, a informar-me, e o que li muito foi que Marrocos é uma equipa muito capaz de anular o jogo interior do adversário, mas também o jogo exterior. Isto deixa poucas alternativas. E uma delas pode ser a meia distância. E eu acho que Rúben Neves pode ser importante nisso e também na combatividade, que dá mais do que o William, no meio-campo, que também vai ser preciso. E entre esses dois fatores, creio que terá estado a justificação da escolha de Rúben Neves, por exemplo, em detrimento de Palhinha, que talvez dos três, seja aquele que traz mais luta para o meio-campo, mas depois não tem tanto, a meu ver, como Rúben Neves, tanta capacidade de construção, nem tem esse remate de meia distância, que pode ser importante. Também não sabemos se o William estava nas melhores condições ou não. Estamos aqui com base no que vemos do 11. Imagina que pode haver um problema, em princípio não terá havido, mas pode ter havido um problema com o William Carvalho. Não havendo, eu creio que a explicação será essa para esta alteração no 11 de Portugal.
Augusto Inácio, o que é que te parece? Temos praticamente os mesmos homens, apenas uma mudança, que Cristiano Ronaldo continua também no banco de suplentes. O que te parece estas escolhas de Fernando Santos?
Era previsível que fosse mais ou menos esta equipa, eu diria sem nenhuma alteração, até porque se eu ainda há bocadinho tive no comentário e disse: "Portugal tem que roubar o entusiasmo à equipa de Marrocos", naturalmente que o William é um jogador que tem mais passe, tem mais profundidade do que Rúben Neves. E também sabe roubar bolas ao adversário. E é preciso, quando o adversário venha invadir o nosso meio-campo, que nós tenhamos a capacidade e a rapidez suficiente de poder fazer o contragolpe e ferir o adversário.
Inácio, deixe-me só dizer que o William foi o jogador que mais pressionou no último jogo contra a Suíça. Às vezes parece que ele está ali no meio-campo.
Ele é um autêntico filtro daqueles jogadores.
Exatamente. Por isso é que eu estava a dizer que Rúben Neves é um jogador mais de passe lateralizado, não de passe em profundidade. Embora, no seu clube, no Wolverhampton, ele chegue um pouquinho mais à frente e tente o remate de fora da área, que ele tem um bom remate. Mas na seleção nacional, o que nós temos visto é que ele não chega tanto à frente e fica um pouco mais atrás. Nesse sentido, nós temos dois jogadores no meio-campo que são autênticos volantes. Pode ser o William Carvalho, pode ser o Otávio, levam a bola para a frente. Mas o mais interessante disto, na minha opinião, é sabermos aproveitar a menos robustez defensiva da equipa de Marrocos quando estiver a atacar, porque se nós os deixarmos e eles organizarem-se de novo, vamos ter enormes dificuldades em ganhar espaços. Por isso é que eu acho que o William, como tem um passe melhor de retorno, porque evoluiu muito no Betis, ele no Sporting era um jogador de passe lateralizado, passe para trás só em termos de posse, no Betis, ele chega à frente, ele chega a fazer gols, ele chega a alimentar o ataque, para um jogador diferente para melhor, e eu acho que para este jogo era necessário um jogador assim. Não colocaria um médio defensivo ou tão defensivo naqueles que é de roubar bolas, ou o Palhinha, ou o Rúben Neves. Eu colocaria na mesma o William Carvalho, porque eu acho que além do grande jogo que fez, acho que ele alimentava muito melhor a ligação para o ataque do que o Rúben Neves.
Além disso, ele tem uma outra particularidade, e o Augusto sabe isso melhor que eu. Nessa suposição 8-10 que ele hoje faz, ensinado pelo senhor engenheiro Pellegrini, ele consegue fazer algo que é muito importante no último terço: é criar ali na zona da área superioridade numérica. Ele sabe entrar e fazer esse tipo de trabalho, que é fundamental.
Exatamente.
Júlio Magalhães, o que te parece esta posição de Fernando Santos, que confia nos que ganharam à Suíça?
Eu consigo perceber, por acaso, esta alteração, embora concorde com o que eles disseram, porque estão mais habilitados que eu. E o Bruno andou a estudar, ainda por cima, eu vou copiar pelo Bruno. Mas consigo perceber. Por quê? Isto são opiniões, um jogo de futebol. Tem a ver com quê? Primeiro, eu acho que o Fernando Santos, tal como nós, está à espera de uma equipa de Marrocos que vai jogar o jogo como a Espanha, que não vai sair lá atrás. Ou seja, o objetivo deles vai ser bloquear a equipa portuguesa lá atrás, como fizeram com a Espanha. Estiveram o tempo todo lá atrás, depois saíam com algum critério quando era possível, mas mal saíam e perdiam a bola, voltavam para trás e a Espanha esteve sempre no meio-campo. A Espanha nunca atacou foi a baliza de Marrocos, esteve sempre com a bola no meio-campo, não saía dali, os marroquinos também não saíam dali. E portanto, acho que Portugal está à espera de uma seleção marroquina assim, não está à espera de uma seleção muito diferente. O William Carvalho não dá a velocidade ao jogo que estes jogadores dão, acho eu, embora seja muito importante. E o Rúben Neves, apesar de tudo, tem aquele andamento no Wolverhampton, como disse o Inácio, é um jogador que vai à frente, que vem atrás e tem poder de fogo, que vai ser preciso fora da área, como disse ali o Bruno. A par disso, o William Carvalho teve dois jogos duríssimos nos últimos dois jogos, foram muito duros e tem um desgaste grande em cima das pernas e o Rúben Neves foi aquele que tinha jogado e, portanto, também eu estou a chegar a tentar perceber a lógica do selecionador Ronaldo. E, portanto, num jogo destes, mudar ali outro jogador que não esteve habituado neste mundial a jogar com aqueles que têm jogado, podia ser um risco. Pôr o Palhinha era sempre um risco muito calculado, porque o Palhinha é um grande jogador. Mas vai apostar num jogador que já jogou neste mundial e, portanto, que está ali mais talhado para aquilo. A par disso, o William Carvalho pode ser um jogador muito importante se estivermos a ganhar, para depois precisarmos de altura, porque se os marroquinos da segunda parte estiverem a perder, vão precisar de atacar a baliza e provavelmente vão fazê-lo com cruzamentos e tal. E aí vai ser importante ter jogadores como o William Carvalho ali a parar o jogo e a terem altura, sobretudo a terem altura para a seleção. É o raciocínio que eu estou a ver no selecionador e portanto esta equipa, é evidente, não ia haver grandes alterações depois daquele 6 x 1 à Suíça, não estava à espera de grandes alterações, mas esta consigo entender nesta perspectiva. Não sei se é uma boa perspectiva ou não, mas acho que vai correr. Estamos com um banco magnífico, pelo menos, com William, o Ronaldo e aqueles jogadores todos no banco. Podem sair 11 e entrar 11.