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Nos próximos minutos recebemos o Bruno Roseiro, editor de desporto do Observador. Bruno, muito boa tarde. Falar deste número: 86.700 sócios e tudo indica que o Benfica está bem encaminhado para chegar aos 100 mil. Isto mostra uma grande capacidade de organização, até porque parece que tudo está a correr com mais velocidade e com mais organização do que há duas semanas.
Sim, numa perspectiva macro, é óbvio que tudo está a correr muito melhor. Ou seja, diria que tudo aquilo que não funcionou na primeira volta, começou agora a funcionar na segunda e tudo aquilo que tinha funcionado bem, está a funcionar ainda melhor nesta segunda volta. A registrar, houve apenas uma situação na Quinta do Conde de manhã, onde houve uma fila durante algum tempo, mas foi algo pontual, foi desde logo resolvido. E numa perspectiva mais micro, também a atenção que o clube teve com os seus associados mais idosos, ou seja, à volta do Pavilhão da Luz, havia dois daqueles carrinhos que vemos nos campos de golfe que transportavam as pessoas até à porta dois para ser mais fácil todo o processo de votação. Portanto, também por aí, em pequenas coisas, consegue-se perceber todo o cuidado que a organização teve, não só na questão de explicar às pessoas que podem ir votar, que não vão ter as filas de espera que tiveram há duas semanas, mas também na própria contagem, que foi outro dos pormenores que também vimos de manhã junto ao Pavilhão da Luz, com a chegada daquelas máquinas de contar dinheiro, que serão também máquinas fundamentais para tentar acelerar a contagem de todos os votos.
Olhando para este número, seria de esperar que, se votam mais sócios do que há duas semanas, iríamos agora ter uma noite mais longa, uma manhã também mais longa. Os resultados da outra vez só foram oficiais já por volta das 17h do dia seguinte. Mas de acordo com o Sport Lisboa e Benfica, isto não vai ser bem assim. Espera-se tudo também mais rápido nesse aspeto.
Sim, em termos de contagem, tudo será mais rápido. A única dúvida que eu tenho em relação ainda a todo este processo é: vou dar este exemplo prático, os dois pavilhões da Luz, o último pavilhão da Luz, o último voto contado foi por volta das 21h57, ainda não eram 22h. E depois os resultados só foram homologados seis horas depois. É esse gap que eu não consigo ainda perceber o porquê e também não consigo ver como é que ele pode ser reduzido nesta altura. Aquilo que se percebe é que a contagem em si vai ser muito mais rápida. Depois, se os resultados que saem para fora terão a mesma afluência, essa é a dúvida. Ainda assim, de manhã e agora também nesta parte da tarde, era percetível essa vontade de toda a organização da Mesa da Assembleia Geral Eleitoral do Benfica, de poder ter resultados durante a madrugada e não estender esta contagem até a parte da manhã.
Sim, há aqui um aspeto que o Benfica ultrapassa o número de votantes no geral, portanto, o número total já ultrapassou o de há duas semanas. E isto vai acontecendo também um pouco por todas as secções de votos. Estão a ser batidos os números da primeira volta em quase todos os sítios. Não é um fenômeno localizado, por exemplo, nos pavilhões do Estádio da Luz. Na verdade, até acaba por ser um fenômeno que vai acontecendo em mais locais, porque os votos também estão a expressar mais, uma vez que não é dia de jogo.
Sim, essa era uma das dúvidas que existia: um, seria ou não possível chegar à marca da primeira volta e dois, como é que estariam distribuídos os votos. E aquilo que se percebe é a cadência e a percentagem de aumento em relação à primeira volta está a ser transversal. Ou seja, a questão de ter havido jogo na primeira volta, em termos de números, não terá impacto. Nesta altura ainda está inferior, à volta de mais ou menos 2.300 votos a menos do que na primeira volta, mas quando as urnas encerrarem, é muito provável que existam os mesmos votos ou até um pouquinho mais nos dois pavilhões do que houve na primeira volta. Portanto, eu diria que, um, não deixa de ser surpreendente, eu sinceramente achava que era difícil o Benfica chegar a este registo, até pelas imagens que fomos vendo na primeira volta, quando nós pensamos que havia filas que a certa altura iam quase parar até ao Fonte Nova para poder votar no Pavilhão da Luz e que hoje, por exemplo, não houve sequer filas que chegassem àquela zona do túnel, como quem vem do Colombo. A perceção que dá é: é impossível lá chegar. Mas de facto foi possível porque a afluência das pessoas foi muito maior, foi muito mais rápido votar e, portanto, diria que essa é uma primeira vitória do Benfica, é uma primeira vitória dos sócios do Benfica a assumirem-se. Eles são o maior patrimônio, eles têm de estar no centro do clube. É também uma vitória dos candidatos, em particular de Rui Costa, porque toda a sua campanha nesta segunda volta foi dirigida especificamente para o apelo ao voto. Por quê? Tendencialmente, os candidatos incumbentes são mais favorecidos quando a votação é maior, e isso já se tinha visto na primeira volta. Portanto, diria que, para já, é a primeira análise que se pode fazer em relação a estes números, com essa curiosidade de José Pereira da Costa ter falado de um aumento Transversal em todas as secções de voto em Portugal, mas que se estende também ao estrangeiro. Nós há pouco estávamos a brincar com aquela questão de Cabo Verde, que já está quase a duplicar os seus 13 votantes, mas há muitos locais, Suíça, Luxemburgo, França, onde é visível também esse aumento de votantes, o que não deixa de ser sempre estranho neste sentido. Se existiu uma primeira volta com seis candidatos, com seis projetos e com o mediatismo que circundou toda essa primeira volta, haver a capacidade numa segunda volta a dois e apenas a dois, conseguir ter ainda mais votantes, eu acho que é impressionante.
Sim, e há pouco estavas a falar essa questão da cidade da Praia, em Cabo Verde, por exemplo, que teve 13 votantes na primeira volta e agora à 19h já contava com 22. É um exemplo em muito pequena escala de como está a ser a adesão a esta eleição, esta segunda volta no Sport Lisboa e Benfica. Bruno, antes de nos pedirmos esta questão em torno das queixas de João Noronha Lopes hoje, já tinha acontecido queixas de outras listas na primeira volta. Estes casos mancham, de alguma forma, este processo eleitoral?
Não mancham. Parece-me sinceramente que vai acabar por ser algo secundário. Ou seja, quando nós olhamos para aquilo que aconteceu esta manhã, houve um macrocaso e um microcaso. O microcaso foi simples, foi a Margarida Prieto, mulher do antigo presidente Manuel Damásio, não teria o seu cartão de identificação quando foi votar, tinha apenas e só o cartão do Benfica, mas por ser uma figura pública, por ser conhecida, os serviços deixaram que Margarida Prieto pudesse votar e isso acho que ficou registado em ata, quase uma espécie de queixa. Esse tipo de coisas acontece, pessoas que se esquecem do cartão de identificação ou que têm no telemóvel um PDF legível e pronto. Isso é o tipo de microsituações. Temos este macrocaso, mas quando nós esmiuçamos este macrocaso, aquilo que acontece é: a lista de Noronha Lopes faz uma queixa porque, alegadamente, os presidentes das casas do Benfica receberam durante a madrugada um vídeo de 2min55s, que quando fecharem as votações poderão ler o seu conteúdo também aqui no Observador, onde Rui Costa, por um lado explicava que o papel de presidente fez com que ele não pudesse ser tanto o candidato Rui Costa como desejava, por outro explica também o porquê de não ter ido a mais casas durante este período e depois acaba com um apelo ao voto. A ideia da lista D, de Noronha Lopes, é dizer: "Isto é muito mais grave do que aquilo que aconteceu na primeira volta, onde nos acusaram de estar a enviar indiscriminadamente mensagens e e-mails para associados", quando, na verdade, eles estariam numa base de dados. Foram eles que entraram nessa base de dados da própria campanha e foi a partir daí que saiu essa mensagem e o Benfica fez uma queixa à Comissão Nacional de Proteção de Dados. Qual é a questão aqui? Ponto um: isto poderia fazer sentido havendo a garantia de que o vídeo chegou mesmo durante a madrugada. E há informações, e a própria campanha do Rui Costa também aponta nesse sentido, de que este é um vídeo que terá sido enviado ainda durante o período da campanha eleitoral, que fechava basicamente esta sexta-feira e, portanto, o vídeo foi enviado durante a campanha eleitoral. Um segundo ponto que é: neste contexto e nesta altura, faz sentido haver um grande alarido à volta deste caso? Eu percebo a parte da campanha de Noronha Lopes, porque entende que isto é um caso gravíssimo, até porque os presidentes das casas mexem muito quando é um dia de eleições, mas aquilo que me parece é que a imagem que passa é de uma candidatura que continua a fazer muito a queixa do que faz a outra candidatura. E eu tenho dúvidas que isso seja o tipo de mensagem que uma candidatura queira passar em dia de eleições, neste caso, eleições decisivas. Daí eu dizer que foi um caso que foi muito falado durante a manhã, mas quando nós chegarmos ao final da noite e chegarmos à parte das votações, será um caso secundarizado, com essa curiosidade de percebermos depois também se o Benfica vai ou não apresentar algum tipo de queixa