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É aqui no Teatro Circo que decorre a Cimeira da Indústria. Nos próximos minutos vou estar à conversa com Vítor Rodrigues, administrador da Elior e Derichebourg Facility Services. É uma empresa francesa que fornece 18 serviços, emprega em Portugal mais de 5000 pessoas. Viva, Vítor.
Boa tarde.
Antes de mais, explique-me que serviços são estes que a Elior e Derichebourg fornece, porque vão desde, segundo percebi, a assistência a aviões até refeições coletivas, certo?
Não é bem assistência a aviões. É um grupo familiar, é importante comentar.
Criado em França.
Criado em França, sim. E peço desculpa, se posso ter às vezes um português um bocadinho torto, mas vou fazer um esforço.
Perfeito.
O grupo tem uns 70 anos.
Deixa só fazer aqui um pequeno parêntesis para os nossos ouvintes. Apesar do Vítor ter um nome português, Vítor Rodrigues, o Vítor é filho de portugueses.
Exato. Luso-francês.
Luso-francês.
E cheguei aqui a Portugal em 2015, quando se fez a aquisição das participações restantes de uma empresa que já tinha cá em Portugal desde 2000, que se chamava antigamente Safira. O grupo, para voltar ao tema, é um grupo que hoje emprega cerca de 140 mil pessoas no mundo, dos quais 5500 mais ou menos estão cá em Portugal. Em Portugal operamos principalmente na área das limpezas, na área da restauração coletiva, com a marca Elior, mas também na manutenção de primeiro nível, trabalho temporário, jardinagem. Depois no restante dos países, estamos a falar também de tratamento de resíduos, que também representa uns 4 mil milhões de euros de negócio para o grupo. Estamos a falar também da parte aeronáutica. Aeronáutica não se fala de assistência, mas vou-te dar um exemplo, quando entras num avião da Airbus, a probabilidade de ele ter sido montado por nós, se calhar é 90%. Fazemos a montagem, cablagem e testes em voo dos aviões do nosso cliente, que é a Airbus, mas nem só em França, em Toulouse, como a maioria das pessoas conhece, mas um avião é montado em vários países, as peças são montadas e também em Santo Tirso, aqui em Portugal, agora há uns anos. Depois é tudo levado lá para Toulouse para a montagem final. E é também um dos clientes mais antigos do grupo. Evidentemente, não há muita concorrência nessa área.
Pois. Já é um grupo muito diverso e com muitas áreas industriais.
Muitas áreas industriais, mas também vamos dizer que mais de metade também é serviço. Porque quando estamos a falar da indústria aeronáutica, a engenharia está do lado da Airbus e a mandoura toda está do nosso lado. Dos 12 mil milhões que fatura o grupo Derichebourg e Elior, vamos dizer que 40% é industrial, e maioritariamente na parte da gestão dos resíduos, seja resíduos metálicos, etc. Isso é mais industrial, e o restante a maioria é serviços.
Quando diz resíduos metálicos, é o quê?
Temos a cadeia completa.
É sucata?
Se a palavra é sucata.
Não é uma palavra muito bonita.
Não é uma palavra muito bonita, mas evidentemente, nem só em França, mas nos Estados Unidos, em vários países, no México. Temos a vertente de fazer a coleta de metais, o tratamento, a fundição e o voltar dos metais à indústria. Estamos a falar de uma cadeia completa, por isso é que a palavra sucata também não é a mais certa.
É mais apropriada.
Por exemplo, só no nosso triturador que temos em Seattle, aquilo engole, acho que é 240 toneladas por hora de metal. Estamos a falar de uma sucata séria. Temos para aí uns 60 ou 70 sítios de trituração no mundo.
Vítor, dizia há instantes que em Portugal, a Elior e Derichebourg emprega mais de 5000 pessoas.
Exato.
Onde é que trabalham estes portugueses?
Trabalham um bocadinho de tudo. Estamos a falar de 5500 pessoas. Trabalhamos no país todo e nas ilhas, seja nos Açores e na Madeira. Hoje, 60% dos nossos colaboradores estão na área das limpezas, mas quem diz a limpeza, pode ser limpeza de escritórios, limpeza industrial, limpeza agroalimentar, hospitalar. A área dos serviços tem vindo também a ser cada vez mais valorizada e os serviços de forma geral. E depois o restante dos nossos funcionários, temos uma área de restauração coletiva, seja na área social, também pode ser hospitais, pode ser lares também ou empresas. Temos aí também uma parte dos nossos colaboradores e o restante na área do trabalho temporário, muito focado também lá para o Algarve, a acompanhar a área turística e a parte hoteleira e a área da jardinagem ou manutenção de jardins, golfe, etc.
Ok. Quais são as vossas intenções para Portugal nos próximos anos?
As nossas intenções é continuar o bom caminho que a gente tem feito até agora. São para nós todos anos de crescimento. Não vou dizer que são anos fáceis, porque levámos com o Covid há uns anos e sabemos que as áreas de serviços, de forma geral, sofreram muito, nem que seja limpeza, restauração. E os tempos são cada vez mais apertados, cada vez mais desafiantes. Mas finalmente, estes desafios que temos tido que ultrapassar, fizeram-nos sempre crescer, mas crescer que seja nas nossas organizações, na aposta que a gente tem feito nas nossas pessoas.
Mas qual é a ideia? É continuar a apostar nos serviços, na indústria?
Claro, porque a nossa alma está aí. E quando se fala de indústria, a indústria é uma coisa importante, mas uma indústria forte precisa de serviços fortes. Mesmo se estamos a falar de indústria e de máquinas e de inovação e de inteligência artificial, por trás disso tudo há sempre o fator humano e há pessoas.
Muito bem. O Vítor cresceu em França, trabalhou em França.
Ouve-se, não? Oui.
Mas diga-me uma coisa, encontra muitas diferenças entre Portugal e França?Do ponto de vista laboral, profissional.
Principalmente culturalmente. Vou te ser sincero, principalmente na área das limpezas, tive alguma dificuldade em me habituar, porque a maioria das nossas funcionárias de limpeza são geralmente pessoas da sombra, esquecidas, transparentes e muitas vezes pouco respeitadas, mas essenciais.
Então, enquanto administrador, cabe a si valorizá-las.
Exato. E estou cá para isso. E não estou cá só para isso, acho que é o meu dia a dia. Acho que se há palavra que eu uso mais na nossa casa é a palavra respeito, porque se nós estamos cá a falar, se estamos todos também nos nossos gabinetes, não acho que é a ser porque há mães, tias, avós, que se levantam às vezes às 05:00 para operar no terreno.
Há a crença de que em Portugal se trabalha mal. Partilha dessa ideia?
Evidentemente, estou cá a liderar a nossa parte de Portugal, mas estou em contato com meus colegas todos nos outros países. Acho que a vertente de recrutamento é a mesma e as dificuldades são as mesmas para todas. Por isso é que cada vez mais temos que estar todos juntos. O barco temos que levá-lo todos juntos e não nos esquecer que sem essas pessoas também nós não somos nada. Então há cuidar do nosso pessoal, torná-las felizes, porque pessoas felizes fazem uma empresa feliz e clientes felizes. Começamos há uns meses atrás também, acho que fomos os primeiros aqui da nossa área a ter iniciado com um gabinete de psicologia para os nossos trabalhadores. Evidentemente, já passaram três meses e já foram mais de 100 e tal colaboradores com consultas, já foram mais de 22 unidades nossas visitadas pelo gabinete de psicologia. E o feedback que eu tenho disso é muito positivo. As pessoas sentem um ombro em quem pousar a cabeça e falar e sentem a preocupação.
Acompanhadas. E isso é muito importante.
É muito. É orgulho também.
Vítor Rodrigues, agradeço-lhe. Muito obrigado por ter estado aqui à conversa comigo nestes últimos minutos, a partir do Teatro Circo em Braga. Daqui a pouco vamos olhar precisamente para o Conselho de Braga e para a dinamização económica deste pequeno reduto aqui do Minho. Até já.