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E amanhã o Observador organiza em Lisboa um grande evento que é dedicado ao tratamento do AVC e dos enfartes. São a principal causa de morte em Portugal. Ao longo desta semana, a jornalista Cláudia Pinto ouviu investigadores, especialistas que vão estar no Pavilhão do Conhecimento. Então, amanhã, para debater as doenças cerebrocardiovasculares. Os ouvintes também podem lá estar, basta que se inscreva em observador.pt. Pode também depois acompanhar a transmissão em direto no site do Observador e nas plataformas habituais, como por exemplo o YouTube. Hoje, a jornalista Cláudia Pinto falou com Francisco Madeira, investigador da Escola Nacional de Saúde Pública, que olhou para os custos das doenças cardiovasculares no Serviço Nacional de Saúde ao longo de 21 anos, e os números são impressionantes.

Este trabalho fez parte de um estudo que realizamos na Escola Nacional de Saúde Pública, onde quisemos perceber quanto custa tratar as síndromes coronárias agudas, incluindo o enfarte agudo de miocárdio em Portugal, e perceber também como é que estes custos foram evoluindo ao longo do tempo, entre 2002 e 2022, o nosso período de análise. No fundo, quisemos perceber qual o encargo económico direto deste tipo de tratamento para o Serviço Nacional de Saúde. Entre as principais conclusões do nosso estudo, concluímos que o custo médio por episódio ronda os € 6.800, o que representou uma carga económica global para o SNS superior a 1,8 mil milhões de euros. Entre os fatores que mais contribuíram para este valor, destacou-se a angioplastia coronária, que é o procedimento cirúrgico mais utilizado neste tipo de casos. Logo a seguir, segue-se a diária de internamento hospitalar, isto é, os custos decorrentes da estadia de um utente em meio hospitalar. Já outros fatores que também pesaram bastante para os custos de tratamento são a utilização de dispositivos médicos, nomeadamente a utilização de desfibrilhadores, que por terem um custo elevado, acabam também por aumentar o custo e o valor total do tratamento. Já comparando os nossos resultados também com a evidência europeia, constatamos que os custos portugueses apresentam padrões coerentes com os já reportados noutros países, como Espanha, Itália e Suécia, porém, a custos mais baixos, o que refletem não só o estatuto económico do país, como também o fato de os preços serem mais baixos para dispositivos médicos e para medicamentos. Apesar dos nossos resultados sugerirem que o custo médio por este tipo de episódios tem vindo a diminuir ao longo dos últimos anos, é um facto que estas síndromes continuam ainda a ter um peso muito relevante na despesa anual do Serviço Nacional de Saúde, contabilizando algo como 1% de todo este valor. Garantindo sempre que é privilegiada a decisão clínica, aliada não só às melhores práticas clínicas, como também a recomendações europeias e internacionais, de forma a garantir os melhores resultados clínicos possíveis, acreditamos que a abordagem de tratamento pode também trazer benefícios económicos, quer seja através de uma melhor alocação dos recursos no tratamento, ou uma utilização mais sustentável dos dispositivos médicos, ou até mesmo pela redução do tempo de internamento destes pacientes aos tratamento necessário. Ou seja, todos estes fatores podem ajudar a melhorar a sustentabilidade económica do Serviço Nacional de Saúde. O investimento também em políticas de contenção de custos, de forma a controlar eficazmente a despesa total destes pacientes, pode também ajudar a reduzir a despesa total. E ainda a aposta em medidas de prevenção que visem reduzir a exposição a fatores de risco, quer sejam eles ambientais, comportamentais ou até alimentares, e cujo o benefício económico também já esteja reportado na literatura, podem ser então outro tipo de apostas que ajudem a controlar a despesa neste tipo de síndromes, reduzindo não só a mortalidade e a morbilidade, e consequentemente este impacto económico que estes pacientes têm.

Francisco Madeira, investigador da Escola Nacional de Saúde Pública, é um dos especialistas que vai estar no Pavilhão do Conhecimento amanhã em Lisboa para falar sobre os custos dos tratamentos dos enfartes e outros episódios cardíacos no SNS. O grande evento do Observador dedicado às doenças cerebrocardiovasculares é aberto ao público, pode inscrever-se em observador.pt. Também pode acompanhar essa emissão através das redes sociais do Observador