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E por falar em André Ventura, que sim agora, porque vai reagir a este discurso à saída do Palácio Nacional da Ajuda, Vasco Maldonado Correia?

Sim, e já fala, vamos ouvir.

Grupo parlamentar, que decorreu no Parlamento e ainda continuou a decorrer depois de eu sair, mas entendemos que era importante estar presente e dar um sinal de presença e por isso fiz esse ajuste e não me arrependi. Acho que era importante que os partidos, gostem mais ou menos do governo, que estejam presentes.

Por que mudou de opinião?

Vai ser uma força de bloqueio ou vai deixar o primeiro-ministro trabalhar?

Não ouvi nada.

Dr. André Ventura, vai ser uma força de bloqueio ou vai deixar o primeiro-ministro trabalhar?

Vamos por parte. Isso. Vamos fazer uma pergunta de cada vez. Antes de mais, o Chega nunca é uma força de bloqueio. O Chega é uma força de construção de alternativas e de construção positiva. Quero dizer também o seguinte, acho que é legítimo dizê-lo. Acho que o primeiro-ministro Luís Montenegro teve hoje um discurso positivo, eu queria sublinhar isso, acho que é um discurso positivo, a tocar em vários aspetos que interessam à sociedade portuguesa, desde a juventude, à luta contra a corrupção e à promoção de uma economia forte e saudável. E eu não queria deixar de dizer isto, não obstante as circunstâncias políticas. Ou seja, acho que este foi um discurso de futuro, que é importante agora que o primeiro-ministro cumpra aquilo que hoje disse. E portanto, eu sublinho uma série de áreas que são decisivas para a sociedade portuguesa, para a economia portuguesa. A imigração, que foi tocada pelo primeiro-ministro também, não queria deixar de sublinhar isso como um elemento positivo. O que é importante agora é que Luís Montenegro consiga concretizar essas palavras em medidas concretas e nós vamos estar muito vigilantes, como é o nosso trabalho.

Acha que a mesma coisa aconteceu à frase que disse na semana passada que Luís Montenegro não pode contar com o Chega para governar, mantém-na?

Sim, vamos lá ver. Eu penso que isso já ficou claro. Aliás, também queria saudar isso no discurso do primeiro-ministro Luís Montenegro hoje. Ele deixou claro que o interlocutor dele será o Partido Socialista.

Como assim? Deixou claro em que momento?

No discurso, quando ele disse que apela à responsabilidade e ao compromisso do Partido Socialista, eu acho que ficou claro que Luís Montenegro fez uma escolha, mas esse tempo é passado.

Aposta para não vetar, por exemplo, o Orçamento do Estado, para votar ao lado uma abstenção no Orçamento do Estado?

Eu acho que é claro, hoje, que o doutor Luís Montenegro fez uma escolha. Essa escolha é o Partido Socialista. Agora, o que eu espero é que haja esses entendimentos com o Partido Socialista para se entender.

Este governo caiu por causa de uma suspeição sobre António Costa, que agora à saída nos disse que já deu indicações ao advogado para perceber, porque ainda não foi contactado sobre nada. Como é que vê também a justiça neste caso em que acabou por cair um governo?

António Costa demitiu-se por sua decisão, embora, de facto, as circunstâncias tivessem sido muito estranhas para um governo se manter em funções, nomeadamente, à parte do que aconteceu com António Costa, não podemos esquecer as questões envolvendo João Galamba, dinheiro encontrado no seu gabinete. Quer dizer, não é apenas por uma suspeita ao primeiro-ministro. Mas isso é passado. António Costa entendeu, e eu também acho que ele tinha razão, que não tinha condições para continuar. Tanto quanto eu sei, António Costa não é arguido, penso eu. Portanto, a questão não era o estatuto processual, é mesmo a suspeita e o condicionamento que António Costa disse sentir. Até por isso, este governo e este Parlamento têm um especial desígnio, que é lutar contra a corrupção.

A Agenda Nacional de Combate à Corrupção lançada aqui hoje poderá contar com o apoio do Chega?

Mas todas as medidas que sejam boas contarão certamente com o apoio do Chega.

Inclusive o Orçamento do Estado?

O Orçamento do Estado ficou já claro que o Partido Social-Democrata escolheu o PS como interlocutor.

Considera que está fora desta negociação?

É com o PS que agora tem que se entender. Já passamos essa fase, acho que hoje a escolha deste governo foi clara.

Está fora da negociação do Orçamento do Estado?

Acho que o PSD escolheu o seu caminho e hoje no discurso ele disse novamente. Repare, Luís Montenegro hoje escolheu o caminho de pedir o compromisso do PS. Nós lideraremos a oposição no Parlamento.

Mas queria que se referisse ao Chega, Luís Montenegro?

Luís Montenegro desafiou para negociar o Orçamento do Estado, o Chega diz que sim ou diz que não?

O Chega está sempre disponível para negociar todas as matérias que sejam boas e positivas para o país. Agora, nas grandes decisões da política portuguesa nos próximos meses e anos, em que o primeiro-ministro escolhe as grandes linhas orientadoras da política, da economia, da fiscalidade, ficou claro que o que Montenegro quis foi um compromisso com o PS. Agora, eu não sei o que o PS fará, isso é uma questão do Partido Socialista. Luís Montenegro podia ter tido outra escolha, mas isso é passado. Agora estamos noutro momento. O Chega assumirá no Parlamento o lugar de liderança da oposição. E é isso que faremos.

Está disponível para garantir estabilidade a este governo que tem apenas 80 deputados?

Este governo, com o Partido Socialista, garante condições de estabilidade. Se fez a escolha do Partido Socialista, o que eu espero agora é que o Partido Socialista garanta essa escolha de estabilidade.

Não vir à tomada de posse.

Para dar essa estabilidade ao país.

Acho que ficou claro hoje que houve uma escolha. Luís Montenegro escolheu Pedro Nuno Santos como...

Não vir à tomada de posse.

Claro, vamos estar muito presentes neste desafio. Como é sabido, nós temos propostas muito sérias e avançadas na luta contra a corrupção, nomeadamente o confisco alargado de bens e que certamente será palco. Nós nunca nos demitimos do trabalho parlamentar. Isso é uma questão e vamos contribuir na saúde, na educação, na luta contra a corrupção, nos jovens, etc. Vamos continuar a ser uma força positiva. Agora, nas grandes opções do governo, acho que ficou claro que a escolha do PSD é o PS. O que nós esperamos agora é que garantam essa estabilidade ao país. Em todo o caso, hoje não é o dia para isso, isso já foi um tempo passado. O Chega liderará a oposição no Parlamento, ou fará por isso, pelo menos. Não queria deixar de anotar, no entanto, um discurso que eu acho que foi positivo, acho que mobilizou pelas forças positivas do país e também, já agora, do senhor presidente da República, que me parece também que fez um discurso, na generalidade, a apelar à mobilização do país e de forças positivas. Por isso, vamos dar espaço agora ao governo, o governo vai governar e nós cá estaremos para ver se o governo governa bem ou se governa mal. O Partido Socialista tem que dar agora a estabilidade que Luís Montenegro quis procurar com eles.

Para não vir à tomada de posse, seria dar um sinal ao novo governo?

Tinha uma reunião do grupo parlamentar, entendi, no entanto, íamos fazer-nos representar pelo líder parlamentar. O Chega está presente nestes momentos. O Chega é um partido que respeita as instituições. Tinha uma reunião com o grupo parlamentar, que aliás continuou a decorrer.

O que é que o fez mudar de ideias?

Entendi que era importante o líder do partido estar para evitar leituras erradas sobre esta matéria e a leitura errada é: o governo tem que governar e nós não somos forças de bloqueio. O Chega é uma força de construção.

O senhor Pedro Santos não ter vindo é um mau sinal?

Eu não tenho que fazer juízo sobre Pedro Santos. Pedro Santos certamente fez a sua escolha e depois dessa escolha estar feita, assumirá essas consequências. Acho que hoje a clareza ainda foi maior quando Luís Montenegro disse: "Apelo ao compromisso do Partido Socialista". Acho que ficou claro, o Chega liderará a oposição. Gostava que tivesse havido uma referência ao Chega.

As impressões com Hugo Soares, o que é que falou? Posso-lhe perguntar?

Não, falamos sobre a vida parlamentar e agora temos muitos...

Sobre eventuais futuros compromissos?

Não, falamos sobre a vida parlamentar. Como sabem, agora, o Chega e o PSD, não se entendendo, não tendo havido acordo do governo, há questões que têm que haver consensos na Assembleia da República, em comissões, etc. O Chega vai presidir a muitas comissões, PSD também. São matérias agora da vida parlamentar que é preciso articular. Quanto ao governo, desejo ao PSD e ao PS boa sorte.