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Já decorreu a primeira edição da Meaningful Leaders, com vários líderes premiados. Iniciativa criada pela Argo, uma das principais empresas de executive search de Portugal, com o objetivo de destacar os melhores talentos do mercado nacional. Foram vários os premiados num evento que se inspirou no modelo desenvolvido pelo professor da Nova SBE, Milton de Sousa. Para nos explicar tudo sobre a Meaningful Leaders, temos conosco Milton de Sousa e também o Pedro Hipólito, da Argo. Bem-vindos, Milton e também bem-vindo, Pedro.

Obrigado, João.

Obrigado.

Pedro Hipólito, quem é que foi premiado, por quê e como é que foram selecionados os vencedores da Meaningful Leaders?

Boa tarde a todos os que nos ouvem. Antes de referir os premiados, começo por enquadrar o objetivo e a metodologia que utilizamos. Enquanto empresa focada na área de identificação de talento e estratégia de pessoas, sentimos diariamente as mudanças que vão ocorrendo no mercado, a forma como nos relacionamos com o trabalho está a mudar e as expectativas em relação às lideranças também. Existem já algumas iniciativas tipicamente focadas em distinguir CEOs, normalmente ancoradas em resultados e na performance das empresas que lideram. E claro que os resultados são muito importantes, não somos ingênuos, mas há várias formas de atingir esses resultados. Quisemos valorizar, neste caso, uma perspectiva sustentável de gestão de pessoas, ou seja, quem concilia resultados com o desenvolvimento das suas equipes e com a construção de narrativas que vão para além do curto prazo. Quisemos também que os critérios fossem o mais transparente possíveis e meritocráticos, e para isso era importante que não fossem as empresas onde as pessoas trabalham a indicar os nomes. Indo à resposta direta à questão, o que fizemos foi perguntar a todas as pessoas que entrevistamos no âmbito de projetos executive search ao longo do ano, quem é que tinha sido o líder que mais as marcou. Para além disso, tivemos um júri com nove pessoas que nos ajudaram também a identificar os finalistas. Respondendo então em relação aos perfis mais votados, na categoria Geradores de Conhecimento, foi o Paulo Dimas, que é o CEO do Center for Responsible AI, e Ana Corte-Real, diretora do MBA da Porto Business School. Na categoria Impacto Social e Sustentabilidade, Alexandra Machado, fundadora da Girl Move Academy, e a Maria João Matos, que é coordenadora de projetos especiais do Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão. Na categoria Setor Empresarial Serviços, o Rui Dinis, que é o CEO da CUF, e o Pedro Castro, CEO da Dealz. E por último, na categoria Setor Empresarial Indústria, o Ricardo Pires, CEO da Semapa, e o Luís Aguiar, CEO da Maykor.

Ok, muito bem. Milton de Sousa, que projeto é o modelo Meaningful Leadership, que serviu de guia ou de inspiração para esta primeira edição do Meaningful Leaders?

Muito bem. Antes de mais, mais uma vez agradecer à Argo também a oportunidade para poder fazer deste trabalho uma referência para este prêmio também. Este projeto surgiu já há alguns anos. A minha área de investigação tem muito a ver com o conceito de servant leadership ou liderança servidora. E eu achei que estava na altura, talvez até para eu mesmo explorar outras formas de abordar o tema da liderança, de sofisticar um pouco essa abordagem. E, por outro lado, também tentar encontrar um modelo que permitisse, sobretudo, encontrar formas de criar condições nas organizações para que as pessoas sintam que o seu trabalho tem sentido, tem significado. Infelizmente, os números não são os mais positivos. A maior parte das pessoas não se sente motivada no seu trabalho. Os dados assim indicam ao nível global. E eu acho que isso é um desperdício de vida e de talento. Quis criar um modelo que tentasse o mais possível explicar como é que um líder pode ajudar uma pessoa a encontrar sentido no seu trabalho. E foi essa a motivação. A abordagem passa por, primeiro, o mindset, um ponto de partida daquilo que é a forma de pensar a liderança, muito focado naquilo que é uma visão do líder tendo uma consciência alargada daquilo que é o seu papel. E o Pedro há pouco estava a falar sobre atingir resultados financeiros, que obviamente é fundamental quando falamos de uma empresa, mas qualquer organização tem essa preocupação. Mas tem que pensar no seu papel e a sua responsabilidade perante as pessoas com quem trabalha, e também a comunidade no seu entorno. E perceber que a sua organização tem um papel que vai muito para além daquilo que é o valor que entrega para os acionistas, embora isso seja obviamente central. Isso exige pessoas com o mundo, cidadãos do mundo. Depois, dois aspetos fundamentais. Estes líderes são, sobretudo, pessoas que têm uma grande motivação para que as pessoas que trabalham com eles estejam ao seu melhor. Há uma motivação para servir e veem no seu sucesso, sobretudo, o sucesso dos outros. E, ao mesmo tempo, uma grande coragem para transformar as organizações no sentido do impacto que querem ter. Este misto de maior consciência do seu papel, motivação para servir e essa dedicação para transformar é fundamental. E depois, muito rapidamente, três grandes papéis. Storytellers, ou seja, são pessoas que criam narrativas inspiradoras e que articulam bem naquilo que é a missão da organização, e o impacto e valor que cria, não só para o acionista, mas para os clientes e para a comunidade como um todo. Depois, a capacidade de traduzir isto em ação, porque há muitos líderes que são excelentes oradores, excelentes a criar histórias, mas depois não conseguem concretizar essas histórias inspiradoras naquilo que é o terreno. Isto são pessoas de muita tração na operação, são pessoas que sabem descer à operação E falar com quem está na fábrica, quem está no apoio ao cliente e traduzir essas histórias em algo muito concreto e dar também poder às pessoas para decidir. E, por fim, são pessoas que dedicam muito tempo a darem mentoria aos seus colaboradores para que possam estar ao seu melhor. Atenção individual.

O conceito que está por detrás do meaningful leadership é o de liderança significativa. É uma nova forma de olhar para as lideranças, Milton?

Curiosamente, algo que me surpreende sempre muito é quanto nós sabemos já na ciência, na academia, sobre o que é uma boa liderança e que depois não passa cá para fora, infelizmente. E de facto, já há muitos anos, muitos estudos que trabalham sobre o que é um trabalho com significado e, portanto, por consequência, que liderança é que leva a ter um trabalho com mais significado. Eu não direi que inventei algo totalmente radical ou de novo. O que eu acho que tentei fazer foi articular, juntar as peças sobre aquilo que a ciência nos diz, para depois ter uma história consistente em torno disto. O livro que eu publiquei, que explica este modelo mais em detalhe, tenta juntar tudo aquilo que foi a investigação até à data que pode contribuir para esta mensagem.

Pedro, Portugal fez um esforço grande nos últimos anos para formar pessoas para o mercado de trabalho, cada vez mais global, cada vez mais exigente. Este é o momento de trabalhar o topo, ou seja, cuidar das lideranças das empresas, das equipas e de quem lidera os projetos?

Sim, sentimos que de facto tem havido uma atenção crescente aos temas associados à liderança. Cada vez existe mais formação na área. Em última instância, todos exercemos papéis de liderança no dia a dia, portanto, diria que este é um tema universal. E como refiro, o mercado cada vez é mais global e diversificado. Hoje em dia coexistem nas empresas pessoas de diferentes nacionalidades, com diferentes hábitos culturais, diferentes gerações que se relacionam também de forma diferente com o trabalho. Para quem gere equipas, isto gera muitos desafios e a necessidade de estar em constante adaptação. Vivemos numa era de mudanças rápidas e sem receitas infalíveis para o sucesso, pelo que é necessário que os líderes se adaptem e ajudem as equipas a gerirem de melhor forma esta volatilidade através de um ambiente de segurança psicológica, de aprendizagem com erro e, como o professor referia, da construção de um propósito maior que ajude a relativizar estas incertezas do dia a dia.

Muito bem, Pedro Hipólito e professor Milton de Sousa, agradeço a ambos as explicações sobre meaningful leaders. Muito obrigado e até uma próxima.

Obrigado.

Obrigado.