Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
É sempre assim na tarde em direto, antes do jornal das 19h, Euromilhões, com as notícias do desporto e hoje chegam aqui à Rádio Observador pelo Bruno Roseiro. Bruno, boa tarde.
Olá, boa tarde.
Que bom voltar a encontrar-te aqui nas tardes do Observador. Euromilhões que tem sempre um tema do dia, uma viagem ao futuro e uma recordação, uma efeméride. Já lá iremos. Tema do dia: o mercado português que parece estar a mexer com novidades praticamente nos três grandes, a cada hora, diria, nesta última tarde.
Sim, e, por exemplo, vou começar pelo meio, que é o Sporting. No nosso programa "Hora de Almoço", eu tinha falado que o Sporting andava a olhar muito pro Minho, mas já não era pra Braga. E confirmou-se que é Guimarães. Portanto, o Rochinha está a caminho do Sporting pra um negócio que será feito por € 2 milhões. Queria, ainda assim, começar pelo David Carmo.
Também do Minho.
Também do Minho.
Para o Douro litoral.
Sim, anda tudo lá por cima. E parece-me que não vai ser o único, porque ainda há o Ricardo Horta. Também pronto para descer pra Luz, mas não será para já. Mas o David Carmo tem aqui uma simbologia grande. Primeiro, porque será o primeiro reforço do Futebol Clube do Porto esta época. E Sérgio Conceição já não estava propriamente muito satisfeito em ver tanta gente a sair e ninguém entrar. E tem uma outra simbologia, que é as negociações estão muito avançadas e não estão fechadas. Há determinados pormenores por definir, nomeadamente percentagens de futuras transferências e da sua mais-valia, e também, possivelmente, empréstimo ou cedência definitiva de jogadores. Mas há, para já, uma base que me parece difícil de contornar. O David Carmo vai ser a maior transferência de sempre entre clubes portugueses, superando aquilo que tinha pago o Benfica pelo Rafa ao Sporting Braga e aquilo que tinha pago o Sporting pelo Paulinho ao Sporting Braga, que continua a faturar. Em termos financeiros, lucra, em termos desportivos, vai perdendo os seus principais ativos, mas vai continuando a lucrar. No caso do Futebol Clube do Porto, ainda assim, Sérgio Conceição espera mais um central, que se calhar agora ganha menos pertinência a partir do momento em que David Carmo esteja confirmado. Um médio que será a grande prioridade nesta altura, na construção do plantel do Futebol Clube do Porto, falta claramente um médio que possa fazer aquilo que Vitinha fazia. Sérgio Oliveira é sempre uma hipótese, mas muito provavelmente Sérgio Oliveira poderá ser vendido a título definitivo. Ele esteve agora emprestado os últimos seis meses à Roma. E depois há a questão das saídas. Otávio, parece-me que é líquido, podemos dizer que Otávio não vai sair, porque o Futebol Clube do Porto não vai facilitar a nível de valores e os 30 milhões do Leeds foram prontamente recusados e não me parece, nesta altura, que exista alguém pronto para subir muito a fasquia. Há ainda assim outros jogadores que podem sair. Marchesín é um bom exemplo, numa questão de utilização, e o próprio Francisco Conceição tem nas mãos uma proposta, segundo aquilo que sabemos, para ir pro estrangeiro e que poderá também aceitar. Portanto, são transformações que vão existindo no plantel do Futebol Clube do Porto, e que, sobretudo, esperam mais entradas até o início da temporada.
Sendo que está mais ou menos confirmado este negócio do David Carmo, do Braga para o Porto.
David Carmo, que vai para o Porto, não há dúvida nenhuma. O valor final é ainda a incógnita, sendo que existe isso. Vai ser, tudo indica, o maior negócio de sempre entre clubes portugueses, superando essa barreira do Rafa.
Já que falamos do Sporting e da contratação de Rochinha, do Vitória Sport Clube de Guimarães para o Sporting, contratação que fica por € 2 milhões. Ele acabava o contrato no próximo ano, em 2023. Mas o Sporting tem aqui uma outra prioridade, não é?
Sim, que sempre foi o Trincão, desde o início. Aliás, o Sporting ainda tentou perceber até que ponto é que podia aguentar Sarabia. Ia ter sempre um grande problema, que é o ordenado. Ou seja, uma coisa é o Paris Saint-Germain pagar o ordenado do Sarabia, outra coisa é ser o Sporting a pagar o ordenado do Sarabia, o que é incomportável, porque duplicava aquele que é, nesta altura, o teto salarial em Alvalade. Portanto, por aí, seria uma equação complicada de cumprir. E o Francisco Trincão sempre foi a primeira opção, continua a ser a primeira opção e nesta altura, havendo acordo entre jogador e Sporting, inclusivamente Rui Amorim já falou com ele, aquilo que nesta altura está a prender as negociações tem a ver com quanto é que o Sporting terá de pagar de cláusula de opção, que será obrigatória. Portanto, ele viria numa condição de emprestado por um ou dois anos, até poderia vir por dois anos. Depois a questão é quanto é que o Sporting terá de pagar a cláusula obrigatória de compra.
Em ordenados.
Os ordenados também não há problema, porque encaixa dentro do teto salarial que o Sporting tem previsto. O problema é quanto é que tem de pagar e quando é que tem de pagar. Pronto, e nesta altura essa é a questão da parte do Barcelona.
O Barcelona tem tido um dia também agitado com a confirmação de pelo menos dois reforços ao longo do dia de hoje.
Sim, Kessie e Christensen a custo zero. Portanto, que eram reforços que já eram mais ou menos esperados. Acho que o Barcelona, vamos voltar a falar aqui do Barcelona, mas é por outras razões, porque o Barcelona anda a abdicar do futuro para ter dinheiro no presente, pra andar em contratações, e está a entrar num caminho que o levou exatamente quase à bancarrota. Mas o senhor Laporta lá saberá as suas contas, os seus investimentos, ainda para mais, tem um estádio todo para remodelar, que também não deve ser propriamente a coisa mais barata do mundo. Mas nessa altura, o Barcelona aquilo que quer é não perder dinheiro com o Trincão, sabendo que já amortizou parte do valor investido com o empréstimo ao Wolverhampton, que depois decidiu não avançar com a cláusula de compra. Portanto, diria que o Trincão será uma novela Pode arrastar-se mais ou menos, mas será reforço do Sporting. O Benfica inicialmente ainda tentou perceber as suas condições. A partir do momento em que garantiu o David Neres, o Trincão deixou de estar nas opções.
Fazer sentido também para o Benfica. Benfica que ficou sim, mas com João Vítor, central do Corinthians, 23 anos, antecipou-se aqui a outros interessados. 10,5 milhões de euros, mas não é por 100% do passe.
Não é. São 75% do passe, 9 milhões são para o Corinthians, 1,5 milhões será para o Banco BMG, que tinha 45% do passe, portanto vende 20%, continua com 25%. É uma contratação que aparentemente está quase fechada. Agora a dúvida é:
Ficam com muitos centrais no Benfica.
Quem é que vai sair? Exatamente. Porque o Lucas Veríssimo entre setembro e outubro já estará apto. Temos Lucas Veríssimo, temos João Vítor, que vai demorar, há sempre um período de adaptação normal.
Do Brasil para Portugal é costume.
Que, por exemplo, no caso do Lucas Veríssimo, correu bem. A partir do momento em que ficou devidamente adaptado, provou-se que era uma mais-valia. Mas depois temos Otamendi, temos Vertonghen, temos a questão da idade, temos a questão dos salários que têm e temos a dúvida qual deles é que vai sair, e se não mesmo os dois até poderão sair.
Muito bem, vamos à nossa viagem ao futuro e hoje queres falar de um tenista, Kyrgios, que ainda há pouco jogou nesta tarde.
E jogou e ganhou.
E ganhou. Tem um feitio muito particular. Estava a ver o jogo sem som, obviamente, estava aqui só passando os olhos ali por um ecrã que tinha o jogo, e ele em quase todos os intervalos estava a falar efusivamente. Não percebi se era para o treinador, que estaria longe do outro lado do corte, ou se estava a falar, mas ele estava em amena cavaqueira a quase a cada intervalo deste jogo. Quem é Kyrgios e por que é que o pões aqui no futuro?
Deixa-me só dizer que falar para um adepto já é uma evolução em relação àquilo que aconteceu no primeiro jogo, onde ele não falou, pura e simplesmente, e assumido por ele, cuspiu num adepto que o estava a insultar e já foi multado por isso. Mais uma multa. É quase como se ele estacionasse o carro num sítio proibido todos os dias, tem a multa todos os dias, paga e assim continua. Assim é Kyrgios. E a BBC aproveitou esta onda Kyrgios, que conseguiu deixar Tsitsipas à beira de um ataque de nervos, literalmente em todos os sentidos, não só pela derrota, mas porque a certa altura percebemos que o Tsitsipas, quando o Kyrgios já servia para o baixo, tinha tanto ou mais vontade de acertar no próprio Kyrgios do que propriamente conseguir o ponto. Tsitsipas estava completamente fora de si e acabou por ser multado, porque atirou duas bolas para a bancada. Já estava mesmo a passar outras linhas. E a BBC, à boleia disso, vai perguntar a vários adeptos em Wimbledon: "Kyrgios e os Kyrgios são bons ou são maus para o ténis?"
Ainda por cima em Wimbledon, que é aquele ténis mais clássico e mais refinado.
Clássico, que as pessoas gostam de ver a comer morangos com chantilly e a beber champanhe, e que todos os jogadores jogam bem.
E há um código, uma conduta.
E depois aparece este Kyrgios que, gostem ou não, oito anos depois, está nos quartos de final. Foi o máximo que ele já chegou num Grand Slam e lá está outra vez, com possibilidades, porque ele agora vai jogar com o Garin, com possibilidades de chegar a uma meia-final, possivelmente com Rafa Nadal, e esse era um jogo que acho que todos nós gostaríamos de ver. Mas é curioso ver que as respostas dos adeptos à BBC variam do "ele de facto exagera um bocadinho de vez em quando, mas é bom jogador e tem grande talento", até às coisas diametralmente opostas, como: "Tem de ser castigado, tem de ser banido, tem de ir a um terapeuta, porque não está bem da cabeça". E isto leva-me a refletir sobre uma questão e a pensar na última edição do Web Summit. Esteve cá o Patrick Mouratoglou, que é o treinador da Serena Williams, entre outros jogadores, e é também, digamos assim, um pensador daquilo que pode ser o ténis moderno. E ele assente com números, tendo a base dos números, explicava que, por norma, a média dos adeptos do ténis e dos fãs do ténis é de 60 anos. E ele criou um torneio onde entrou o Medvedev, o Zverev, esta nova geração de tenistas, onde mudou as regras. O jogo é muito mais rápido. Os jogadores não são obrigados a respeitar uma conduta. Não existe, por exemplo, aquela questão de dizer algo ao árbitro, é penalizado. Não, podem manifestar-se à vontade dentro de uns certos limites, que se calhar o Kyrgios não ia cumprir, mas dentro de uns determinados limites podem manifestar-se. E o que é que ele percebeu? Esses jogos e esses torneios, a média dos adeptos que acompanham isso já é de 40 anos. E tenho muitas dúvidas. Eu percebo que o Kyrgios seja bastante irritante para os adversários e para os adeptos, mas parece-me que um bocadinho de Kyrgios no ténis do futuro também não poderia
Pode até fazer bem à modalidade.
À própria modalidade, exatamente.
Muito bem, vamos rapidamente ao passado, porque passam 41 anos de uma final de Wimbledon entre Björn Borg e John McEnroe. De resto, a final em que McEnroe quebrou a série de vitórias de Borg.
De Borg, que já ia com 41 jogos seguidos a ganhar em Wimbledon, tinha ganho nas últimas cinco edições. É certo que o documentário Borg McEnroe que existe é sobre a final de 1980.
Já vi. Gostei muito.
E não, 1981.
É muito bom.
É espetacular. Mas para mim o mais curioso é não só o McEnroe quebrar, mas aquilo que aconteceu depois, porque eles são descritos, e tu já viste, é o fogo e é o gelo, porque são duas personagens completamente opostas em tudo. E o mais curioso é quando o Borg desiste do ténis e anuncia que vai desistir em 82, muito novo, com 26 anos, é o próprio McEnroe que o tenta dissuadir da ideia e dizer: "Não, tu tens uma carreira enorme pela frente, tu tens de continuar". E não deixa de ser curioso, nós muitas vezes olhamos para a relação Larry Bird-Magic, que naquele contexto de NBA foi muito importante por várias razões e ainda hoje são muito amigos. Neste caso, como é que dois extremos que potenciaram o ténis naquela altura, na década de 80, ficaram tão amigos, tão próximos, inclusivamente a fazerem duelos, que há 11 anos estava eu em Wimbledon, curiosamente, e estavam eles a fazer um duelo de boxers, ou seja, o Borg tem uma coleção de roupa e então aquilo que eles fizeram foi um jogo entre eles, onde cada um desenhava dois boxers, com os seus padrões e com as suas cores, e quem conseguisse vender mais ganhava o prémio, que depois revertia para a fundação do vencedor. Percebe-se que mais do que angariar fundos para as próprias fundações, percebia-se que era uma maneira de eles estarem juntos, de estarem a conviver, de estarem a partilhar também com os jornalistas aquilo que foi a década de 80 para eles. E para mim, de facto, é essa a parte mais curiosa.
Foi hoje, 4 de julho de 81.
Foi literalmente o Dia da Independência para o McEnroe em Wimbledon.
O 4 de julho, Fourth of July de John McEnroe. No fecho do Euromilhões, edição desta segunda-feira com Bruno Roseira, editor de desporto do Observador. Obrigado, Bruno. Um abraço.
Obrigado.