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O líder parlamentar do Chega na Assembleia da República, Pedro Pinto, é entrevistado agora no Explicador pela Raquel Bocasis e pelo Luís Soares. Rescaldo eleitoral na Madeira e eleições a tirar nível nacional.

Bem-vindo, Pedro Pinto, a este Explicador. Ontem, André Ventura disse que as eleições da Madeira deram uma mensagem que esperava que o país tenha percebido, que o país político não troca princípios por cálculos eleitorais. Quer isto dizer que o Chega ficou satisfeito com o resultado obtido ontem na Madeira?

Olá, boa tarde, muito obrigado pelo convite. Não, obviamente que o Chega não ficou satisfeito com o resultado da Madeira. O Chega foi um partido que nasceu para ganhar eleições, nasceu para crescer dentro do espectro eleitoral. Também temos que dizer em que contexto é que eram disputadas estas eleições na Madeira. As eleições na Madeira foram num contexto de uma moção de censura apresentada pelo Chega. E o Chega não se escondeu. O Chega, ao contrário de outros líderes políticos, esteve ontem na noite eleitoral, deu a cara, o seu líder deu a cara também, e isso pareceu-nos extremamente importante. A verdade é esta: era o resultado que estávamos à espera? Não, queríamos um resultado melhor. Obviamente que queríamos um resultado melhor. Nós, no Chega, não transformamos derrotas em vitórias. E por isso é que estamos a dizer que não era o resultado que nós queríamos. Agora, um contexto de uma moção de censura apresentada por nós. As terceiras eleições em um ano e meio, com as pessoas fartas de eleições, percebia-se que talvez o resultado não fosse o melhor. Também combatemos outra coisa. Combatemos aquilo que toda a gente dizia, que quem apresenta uma moção de censura a um governo, quem derruba um governo, vai desaparecer nas próximas eleições. Provou-se que não, o Chega perdeu um deputado.

Não é bem isso que se costuma dizer, Pedro Pinto, é que é penalizado, não é que vai desaparecer.

Raquel, eu peço desculpa, até costumo dizer e comparar muito o Chega com o PRD dos anos 80. É uma comparação que eu já ouvi e a Raquel certamente que já ouviu também.

Sim, já ouvi, de facto.

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O Chega perdeu um deputado, o Partido Socialista perdeu três deputados, o PAN desapareceu do Parlamento Madeirense, o CDS perde um deputado, ou seja, ficou reduzido a apenas um. Portanto, isso foi uma conjectura que se diz. O povo madeirense votou, e o que é que quis? Quis continuar com o Miguel Albuquerque, quis continuar com alguém que está acusado de corrupção, que é arguido em diversos processos. Foi isso que o povo madeirense quis. A democracia é assim.

Pedro Pinto, mas com o resultado que tiveram ontem, que reflexão é que o Chega faz? Reconhecem que foram responsabilizados pela instabilidade e por terem provocado estas eleições ou não fazem essa leitura?

Não fazemos essa leitura por uma coisa muito simples: foram os madeirenses que votaram. As eleições na Madeira são eleições regionais. O PSD Madeira ganhou desde sempre as eleições naquele arquipélago. É uma coisa também importante nós dizermos. E não conseguimos combater uma vitória que o PSD tem tido sempre. Aquilo que nós tentámos foi passar uma mensagem, que passou também ao eleitorado. Apesar de perder um deputado, mantivemo-nos como quarta força política no Parlamento Regional. Somos a única força de direita no Parlamento Regional, o CDS praticamente desapareceu. Também é importante nós vermos e perceber isso. É que, mais uma vez, desde que o Chega apareceu no panorama político em Portugal, pelo menos na Madeira, não existem maiorias absolutas. Miguel Albuquerque voltou a não ganhar com maioria absoluta.

Por 200 votos.

Mas não ganhou. O que é certo é que não teve maioria absoluta. Essa é que é a verdade, esses é que são os números. Até podia ser por um voto, mas não teve maioria absoluta. Portanto, ao não ter maioria absoluta, também não é aquela grande vitória que o PSD queria. Este é que é o contexto, são contextos completamente diferentes de eleições nacionais, como serão no próximo dia 18 de maio. Eu percebo que Luís Montenegro venha ávido de uma vitória e dizer aquilo que disse ontem à noite. Aliás, eu julgo que Luís Montenegro tem sido muito infeliz nos últimos dias, inclusive ontem, quando veio logo dizer que uma grande vitória do PSD, quando nem na Madeira, o Miguel Albuquerque não quis lá Luís Montenegro. Portanto, a vitória é do PSD Madeira, foi uma vitória do PSD Madeira, isso é a grande verdade. Agora, que Luís Montenegro vire a apropriar-se da vitória do PSD Madeira é um fato curioso. No entanto, tudo serve para atacar neste momento. Nós percebemos o desespero de Luís Montenegro. Luís Montenegro é um homem desesperado, é um primeiro-ministro especialmente em campanha eleitoral. Aliás, desde que assumiu funções, portanto nada nos surpreende. Agora, dizer que fica muito feliz e é uma grande vitória do PSD Madeira. Olhe, eu não ficava contente quando ganha alguém que está indiciado em corrupção ou que está acusado mesmo de corrupção. Mas Luís Montenegro, pelos vistos, convive bem com a corrupção.

Pedro Pinto, é certo que não podemos fazer comparações com as eleições nacionais, que estão marcadas para maio, mas não teme que também a nível nacional os eleitores possam vir a penalizar o Chega por não ter sido um partido capaz de ajudar a criar soluções?

Não, até porque existe outro caso. A crise política que nós temos neste momento no panorama político nacional foi feita por este governo Foi este Governo que sabia que a sua moção de confiança não ia ser aprovada no Parlamento e foi ele que teimou em ir com esta moção de confiança para frente. Portanto, não venham agora acusar a oposição de ter sido os culpados desta crise política. A crise política chama-se PSD e tem um rosto, que é o Luís Montenegro. Foi isso que aconteceu no nosso país e a crise política que aqui temos é por causa disso. Nós estamos perfeitamente tranquilos. Estamos tranquilos porque desde a primeira hora que o Chega procurou ser uma solução para o país, uma solução de governo para o país. Não foi o Chega que disse "não é não", foi Luís Montenegro, que desde a primeira hora disse "não é não", recusando 1.200.000 votos que deram ao Chega a terceira força política e deram 50 deputados na Assembleia da República. 1.200.000 portugueses têm que ser respeitados, os 50 deputados têm que ser respeitados. Luís Montenegro não os quis respeitar, não quis ver o que tinha acontecido no panorama político em Portugal. Vou-lhe dar o exemplo da Região Autónoma dos Açores. Bolieiro foi muito mais inteligente do que Luís Montenegro. José Manuel Bolieiro tem um governo nos Açores que é suportado pelo Chega. O Chega não integra o governo, mas é uma solução para aquele governo. Luís Montenegro, quando é não, aquilo que fez, foi isso que nós temos no nosso país agora. Agora, não venham culpar a oposição, não venham culpar particularmente o Chega, porque a culpa de estarmos numa crise política tem só um rosto e esse rosto é Luís Montenegro.

Mas não considera que pode acontecer o mesmo a nível nacional que aconteceu na Madeira, ou seja, o PSD ou a AD ficar muito perto da maioria absoluta ou mesmo alcançá-la?

Não, até porque as sondagens não dizem nada disso. A sondagem dá o Chega nos 20%. O Chega vai ter certamente outra vez uma grande votação. Nós estamos na rua, sentimos as pessoas a falar conosco, sentimos que querem realmente uma mudança. As pessoas estão fartas de eleições, é verdade, mas também estão fartas de 50 anos de PS e PSD, que a única coisa que fizeram aos portugueses foi levar um país fantástico como o nosso à pobreza. E é isso que os portugueses se fartam de trabalhar todos os dias para pagar impostos, impostos e impostos. É a única coisa que têm feito durante estes últimos 50 anos. Não conseguem comprar casa porque as casas estão caríssimas e o panorama habitacional em Portugal é cada vez mais difícil. As forças de segurança continuam a ser o parente pobre deste governo. E depois poderia ir aos bombeiros, oficiais de justiça, tudo aquilo de que nós temos falado, para além do SNS, onde continua a ser escandaloso as horas e horas que os portugueses continuam à espera de uma consulta. Já para não falar da imigração, onde também este governo falhou. Ou seja, o governo falhou em tudo. Eu poderia estar aqui a falar do governo de António Costa, porque são tão iguais. Falharam em tudo, como falhou António Costa, porque não será difícil para nós fazermos essa comparação. Por isso os portugueses sabem bem em quem é que vão votar no dia 18 de maio. O Chega não está aqui para enganar ninguém. O Chega está aqui com o seu programa, com as suas propostas para o país.

Pedro Pinto. Mas os cartazes que o Chega tem na rua comparam Sócrates com Montenegro. É essa a linha de campanha que vão manter até às eleições de 18 de maio?

A comparação de Sócrates com Montenegro é uma comparação simples. Sócrates foi um rosto da corrupção socialista durante variadíssimos anos quando foi primeiro-ministro. Luís Montenegro é o rosto de alguém que não dá esclarecimentos ao país, que continua sem explicar ao país todos os casos e casinhos da sua empresa e que continua a apoiar Miguel Albuquerque quando está indiciado em corrupção. Ou seja, isto é impensável. Portanto, Luís Montenegro é igual a José Sócrates.

Pedro Pinto, desculpe lá. Pedro Pinto, deixe-me só fazer uma precisão, porque já disse isso duas vezes. Miguel Albuquerque não está indiciado, Miguel Albuquerque é arguido.

Arguido mesmo.

Sim, mas é uma coisa bastante diferente.

Não, é arguido. É pior ainda.

Pois, ah é? Não. Está a incorrer num erro que deu muito que falar nos últimos dias nas redes sociais.

Não é um erro, até foi com alguma piada que eu disse.

Sim. Pronto, é só porque, como já o disse pela segunda vez, eu acho que era importante esclarecer os nossos ouvintes. Luís Montenegro esta tarde responsabilizou o Chega por ter divulgado a notícia de que tinha feito uma previdência cautelar para retirar os cartazes do Chega. Diz que não foi ele que divulgou essa notícia, que foi o Chega, e diz que isto é uma tentativa de condicionar a Justiça. Como é que responde a esta acusação?

Eu não ouvi essas declarações do primeiro-ministro. Aquilo que eu sei é que nós não recebemos nada em relação a isso. E que a única coisa que ouvimos foi pela comunicação social e foi em relação àquilo.

Não houve ainda qualquer notificação do Chega em relação a esta previdência cautelar.

Que eu tenha conhecimento, até esta hora, não houve nenhuma notificação do Chega. Agora, aquilo que eu percebo também é que Luís Montenegro convive muito mal com a democracia. Mas já percebemos que alguém que sempre viveu a sua vida toda no "quero, posso e mando", onde os políticos se habituaram sempre a fazer tudo aquilo que queriam na sua vida e que estavam sempre à margem de tudo, à margem da lei, superiores ao resto do povo português, eu percebo que Luís Montenegro conviva muito mal com a democracia e conviva muito mal com os cartazes do Chega.

Olhando para os resultados das eleições de ontem, há uma conclusão que podemos tirar. É que o Chega acabou por ajudar Miguel Albuquerque a alcançar um desejo que tinha, que era ter estabilidade governativa como ele sonhava.

Eu não sei se será o Chega que tenha feito isso. Acho que foram os madeirenses.

Como foi o Chega que pôs a moção de censura, se calhar, se não o tivesse feito, Miguel Albuquerque estar-se-ia mais no poder.

Nós não nos arrependemos nada dessa moção de censura. Aliás, madeirenses votaram em Miguel Albuquerque e é a democracia a funcionar. Nós convivemos bem com a democracia, ao contrário de outros partidos políticos. Aquilo que nós percebemos é que Miguel Albuquerque a qualquer momento também poderá incorrer noutro tipo de processos, vamos ver Os madeirenses deram-lhe uma carta-branca para continuar a governar. Vamos ver até quando é que governará. Vamos ver o que é que vai acontecer na Madeira, vamos ver o que é que vai acontecer com Miguel Albuquerque. Volto a dizer, nós estamos de consciência tranquila. Se fosse preciso termos apresentado a moção de censura hoje, voltaríamos a fazê-lo, nem um passo atrás. Aquilo que seja para combater a corrupção, da nossa parte, nunca haverá um passo atrás.

Ou seja, o resultado que o Chega obteve na Madeira ontem não vai alterar em nada a estratégia de campanha que o Chega vai ter nas legislativas de maio?

Não vai alterar, porque nós continuamos esse combate. É um combate acérrimo que nós temos, desde o princípio do partido, nós combatemos a corrupção. Nós não podemos estar com Miguel Albuquerque na frente do Governo Regional da Madeira. Foram os madeirenses que quiseram, é verdade. Foram os madeirenses que quiseram, foram os madeirenses que votaram. Nós tínhamos que dar voz ao povo. O povo madeirense e porto-santense foi esse que quis, está no seu direito. Agora vamos ver com o tempo quem é que terá razão, se era o Chega que tinha razão ou se quem votou tinha razão. Vamos aguardar serenamente. Volto a dizer, se fosse preciso repetir a moção de censura hoje, nós repetiríamos hoje, porque nós não convivemos bem com a corrupção.

Pedro Pinto, mas deixe-me perguntar uma coisa. Se nas legislativas o Chega vier a ficar abaixo das expectativas ou do resultado que teve, tiram alguma conclusão ou mantêm essa linha de discurso que está a fazer agora?

Não, eu volto a dizer que são eleições completamente distintas. As eleições da Madeira foram as eleições da Madeira, o contexto era diferente. As eleições a nível nacional têm outro contexto, com outros líderes, é o presidente do partido que estará à frente dessas eleições, certamente, também. Portanto, vamos ver o que é que vai acontecer. Nós não nos escondemos, volto a dizer isto. Para nós, e André Ventura já disse isso em várias entrevistas, eleger menos de 50 deputados não é um bom resultado, porque é sinal de que perderíamos deputados. Portanto, nós não transformamos derrotas em vitórias.

Mas a questão é se transformam a vossa forma de fazer política de acordo com os resultados.

Não. A nossa forma de fazer política, enquanto estiver em função desta direção nacional, este presidente do partido, será sempre a mesma. Nós não enganamos os portugueses. Nós dizemos aos portugueses aquilo que vimos. Sempre dissemos isso. Por isso é que muitas pessoas disseram: "Mas como é que o Chega vota ao lado do PS em relação às portagens?" Nós votamos porque estava no nosso programa eleitoral. Tudo o que está no nosso programa eleitoral, venham as propostas de onde vierem, é isso que nós fazemos, porque nós não estamos cá para enganar os portugueses. Enganados já eles foram durante 50 anos e portanto não é isso que nós queremos para o nosso país. Agora, assumir responsabilidades, se tivermos um mau resultado, vamos assumir, da mesma maneira que vamos assumir se tivermos um bom resultado, que é isso que nós esperamos, ter um resultado ainda melhor do que aquilo que tivemos em 10 de março de 2024. Agora digo uma coisa, nós dizemos sempre: nós não temos medo de ir a eleições. Nós não estamos cá com medo de perder ou de ganhar deputados. Nós queremos é que o país vá para frente, que o país melhore, que o país crie condições aos portugueses para não terem que emigrar, como infelizmente tantos portugueses emigram diariamente. Como também perdemos tantos quadros para a emigração. É isso que nós não queremos, queremos transformar a vida das pessoas. Portanto, se as pessoas nos derem esse voto, se as pessoas quiserem a sua vida transformada, vão votar no Chega no dia 18 de maio. Se quiserem manter-se igual e manter os últimos 50 anos de democracia, a alternância do PS e PSD, votarão nos outros partidos, existe tantos partidos políticos, serão as pessoas a decidir. Agora, da nossa parte, a nossa linha não muda um centímetro em relação àquilo que temos feito até agora.

Pedro Pinto, deixe-me só fazer-lhe uma última pergunta, porque disse que será André Ventura que vai conduzir esta campanha eleitoral. Isso significa que quando não é André Ventura a encabeçar as listas, o Chega fica aquém das expectativas?

Não é isso que significa.

Já aconteceu nas europeias, agora na Madeira. Mesmo nos Açores.

Mas significa uma coisa muito simples. É normal que se um líder partidário, um líder nacional como é André Ventura, se é ele que está ao comando, é perfeitamente normal que as pessoas reconheçam mais e se revejam mais na figura. É mais por isso. Obviamente, nós sabemos que se André Ventura é realmente um político diferente, se é para nós o melhor político dos últimos 50 anos de democracia, melhor do que todos aqueles que foram aparecendo na vida política em Portugal. É o nosso conceito, é assim que nós pensamos. Então se é quando o André Ventura está a liderar, é normal que os resultados sejam superiores. É perfeitamente normal. Agora, também há aqui outra coisa. Os 9% ou 10% que nós tivemos nas eleições europeias, sem o rosto de André Ventura, a percentagem que tivemos nos Açores, onde elegemos cinco deputados, agora na Madeira, onde elegemos três deputados, significa também que o Chega já se consolidou a nível nacional. Portanto, o Chega já não é só André Ventura. Agora, é óbvio, quando o presidente do partido é ele que assume, é perfeitamente normal que o resultado seja melhor. E é isso nós que nós esperamos.

Pedro Pinto, muito obrigado por ter vindo a este "Conversas no Ar". Até à próxima, obrigado.

Obrigado