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Arranca agora mais um Explicador das manhãs 360. Hoje é nosso convidado Eduardo Teixeira, o novo coordenador da Comissão Autárquica Nacional do Chega. Esta é uma entrevista conduzida pelo Luís Soares e pelo Bruno Vieira Amaral.
Bem-vindo, Eduardo Teixeira, a este Explicador. Foi nomeado coordenador autárquico do Chega já quase um ano depois das autárquicas. O que levou o partido a tomar esta decisão de criar esta comissão?
Soares, bom dia. Muito obrigado pelo convite. É um gosto estar sempre com o Observador. O partido já tinha e tem esta comissão autárquica nacional, que é composta por oito autarcas em funções, e portanto, o que há aqui de novidade é apenas e só a necessidade de alguém coordenar essa comissão, por desígnio da direção nacional do partido. Aceitei com gosto e com determinação o convite do presidente e da direção nacional para este desígnio deste patamar importante que é o poder local e estar ao lado dos nossos autarcas. O Chega é um partido que começa a cimentar a proximidade com as suas populações e dar a importância neste primeiro patamar de gestão junto das pessoas. É um gosto grande fazer parte desta coordenação autárquica nacional e dar de nós apenas o acompanhamento junto dos autarcas.
Eduardo Teixeira, o objetivo desta comissão será mais o de acompanhar o trabalho e também de responder às necessidades dos autarcas do partido ou de traçar já objetivos tendo em conta o próximo ciclo eleitoral autárquico, que ainda está distante?
É isso mesmo. O Chega, como disse, passou de menos de 400 autarcas nas eleições de 2021, no global das juntas de freguesia, das assembleias de freguesia, dos deputados municipais e das variações de 300 autarcas para mais de 2 mil autarcas. É um crescimento exponencial, de multiplicação por cinco. O Chega conseguiu, de facto, implementar-se no território ao nível autárquico e tornou-se um partido absolutamente de responsabilidade autárquica, com gestão efetiva em Câmaras Municipais, em Juntas de Freguesia, em todos os distritos do país, nas regiões autónomas. Portanto, é preciso duas coisas: que se consolide este crescimento que o Chega verificou. Passou e ultrapassou partidos históricos no poder local como o Partido Socialista, como o Partido Comunista Português. O Chega é a terceira maior força autárquica de Portugal. Ultrapassou até os movimentos independentes que vinham surgindo ao nível dos vários municípios e foi ultrapassado com mais mandatos. Desde logo, havia muitas Câmaras Municipais com mandatos independentes. O Chega afirmou-se e claramente que vamos começar a preparar o próximo ciclo eleitoral de 2029. Parece que é longínquo, mas é já aí. O Chega tem esta responsabilidade como grande partido do poder local.
Que já se está a afirmar, Eduardo Teixeira, mas mesmo assim, apesar de ter havido esse crescimento exponencial ao nível do número de autarcas, os resultados ficaram aquém ao nível das presidências de Câmara. O Chega conquistou três Câmaras. É um resultado aquém das expectativas e também dos objetivos traçados pelo presidente do partido. Esta comissão também terá como objetivo delinear uma estratégia para que, nas próximas eleições autárquicas, o número de Câmaras lideradas pelo Chega possa também aumentar?
Eu não diria que ficamos aquém das expectativas. A amplitude dos resultados pode não ter sido a amplitude que se poderia esperar na época do crescimento que o partido está a ter, mas quando se tem 700 mil votos, quando se tem mais de 2 mil mandatos, quando se dá um passo gigante de gerir Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, quando se tem 2 mil autarcas, é de facto um crescimento digno de registo. Não é um partido, como muitas vezes e de forma falaciosa, se vai tentando deixar passar, que é um partido de um homem só. Hoje tem-se 2 mil autarcas implantados no território, e eu acho que isso é muito importante. Eu queria deixar uma palavra até de muito e enorme apreço pelos três grandes presidentes de Câmara que temos. Hoje em São Vicente, temos as festas do concelho, na Madeira, e temos lá um grande presidente de Câmara, Zé Carlos Gonçalves. No Entrocamento, vencemos na zona centro a Câmara Municipal com o Nelson Cunha, um jovem quadro do partido, contra tudo e contra todos, para não falar do Algarve, com o Rui Cristina, que tem sido posto à prova, não pelos desafios autárquicos, mas por muitas interferências Políticas nacionais, mas que nas adversidades ele tem se afirmado e tem feito a diferença na região do Algarve.
E há outras regiões, Eduardo Teixeira?
Os seus objetivos.
Há outras regiões, Eduardo Teixeira?
Implantar-se.
E precisamente pegando nessa ideia, tem ideia de que outras regiões que sejam prioridade para o Chega neste próximo ciclo autárquico, já tem esse mapa também feito para precisamente tentarem ampliar essa influência autárquica?
Claro, quando nós olhamos para o país e percebemos que o Chega está implantado em todo o território, o Chega é o partido que tem, por exemplo, deputados no maior número de círculo eleitoral do país. Só não tem num círculo eleitoral, que é Bragança e por muito pouco, por meio mil de votos. O resto tem em todos os 17 distritos do país, das regiões autônomas e nos dois círculos eleitorais fora da Europa, em termos autárquicos, está em todos os distritos do país. E, portanto, a aposta quando se fala de autárquicas é sempre uma aposta global, é uma aposta ambiciosa. Quando eu dizia há pouco que gerimos três Câmaras Municipais, é bom que se tenha a noção que estamos em vários mais executivos municipais, desde logo Cascais, desde logo Aveiro, distritos como Aveiro, como Tomar, como Benavente, em que o Chega está a dar um contributo efetivo com lugares executivos nesses municípios.
Eduardo Teixeira, e deixe-me perguntar precisamente sobre isso, se já é possível fazer um balanço deste ano, praticamente um ano depois das eleições autárquicas, quer ao nível geral, com todos esses vereadores também eleitos, quer ao nível das câmaras que são lideradas pelo Chega. É possível fazer já um balanço?
Olha, o balanço é muito positivo pelo seguinte: nós não podemos nunca esquecer que a principal missão no poder local e um partido com a responsabilidade e com o peso político que neste momento o Chega tem, é sempre o interesse nacional e o interesse local das populações. E nós temos, com certeza, nos afirmado e feito a diferença neste patamar. É bom lembrar que lutamos contra um poder instituído 50 anos, em que ontem foi o dia D de igualdade entre a governação socialista e a governação social-democrata, em que igualaram os dias de mandato dos 50 anos de democracia. E o Chega tem uma adversidade de não representatividade por não possibilidade, apesar de ter essa importância de ter 700 mil votos no poder local e ter mandatos muito expressivos, muitos mais que o Partido Comunista, muitos mais que os independentes, não ter a representatividade que os outros têm, o que é anormal. E portanto, vivemos uma situação anormal de Associação Nacional de Municípios, Associação Nacional de Freguesias, as comunidades intermunicipais, as comissões de coordenação, não quererem ter dado esta importância, vencendo na secretaria o que o Chega conseguiu na realidade do território. E portanto, o balanço é positivo. Nós apesar de não termos e sentirmos esta fraca capacidade democrática dos outros partidos em envolver quem conseguiu ser a terceira força política no poder local, efetiva, temos muito orgulho no trabalho que os nossos autarcas têm desenvolvido no território.
E esse balanço é positivo também quando cerca de uma dezena de autarcas, neste menos de um ano, abandonaram o cargo ou o partido em algumas autarquias?
Cristian, isso acontece em todos os partidos, não é novidade no Chega. Eu não vejo esse impacto e essa divulgação ao nível da comunicação social noutros partidos. É bom lembrar que há muitas câmaras municipais, desde logo o Porto, que para governar, foi buscar um autarca dissidente e eleito em listas de outros partidos. E esse exemplo do Porto, eu poderia dar vários outros exemplos no país de dissidentes, mas aqui não há questão da dissidência. Nós multiplicamos de 400 ou 300 e muitos para mais de 2 mil, e é lógico que temos que consolidar esse crescimento, e eu diria que são números muito visuais, porque são pessoas que nos são muito próximas. Olhe, desde logo, no Funchal. Tivemos a questão dos vereadores do Funchal que estão próximos do partido, que eram independentes nas listas do partido. E portanto, nós temos que ter essa noção que esse crescimento tem que ser consolidado, mas esse fenômeno que me apontou acontece na totalidade dos partidos. Viu o que aconteceu em Famalicão. O Partido Social-Democrata retirou a confiança política ao presidente de Câmara Municipal. Estamos a falar de uma autarquia com mais de 100 mil habitantes. O Partido Social-Democrata local tirou-lhe a confiança política. Nós, no momento, não tivemos ainda a necessidade de tirar nenhum órgão executivo, nenhuma confiança política. Já viu a diferença. Nós damos alguma autonomia ao poder local. Nós não tiramos confiança política a nenhum vereador, não tiramos confiança política a nenhum presidente de junta de freguesia. Pelo contrário, acompanhamos com muitas dificuldades às vezes, porque são 13 presidentes de junta de freguesia, mas mantemo-nos todos próximos do Chega e com muita interferência dos outros partidos, que como é lógico, não estão habituados a esta trajetória e não se querem habituar, é diferente, a essa trajetória crescente do que é ser autarca e ser autarca do Chega.
Eduardo Teixeira...
De políticas e de gestão que o Chega tem demonstrado, já nota-se um fator decisivo no desenvolvimento econômico, social e cultural das regiões e das autarquias de Portugal.
Eduardo Teixeira, esta comissão, este órgão que vai liderar, não está previsto nos estatutos do partido. O Chega pretende, de alguma forma, vir a formalizar a existência desta comissão autárquica nos estatutos?
Faz esta pergunta, mas é exatamente igual ao que se passa no Partido Social-Democrata. Aliás, o meu colega deputado Pedro Alves é o coordenador autárquico do PSD e também não é um órgão estatutário, mas senta-se na comissão permanente do PSD. O PS também tem a mesma situação. É um órgão nacional, que funciona na esfera da comissão política e da direção nacional do partido, de braço dado com a liderança do partido e por designação e vontade do líder do partido.
Então não será formalizada nos estatutos a existência deste órgão?
A questão não se põe, porque não tem que se pôr. Basta ver o que se passa nos outros partidos, no PSD e no PS. Portanto, esta questão é uma questão da direção nacional, desde o início do mandato, ou seja, outubro, ter decidido, por proposta do presidente André Ventura, criar oito coordenações autárquicas nacionais no território, no Algarve, Rui Cristina, presidente de câmara, em Trás-os-Montes, presidente da Comissão da Educação, a deputada Manuela Tender.
Fica clara essa ideia, Eduardo Teixeira.
Que é nossa autarca também em Oeiras, o Pedro Pinto, que é nosso autarca em Faro. Autarcas muito expressivos e que apenas agora e só, há uma coordenação para que haja uma agilidade maior no terreno. Mas isso existe nos outros partidos e eu tenho um gosto enorme de dar esse contributo, porque ser autarca é ser um fazedor.
Muito bem, Eduardo Teixeira.
Provas dessas qualidades que tem e desse desígnio que terá, que é um dia governar Portugal.
É o novo coordenador da Comissão Autárquica Nacional do Chega. Eduardo Teixeira, muito obrigado pela sua participação neste Explicador. Um bom dia. Bom dia, obrigado.
Muito obrigado. Disponha.