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Altura de darmos as boas-vindas a Jorge Silva, vice-presidente da ASPROCIVC, a Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Proteção Civil. Jorge Silva, bom dia. Obrigado pela disponibilidade para estar conosco esta manhã. Perante este evento extremo, nós podemos dizer que a estrutura da Proteção Civil respondeu bem, respondeu como era suposto?

Olá, muito bom dia. Sim, todo o Sistema Nacional de Emergência e Proteção Civil trabalhou e respondeu de acordo com aquilo que era o expectável. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil fez o seu planeamento, decretou estado de alerta e prontidão máximo. As equipes estiveram todas no terreno de prevenção e a partir daí foi o tentar acudir a todas as ocorrências que foram sendo apresentadas em função daquilo que aconteceu na independência.

E houve capacidade de resposta para esse elevado número de ocorrências?

Não se consegue acudir a todas ao mesmo tempo. É sempre preciso dizer isto, porque não se consegue acudir a tudo ao mesmo tempo. Tem que se fazer prioridade de intervenção. As equipes não são infinitas e têm que acudir de acordo com as prioridades, salvaguarda de pessoas e bens, situações de risco que possam pôr em risco coletivos, e depois vias de transição, cabos de energia que estejam caídos, que possam pôr em risco as pessoas. E depois, a partir daí, o problema entre particulares. Uma queda de árvore entre dois particulares é uma segunda prioridade. Não deixa de ser também um problema, mas não é um problema prioritário, é um problema secundário.

E essa prioridade é estabelecida, obviamente, depois do acontecimento. Como dizia há pouco, foram feitos alertas às populações, através de meios eletrônicos, através de mensagens, também através dos meios de comunicação social. Terá faltado depois medidas preventivas da parte das populações. As populações estão preparadas para, ao receber estes alertas, tomar medidas preventivas?

As populações estão despertas para aquilo que são os avisos e alertas, mas nem toda a gente responde da mesma forma aos avisos e alertas. Nós, Portugal, ainda temos uma dificuldade de cultura de segurança muito grande para perceber que o aviso e o alerta não é emitido de qualquer maneira. É feito porque há mesmo risco iminente e premente. E as populações, às vezes, não entendem e põem-se em risco. E há muitas imagens a correr de pessoas que vão pra beira-mar para pôr a sua vida em risco e por aí a situação toda que decorre.

E, por exemplo, na circulação nas estradas, também vimos alguns acidentes. Em alguns casos, não seria aconselhável impedir o trânsito, a circulação em algumas estradas, sabendo de antemão que vai haver um agravamento do estado do tempo e que esta zona demora algum tempo para normalizar.

Pois, muitas das situações foram vistas e revistas. E a situação é: algumas zonas foram interditadas, outras não. Mas isso é tudo uma avaliação que município a município e serviço a serviço conseguem perceber se é ou não uma prioridade.

Jorge Silva, têm sido reportadas algumas falhas no funcionamento da rede SIRESP. Que dados é que tem sobre isto, sobre a forma como certo...

Não tenho dados específicos sobre as falhas. Podemos falar sobre a questão do que é a rede SIRESP e o que podem ser falhas que advêm daí, porque a questão da rede SIRESP é uma rede que funciona em cima de retransmissão de antenas GSM, tal e qual como é os telemóveis mais antigos. É uma rede confiável, que comporta uma situação de não violação para que não haja penetração dentro da rede e interferência de comunicações externas dentro da mesma rede. Só que, por vezes, tem a mesma dificuldade que têm todas as redes de operadoras, que é a vulnerabilidade de uma antena ser destruída com o vento, que possa ter falhado momentaneamente aquele canal de transmissão e teve que se passar para outro por redundância, porque depois a própria rede tenta fazer redundância, fazer o canal por outras vias para chegar ao mesmo local. Nem sempre é fácil explicar isto. Nós temos que aumentar a resiliência da rede, é verdade. Temos que fazer essa questão. E muita gente fala sempre sobre a mudança da rede SIRESP para outra rede. Isso são milhões de investimentos em equipamentos, em antenas, em tecnologia, que não pode ser um investimento feito do dia pra noite. É um investimento que tem que ser planeado e verificado a médio e longo prazo. Uma década, por exemplo, é fazer o planeamento daqui para uma década de qual é o caminho que vamos fazer. Vamos continuar com a rede, vamos melhorá-la e vamos torná-la mais resistente ou vamos fazer uma mudança. E esse planeamento tem que ser analisado e tem que ser visto pelas entidades. É isso que tem que ser feito.

Jorge Silva, ontem notou-se alguma descoordenação entre as várias entidades no terreno, governo, autarquias e a Proteção Civil, na forma como foram tornadas públicas as mortes que ocorreram. Há um protocolo para isto. Foi respeitado esse protocolo?

Eu não vi descoordenação.

Houve alguns avanços e recuos na forma como a informação foi tornada pública.

Não, entidades que estão a tentar comunicar, porque aqui há níveis de comunicação. Município, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, comandos regionais e sub-regionais, e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil a nível nacional. E os canais de comunicação devem ser seguidos. Se é um problema que transcende mais do que um município, deixa de ser comunicação municipal. E a comunicação não deve ser feita pelo município, deve ser feita pela região. Se interage com várias regiões, não deve ser o regional que deve fazer a comunicação, deve ser o patamar nacional. E é isto que tem que ser seguido. Esta é a regra. E a partir daí, tudo tem que ser neste parâmetro. Por isso, eu não vi descoordenação, vi entidades a quererem avançar com comunicação, que se calhar tem que ser primeiro vista e consolidada e depois a seguir toda verificada. É só isso.

Muito bem, Jorge Silva, vice-presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Proteção Civil. Muito obrigado pela participação neste Explicador. Um bom dia.

Bom dia, obrigado.

Obrigado, bom dia.