Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Explicador da Rádio Observador: nesta última semana de campanha, arranca com António José Seguro na liderança das intenções de voto, pelo menos no radar das sondagens do Observador. Ainda segundo estes dados, Marques Mendes estará a perder ligação com o pelotão da frente. Isto são dados de sondagens que são reunidos depois no radar das sondagens. Muitos destes estudos têm pequenas amostras e nessa altura há muitos indecisos ainda a avaliar pelas sondagens, porque todos estes dados são necessariamente provisórios e numa altura em que já votaram também largos milhares dos mais de 11 milhões de eleitores inscritos. Este domingo houve voto em mobilidade, estavam inscritos 218 mil eleitores. Eu sou o Ricardo Conceição e comigo está a Judite de França. Judite, quem é o nosso convidado?

Augusto Santos Silva, ex-ministro socialista. Bem-vindo, obrigada por ter aceitado o nosso convite. Anunciou hoje que votou António José Seguro no regime de voto antecipado, claro. O que mudou para decidir votar em quem, e estou a citar, "não cumpre os requisitos mínimos"?

Muito obrigado pelo convite. Para falar com toda a franqueza, não mudou nada. Eu continuo a achar que o país merecia uma paleta de candidatos mais qualificada do que aquela que acabou por apresentar-se. E dentro dessa paleta, a pessoa que me parece aproximar-se mais dos requisitos mínimos do exercício do cargo de Presidente da República é o António José Seguro, e por isso votei nele.

Portanto, é uma opção de mal menor, diria.

É uma escolha. Em política é assim. Nós comparamos, as escolhas são sempre relativas e eu não sou hipócrita, é público que tentei que as candidaturas, em particular da área política em que me vejo, fossem outras, acabou por ser esta. Devo dizer, e também valorizo esse facto, que não só António José Seguro me parece ser, dos candidatos que podem ganhar as eleições, aquele que se aproxima mais dos requisitos de Presidente da República, experiência política, experiência europeia e internacional, interpretação adequada da Constituição e sentido de equilíbrio, como também ao longo desta campanha tem-se destacado pela positiva dos restantes. Não tem embarcado em campanhas negativas, tem mostrado tranquilidade, serenidade, sentido institucional e sentido de Estado, que são todas elas qualidades próprias do Presidente da República.

E você, Augusto Silva, entende que a esta altura, quando estamos aqui na reta final da campanha, seria bom que todas as forças de esquerda pudessem convergir para um apoio a António José Seguro? Acha que isso ainda é possível ou não?

Sim, creio aliás que é um movimento que está em curso, porque independentemente do respeito que me merecem os três candidatos que se situam à esquerda, digamos assim, do doutor António José Seguro, Catarina Martins, Jorge Pinto, António Filipe, e merecem, todos eles, respeito, eles de facto não são candidatos a Presidente da República. Eles não são candidatos que disputem a vitória na eleição. E portanto, independentemente daquele núcleo de apoiantes mais firmes e mais ideológicos que cada um terá e que nós sabemos hoje representar em poucas dezenas de milhares de votos, infelizmente, todos aqueles que querem mesmo participar na escolha do Presidente da República e que não acreditam nas qualidades dos candidatos da direita, tenderão a concentrar o seu voto em António José Seguro. Isso parece-me ser uma evidência. Aliás, cada dia que passa somam-se os apoios, digamos assim, não entusiásticos, mas pragmáticos à candidatura de António José Seguro.

Outros socialistas proeminentes deveriam então fazê-lo, anunciar o apoio a António José Seguro?

Eu não tenho nenhuma autoridade moral para dar lições seja a quem fora. Mas verifico que entre aqueles que não foram apoiantes entusiastas de António José Seguro quando ele lançou a sua candidatura, personalidades como Eduardo Ferro Rodrigues, Ana Catarina Mendes, hoje mesmo Pedro Nuno Santos e eu próprio, temos publicitado esta escolha.

Mas não se poderia ter evitado esta tensão para chegar aqui? Não teria sido útil evitar esta tensão que se viveu no Partido Socialista?

Como sabe, eu sou membro de um partido, o Partido Socialista. E sou membro de um grande partido democrático, e é assim que os partidos democráticos funcionam. Se olhar para o Partido Democrático dos Estados Unidos, ou mesmo para o Partido Republicano, se olhar Para os partidos democráticos na Alemanha, na Itália, na Espanha, na França, no Reino Unido, independentemente de serem centro-direita ou centro-esquerda, em todos eles verifica-se que há momentos de debate interno, momentos com maior ou menor tensão, de que resultam escolhas entre projetos e personalidades alternativas. E depois, feitas essas escolhas, há movimentos de convergência, porque neste momento, repare, o jogo não se põe entre a candidatura de António José Seguro e outras candidaturas possíveis. Neste momento, a escolha faz-se entre a candidatura de António José Seguro, de Marcos Mendes, de Gouveia e Melo, de Cotrim de Figueiredo. E eu retiro a de André Ventura, porque me parece ser uma candidatura contra o regime democrático. Mas as restantes quatro, que são aquelas que parecem ter dimensão de votos tal que sejam potenciais vencedores, seja na primeira volta, seja na segunda volta. Em relação a essa escolha, parece-me que o doutor Marcos Mendes, que tem uma grande experiência política interna, menos internacional e europeia, não parece ter a distância e a independência face ao atual governo que garanta o equilíbrio que a função presidencial exige. Creio que a campanha do almirante Gouveia e Melo tem demonstrado aquilo que eu próprio e muitos outros dizíamos, que sendo uma personalidade cujo percurso profissional é brilhante, não tem qualquer experiência política, nem podia ter, militar que é, e também não demonstrou nesta campanha um pensamento político próprio e coerente. E em relação à candidatura do doutor Cotrim de Figueiredo, basta ter em conta as declarações dele ontem ou hoje de manhã, segundo as quais põe a possibilidade de apoiar Ventura na segunda volta e a sua proximidade àquela fração de liberalismo que se revê mais em Javier Milei do que propriamente em Keynes, em Beveridge ou em Stuart Mill, para perceber que uma escolha dele seria, na minha opinião, claro, uma muito má escolha para Portugal.

Olhando para a campanha e tendo em conta que Santos Silva tem muita experiência em campanhas, como é que está a avaliar esta?

Eu acho que esta campanha, em primeiro lugar, tem corrido bem. Houve momentos em que a gente podia temer até campanhas negras e negativas, mas tirando aquele caso sobre o qual não me quero pronunciar muito, os restantes candidatos têm defendido as suas ideias, apresentado as suas propostas e os seus apoios e, portanto, nesse sentido, a campanha tem corrido bem. Mas é de lamentar que seja uma campanha que não tenha entusiasmado a população e eu acho que percebo porquê, porque acho que o país merecia melhor do ponto de vista das candidaturas. Agora, o resultado eu acho que é imprevisível. O que eu sei de política, o que eu sei de sondagens, de sociólogo que eu sou e o que tenho visto, diz-me que neste momento é um jogo a cinco e só um é que vai ganhar no fim.

Esperava este resultado nas sondagens de André Ventura?

Não me surpreende demasiado, porque ao fim e ao cabo é a sua base de apoio, que o apoia independentemente do que ele diga e do lugar a que concorra. E também porque a candidatura de Gouveia e Melo, e bem na minha opinião, situou-se claramente ao centro e é uma candidatura que não motiva um eleitorado de direita mais dura. É evidente que há uma maior divisão de votos à direita e há um maior equilíbrio de votos à direita, que em condições anteriores a 2024 faria com que o candidato da esquerda vitoriosa ou da esquerda que podia ganhar, pudesse ter uma expressão nas sondagens mais claramente forte, mas como sabemos desde 2024 que o peso eleitoral da esquerda baixou muito, portanto, temos que esperar pelo dia 18.

E Augusto Santos Silva já começou a fazer contas à segunda volta? O que é que vai fazer nalguns cenários?

É muito simples. O que farei na segunda volta é muito simples. Se o candidato em quem eu já votei-

Se o seu candidato não passar.

Passar à segunda volta, é nele que voto, evidentemente.

E se ele não passar?

Se ele não passar, depende de quem estiver na segunda volta. Agora, uma coisa pode ter garantida: eu votarei sempre num candidato do campo democrático, se a escolha for entre um candidato do campo democrático e um candidato que quer destruir a nossa democracia.

Por exemplo, Cotrim de Figueiredo contra André Ventura, optaria por Cotrim de Figueiredo.

Não me parece que isso seja possível e confesso com a franqueza que me caracteriza que nesse cenário, o doutor Cotrim de Figueiredo me parece estar a tornar muito difícil a opção das pessoas.

Por ter anunciado que numa segunda volta votaria em André Ventura?

Pois se ele declara tamanha proximidade ao candidato que quer destruir a democracia, que garantias nos dá que a defende?

Foi um erro responder da forma como respondeu aos jornalistas, dizendo que não excluía ninguém?

Na minha opinião, um erro monumental, mas quem sou eu? Eu não faço parte das esferas.

Tem muita experiência e gostamos de ouvir a sua opinião.

Está bem, mas com toda a franqueza, eu não sou um observador independente neste caso. Portanto, não quero fingir que eu não sou daqueles comentadores que fingem que são politicamente independentes. Não, eu estou a dar a minha opinião.

Muito obrigado, Augusto Santos Silva, por ter estado aqui no Explicador da Rádio Observador.

Obrigado.