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Este é o Guerra na Terra Santa, um podcast da Rádio Observador em que olhamos para as mais recentes notícias do conflito no Médio Oriente. Major-general Isidoro Moraes Pereira, há instantes ficamos a saber que os Estados Unidos vetaram um projeto de resolução proposto pela Argélia no Conselho de Segurança que exigiam cessar-fogo humanitário. Houve também um outro veto que foi também no Tribunal Internacional de Justiça, também no mesmo sentido, os Estados Unidos a vetar a resolução também pedida pela Argélia neste tribunal. Dizendo que os Estados Unidos vão apresentar em breve também um documento próprio. Como é que podemos olhar para esta fase diplomática que estamos a viver neste conflito do Médio Oriente?
Devemos olhar com cuidado e devemos interpretar este tipo de posição norte-americana em termos de política externa e enquadrá-la em algo que eu apelidaria de coerência. O Executivo norte-americano sempre disse, quer a propósito do conflito da guerra da Ucrânia, quer a propósito do conflito do Médio Oriente, e eu relembraria, estamos a falar do Médio Oriente e o principal crítico de muitas ações que Israel tem posto em marcha no que concerne à guerra na Faixa de Gaza, um dos maiores críticos tem sido o próprio Estados Unidos, que tem alertado Israel de forma veemente e vocalizado pelo próprio presidente Joe Biden, pelo secretário de Estado Antony Blinken, pelo secretário de Estado da Defesa. De facto, os Estados Unidos aqui têm sido coerentes e por quê? Porque os Estados Unidos, a propósito da Ucrânia, sempre disseram, quando a Rússia piscou o olho consecutivamente aos Estados Unidos, como se o problema da guerra da Ucrânia se resolvesse em negociações entre a Rússia e os Estados Unidos. A Rússia trata a Ucrânia como algo menor, como algo que nem existe. E os Estados Unidos sempre disseram: não há qualquer tipo de negociações de paz sem a presença de um dos interessados, que é a Ucrânia. E neste caso está a ser coerente. Israel tem que ser tido e achado neste tipo de coisas. Eu acho que os Estados Unidos estão a tomar uma atitude prudente, estão a alertar Israel para que deve ter cuidado na forma como leva a cabo as suas operações militares tendentes a eliminar-
Mas o que é que pode ser diferente numa resolução apresentada pelos Estados Unidos que não esteja contemplado numa outra resolução, como esta que agora foi vetada pela Argélia?
A resolução americana pode ter algo que a da Argélia não tem, que é ter o apoio de Israel. Eu julgo que os Estados Unidos não irão apresentar uma, seja que resolução for, em que tipo de fora for apresentada, sem previamente terem coordenado devidamente com um dos stakeholders, que é fundamental, que é Israel. Porque sem a colaboração dos stakeholders nesta guerra do Hamas contra Israel e vice-versa, as partes têm que ser ouvidas. E nunca nos podemos esquecer que a história é para ser olhada e nós devemos aprender com a história. Os Estados Unidos acho que poderão de hoje amanhã fazer uma proposta, mas uma proposta que tenha pernas para andar, porque não há proposta nenhuma que possa ser aprovada sem ter o assentimento das partes envolvidas, designadamente Israel, porque há algo que tem que ser reconhecido: Israel tem o direito à legítima defesa e é no exercício do direito à legítima defesa que Israel está a desenvolver operações militares na Faixa de Gaza para que 7 de outubro não se repitam, porque o próprio comandante operacional do Hamas e a aí insinuar já disse por mais que uma vez que o 7 de outubro foi só uma amostra, que haverá muitos mais 7 de outubro. E de facto Israel tem direito à sua defesa. Agora, os Estados Unidos têm sido cautelosos e têm dito que está bem, têm direito à defesa mas tenham cuidado. Tenham todo o cuidado necessário e suficiente para que não haja vítimas inocentes no meio disto tudo ou para que esse número de vítimas seja o mínimo possível. E eu aí dou toda a razão, naturalmente, aos Estados Unidos, porque é preciso haver também alguma cautela na forma como se conduzem as operações militares. Agora penso que os Estados Unidos, no dia em que levarem ao Tribunal Internacional de Justiça ou até ao TPI, quando levarem uma proposta ou noutro fórum qualquer, que será naturalmente algo que será previamente coordenado com Israel. Claro, não faz sentido de outra maneira.
Guerra na Terra Santa é um podcast da Rádio Observador, vai para o ar de segunda a sexta, depois do noticiário das 9:30 da manhã, tem nova edição depois das notícias das 16:00. Está sempre disponível em podcast. Eu sou o Luís Soares, até amanhã.