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Está no ar mais uma edição das histórias desconhecidas de Cristiano Ronaldo, todas as tardes aqui na Rádio Observador depois do "Jornal das Quatro". Hoje a edição é com o João Filipe Cruz. João, boa tarde.

Boa tarde, Renato.

E hoje falamos de Cristiano Ronaldo, o empresário.

É, que é uma das partes cada vez mais visíveis da vida dele. Vocês lembram-se dos terços do Cristiano Ronaldo, na altura em que ele jogava no United, por exemplo?

Lembram-se perfeitamente.

Por acaso, não.

Vocês não se lembram disso?

Dos terços?

Não.

Eu lembro-me dos terços. Hoje em dia não percebo nada de bola, reparem.

Pois, mas isso também não é perceber de bola.

Não é isso. Vocês percebem imenso de bola e viram os jogos, não se lembram disso?

Dos terços, não.

E eu lembro-me.

Eu, religião aplicado ao futebol.

Eu proponho que aqui retificasse.

São Fernandes Santos.

Sim, vamos sim, vamos deixar isto como aqui registado.

Mas hoje os jogadores estão basicamente proibidos de usar adereços. Antigamente até víamos anéis cobertos com fita adesiva, brincos. O Ronaldo usava brincos com fita adesiva. E se eu vos dissesse que os terços do Ronaldo viraram negócio? Pois é, a loja CR7, houve uma no Parque das Nações, se não estou em erro.

Já não há?

Já não há há muito tempo. E a última, que era no Funchal, creio que também já fechou. A loja do CR7 teve terços, como os de Ronaldo, à venda, e nós conversámos com a empresa que os fabricou. A FAR Portugal existe há mais de 50 anos, opera perto de Fátima, não se trata sempre de terços, e é uma empresa que já vai na terceira geração. Falámos com a Telma Henriques, ela é sócia-gerente, que nos explica como é que isto surgiu da parceria com o Ronaldo.

Era na altura em que a imagem de marca dele era um terço pendurado ao pescoço. Ele andava sempre com esse terço pendurado ao pescoço. E então foram as irmãs que contactaram, uma vez que nós vendíamos desses terços, para saber se nós podíamos personalizar um terço igual àquele, mas personalizado com as siglas CR7. E um cliente é um cliente, desde que nos pague. Portanto, é claro que ficámos bastante satisfeitos por sermos contactados.

Mas personalizados como? Ao invés de Jesus Nazareno, Rei dos Judeus, dizia CR7?

Só, só isso. Eram terços com a cruz.

Mas o Jesus estava lá?

Só a cruz.

Mantenha-se. Só a cruz, sem Jesus.

E depois um cilindro achatado por cima da cruz com CR7.

Muito bem.

Lá está, eu sou mais dada a acessórios do que vocês, claramente. Quanto é que custava e por quanto é que a loja CR7 os vendia? Deve haver aí bom negócio.

Os terços eram vendidos em duas versões: preto e branco. Duas cores simples. Eram vendidos na loja de CR7, eu já não estou completamente certo desta informação, mas o meu cérebro está-me a dizer €6,70. É uma coisa assim.

É bem específico para ser uma memória assim residual.

Mas pronto, eram terços banais de plástico e as margens eram muito boas para aí o terço.

Era uma coisa de cêntimos. É o terço mais barato que existe no mercado. É uma coisa de cêntimos, sim. A quantidade mínima, uma vez que foi personalizado, foi de julgo que 25 mil, talvez à volta disso. Mas não era nada de precioso, não era nenhum artigo rico, digamos assim. Era um artigo banal, artigo de plástico.

Mas com a imagem do Ronaldo associada, este negócio deve ter florescido, não é? Pois, foi o que eu pensei, mas a verdade é que nem por isso. As irmãs do Ronaldo e a mãe, Dolors, foram até à fábrica e a equipa de CR7 depois enviou lembranças, mas o volume de vendas/encomendas não mudou muito.

Tivemos a visita das irmãs e da mãe dele aqui na nossa fábrica, que nos alegrou muito, nos satisfez muito. Ficámos bastante próximos uns dos outros, mesmo depois dessa situação, mas no nosso trabalho foi um cliente como outro, posso dizer isso. Não trouxe nada de publicidade.

E Telma Henriques diz até que a publicidade que trouxe não foi lá muito positiva.

A publicidade que trouxe, se calhar, foi um bocadinho má, porque há muita gente a querer e a gostar, há muita gente também contra. E nunca se consegue agradar a todos. E houve algumas críticas evidentes: que ele estava a passar das marcas e que não devíamos nunca ter feito aquilo. Como deve imaginar, é uma coisa que não agrada nunca a toda a gente.

Na altura deu polémica, como podem imaginar. Mas enfim, a FAR Portugal fez algumas encomendas para a loja CR7 e as trabalhadoras, sim, a larga maioria são mulheres, ficaram muito felizes por trabalharem para Cristiano Ronaldo.

Ficámos muito contentes, ficámos muito animadas, claro. Exatamente. A nível interno foi muito agradável, foi muito bom. Eles fizeram-nos um vídeo, mandaram também coisas assinadas, t-shirts. Trataram-nos muito bem.

Foram feitas mais algumas encomendas, entretanto tudo acabou e inclusive as lojas CR7, como já vimos. A FAR Portugal continua a fabricar terços e esta quinta-feira, dia de estreia da seleção portuguesa, Telma Henriques não promete uma pausa total no fabrico, mas vai estar tudo atento ao jogo.

Aqui trabalhamos sobretudo mulheres. As mulheres vivem o futebol de outra maneira, não assim como os homens.

Mas na quinta-feira param, não?

Não, mas pomos todos os rádios a ouvir o relato. Estamos a torcer, evidente, não só pelo Cristiano, mas por Portugal em sede de nós todos. É o nosso nome que está lá fora.

Tentei pôr uma cunha para ouvirem o relato da Rádio Observador, a ver se resulta. Mas pronto, é esta a história dos terços do Ronaldo.

Exatamente.

Com umas grandes margens.

Já não me lembrava.

Depois ele deixou de usar e perdeu o interesse.

Perdeu-se a moda. 25 mil. Isto é um bocado como fazer canetas para oferecer uns brindes. Ele assim vai ter terços para oferecer, se calhar, até ao fim da vida.

De cêntimos para 6,70, 25 mil peças.

Pois, falta saber se foram todas vendidas ou não.

Se eu tivesse pensado nisto antes.

E esta foi mais uma história desconhecida de Cristiano Ronaldo, hoje trazida aqui pelo João Filipe Cruz. João, um abraço.

Um abraço.