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Vamos bater. Vai Cristiano! Goloooo! Cristiano!
Cá estamos à estreia de histórias desconhecidas de CR7. Cristiano Ronaldo vai estar aqui presente na tarde em direto, sempre depois do Jornal das Quatro e durante a próxima semana, com a ajuda do André Maia. Olá, André.
Olá, Nelson. Boa tarde.
O curioso disto é que eu pensei que não existissem histórias desconhecidas de Cristiano Ronaldo.
Sim, na verdade, não há.
Não existem. Tens razão.
Não existem.
Não existem. Portanto, ficamos por aqui. Até à próxima.
Tchau.
Foi rápido também. Um episodio e ficou. Não, ainda encontramos algumas, mas foi muito difícil encontrar. Provavelmente, haverá um ou outro ouvinte que vai dizer: "Ah, eu já conhecia esta". Pronto.
Porque aconteceu comigo, só por isso. Senão, não sabia.
Exato.
Mas não deem spoiler aos outros ouvintes, por favor. Mas vamos começar pelo princípio. Vamos começar pela estreia de Ronaldo com a camisola do Sporting. E essa não é uma história conhecida. Sabe-se que foi um Sporting-Madeirense. Ronaldo marcou dois gols. O que há aqui de espetacular?
Não é bem essa estreia. Essa estreia é verdade. Essa foi a estreia de Ronaldo como senior, mas eu estou a falar da estreia absoluta, ou seja, a primeira vez na história do futebol que Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro vestiu e jogou com a camisola verde e branca do Sporting. E meus amigos, foi um jogo que deu para tudo.
Então quero saber como é que acabou.
A questão é mesmo essa, Judite. É que não acabou.
Estava a chover torrencialmente. Estamos a falar de um campo de terra que estava todo alamado. E o jogo foi adiado por causa disso.
Esta é a voz de Nasser Hadj Ali, que era, a 18 de outubro de 1997, guarda-redes dos infantis do Clube Futebol Santaria. Foi o clube de Santaria da Zóia, no concelho de Loures, que fez o batismo do Ronaldo pelo Sporting, podemos dizer assim, num jogo em que o batismo foi feito mesmo com água, foi com a chuva.
Pelos vistos.
Chuva torrencial que caiu e talvez também um sinal da inundação de gols que iam vir na carreira do Ronaldo.
O jogo não chegou ao fim, não é? Mas depois foi repetido, não?
Sim, para mal do Nasser Hadj Ali e para mal do Clube Futebol Santaria, o jogo foi repetido e Ronaldo, depois na repetição, mostrou ao que vinha.
Neste segundo jogo, destes 28 a 0, que foi o mais oficial, quando começámos o jogo, e o jogo era 30 minutos por parte. A primeira parte eram os 30 minutos e eu lembro-me que nesta primeira parte nós já estávamos a levar 15 a 0. E eu era o guarda-redes, ou seja, para teres uma ideia, estamos a falar de um gol de dois em dois minutos.
Exato. E lembras-te de sofrer gols do Cristiano Ronaldo?
Eu não quero dar um número redondo, mas eu sei que ele marcou mais de 10 à vontade e lembro-me de o ver a marcar gols e a ir buscar a bola dentro da baliza a correr para ir pô-la no meio-campo para continuar a marcar mais.
Estava com pressa, não é? Não fosse o Sporting não ganhar esse jogo. Portanto, não sei se perceberam, 28 a 0. E agora podiam dizer também: "Mas se calhar o guarda-redes do Santaria não se recorda bem, se calhar o número foi de memória, se calhar não era bem assim". Não foi não, porque o Clube Futebol Santaria, muito amavelmente, um abraço para eles, foi aos arquivos e enviou-nos a ficha do jogo e está escarrapachado. Vinte e oito a zero para o Sporting no jogo de repetição no Campo Atlético Tomás Reynolds no dia 8 de dezembro de 1997.
Foi um dia duro, no mínimo, para o Santaria, portanto. Mas os jogadores também foram apanhados de surpresa, porque ninguém sabe quando é que vai encontrar um futuro melhor jogador do mundo.
Sim, ninguém sabia que o Ronaldo ia ser Ronaldo. Mas, neste caso, os infantis do Santaria até foram mais ou menos avisados, mas fizeram uma coisa que ainda hoje é um erro e que os adversários continuam a fazer, que é desvalorizar Cristiano Ronaldo.
Um dos nossos diretores, uma das pessoas responsáveis pela nossa equipa, já nos dizia: "Olha, atenção que o Sporting este ano tem lá um madeirense e o miúdo joga que se farta". Mas nós desvalorizámos, porque joga que se farta, está bem, mas nós já vimos o Quaresma jogar, não pode ser aquilo. E desvalorizámos, de facto, como não devíamos ter feito, obviamente.
Foi um bocado capital. Desvalorizaram Ronaldo, o jogo começou e o Nasser e o plantel de Santaria nem precisaram de muito tempo para perceber que isto ia ser uma tarde complicada.
Eu lembro-me de, nos primeiros lances do jogo, eu lembro-me de uma bola alta em que a bola vem mesmo alta e o Cristiano Ronaldo consegue colar a bola ao pé na batida, e a bola fica de facto no chão, colada. E estamos a falar de um campo pelado, de pedras e de areia, e como as bolas eram rijas, não tinham nada a ver com as bolas que são hoje, e ele conseguiu parar a bola ali no pé. Não era normal vermos aquilo naquela altura.
Portanto, bastou uma receção de Cristiano Ronaldo para a equipa do Santaria ficar assustada e depois foi o que se viu. Vinte e oito a zero, mais de 10 gols para Ronaldo e o resto foi história.
E é uma história, e que história, que ganhou o Nasser. Sofreu 28 gols, mas valeu a pena, porque pelo menos ficou com uma história marcante para contar.
É uma história que fica, que perseguiu o Nasser Hadj Ali para o resto da vida, mas apesar disso, na conversa com o antigo guarda-redes do Santaria, mostrou bastante fair play.
Claro que este primeiro jogo, que foi também o meu primeiro jogo de infantil, praticamente, ou dos primeiros, é sempre tema de conversa. Mas no final da conversa, a conversa acaba mesmo: "Está bem, mas ele é um bolador". Não há qualquer vergonha nisso. E eu digo: "De facto, é verdade, é um bolador".
Tem desculpa, o Nasser Hadj Ali tem desculpa, acaba por ficar ilibado de culpas. Eu também digo aqui, eu não me importava de sofrer 28 gols de Cristiano Ronaldo, pelo menos era sinal que tinha jogado com ele, que não aconteceu. E eu até costumo ir à baliza, portanto, se sofrer 28 gols-
Mas és magrinho. O que é que fazes à baliza?
É mais porque lá à frente tenho dois pés esquerdos.
Quer dizer, não és qualquer um.
É mais por aí. Normalmente é o gordo que vai à baliza, neste caso é o fraco que vai à baliza. Já não tenho pulmão para ir à frente. Mas olha que quando vamos jogar à bola, aqui entre nós no observador, eu tenho feito mais ou menos boas exibições na baliza. Portanto, se calhar, se caso sofrer 27 gols do Cristiano Ronaldo.
O nosso Diogo Costa do observador, o André Maia.
Não, nem pensar. A partir daqui, o Nasser continua a acompanhar a carreira do Cristiano, ainda o apanhou lá pelo meio durante os juvenis também. Já o Ronaldo, com a idade juvenil, estava nos seniores na equipa B do Sporting e tal como nós, vamos também acompanhar a carreira do Cristiano no Mundial, principalmente, e amanhã trazemos mais uma história desconhecida ou quase desconhecida do capitão da seleção.
Esta apanhou-me completamente de surpresa.
A mim também, não conhecia.
A mim e ao guarda-redes do Santaria.
O Nasser. André Maia, todos os dias aqui na tarde em direto e durante a próxima semana também com estas sete histórias desconhecidas sobre Cristiano Ronaldo. Encontro marcado, amanhã depois do Jornal das Quatro da manhã. Obrigado.
Vamos bater. Vai Cristiano! Goloooo! Cristiano!