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Estamos em vésperas de mundial no Qatar e todas as tardes agora temos por cá histórias desconhecidas do Ronaldo, com o André Maia hoje. Olá, André.

Olá, boa tarde.

Boa tarde. Está aqui também a Judite França.

Boa tarde, André.

Este é o terceiro episódio destas histórias desconhecidas do Ronaldo. Adorei a primeira, só para dizer.

E a segunda.

A segunda também gostei bastante, mas a primeira, o Nasser ficou no nosso coração.

É verdade.

Mandou uma mensagem depois.

Ótimo. Manda-lhe um abraço.

A dizer que estava a ser gozado em todos os grupos do WhatsApp em que estava. Diz que: "Eu não sei o que é que fizeste, não sei que tipo de relações públicas é que tens, mas o link apareceu em todos os grupos do WhatsApp onde eu estou."

É muito bom. As histórias desconhecidas do Ronaldo andam aqui a contar, são sete, para já, as histórias que vamos contar sobre o nosso capitão da seleção. E André, isto numa altura em que continua na ordem do dia essa entrevista bombástica do Cristiano Ronaldo. Puxamos aqui um bocadinho a fita atrás, vamos até à primeira entrevista da história dada por CR7.

É verdade, que não foi à Rádio Observador.

Não, essa era difícil.

Não estávamos cá ainda.

E também não foi tão polémica. Quer dizer, há aqui algumas coisas que se calhar os nossos ouvintes vão achar um pouco polémicas. Lá está, histórias desconhecidas, mas não foi tão polémica quanto esta. E pergunto-vos: com que idade é que acham que o Ronaldo deu a primeira entrevista?

17.

17?

Oito.

Oito anos?

Sim. Não sei, não faço ideia.

13 anos. Foi com 13 anos. Portanto, já estava no Sporting na altura. Estávamos em 1998. Não sei se se lembram onde é que vocês estavam em 98.

Sei perfeitamente.

Na Expo, acho eu.

Pois, é provável.

A trabalhar.

Na Expo, na Praça Sony, a fazer concertos.

Eu não vou dizer para não se assustarem. E o jornalista responsável por descobrir o Cristiano Ronaldo, neste caso para o jornalismo, foi Duarte Azevedo. Nós falámos com ele, ele é madeirense como o capitão da seleção. Já está nesta altura mais afastado da área do jornalismo, mas foi o primeiro a conseguir encontrar o Cristiano Ronaldo em termos de entrevistas em 1998. Ora o Duarte Azevedo, nessa altura, foi a Lisboa cobrir um Sporting-Marítimo. Na altura, era muito mais fácil chegar ao Cristiano Ronaldo do que agora, como é óbvio, como podem imaginar. Ora o Cristiano estava nos iniciados do Sporting e na altura já deixava muitos sonhos no ar e também, principalmente, muitas comparações.

Curiosamente, o Ronaldo na altura era apelidado de Futo pelos adeptos do Sporting. Eu pus-lhe essa questão: "És o novo Futo?" E ele disse: "Não, eu sou o Ronaldo, não sou mais nada, eu sou o Ronaldo." Portanto, denotava também aquela firme vontade de se afirmar por ele próprio. Ele não queria ter rótulos. Ele dizia: "Eu sou o Ronaldo, sou o Cristiano Ronaldo. Não sou o Futo, sou eu."

Com 13 anos já mostrava aqui quem é que mandava. A mim se me dissessem que eu era o Futo--

Eu acho que ele já fazia aquele gesto, "eu estou aqui", que ele às vezes faz no campo. Ele já fazia isso.

Sim, faz todo sentido que fosse pela frase que nos foi dita pelo Duarte. Eu ficaria muito feliz em ser o novo Futo, abdicava de André totalmente. Para esta entrevista, para a primeira, o Cristiano chegou acompanhado pelo, na altura tutor, o Leonel Pontes, que era na altura treinador dos iniciados do Sporting, depois entretanto até chegou à equipa principal. A entrevista foi, no fundo, a sobremesa de um almoço que foi feito na antiga churrasqueira do Campo Grande, que era perto do antigo estádio, do velhinho estádio de Alvalade. Foi um dia em grande, nesse mesmo dia, porque Cristiano Ronaldo, para além de ter feito a primeira entrevista da história da sua carreira, também foi nesse dia deixado pendurado pelo presidente do Sporting da altura, como nos contou Duarte Azevedo.

Não há precisa aquelas grandes apresentações. E foi fácil. Portanto, almoçamos e o Ronaldo ia participar nesse jogo depois de ser apanha-bolas. Ele estava a pé para a tribuna, o presidente do Sporting, o José Roquette. Eu conto essa história. Ele estava a pé para a tribuna ver o jogo ao lado do José Roquette, porque os jogadores que se distinguiam nos infantis do Sporting iam ver o jogo quando a equipa jogava em casa ao lado do presidente. Mas como o presidente faltou, colocaram-no a apanhar bolas, que é o que ele preferia. Pelo menos dava-lhe visão para o relvado.

Imagino que na altura o Ronaldo ainda assim devia preferir estar sentado na tribuna ao lado do presidente do Sporting do que estar a apanhar bolas.

Até porque se nesse jogo aconteceu o mesmo que no jogo do Santarém do primeiro episódio, ele deve ter apanhado uma molha desgraçada. Nesse jogo com chuva torrencial.

Para além disso.

Ficou pendurado pelo presidente do Sporting, aqui é o que diz o Duarte Azevedo em entrevista com o nosso João Filipe Cruz. Vocês nesta altura, se calhar, já estão a perguntar-se também: "André, e onde é que está aqui o facto desconhecido? Estas histórias são todas desconhecidas".

Sim, um bocadinho. Vamos lá, então.

Sim, mas o facto desconhecido eu vou deixar o lado mais polémico desta entrevista, como eu disse, também tinha aqui uma parte polémica, vou deixar para o final. Duarte Azevedo, como disse, foi o primeiro a entrevistá-lo, não só a primeira, mas também a segunda vez, a segunda entrevista também foi feita pelo Duarte.

É o Piers Morgan agora.

Sim, foi o primeiro Piers Morgan da carreira de Cristiano Ronaldo. E também por quê? Porque o jornalista era madeirense, aproveitava a pausa do Natal, na altura em que os jogadores que estavam em Portugal continental regressavam à Ilha da Madeira, e ele aproveitava, por exemplo, a pausa do Natal para fazer também essa entrevista. E mesmo longe, na segunda entrevista, dois anos depois, em 2000 e já com 15 anos, o Cristiano Ronaldo continuava exatamente igual.

Fiquei em 98 das poucas pessoas que se calhar acreditavam mesmo no Ronaldo, que podia ser o jogador que foi, era ele próprio. As outras pessoas dificilmente podiam antever isso, até porque a vida dá muitas voltas e no futebol sabemos como é que é, de repente pode mudar tudo. E ele, dois anos depois, continuava com essa fé, com esse espírito de conquista inabalável. Foi uma imagem de marca dele. Foi desde pequeno.

"Eu estou aqui." Dois anos depois e ele continua a fazer o gesto. "Eu estou aqui."

Continuava lá. Portanto, tudo certo, bate tudo certo com o percurso do Ronaldo. Aliás, vocês estão familiarizados com o percurso de Cristiano Ronaldo, não é?

Sim, claro. Temos visto em horários nobres.

Portanto, Andorinha, Nacional da Madeira, depois Sporting, depois do Sporting Manchester United, Real Madrid.

Real Madrid, Juventus.

E agora Manchester United. Só que há aqui dois clubes que vos faltaram, e se vos dissesse que por vontade do capitão da seleção, se calhar, teria sido um bocadinho ao contrário, pelo menos o início.

Na primeira entrevista também há uma confissão muito engraçada, estamos a falar de um miúdo de 13 anos. E ele confidenciava que os clubes dele inicialmente seriam o Benfica e o Marítimo. Apesar de ter jogado no Nacional e ter ido para o Sporting. Ele até dizia na altura que aprendia a gostar do Sporting Estamos a falar de um miúdo de 13 anos, mas tem essa curiosidade.

Portanto, foi tudo ao contrário.

Ao contrário, foi o que a vida lhe foi preparando e para ele ainda bem.

Como assim?

Polémico.

Como assim?

Cristiano Ronaldo, portanto, aqui confirmado por Duarte Azevedo. Eu já tinha ouvido alguma coisa do Cristiano e o Benfica, mas aqui Duarte Azevedo a confirmar-nos que nessa primeira entrevista, Cristiano Ronaldo diz que, em off, pelo que percebi, porque já estava no Sporting, diz que era do Benfica.

E do Marítimo.

E do Marítimo.

As pessoas do Nacional vão adorar isso.

É isso, mais do que os sportinguistas, os adeptos do Nacional da Madeira que nos estão a ouvir neste momento devem estar possuídos.

Já ninguém se vai lembrar da entrevista do Piers Morgan.

Não, isto é Duarte Azevedo. Se fora o Piers Morgan, isto dá muitos furos.

Exatamente. Portanto, o Cristiano Ronaldo era do Benfica e do Marítimo. Entretanto, foi jogar para o Nacional e para o Sporting. E o resto já sabemos. Não fiquem nervosos os adeptos do Nacional e do Sporting. Já sabemos que Cristiano Ronaldo, como dizia aqui também Duarte Azevedo, acabou por respeitar depois os dois clubes e até mudar de cores, se é que isso é possível, com o passar do tempo.

Eu acho que sim.

Quando se é muito miúdo, é.

Sim, exato. Ele ali tinha 13 anos. E para o Mundial, o jornalista madeirense dá apenas um conselho ao Cristiano Ronaldo e mesmo mais de 20 anos depois, não deve ser um conselho muito diferente do que daria em 98 e em 2000, que é: "Sê tu mesmo".

Não há problema, porque isso Ronaldo será.

"Eu estou aqui".

Exatamente. Será ele mesmo, certamente. E se ele continuar a ser ele mesmo, já jogou até agora para ganhar a Bola de Ouro, pode ser que nos chegue também para sermos campeões do mundo, quem sabe?

Isso é que era. André Maia, com mais uma edição do "Histórias Desconhecidas de Cristiano Ronaldo", sempre depois do Jornal das Quatro, aqui na tarde em direto da Rádio Observador. André, um abraço atuai.

Até amanhã.

Até amanhã.