Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

A seguir, Ideias Feitas. Ideias Feitas na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, boa tarde, Ricardo.

Achas que há por aí uma histeria com os fogos?

Não digo que toda a gente esteja histérica, mas pelo menos há uma pessoa que me pareceu. Estou a falar do senhor Ministro da Administração Interna, que fez umas declarações há poucas horas e que eu achei surpreendentes. O senhor ministro disse o seguinte: "Vêm aí dias absolutamente terríveis, com condições climáticas de exceção, elevadas temperaturas, em alguns locais podem chegar aos 47 graus, com ventos de 70 a 80 km e baixos índices de umidade, são as condições terríveis para termos um barril de pólvora aqui." Aqui no país, presume-se. Eu, por acaso, fartei-me de pesquisar as previsões disponíveis e não encontrei nenhuma que apontasse para temperaturas superiores a 44 graus. Foi o máximo que vi, mas é um ligeiro exagero que apenas contribui um bocadinho. Não é a fonte principal da minha surpresa face às declarações do senhor ministro. É que eu já me tinha começado a habituar à ideia de um ministro da Administração Interna que se mantinha imperturbável, quase indiferente face aos problemas e às dificuldades. Afinal, infelizmente, a indiferença do senhor ministro só se aplica ao crime e à insegurança e essas coisas. Não vale a pena lembrar, ou se calhar vale, as sucessivas declarações do doutor Luís Neves, antes de ser ministro e já enquanto ministro, a desvalorizar claramente os dados da criminalidade e quase a escarnecer das sensações de insegurança do cidadão comum. Para ele, nesta matéria, no que respeita à segurança, está tudo impecável no país. Portugal é um paraíso de tranquilidade e as pessoas que se calhar são um pouco tontas é que acreditam na desinformação, a palavra é dele, que circula por aí e acham que há assaltos, esfaqueamentos, tiroteios e zonas infrequentáveis, onde o senhor ministro só vê paz e harmonia. No que toca aos crimes, o senhor ministro é um monge zen que paira uns metros, ou pelo menos a uns centímetros acima da realidade, e isso, se fosse um comportamento constante dele, seria digno do maior respeito. O homem era assim em tudo. Por azar, no que toca aos incêndios florestais, o senhor ministro não é assim. O senhor ministro parece uma daquelas protagonistas dos filmes de terror estilo slasher, aqueles tipo Pesadelo em Elm Street, que desatam aos gritos histéricos antes do assassino sequer entrar em cena. Acho que são as scream queens ou coisa do género, é esse o termo. O senhor ministro parece uma scream queen. Este verão ainda nem sequer houve, provavelmente vai haver, infelizmente, mas nem sequer houve ainda nenhum daqueles incêndios que devastam uma quantidade enorme de hectares e o senhor ministro já entrou em modo de pânico a avisar a população para tragédias iminentes e, como ele diz, dias terríveis, condições terríveis e barris de pólvora. O país que de fato costuma arder sazonalmente não precisa, acho eu, de um ministro que fique mais desnorteado com o assunto do que aqueles desgraçados repórteres que são mandados para os locais dos fogos e obrigados a repetir as mesmas frases citadas dia e noite. Ao menos os repórteres só entram em histeria quando começam os incêndios. O senhor ministro adota uma espécie de histeria precoce e as comparações entre o comportamento dele relativamente aos fogos e à criminalidade não se esgotam na atitude geral. Há também alguns pormenores. Um dos pormenores é que, embora ambos os setores, vamos dizer assim para simplificar, caibam na sua tutela, em princípio, esse governante específico tem mais responsabilidade nas ações humanas do que nos atos da natureza. E se pode haver incêndios que são provocados pelo homem, que os há, em princípio, todos os crimes são provocados pelo homem. É difícil imaginar um crime provocado pela natureza ou pelo menos que isso constitua um crime segundo o Código Penal. Outro pormenor é que a tendência do senhor ministro para desvalorizar a criminalidade atual recorre muito à comparação com tempos anteriores, para cúmulo misturando tipos de crimes diferentes e desprezando novas formas de crime. Já com os fogos, ele não recorre a comparações nenhumas, ele nem sequer espera pelos factos. Ele já decretou previamente que vem aí uma data de desgraças e está cumprido o objetivo de aterrorizar as pessoas. E por falar em aterrorizar as pessoas, já vou terminar, Ricardo. Tudo somado, eu acho que descobri uma espécie de coerência nas atitudes aparentemente contraditórias do senhor ministro. Ou seja, os residentes nas cidades estão assustados graças ao aumento da criminalidade que o senhor ministro ignora. E agora temos os residentes em meio rural apavorados com os incêndios que o senhor ministro já anunciou aos berros. Portanto, Portugal em peso está cheinho de medo e se esse não devia ser o objetivo de um ministro da Administração Interna a sério, parece ser esse o objetivo deste peculiar ministro da Administração Interna.

Obrigado, Alberto. E até amanhã.

Até amanhã, Ricardo.

"O Bom, o Mau e o Vilão" da Rádio Observador.

Até ao meio-dia é possível, não é? Depois a partir desse hora é tarde.

Estava a correr bem. E ó Paulo, tu não és daquelas pessoas que quando uma pessoa chega e diz bom dia, diz: "Ah, por acaso já é boa tarde." Acutilância, ironia e quando é preciso, alguma acidez.

Há coisas que surgem e nós não sabemos o que devemos dizer. Não temos uma opinião, não pensamos sobre o assunto, não temos nada para dizer. Acontece, eu empatizo. Quando falo como acontece aqui, é porque tenho coisas incríveis para dizer.

Ninguém é poupado ao rigor da opinião. "O Bom, o Mau e o Vilão", de segunda a sexta, às 20h20, nas manhãs 360 da Rádio Observador e sempre em podcast.

Este programa tem o apoio de PlaniCare. Vá pelo seguro. Quando o assunto é saúde, a prevenção e a confiança fazem toda a diferença. Na PlaniCare, a adesão é simples, rápida e pronta a usar. PlaniCare. Vá pelo seguro.

Sabem que agora com a Endesa tem um dia de luz grátis por semana? Também pode escolher dois dias com 50%, certo? Já eu preferi este mês totalmente grátis. Ótima escolha! Eu optei por um desconto de 70 € na fatura. Seja qual for a sua decisão, com a Endesa poupa sempre. Ligue grátis 800 10 10 30 ou visite escolhendesa.pt.

Estas férias leve o Observador no bolso, na praia, no campo ou entre viagens, acompanhe toda a atualidade sem limites. Assine com 40 € de desconto e habilite-se a ganhar uma estadia de duas noites num dos hotéis boutique da Small Portuguese Hotels. Este verão, desligue da rotina, não da informação. Assine em observador.pt. Rádio Observador, são 18h57 em Portugal continental e na Madeira, menos uma hora