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Feitas. Ideias Feitas na Rádio Observador com o Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.
Olá, Ricardo. Boa tarde.
E hoje queres prestar atenção ao que está a passar em Espanha.
É, alguém tem que o fazer. Vocês agora também estavam a fazer, é verdade, mas as televisões não fazem muito. E eu sei que, sobretudo quando as notícias são potencialmente desfavoráveis à esquerda espanhola, a Espanha dá ideia que nem existe ou quase não existe nos telejornais portugueses. Só se ouve para dizer que o Cristiano Ronaldo fez um escândalo em Madrid ou coisa assim. E por isso mesmo, desde que o senhor Sánchez está no poder, já lá vão oito anos, a Espanha praticamente desapareceu dos noticiários. Só aparece quando é possível mostrar o presidente do governo de lá sob uma luz positiva. E essa parece-me ser uma tarefa quase impossível, embora os correspondentes dos nossos canais em Madrid, de vez em quando se esforcem para o conseguir. E o resto, e o resto é que é relevante, ou que devia ser relevante, não aparece, de facto, nas televisões daqui. Eu ia dizer, veja-se, mas se calhar não se consegue ver, porque não deve ter sido transmitido. Veja-se o que aconteceu ontem, dia em que a juíza que liderou a investigação ao irmão de Pedro Sánchez, foi prestar declarações ao tribunal. Declarações essas que sob qualquer conceção séria de jornalismo, seriam consideradas bombásticas ou qualquer coisa do género. E eu pra dar contexto, relembro muito resumidamente a história: em 2007, o irmão do senhor Sánchez, David Sánchez, foi enfiado num cargo público cultural criado à medida dele na Deputação de Badajoz. Esteve lá oito anos, salvo erro, até 2025, com salário garantido e sem controle de assiduidade, ou seja, ele aparecia no emprego se lhe apetecesse e por acaso acho que não era costume apetecer-lhe aparecer. Em julho de 2026, foi condenado por prevaricação administrativa a nove anos de inabilitação de cargos públicos, portanto, não podia desempenhar nenhum cargo público. Outros 10 dirigentes públicos que estiveram envolvidos neste episódio foram igualmente condenados e todos ligados ao PSOE de alguma forma. Hoje, o irmão do senhor Sánchez, o senhor David Sánchez, aguarda decisão de um recurso que a sua defesa interpôs. Acontece que esta semana foram divulgados na segunda e na terça-feira uns relatórios da Guarda Civil que têm alguns dados que já conhecíamos, têm outros dados que não conhecíamos, e esses relatórios aceleraram a comparência no tribunal para depor da juíza Beatriz Biedma, a tal juíza que liderou a investigação ao senhor David Sánchez. E somadas as declarações da juíza aos relatórios da Guarda Civil, o que aparece exposto é uma rede de vigilância, de pressão e de assédio contra a magistrada. Esta juíza, Beatriz Biedma, revelou ter sido seguida, intimidada de diferentes maneiras, incluindo contactos ameaçadores com a sua família. Pelos vistos, parece que filmavam as filhas dela enquanto brincavam no jardim infantil, por exemplo. E no centro desta rede surge um ex-juiz inevitavelmente ligado ao PSOE e a figuras do PSOE. E este cavalheiro terá orquestrado uma campanha pública de difamação contra a juíza. A alimentar a campanha havia informadores, indivíduos dedicados à perseguição, anônima, claro, especialistas em manipular imagens por inteligência artificial e por aí fora. Isto parece um filme de ação de Hollywood. O facto mais interessante será talvez os contactos diretos entre o ex-juiz que orquestrava a tramoia, o tal sujeito, e um clã de narcotráfico sediado em Badajoz. Segundo uma líder do próprio clã, traficantes, o ex-juiz terá sugerido que a magistrada devia ser eliminada, afirmando que o burro aprende é à pancada. Ou seja, isto no mínimo seria uma proposta, uma sugestão de agressão física, no máximo seria uma sugestão de homicídio, que o clã, uma coisa ou outra, terá recusado. Ou seja, até traficantes de droga acharam excessivos os métodos sugeridos pelos senhores do PSOE ou ligados de alguma forma ao PSOE para impedir ou reverter uma investigação judicial. Já o PSOE não parece ter limites ou pelo menos os escrúpulos que um gangue de narcotraficantes tem. Para este partido, que manda em Espanha e quer continuar a mandar de qualquer maneira, tudo vale, incluindo, lá está, a eliminação física de juízes. E nisso os nossos telejornais têm alguma razão, a Espanha está aqui ao lado, mas os procedimentos do poder político espanhol, deste poder político espanhol em particular, nem sempre o PSOE foi assim. Esses procedimentos assemelham-se aos da Guiné Equatorial, por exemplo, sem ofensa para a Guiné Equatorial. Isto, claro, se aceitarmos a realidade tal como é. Também podemos fingir, como fazem os correspondentes dos nossos telejornais, que isto é tudo uma conspiração da chamada extrema direita, são boatos postos a correr pelo Vox e pelo PP, e que podemos fingir que as atividades mafiosas do PSOE não têm nada a ver com o PSOE. Podemos fingir que o senhor Sánchez nada sabe das perseguições e ameaças feitas para bloquear e perturbar, no mínimo, a investigação dos casos em que seu irmão esteve envolvido e, no limite, podemos até fingir que a Espanha não existe e que Portugal está colado à França. A chatice é que a França também está em estado de sítio por causa da violência da extrema-esquerda e por isso também não passa muito nos telejornais. O melhor, se calhar, é alterar os mapas, é mudar radicalmente a geografia e colar diretamente Portugal à Suíça ou ao Liechtenstein, que são países onde aparentemente não acontece nada e por isso não há problema.
Bom fim de semana, Alberto.
Igualmente, Ricardo.
Até segunda.
Até segunda.
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Está 20 ao Torreense.
Também queria dar a nota 16.
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