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Feitas. Ideias Feitas na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto.

Olá, Ricardo. Boa tarde.

E hoje vamos à falta d'água em Almada?

É, depois de tantos dias a falar-se no assunto, eu resolvi ver do que se tratava, porque felizmente não sou uma das pessoas afetadas. Não sou morador de Almada nem de lá perto, mas pelos vistos há aqui uma série de fatores que explicam a falta de água em Almada e que explicam factual e credivelmente a falta de água. Pelo que vi, a infraestrutura da rede de abastecimento é obsoleta, tem rupturas, está velha. Não é culpa exclusiva da Câmara atual, com certeza, mas também é culpa, com certeza, da Câmara atual. E há milhares de litros de água que se perdem entre chegar às torneiras. Há um consumo recorde, ou seja, com o calor que antigamente se conhecia as ondas de calor, as vagas de calor, antigamente conhecidas como verão, fizeram naturalmente disparar a procura. Não devia ser surpreendente. E as pessoas consomem mais água durante os meses de verão. Também há uma questão aqui associada que é a explosão demográfica e o turismo. Portanto, há muito mais residentes em Almada, há muito mais turistas em Almada ou na zona de Almada, nas zonas costeiras, sobretudo a Catarica, que sobrecarregaram a procura e a capacidade de oferta. E depois há umas ligações clandestinas, pelos vistos rouba-se a água com umas puxadas ilegais. Não sei nada sobre isso. E não houve investimento por parte da Câmara, pelo menos não houve investimento suficiente para se tentar resolver os problemas ou, sobretudo, para resolver os problemas. E se calhar, digo eu, uma autarquia não pode gerir o abastecimento d'água, que até provem o contrário, é um bem relativamente essencial, com base no pressuposto que todos os fatores de que depende esse abastecimento vão manter-se estáticos. Que os fatores são indiferentes ao abastecimento d'água. E nisto a Câmara tem obviamente responsabilidade, tem responsabilidade na tal obsolescência da rede de tubagens. Se não é assim, capaz de faltar ali um S, não sei.

Acho que acertaste.

Acho que acertei. E na tal incapacidade da infraestrutura de servir devidamente as pessoas. Pelos vistos, também a Câmara licencia projetos imobiliários, habitação, estruturas hoteleiras e de alojamento local, aquelas coisas todas. Portanto, o número de pessoas aumentou também com a Câmara a saber disso e a permitir isso. E tudo bem, mas desde que garantisse previamente a capacidade para abastecer de água as pessoas. E depois também, ao mesmo tempo, a Câmara, que ao que vi, tem um orçamento anual de 209 milhões de euros, pelo menos é o orçamento mais recente, investiu ou dedicou à reparação da rede hídrica cerca de oito milhões. É uma percentagem relativamente baixa e, sobretudo, para o que se está a passar, parece-me muito baixa mesmo. Pelo menos é insuficiente. Segundo se constata, e no fundo, a autarquia de Almada não fez nada de inédito, fez praticamente aquilo que todas as autarquias fazem, que é atirar dinheiro em disparates à superfície e desprezar os investimentos necessários e que, neste caso, estão literalmente abaixo de terra e, portanto, não dão votos na altura em que são feitos. Acho que Almada é muito pródiga, como muitos concelhos do país, muitas autarquias são pródigas em organizar eventos, festivais, certames, concertos, teatro e fogo de artifício, essas coisas todas. Reparar os canos era capaz de ser mais importante e mais útil, mas não se fez isso. E o ponto a que eu queria chegar é que a autarquia e os defensores da autarquia, as narrativas que se põem a circular, como agora se diz, mesmo que não usem diretamente a expressão, tentam culpar ou fazem por culpar as alterações climáticas e os fenômenos associados às alterações climáticas, ou alegadamente associados às alterações climáticas. E a ideia que corre ou que se tenta fazer correr é a de que a presidente da Câmara é espetacular, a senhora doutora Maria Medeiros, as decisões da autarquia são imaculadas e tudo estaria na perfeição se não fossem as maldadas vagas inéditas de calor, que pelos vistos concentraram-se muito especificamente ali, naquele pedacinho da margem sul, ou pelo menos é ali que fazem mais estragos. E também aqui a Câmara de Almada e os seus defensores não são nada originais, porque hoje em dia sempre que há asneira na gestão pública, há uma forte hipótese, não digo que aconteça sempre, porque às vezes é um bocado difícil, como nesta história dos exames, é difícil culpar as alterações climáticas, mas em quase tudo ou em muitas coisas, consegue-se pelo menos tentar atirar as alterações climáticas para cima do problema. E o problema continua a existir, naturalmente, não fica solucionado, mas pelo menos fica parcialmente legitimado. E no caso, os cidadãos de Almada continuam a girar as torneiras em falso, continuam sem conseguir tomar banho, mas têm o consolo de saber, se estiverem dispostos a acreditar no Pai Natal, nos avençados do PS e na própria Câmara de Almada, na própria autarquia, têm o consolo de saber que são vítimas de poderosos flagelos meteorológicos ambientais, ou seja, continuam todos sujos, mas têm a consciência limpa por terem eleito um bando de incompetentes para governar o seu conselho. Não é tudo, mas no fundo ajuda muito.

Obrigado, Alberto, e até amanhã.

Até amanhã, Ricardo.

O bom, o mau e o vilão da Rádio Observador.

Até ao meio-dia é possível, não é? Depois à tarde é que se complica.

E eu: "Ó Paulo, tu não és daquelas pessoas que quando uma pessoa chega e diz bom dia, diz: 'Ah, por acaso já é boa tarde?'" Acutilância, ironia e, quando é preciso, alguma acidez.

Há coisas que surgem e nós não sabemos o que devemos dizer. Não temos uma opinião, não pensamos sobre o assunto, não temos nada para dizer. Acontece, eu empatizo. Quando falo como acontece aqui, é porque tenho coisas incríveis para dizer.

Ninguém é poupado ao rigor da opinião. O bom, o mau e o vilão, de segunda a sexta, às 20h02, nas manhãs 360 da Rádio Observador e sempre em podcast.

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E começa agora mais uma comissão de inquérito das manhãs 360.

Vê um velho casario.

Vê um velho casario.

Que se estende até ao mar.

Cada resposta certa recebe cinco pontos. Se pedir a nossa ajuda e acertar, recebe dois.

Eu acho que era escritor, não é?

Sim.

Sim. Agora, não sei muito sobre a história do Bilhão Pá.

O que interessa mesmo é acertar. E se der a resposta errada, claro, não pontua.

Desta vez eu consigo sair daqui com uma melhor pontuação do que o convidado anterior.

Comissão de Inquérito, nas manhãs 360 da Rádio Observador e sempre em podcast.

Já me está a fazer umas ameijas.

Rádio Observador, são 18h58 em Portugal continental e na Madeira, menos uma hora