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Sejam bem-vindos. Vem aí mais uma edição dos Top Health Awards, prêmios que reconhecem a excelência, o propósito e o impacto em saúde. É a terceira edição e vamos contar tudo ao longo de quatro episódios. Neste primeiro episódio, vamos aproveitar para fazer um balanço e antecipar o futuro destes prêmios. Estão comigo Cristina Campos, cofundadora da Top Health Awards, e também João Almeida Lopes, presidente da Apipharmá, Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, e também membro da Comissão de Honra, juntamente com outras personalidades. Bem-vindos, Cristina e também João Almeida Lopes.
Olá.
Muito obrigado.
Cristina Campos, talvez começasse por si. Os prêmios Top Health Awards vão para a terceira edição. Já é possível fazer um balanço dos efeitos das duas edições anteriores?
Sim, com certeza. Uma das coisas que fazemos questão de fazer é um balanço de cada edição, porque é isso que nós também preconizamos, é medir. E neste momento estamos muito satisfeitos, porque temos acumuladas mais de 250 candidaturas, cerca de 35 nomeações, e destas saíram dezenas de finalistas. Vencedores, temos já oito, duas personalidades top. Portanto, do ponto de vista quantitativo, são indicadores que nos mostram que fomos muito além daquilo que até estávamos à espera no início e estamos muito contentes com isso. Qualitativamente, obviamente, é mais difícil avaliar, mas posso dizer que ao nível dos vencedores e também dos finalistas, o impacto destes prêmios é muito positivo, porque de facto, o reconhecimento destas pessoas que todos os dias dedicam a sua energia e o seu trabalho a fazer mais e melhor pela saúde, é finalmente reconhecido, tem uma visibilidade que lhes dá uma força para continuar e para ir mais longe. E muitas vezes é importante ter esta energia adicional. Outro aspecto também que gostava de salientar são os parceiros estratégicos desta iniciativa. Para nós tem sido, de facto, muito estimulante ver que parceiros que se juntaram à iniciativa desde o início continuam conosco e de forma cada vez mais convicta, e até reforçada, e até cocriam conosco novas iniciativas e novos parceiros se têm vindo a juntar ao longo das várias edições. Até muitas vezes de forma orgânica, pró-ativa, somos contactadas por novas entidades que se querem associar aos Top Health Awards. Portanto, eu diria que, em resumo, o balanço é muito positivo e é por isso que estamos a avançar para a terceira edição cheias de energia e convicção de que vai ser mais uma edição de sucesso.
João Almeida Lopes, que importância tem para a indústria farmacêutica a atribuição de prêmios como os Top Health Awards?
Acho que os prêmios são extremamente interessantes em várias perspectivas. Por um lado, nós na Apipharmá e na indústria farmacêutica em geral, queremos estar o mais possível próximo das pessoas e que as pessoas estejam no centro do sistema de saúde, o que às vezes nós falamos nisso, mas depois em termos práticos, isso não acontece. E como sabe, a saúde é uma matéria que provavelmente é a matéria que mais preocupa toda a gente, mas acaba por estar no ar, digamos assim, mais pelas más razões do que pelas boas. Eu às vezes digo aos meus amigos que não se esqueçam que para os jornalistas só as más notícias é que são boas.
Há até uma máxima: "Good news, no news".
Exatamente. Aliás, se me permite, enfim, isto é um aparte aqui dentro desta gravação. Uma vez, numa ação sobre comunicação, alguém dizia um corolário, de facto, extremamente agressivo: "Não deixes que a verdade te possa estragar uma boa notícia". Que é uma coisa dramaticamente verdade, infelizmente, às vezes. Aqui os prêmios são interessantíssimos, porque estamos sempre a falar de boas notícias, de boas situações, de situações que nos surpreendem, eu diria, às vezes dramaticamente, porque é sempre gente que está muito próxima dos doentes, muito próxima dos problemas de saúde. Lidar com pessoas frágeis, com pessoas muitas vezes já próximo do final de vida, pessoas que estão longos meses nos hospitais é dramático. E ver aqueles que lidam diretamente e diariamente com essas situações, serem capazes de ter ideias, de reportar, de sugerir que isto possa ser mais bem tratado, que os doentes possam ser mais bem tratados em termos humanos, eu diria que às vezes é extremamente chocante, comovente. De facto, nós não temos a noção da maior parte dessas coisas, dessas situações muito delicadas, a não ser quando lidamos com elas de perto. E isso é muito visível nos prêmios. É evidente que os prêmios têm outras valias, outros méritos, aumentar a literacia. Obviamente que as pessoas ficam provavelmente com ideias mais claras do que é o sistema de saúde e das suas potencialidades, dos seus resultados, dos seus outcomes. Mas no final do dia, eu diria que o mais interessante, e sobretudo nas candidaturas ganhadoras, são de facto a grande proximidade ao doente. O doente está no centro do problema e aquela gente está apaixonada em conseguir contribuir para melhorar a vida daqueles que sofrem.
Muito bem. Cristina Campos, qual é o objetivo desta iniciativa dos Top Health Awards? É reconhecer, é ser uma plataforma para se estabelecerem contactos, é unir o setor da saúde, enfim, é quebrar pontes e barreiras entre os stakeholders?
O objetivo é um pouco tudo isso. No fundo, é reconhecer, sem dúvida, e dar visibilidade a projetos e pessoas que têm efetivamente impacto na saúde. É também unir, porque este é um setor muito complexo e muito pulverizado, com muitos stakeholders e muitos intervenientes, de norte a sul do país, ilhas, etc. Portanto, a ideia também aqui é criar um ecossistema mais unido em torno, como dizia aqui o Almeida Lopes, do doente e daquilo que realmente importa, e termos aqui um propósito comum. E daí TOP. TOP significa Talentos e Organizações com Propósito, portanto, o P de propósito, todos termos um propósito comum alinhado e unir este ecossistema nesse sentido. Esse é o nosso principal objetivo. Mas eu queria deixar aqui bem frisado que, acima de tudo, o nosso objetivo é empoderar e reconhecer as pessoas. Acreditamos que o sistema de saúde pode, todo ele, realmente melhorar se as pessoas que trabalham no sistema e com o sistema estiverem efetivamente empoderadas, motivadas e tenham, no fundo, as ferramentas, o reconhecimento e a visibilidade para poderem ir mais além, para que os seus projetos ganhem escala, tenham impacto a uma escala mais amplificada, digamos assim. Esse é o nosso principal propósito. O nosso principal objetivo é de facto dar mais atenção às pessoas que todos os dias trabalham para a saúde dos portugueses.
Nesse sentido, Cristina, que impacto tiveram as duas anteriores edições nos vencedores?
Posso lhe dizer que o impacto é incrível e temos inclusive muitos dos vencedores que depois da cerimônia de entrega dos prêmios, que, na verdade, só sabem no momento da cerimônia de entrega dos prêmios, que acontece em março de todos os anos, que ganharam. Temos muitas vezes telefonemas e relatos a posteriori da dinâmica que se criou depois nas organizações de onde vêm. Não só ao nível das equipas, que se sentem obviamente muito mais energizadas e acreditam efetivamente que podem ir mais além, mas também as próprias lideranças das organizações acabam por dar aqui um pouco mais ainda de estímulo e de ferramentas para permitir que estes projetos, que foram realmente reconhecidos e que demonstraram efetivamente o impacto, possam ir um pouco mais além. E depois há o impacto na própria capacitação das pessoas que trabalham em saúde. O que eu quero dizer com isso? O prêmio que nós damos efetivamente é um prêmio também de enorme valor, de formação. Nós damos um prêmio de formação para executivos, para gestores, para profissionais da área da saúde, que são prêmios cedidos pelos nossos parceiros estratégicos do mundo acadêmico, e no fundo, permite aos vencedores procurarem reforçar as suas competências naquelas áreas onde sentem mais necessidade de aprofundar. Também há o impacto ao nível das competências destas pessoas que já de si são extraordinárias e que têm uma paixão e uma capacidade incrível, mas agora sim, reforçada também com este prêmio, que no fundo é o prêmio de formação.
João Almeida Lopes, eventos desta natureza, como os Top Health Awards, acrescentam que valor à indústria farmacêutica? E isso é mensurável?
Não, penso que é completamente intangível, mas ver o reconhecimento, proporcionar a quem está perto da saúde e perto dos doentes, questão que deveriam estar sempre no centro, eu acho que dar a maior visibilidade possível ao reconhecimento, ao agradecimento, sensibilizar quem não está doente para, de facto, os problemas que a doença representa e o peso que tem, a importância que têm os profissionais nesta matéria, eu acho que é extremamente importante para todos e como a Cristina disse, é o reconhecimento. Eu acho que isso é, de facto, a maior parte das vezes, as instituições onde essas pessoas trabalham ou colaboram têm dificuldade em fazer destrinças, nomeadamente em termos de premiar o mérito, não é fácil. E esta é uma maneira que as pessoas se sentem claramente reconhecidas, distinguidas, premiadas, independentemente do valor ou não daquilo que são os prêmios, mas é o reconhecimento que é o reconhecimento dos seus pares, o reconhecimento de quem está na saúde e de quem percebe de facto o dramatismo que a saúde por vezes assume. Acho que é um aspecto importantíssimo e obviamente, eu acho que todos nós, enquanto associação e enquanto empresas da indústria farmacêutica, sentimos que isto é claramente um complemento para as exigências que as empresas inclusivamente querem ter em termos de responsabilidade social.
Cristina Campos fundou a associação Top Health em 2023 com a Paula Costa, que vamos poder ouvir no segundo episódio desta série. Qual é o vosso objetivo com a Top Health? O que pretendem alcançar?
De facto, a primeira iniciativa da Top Health, que é aquela que é conhecida e que já falamos dela, os Top Health Awards, são apenas a primeira iniciativa. A associação Top Health nasceu em 2023 oficialmente, mas foi pensada antes disso e tem uma ambição que vai além dos Top Health Awards. A ambição da Top Health é, no fundo, ser uma catalisadora da transformação na saúde. E muitas vezes a palavra transformação é mais uma grande palavra. Que todas as organizações falem hoje em transformar qualquer coisa, mas nós queremos, de uma forma muito concreta, esclarecer qual é a realidade atual e o que nós queremos transformar nesta realidade atual. E o que nos preocupa são três coisas: o talento na saúde, que é talento realmente muitas vezes invisível ou cansado, ou desincentivado, desencorajado. Por outro lado, temos a questão da narrativa na saúde, que já falamos disso. Uma narrativa pesada, pessimista, muitas notícias negativas e que de facto também não nos dão esperança. E depois temos uma questão que tem a ver com os projetos em saúde, que muitas vezes não ganham escala, ficam na gaveta, não têm continuidade, por uma série de razões que não vou agora aqui desenvolver. Portanto, nós queremos transformar essa realidade para uma nova realidade com talento empoderado com projetos que têm efetivamente escala, são sustentáveis e têm impacto. Para a associação, a cultura de impacto que nós queremos contribuir é absolutamente crucial e é talvez o pilar principal da associação. E por fim, mudar esta narrativa para uma narrativa mais positiva. No fundo, trazer aquilo que nos orgulha a todos enquanto portugueses, não só para a comunicação, mas para a realidade. Trazer aqui, de facto, efetivamente um foco naquilo que se faz de positivo em saúde.
Elevar um pouco a autoestima.
Elevar a autoestima portuguesa, trazer mais saúde de uma forma literal ao país e depois no final do dia, trazer também saúde à nossa economia. No final do dia, se formos todos mais saudáveis, também vamos ter uma economia mais saudável. Em relação à associação, é importante frisar que o nosso propósito é muito claro, não só da associação, como de todas as pessoas que se associaram à associação, é tão somente mais saúde, um país mais saudável, e já falámos sobre isso bastante. A nossa visão é muito focada no impacto, ou seja, não basta termos projetos ad hoc, ideias ad hoc, iniciativas que só por si são giras, são interessantes, mas que não se consegue medir o resultado delas, o output, o outcome, o impacto, o verdadeiro impacto social, a melhoria efetivamente na saúde dos portugueses. E, portanto, é essa a nossa visão, é que todos os que trabalham em saúde e com a saúde meçam o impacto que estão a ter na nossa sociedade. Essa é a nossa visão. E depois a nossa missão é muito através das pessoas. É isso que nós queremos, é humanizar a ação na saúde, é dar a tal visibilidade, o tal palco, o tal reconhecimento e as tais ferramentas às pessoas que trabalham todos os dias na saúde. E portanto, esta transformação para uma saúde mais saudável, perdoa-me a expressão, é no fundo isso que move a Associação Top Health. É catalisar com todos os stakeholders, que estão todos a tentar contribuir para isso, mas uni-los, como falámos há pouco, e criar esta cultura focada nas pessoas, humanizada, e uma cultura de impacto, em que se medem realmente os resultados e em que há um propósito claro de fazer a diferença naquilo que realmente importa. E portanto, temos aqui uma estratégia de transformação da saúde alicerçada numa associação que pretende ser mais um elemento-chave neste desígnio.
Muito bem. Cristina Campos e João Almeida Lopes, agradeço aos dois terem estado aqui nos últimos minutos a conversar sobre os Top Health Awards. Se tem um projeto ou iniciativa que faz a diferença na saúde em Portugal, este é o momento de o dar a conhecer. As candidaturas aos Top Health Awards decorrem até 30 de novembro. www.tophealthawards.com é o site onde pode submeter a sua candidatura. Há lá um titulozinho, não é, Cristina, que diz "candidaturas". Basta clicar, não é?
E há também a possibilidade de nomear. Não queremos apenas autocandidaturas, mas também nomeações. Quantas vezes não conhecemos projetos especiais com impacto na saúde e que podemos também nomear e dar oportunidade para que sejam conhecidos e que ganhem mais visibilidade e escala a nível nacional.
Venham elas, as candidaturas. Regressamos na próxima semana. Até lá.