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Olá, sejam bem-vindos a mais um "Isto é Ser Mãe", um programa dedicado às maiores preocupações do dia a dia dos pais. Eu sou a Fabiola Carletis, consultora de moda e beleza da MAG e mãe da Francisca, de dois anos e meio.

E eu sou a Catarina Balesteiro, jornalista da MAG e tenho uma filha com dois anos, a Carmo. Hoje temos conosco no "Isto é Ser Mãe" a Rita Silva Freire, jornalista e autora do livro "Trazer ao Mundo", que acabou de chegar às livrarias. Bem-vinda, Rita.

Obrigada.

E hoje no "Isto é Ser Mãe", vamos falar sobre partos, que é o ponto principal do teu livro. E isto assusta algumas mulheres, principalmente grávidas. Por que isso acontece?

O susto?

Sim, por que é um bicho de sete cabeças?

Eu acho que é um bicho de sete cabeças porque embora seja um dos dias mais importantes da nossa vida, é um sobre o qual temos muito desconhecimento e conseguimos chegar àquele dia depois de 30 e tal anos de vida, ou 20 e tal, ou 40, sem saber o que nos vai acontecer. Não fazemos ideia do que dói uma contração, não sabemos o que se sente numa cesariana, não sabemos nada. E, portanto, temos medo. Temos medo do desconhecido, porque imaginamos o pior.

Exato. A tendência é sempre essa, imaginar o pior.

A piorar a coisa. Rita, tu no livro falas dos diferentes tipos de parto, embora a maioria divida entre normais e cesarianas. Sabemos que há muito mais do que isso.

Há muito mais do que isso.

Conceito há pouco e achava que o meu parto tinha sido um parto normal, mas não, foi instrumentado por terem utilizado uma ventosa, neste caso.

Exatamente.

Há muita coisa diferente.

Eu também descobri que o meu parto tinha sido instrumentado ao escrever o livro, já o Manuel tinha quatro anos, ou quase quatro anos, exatamente por uma ventosa também. Também achava que o parto tinha sido normal. Sim, há muitos tipos de parto, óbvio. Dividem-se entre o parto normal, o parto eutócico, e o distócico, que é quando acontece alguma coisa e é preciso haver uma intervenção por parte do médico, quer com fórceps, uma ventosa, uma cesariana. E depois existem vários tipos de parto que estão dentro destes dois, mas que podem ser muito diferentes entre eles, quer um parto hospitalar, quer um parto em casa, sem nada.

E o parto natural, que tanto se ouve falar, até pode ser num hospital, mas acontece sem intervenção.

Sem qualquer intervenção ou medicalização.

E é o mesmo dizer natural e normal?

Não, porque o normal acho que nem é bem um termo médico.

É um termo utilizado por nós.

Acho que o termo médico é eutócico, mas o natural implica que é como se estivéssemos sozinhas em casa. Não foi provocado e não há alívio da dor com epidural, podes fazer de outras formas e não há intervenção médica. O médico pode estar lá a assistir, mas não intervém enquanto médico. O parto normal é um parto que pode ter ou não, pode ser natural, mas pode ter direito a epidural, pode ser provocado, uma série de coisas.

Já falaste do teu filho, Manuel, de quatro anos. O que aprendeste com o teu parto em específico? O que ficaste a saber? Ou seja, era desconhecido, como disseste há pouco, o que ficou a ser conhecido depois do teu parto?

Fiquei a saber que dói muito menos do que aquilo que eu pensava, porque eu tive a epidural. Mas com a epidural realmente não dói. Não tive qualquer razão de queixa nesse sentido. E descobri o que é ser mãe e a felicidade de ter um bebê nos braços, que independentemente do que tenha acontecido antes e das dores da contração, ou o que seja, a pessoa realmente esquece. É um clichê, mas é verdade. Passou.

Isso de esquecer, tu disseste agora, é engraçado, nós estamos aqui três mulheres, as três grávidas, quase de tempos até semelhantes. É mesmo verdade que nós nos esquecemos do nosso primeiro parto. Das dores, ou seja, guardamos se calhar as memórias de ter o nosso filho nos braços, mas isso é uma coisa que até é cientificamente provada, que as mulheres se esquecem. Tu passaste por isso, não te recordas?

Eu acho que não me doeu, portanto, se calhar, esqueci. Não, eu lembro das dores das primeiras contrações, até ir pro hospital e até receber a epidural. Não sei se vocês se lembram.

Eu não tive.

Eu tive muitas, mas confesso que me esqueci. Lembro-me que doeu muito e acho que agora quando chegar a dezembro vou pensar por que eu me meti nisso outra vez. Mas sim, consigo perceber o que dizem quando, não sei se é o nosso cérebro, o nosso corpo, algo acontece.

Sim, apaga. Mas eu acho que acontece o mesmo quando estamos doentes. Quer dizer, quando eu estou com gripe, penso: "Isto é horrível". Mas quando estás bem, não te lembras bem e pensas só: "Pronto, uma gripe". E se calhar o parto é igual, mas um bocadinho maior.

Achas que estás mais informada para este teu segundo parto?

Acho, acho que estou muito mais informada. Acho que agora sei, depois deste livro, várias coisas que podem acontecer e se calhar, eu tive muita sorte com o parto do Manuel, porque acho que correu tudo bem. Não sei porque foi usada a ventosa, na altura não perguntei, mas se esteve alguma coisa mal, o médico não me assustou, portanto eu estive sempre muito calma, mas sei que se agora acontecer alguma coisa, pelo menos eu consigo perceber por onde é que isto pode ir, quais são os vários caminhos, e acho que não me vou assustar tanto. Embora, claro, eu acho que as pessoas se assustam sempre.

Fizeste um plano de parto?

Não, eu não fiz nada. Não fiz curso de preparação para o parto, não fiz plano de parto, mas também descobri agora com o livro. Eu entrevistei uma enfermeira, a Luísa Sottomaior, que acompanhou durante anos e anos grávidas na MAC e que trabalha no Centro do Bebé e que faz os cursos pré-parto. E ela disse uma coisa muito interessante para o livro que é: qualquer mãe que já saiba onde é que vai ter o bebê, ou com que médico é que vai ter o bebê, isso já é um plano de parto, já é um plano para aquele dia. Já pensou naquele dia e está feito. E depois pode ou não aperfeiçoá-lo. Eu não aperfeiçoei muito.

Achas que nos hospitais portugueses as mulheres são respeitadas no momento do parto?

Eu acho que sim. Acho que no geral sim. Agora, obviamente, médicos, enfermeiros, auxiliares são pessoas. Portanto, é lógico que aconteçam algumas vezes algumas coisas um bocadinho mais desagradáveis. No geral, das histórias que me contaram, acho que as mulheres foram respeitadas. Agora, é um momento em que as pessoas estão muito sensíveis, estão assustadas e se calhar precisam de um bocadinho mais do que quando estão bem. Agora, há exceções. Também tenho aqui umas histórias um bocadinho mais chatas.

Até porque há muitos médicos que desvalorizam um bocadinho isto do plano de parto. Além de haver muitas mulheres que não sabem que o podem fazer, há muitos hospitais ou médicos que desvalorizam e se calhar por isso não respeitam como deviam as mulheres nesse momento.

Sim, até porque o que é o respeito? E há aqui um capítulo também sobre a violência obstétrica e em que é dito exatamente isso. A violência não é só abusos verbais ou só abusos físicos. É esse não respeito que falas de não respeitar as vontades da mulher.

Exato.

Agora, também é preciso saber que nem sempre as vontades podem ser respeitadas.

Claro, e quando se fala numa questão médica, se o médico achar que não pode cumprir o plano por algum motivo, é diferente. Já não se trata de respeito.

Sim, mas pelas várias mulheres com quem eu falei e por aquilo que também me disseram profissionais da área, às vezes não é tanto o que é feito, é o como é dito.

O informarem-te do processo.

Sim, e um dos próprios médicos que eu entrevistei, o doutor Nuno Clode, também me disse isso, que se chegar ao pé de uma paciente... Ele faz parte do centro de Santa Maria, portanto, imagino que haja noites e dias muito complicados. Mas ele diz que chegar ao pé de uma paciente e dizer: "Olá, o meu nome é Nuno Clode. Como está? Vamos ter que fazer isto," em vez de chegar e dizer: "Vamos ter que fazer isto." Faz toda a diferença.

Ou fazer sem dizer.

Sim, exatamente. Mas aquela pequena apresentação e um pequeno sorriso que dura 10 segundos, pode fazer toda a diferença no como a mulher vai percecionar o seu parto depois de o ter.

Porque isso pode deixar traumas, quando as coisas correm um pouco pior. Tu tens um caso no livro, se calhar até tens mais do que um, mas tenho um muito presente, que a rapariga, acho que até era bastante jovem, teve de fazer terapia até uns anos depois, porque ficou muito traumatizada.

Sim, ficou muito marcado. E ela diz, foi um parto com fórceps, e ela não questiona os fórceps, não questiona como é que aquilo aconteceu. O que ela questiona é por que foram tão brutos a falar com ela e por que se calhar não lhe explicaram melhor. E estamos a falar de uma senhora que é enfermeira, portanto, que até percebia, tem uma facilidade maior, se calhar, a entender certas coisas, mas que sente que não falaram bem com ela. E que não lhe explicaram o que estava a acontecer. E ela ficou com muitos porquês. E eu acho que a pessoa ficar com porquês, quando não quer ficar com esses porquês. Eu, por exemplo, eu não queria que me explicassem. Eu disse há bocado, eu não sei por que foi usado, eu não quero saber porque usaram a ventosa, eu quero é tirar daqui o meu filho sem eu me assustar. Pronto, isso é como eu sou, mas nós não somos todas iguais e as mulheres são todas diferentes.

Claro, há mulheres que se sentem mais confortáveis se tiverem a acompanhar tudo.

Claro que sim. E é um direito que têm.

E o parto em casa também é um assunto cada vez mais falado e criticado também, na maior parte das vezes. Como mulher e pessoa que já está bastante informada sobre isso, qual é a tua opinião?

Eu acho que cada caso é um caso. Eu não o faria.

Por quê?

Porque eu preciso me sentir segura e eu sei que se há uma probabilidade de 0,001% de alguma coisa correr mal, eu vou me ficar nela.

É o suficiente.

Pronto. E eu queria ser médica.

Fazendo-se jornalista.

Mas durante muitos anos da minha vida eu achei que ia ser médica, até chegar ao 12º ano e descobrir que a minha média estava longe de me deixarem ir pra medicina. Mas respeito que as mulheres o queiram fazer. Acho é que têm que o fazer em segurança e informadas. Por exemplo, no caso que eu falo no livro e outros casos com quem falei, foram mulheres que tiveram a gravidez acompanhada sempre até ao final e portanto sabiam como é que a gravidez estava a decorrer e que estava à partida tudo bem e que entrevistaram equipes de enfermeiros e foram investigar quais é que eram os melhores enfermeiros para as assistir naquele momento. E que fizeram um grande plano de parto, sabiam a que distância estavam do hospital, para que hospital iriam, no caso de alguma coisa correr mal, e confiavam no profissional que as estava a assistir, para saber que à menor coisa não iria tentar mais. Iria "Ok, temos que ir". Há casos e casos, mas eu acho que não me cabe a mim julgar.

Claro. Estavas a falar há pouco, Rita, das vontades das mulheres. Achas que a maioria das mulheres está ciente do que pode pedir e fazer para que as suas vontades sejam respeitadas no hospital, no momento do parto, ou achas que ainda há muita desinformação?

Eu acho que há muita desinformação, e não é só relativamente ao parto. Aliás, o desconhecimento médico, aliás, não é por acaso que eles estudam uma vida inteira, está em todas as áreas. Quando somos apanhados de surpresa, assustamo-nos. O parto, dado que se quisermos ter filhos e se estivermos grávidas, já sabemos que aquilo vai acontecer, podemos se calhar informar-nos um bocadinho ao longo do tempo até ela chegar para depois não ficarmos "E agora?"

Todo o tipo de partos têm riscos, já sabemos. E no teu livro tens testemunhos de médicos a indicar prós e contras de cada um deles. A cesariana é vista muitas vezes como uma alternativa mais simples, ainda que com alguns riscos. Achas que as pessoas, as mulheres, nesse caso, estão informadas em relação à indução do parto, ou uma cesariana, ou parto normal? Ou seja, sabem exatamente aquilo para o que vão, ou simplesmente vão E não sabem aquilo que lhes pode acontecer.

Lá está. Eu acho que há caso e casos, mulheres e mulheres. Eu não estava muito informada, acho que outras estarão, mas acho que é importante informarem-se, até porque, por exemplo, no caso da cesariana, às vezes tem que ser, não há nada a fazer, é um critério médico, o bebê tem que sair e tem que sair em segurança. Avança para a cesariana. Há outros casos em que é a própria mulher que prefere uma cesariana, porque tem muito medo do parto vaginal. E nesses casos, eu acho que a mulher deve se informar e deve ser informada dos riscos da cesariana. Faça um parto normal quando esse parto normal é possível. Se informada sobre esses riscos, decide: "Não, não me interessa, eu quero à mesma fazer uma cesariana." Pronto, então acho que é uma conversa que tem que ter com o médico e se os dois chegarem a acordo, ótimo. Mas acho que tem que estar informada.

Com o obstetra, neste caso, não é?

Sim.

Deve ser ele a informar. E a cesariana é mais um daqueles bichos de sete cabeças que assusta muitas mulheres. Eu não tive opção, a Francisca, no meu caso, estava assentada, por isso teve sempre que ser cesariana, foi marcado, por isso é que eu dizia há pouco que não tive contrações, nem não tive essa experiência, mas ia muito assustada. Por um lado, tenho um pai que é fisioterapeuta e que já trabalhou com muitas crianças e já assistiu a muitos partos e dizia-me: "Não, tens que fazer uma cesariana, é muito mais seguro." Por outro lado, tinha a minha mãe, que fez uma cesariana.

Passou por isso.

Passou por isso e disse: "Não, não vais fazer uma cesariana, é a pior coisa do mundo, a recuperação é horrível." E eu realmente não me informei muito. Simplesmente, o meu médico disse: "Tem que ser cesariana", e pronto. Eu não sabia bem para aquilo que ia. E foi uma recuperação muito difícil no meu caso, uma semana sem conseguir fazer grande coisa. Mas pronto, lá está, também esqueci e já vou a caminho do próximo.

Pronto. Será cesariana ou não será? Não sabemos. Rita, tu falas no teu livro, porque tens muitos testemunhos, alguns deles são de partos na Austrália, no Reino Unido, no Brasil. Achas que a realidade dos partos em Portugal é muito diferente do que se passa noutros países?

Acho que há grandes diferenças, isso pode ser visto no livro. Aliás, acho que isso daria todo um livro.

Todo um outro livro.

Todo um outro livro. Eu tenho no Brasil, na Nova Zelândia e Inglaterra.

Achava que era Austrália, desculpem.

Nova Zelândia, mas são perto. E são diferentes. Por exemplo, na Nova Zelândia e na Inglaterra, as mulheres são mais acompanhadas pelas midwives, pelas enfermeiras obstetras.

Vulgo parteira.

Exatamente. E não vem o médico, a menos que aconteça uma coisa muito grave, que necessite esse acompanhamento médico.

Que é uma coisa que a nós eu acho que nos assusta um bocadinho, porque eu estava a ler e pensei: "Meu Deus, mas não há um médico a intervir aqui em nenhuma altura."

Em Portugal, nós somos muito seguidas, acompanhadas pelo médico. Sendo ele obstetra ou não, pode ser no centro de saúde com o médico de família, mas vamos tendo o apoio do médico. No Brasil, pelo que eu percebi, vive-se o contrário, é tudo muito medicalizado.

Falas da taxa de cesariana também?

Sim, que acho que no privado chega aos 90%, é um disparate. Portanto, as coisas são vividas de maneira muito diferente de país para país.

Mas aí, lá está, deve ter muito a ver com a escolha, não é? Mesmo de serem as próprias mulheres a optarem por isso.

Não só. Por exemplo, eu falo aqui de um dos casos, a Mafalda, ela queria um parto normal, a menos que acontecesse ou tivesse algum critério médico que o impedisse. E foi percebendo, ao longo das consultas que foi fazendo com a obstetra, que aquilo não ia ser um parto normal, que ia acabar numa cesariana porque as próprias conversas o indicavam. E portanto, acabou por mudar de médico há às 30 e muitas semanas para poder ter um parto normal. E acho que há médicos nos últimos cinco anos que não fizeram nenhum parto normal. Não sei se é só uma escolha. Acho que também há muita escolha que estavas a falar. Por tradição, eles querem ter cesariana, consideram que é melhor, que é mais seguro que tudo. Mas também há o lado dos próprios médicos que preferem fazer essas cesarianas. Eu acho que o parto é uma coisa muito cultural e muda muito de país para país, o que as mulheres querem. Nos países nórdicos também, falei aqui com uma médica obstetra que trabalhou lá e diz que é completamente diferente a maneira como o parto é encarado. Elas não querem epidural, querem sentir a dor, querem passar por aquela experiência, não é uma coisa que as assuste.

Corajosas.

Sim.

Bem, não me vou pronunciar.

Acho que sei qual era o teu.

Eu sou muito a favor da epidural, se quiserem. Não me quero enganar, corrige-me se eu não estiver correta. Penso que é o caso da Nova Zelândia, que a mulher que te conta o testemunho acabou por ter o filho a caminho do carro.

Sim.

Porque o trabalho de parto, eles insistem tanto que seja feito fora de um ambiente hospitalar, como a casa dela era ainda a alguns quilômetros do hospital, o caso evoluiu tanto... Eram gêmeos, não eram?

Não, eu tenho dois casos de bebés que nasceram quase à porta de casa.

Era um bebê que nasceu...

Nesse caso era um bebê, um bebê que nasceu a caminho do carro. Depois também tenho outra história em Portugal, de gêmeos, que também nasceram a caminho do carro.

Olha, isso é um bom exemplo que também acontece em Portugal, mas em Portugal recorda-nos um pouco a história. Se calhar, foi um pouco diferente.

As histórias são muito diferentes. Em Portugal, a Lucy não sabe bem o que aconteceu, porque na altura não perguntou. E depois quando falou com a médica dela, que não foi quem assistiu. Quem assistiu, não. Quem assistiu foi o pai. Exatamente. Quando chegou ao hospital, diz que talvez tenha sido um descolamento da placenta, porque isso sim precipita um parto muito rápido, aquilo aconteceu tudo em meia hora.

Dois, ainda por cima.

Dois, ainda por cima. Correu tudo bem e está tudo bem. Na Nova Zelândia, a Constança, foi diferente. Ela sentiu que estaria a entrar em trabalho de parto, foi ao hospital a achar: "Isto já está quase", era um segundo bebê, portanto, até tinha noção.

Mas no hospital a parteira disse-lhe: "Não, ainda falta imenso tempo, você vá para casa, porque o trabalho de parto, o início é feito em casa, é muito melhor para si, vá para casa."

É o método deles.

Ela foi, um bocado contrariada, mas como disse, ela tinha a experiência de um bebê, a parteira tinha uma experiência de 20 anos fazendo nascer bebês. Mas a Constança estava certa, o parto estava se aproximar e acabou por nascer.

Felizmente acabaram bem, mas nem sempre as coisas correm assim.

Tenho uma curiosidade, grávida para grávidas. Agora que é o segundo parto, para as duas, quais são os vossos maiores medos, Catarina e Rita?

Eu acho que tenho medo de passar por 26 horas de trabalho de parto outra vez. Mas, depois de ler o teu livro, Rita, gostava muito que fosse um parto muito diferente, gostava que não fosse induzido, porque não é a parte da ventosa que me faz confusão, porque tal como tu, eu nem sei muito bem porque é que aconteceu. Ela nasceu bem, não teve nenhum problema, estava com a epidural. O período expulsivo, como tu falas aqui também, não me doeu, posso dizer que "senti", mas gostava muito de não passar pelo processo de indução, que foram muitas horas e depois desde que as águas rebentaram, foram 26 horas, nove delas sem epidural e com dores que eu não me lembro, mas devem ter sido terríveis. Gostava muito que as coisas se proporcionassem de outra forma. Acho que é isso.

E porque é que foste induzida?

41 semanas sem nascer. Lá está, quase 42.

Não sei, eu se pudesse ter um parto igual, teria. Foi ótimo, não me doeu nada, o Manuel nasceu lindamente e eu recuperei muito bem. Nada a apontar. Também estava de 40 semanas, 41 dias. Agora sei que pode não ser assim.

É o incógnita outra vez.

Desde que ele nasça bem e que eu fique bem.

É o que queremos. Rita, vamos desafiar-te agora a responder a uma série de questões rápidas, de forma espontânea, na nossa rúbrica "Vou contar até três". Isto muito relacionado com o teu filho, o Manuel. Amamentação ou leite de fórmula?

Amamentação, se possível, e se estiver a correr tudo bem, para os dois.

Quando é que mudaste o Manuel para o quarto dele?

Tardíssimo. Já tinha mais de um ano.

Chucha até que idade?

Até querer.

Fralda até que idade?

Até querer.

Já saíste de um sítio, de um restaurante, algo do gênero, por causa de uma birra?

De uma birra, não, mas quando era bebê chorava muito, sim, por mim, por ele e por todas as pessoas que lá estão.

Tablet ou telemóvel para distraí-lo?

Sim, não sou nada contra. Agora estou a tirar porque acho que já está mais crescido e já não precisa distrair-se com outras coisas.

O baby wearing, aqueles acessórios para carregar o bebê, sim ou não?

Sim.

Grupos de mães no Facebook, uma ajuda ou um antro de críticas?

Uma ajuda e um grande entretenimento.

Acho que é a resposta que mais ouvimos aqui a esta pergunta.

É comum. Há risos, sempre, podemos dizer isso.

Rita Silva Freire, autora do livro "Trazer ao Mundo". Muito obrigada por ter juntado a nós hoje de ser mãe.

Obrigada eu pelo convite, por estar aqui.

Podem voltar a ouvir o programa ao final do dia em observador.pt ou em marco.pt. Eu e a Catarina estamos de volta no próximo sábado, às 10h30, com um novo tema e um novo convidado. Até lá, queremos saber o que acharam da emissão desta semana com a Rita Silva Freire. Comentem nas nossas redes sociais ou enviem-nos um e-mail para isseremae@observador.pt. Eu e a Fabíola voltamos para a semana. Um bom resto de fim de semana.

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