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Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: canções para recuperar depois da tempestade.

Isto Não Passa na Rádio desta semana, seja muito bem-vindo. Começamos com a música de Jimmy Cliff, "The Harder They Come". Escolha aqui do Tiago Pereira. Eu sou o Nelson Ferreira. Vamos ter algumas canções para recuperar depois das tempestades dos últimos dias.

Pois, também há isso.

Também há isso. Foi mais que uma.

Nós pensamos em fazer aqui uma espécie de banda sonora alternativa para dias melhores, depois dos piores dos dias. Tínhamos pensado nisto mais diretamente relacionado com o que se passou com a tempestade Cristine no centro do país. Entretanto, o país alagou.

Entretanto, o Inácio e outros que se seguiram, se calhar.

Portanto, essas cantigas são dedicadas ainda a mais gente. Eu escolhi o Jimmy Cliff pra abrir. Jimmy Cliff que morreu há poucos meses, morreu no final do ano passado, aos 81 anos. Era uma das lendas, e ainda é, do reggae, da música jamaicana. E esta canção de 72 é uma espécie de como quem diz: independentemente daquilo que me aconteça, eu vou sair por cima, eu vou recuperar. Tem esta filosofia. Depois, quem quiser, pode adaptar e delinear os seus alvos face à maleita em questão. Neste caso, falamos de toda esta tragédia que tem acontecido por causa das tempestades, que a única coisa que tem mostrado de positivo é de facto que as pessoas Ainda conseguem ajudar-se umas às outras.

Às vezes é isso que vale.

Sim, tem valido muito pouco tudo o resto. Mas música pode ajudar, nem que seja durante três minutos e 30, como é o caso destas cantigas.

É engraçado teres escolhido o Jimmy Cliff com esta "The Hard They Come", porque eu cheguei a equacionar trazer uma música também na voz do Jimmy Cliff e uma canção que originalmente também é de 1972. Estou a falar de "I Can See Clearly Now", mais conhecida pela versão original de 1972 do Johnny Nash, mas que teve inúmeras versões ao longo dos anos, até algumas recentes. Gosto muito da versão que o Ray Charles faz desta canção. O Jimmy Cliff tem uma também toda positiva e toda bem-disposta do "I Can See Clearly Now". Há aqui um ambiente à volta desta canção também de recomeço. Associamos muito, até por causa da publicidade, se calhar, ao início de dia, numa famosa marca de café e do seu anúncio, que também fez muito por esta canção.

Sabes que nós podíamos ter escolhido aqui 75% para aí de todas as canções reggae alguma vez gravadas.

É verdade, elas têm muito essa coisa do dar a volta por cima.

Do vai ficar tudo bem.

E vai ficar tudo bem. Só que fiz aqui uma pequena maldade, só para te irritar.

Ora bem.

Escolhi uma versão em francês.

Ah!

Que tu vais adorar.

Eu, aí.

Chama-se-

Quem te ouvir diz que eu tenho um problema.

Um problema com os franceses. Eu sei que não tens. "Toi et le soleil".

Ah, muito obrigado!

"Tu e o sol".

Sim senhor.

De quem? Claude François.

Ora pronto.

Claude François fez esta canção em 1977. Claude François, que é o autor ou coautor do "My Way" do Frank Sinatra, que também se canta no estádio do Sporting, acho eu, mas quase toda a gente acha que aquilo é do Frank Sinatra. Mas não é. Atenção, o "My Way" não é do Frank Sinatra. É do Claude François.

Isso eu ia dizer, que toda a gente acha que o Frank Sinatra é do Sporting.

Não.

Se calhar é.

Por isso escolhi esta versão do Claude François. Esta, claro, não passa na rádio, também foi por aí um dos critérios de "I Can See Clearly Now", aqui na versão "Toi et le soleil". Claude François, "Toi et le soleil", no disco "Je vais à Rio". Bem carnavalesco este título deste álbum de 1977, que tem esta versão do "I Can See Clearly Now", do Johnny Nash. Continuamos aqui com canções para recuperar depois destas tempestades que assolaram o país e pelos vistos ainda podem trazer mau tempo durante alguns dias.

Já acabava isto.

Já acabava. Olha, "Carry On", acho que o título diz tudo, Crosby, Stills & Nash, sem Young, aqui.

A canção é a primeira canção que abre o álbum de 70, que é Crosby, Stills, Nash & Young, "Déjà Vu", provavelmente um dos melhores álbuns da história do rock'n'roll. Porque não uma das melhores canções da história do rock'n'roll? E é uma canção de superação. Aqui o aspeto principal será o fim de uma relação. Entendam como quiserem. É uma canção de vamos embora, vamos levar isto para a frente.

One morning I woke up and I knew you were gone. A new day, a new way, a new life to go on. Gone the way of all my yesterdays. The sky is clearing and the night has broken up. The sun he comes, the world's opened up. Rejoice, rejoice we have no choice but to carry on. The fortunes of fables are able now. Now witness the quickness with which we carry on. To sing the blues you've got to live the blues, carry on. Carry on, love is coming. Love is coming to us all. Where are you going now my love? Where will you be tomorrow? Will you bring me happiness? Will you bring me sorrow? Questions of a thousand dreams. What you do and what you seem. Lover, can you talk to me? Girl, when I was on my own, chasing you down. What was it made you run? Trying your best just to get around. Questions of a thousand dreams. What you do and what you seem. Lover, can you talk to me?

Isto que estão a ouvir em fundo é o Tiago Pereira em Laurel Canyon, em 1970, 71.

Estavam os dois meninos.

Para ter vivido nesta altura. Bela canção. Dá ali uns ares de Ray Manzarek, não é? O teclista dos Doors.

Dá é as de outra galáxia, meu amigo.

Também dá. Sabes que tem-me acontecido uma coisa engraçada.

Outra galáxia também seria uma boa opção para recuperar depois de uma tempestade, agora que penso nisso.

Só muito rapidamente dizer-te que tenho tropeçado constantemente no Harry Nilsson. Seja porque as suas canções parecem-me estar a ser muito incluídas ou em filmes ou em publicidade, não sei o que é que está a acontecer, ou porque tenho visto algumas entrevistas de músicos que eu gosto a dizer: "Adoro o Harry Nilsson". Então parece que é um nome qualquer que ainda está meio por descobrir. Claro que ele é muito conhecido e muita gente o conhece, mas parece-me que ele é mais influente do que famoso para outros músicos. E lembrei-me de uma canção chamada "Gotta Get Up". Gotta Get Up, temos que nos levantar, temos que ir fazer coisas. Esta tem um lado também que convoca à ação, aqui de um ponto de vista mais até pessoal para um futuro melhor. Quase do: "Vou deixar de sair, vou deixar de beber, vou-me pôr a pé mais cedo, vou fazer coisas". Mas acho que é também uma mensagem para quem está a recuperar destas tempestades e dos seus efeitos. Um abraço com esta Harry Nilsson e "Gotta Get Up". Já voltamos com mais canções para recuperar depois das tempestades.

Gotta get up, gotta get out, gotta get home before the morning comes. What if I'm late, got a big day, gotta get home before the sun comes up. Up and away, got a big day, sorry, can't stay. I gotta run, run, yeah. Gotta get home, pick up the phone. Gotta let the people know I'm gonna be late. There was a time when we could dance until a quarter to ten. We never thought it would end then. We never thought

We used to carry on and drink and do the rock and roll. We never thought we'd get older. We never thought we'd grow cold. But now, gotta get up, gotta get out, gotta get home before the morning comes. What if I'm late? Got a big day, gotta get home before the sun comes up. Up and away, got a big day, sorry, can't stay. I gotta run, run, yeah. Gotta get home, pick up the phone. Gotta let the people know I'm gonna be late. Down by the sea, she knew a sailor who'd been to war. She never even knew a sailor before. She never even knew his name. He'd come to town and he would pound it for a couple of days. And then he'd sail across the bubbling waves. And those were happier days. But now, gotta get up, gotta get out, gotta get home before the morning comes. What if I'm late? Got a big day, gotta get home before the sun comes up. Up and away, got a big day, sorry, can't stay. I gotta run, run, yeah. Gotta get home, pick up the phone. Gotta let the people know I'm gonna be late.

Esta semana, no Isto Não Passa na Rádio, temos uma banda sonora para recuperar dos efeitos das tempestades que têm assolado o país. Que seja um momento para seguir em frente, para a reconstrução, para deitar mãos à obra, para deitar mãos à cabeça, nalguns casos, pelas imagens que vimos, é caso para isso. Mas com uma boa música a coisa pode ser um bocadinho melhor.

Em princípio.

É para isso que nós estamos aqui.

Pois é.

É para isso que nós estamos aqui, a fazer serviço público.

Mais ou menos isso.

Olha, traz hip-hop português, Maiz. Tem de ser daqui, diz-te ou não?

É produtor.

Produtor desta "Começar de Novo", que também diz um bocadinho ao que vem.

Autoexplicativo. É como se fosse a canção oficial de um dia, isto para uns MC's, no imaginário daquilo que estamos a ouvir, das pessoas que estamos a ouvir, é como se fosse a canção oficial de um dia que começa e começa para contrariar precisamente aquilo que acabou de terminar. É muito simples, é uma aritmética.

Gosto muito do Maiz.

Um grande abraço para ele.

É um grande abraço para o Maiz. É um tipo mesmo boa onda.

Também é do norte como tu.

De boas vibrações. Tipo, ele está em paz. Tenho que lhe perguntar se ele é budista ou coisa assim do género.

Se calhar é da família do Jimmy Cliff.

Eu sei que ele faz umas yogas ou umas artes marciais que são para tu inspirar, expirar. E nota-se que ele está muito melhor que eu na vida, nesse aspeto de controlo de emoções.

Manda-lhe uma mensagem.

Eu vou falar com ele enquanto ouvimos esta "Começar de Novo".

Vou começar de novo, como o Ivan Lins. Porque os inícios vêm logo a seguir aos fins. A mudança custa, podes crer que assusta. O medo ofusca e eu continuo à busca. Na cidade nova, com o invicto ao peito. Coragem e honra, orgulho e respeito. Puto, chamam-me cota e eu sinto-me um puto. Esta fome não esgota, não há casta tudo. Fui diamante bruto, polido volto astuto. A preparar crianças pra vida de adulto. Engulo o outono, cuspo a primavera. Hoje acordei do sono, só a vontade impera. O topo das montanhas, verde esvaza à vista. Limo das entranhas, com sede de conquista. O mesmo alquimista, poeta, liricista, urbano cronista, absorve e regista. Estética de fado, a saudade é o fardo. Mergulho no vazio, não estou preocupado. Estou a varrer as folhas e a regar as flores. De norte a sul, dentro da carrinha de valores. Trópico de trovadores, em brinde se bagaço. Troco de vencedores, domino o tempo e o espaço. Sim, vai valer a pena ter amanhecido. Vou começar de novo, canta comigo. Já lá vai o passado, vivo o presente. Construo o futuro, sendo consciente. Que o pensamento cria a realidade. Só depende do momento e da minha vontade. Como a criança que acaba de nascer eu vou começar a respirar. Para começar de novo só preciso de mim. E eu começar de novo é saber que tudo tem um fim. E mesmo assim, o caminho faz-se caminhando. Cada passo é dado em frente, nem que seja rastejando. Vai sonhando em grande. Senão como um livro velho, tu não passas da estante. E num instante, a vida para por momentos. E só o sorriso certo te retira os tormentos. Não fiques preso num evento, faz reset sem medo. Carrega na ferida, muda a tua vida. Convida o vodka ou a sangria, mistura com alegria, expulsa a agonia. Como um surano de reações, com amores e paixões, amigos e desilusões. Casamentos eternos tornam-se

Para sonhos então voas para Júpiter. São novas emoções, dispões funções, impões lições do esquecimento de sensações que mobilizam os corações. Cada dia uma cena nova, uma nova startup. Don't give it up. Na tua própria sombra, brilha, trilha e cria uma nova harmonia. Pica e fantasia, magia no teu rosto. Só temos uma vida, deixa de parte o desgosto. Já lá vai o passado, vivo o presente, construo o futuro, sendo consciente que o pensamento cria a realidade, só depende do momento e da minha vontade.

Música de Mais, "Começar de Novo" com Daddy O pop, produção de Sam the Kid, não é?

Sim, senhor.

Gosto muito desta "Começar de Novo". De resto, a banda do Mais-

Se calhar agora consigo todas as semanas trazer o Sam the Kid.

É um desafio que te podes propor, que eu vou apoiar. Dizer só que há dias os Dilema, a banda do Mais, lançou um novo single, chama-se "O Teu Momento". Já podem ouvir aí pelas redes sociais e pelas internets da vida. Muito bem, vamos avançar com outra escolha. E agora sou eu a escolher. Estou aqui indeciso entre duas coisas, mas vou escolher uma canção chamada-

Vai, não tenhas medo.

Primeiro tenho que encontrar. Mas eu vou escolher uma canção, como é que eu hei de explicar isto? Que teve muito sucesso.

Parece que quando éramos miúdos e tu estavas a escolher a carta que ias jogar na sueca. Bem, eu vou jogar... não, esta não.

Sobe 10. Também há a bisca lambida, não é? Também é um jogo de cartas.

Eu gosto mais da sueca.

Ok. Olha, Rusted Root é uma banda norte-americana que gravou esta canção chamada "Send Me on My Way" em 1992 e depois ela surgiu com uma nova remistura em 1994. Foi quando teve um bocadinho mais de êxito. Mas o que é facto é que esta canção tem vindo a ser usada em publicidades, em filmes e tem uma boa disposição de início de dia. E eu lembro-me que esta canção também faz parte do filme "Idade do Gelo".

Olha, belo filme.

E nos "Idades do Gelo", que há vários, eles estão sempre em tragédias climáticas. Ou é o gelo, ou é o meteorito.

É, aquilo não é fácil.

Aquilo não é fácil a vida para as personagens do Ice Age.

Mas eles conseguem.

Eles conseguem porque todos os dias de manhã estão juntos, como uma família. E é esta a música que toca nesse momento.

No intervalo deste programa, o que é que tu foste fazer?

Nada.

Já falaste com o Mais.

Sim, falei com o Mais. E a boa onda está sobre mim.

Pois é.

Aqui também uma história engraçada, a propósito desta canção que vamos ouvir agora, é que foi usada pelos engenheiros da NASA, precisamente como canção de início de dia, para a malta que estava a trabalhar com aqueles robôs de exploração de Marte.

Ok.

Os rovers.

Sei.

Lembras-te? Então eles todos os dias de manhã punham isto a tocar. Um dos rovers, um desses carritos, ficou por lá. Deixou de fazer pipi e ficou abandonado em Marte. O que é que acontece? Eu acho que foi porque se calhar eles tocavam esta música todos os dias de manhã.

Pois é.

E um marciano passou lá e disse assim: "Epá, não aguento isto mais".

Acabou.

E mandou uma paulada no rover.

Acabou a palhaçada.

Acabou-se a missão a Marte exploratória dos veículos rover. Mas aqui fica esta de "Send Me On My Way", Rusted Root. Eu acho que vocês vão reconhecê-la. "Send Me on My Way", Rusted Root, banda norte-americana, tema de 1994.

Também podia ser aquele início daquela cantiga dos Arcade Fire, que começa com uns pifas.

Não sei qual é.

É o "Everything Now".

Sim, podia ser. Também podia ser o David Byrne aqui, não é? Acho que este vocalista desta banda é muito influenciado pelos Talking Heads.

Talvez seja groupie, até.

Como tu dizias, até nos maneirismos que ele tem a cantar, parece que está a imitar o David Byrne.

Ele passou claramente anos e anos a ouvir os discos dos Talking Heads.

Olha, e fez este sucesso. É quase um one hit wonder, mas lembra-me sempre as personagens-

Mais do que tu alguma vez fizeste.

É verdade. Lembram sempre as personagens do "Ice Age", "A Idade do Gelo". O Sid, o Diego, o Manny, eles todos a ouvir esta canção.

Tens t-shirts com eles?

Não, mas acho que há por lá um peluche em casa.

Pois é.

Que alguém aprecia muito. E agora tu vais escolher Grand Funk Railroad.

Sim. Rock clássico dos anos 70.

Tu estás bué seventies.

Estou velho. Rock clássico dos anos 70 para animar. É assim que eu descrevo esta banda. Esta gente enchia estádios com esta feel good vibe de guitarras e parece-me uma boa onda para tentar ficar por cima. A canção originalmente não é destes americanos, é de outros, os Soul Brother Six, é um clássico do R&B, aqui adaptado um bocadinho para uma coisa um pouco mais rock and roll. E a canção é sobre explicar como estas pessoas em específico, ou esta pessoa que está a cantar, esta personagem precisa de muito pouco para ser feliz. Apenas deem-lhe aquilo que ele mais apaixona ou pelo qual ele está mais apaixonado. Neste caso, é uma pessoa.

É uma canção assim, não é? O amor e uma cabana.

Pronto. Neste caso, pessoas que neste momento só precisam da cabana, para serem felizes. É mais ou menos esse o espírito. E gosto muito do nome, Grand Funk Railroad.

Railroad. Com "Some Kind of Wonderful".

Isso.

É isto, não é? Vamos a isto. Olha, eu se tivesse uma empreitada para fazer de manhã, que é o que muitas destas pessoas têm para fazer durante algum tempo, o trabalho de reconstrução vai ser grande nas zonas afetadas pela tempestade, eu punha sempre esta música. Logo de manhã.

E já agora, isto é canção de manga arregaçada e a malta também anda a arregaçar bastante as mangas e isso é bonito de ver. Lembrar também a propósito disso, que no dia 11, na quarta-feira, acontece o concerto solidário de apoio às vítimas da tempestade Kristen. É na Casa Capitão em Lisboa, chama-se "Amor ao Centro". A partir das 18 horas, Ana Lua Caiano, Beatriz Pessoa, Iolanda, Joana Espadinha, Lura, Mães Solteiras, Michael Knight, muita gente.

O bilhete custa €20, mas reverte na totalidade para as associações que estão a trabalhar na reconstrução.

E é nestes momentos que se vê quem é que faz rádio aqui.

É verdade. Por quê? Porque disse isto?

Eu estava à procura ainda e tu: " ".

Não, porque eu tinha isto preparado para falar também no fim. De resto, já tinha feito também um destaque na rádio a este evento e a malta que está envolvida na produção deste espetáculo vai juntar-se também como voluntária para no terreno ajudar nessa reconstrução nos dias depois deste "Amor ao Centro", espetáculo que acontece a 11 de fevereiro na Casa Capitão em Lisboa. Sabes o que me tem lembrado esta coisa das tempestades?

Conta lá.

O que aconteceu ao anticiclone dos Açores?

Lembrei-me disso noutro dia, mas como não percebo nada disto. Só que eu lembro desde miúdo, de ouvir: "o anticiclone vai dissipar isto, vai não sei para onde".

A coisa é que o anticiclone estava ali nos Açores e impedia que várias tempestades chegassem.

Mas deixou de estar, alguém carregou no botão?

Pelo que eu estive a ler, ele tem apresentado comportamentos anómalos.

Não brinque comigo.

Está a passar por uma crise o anticiclone dos Açores, ele tem direito a isso. Aconteceu-lhe o quê? Ele cresceu muito nos últimos tempos.

Chegou à meia-idade.

Se calhar. Aumentou de tamanho e intensidade, o anticiclone. Só que com isto, deslocou-se um bocadinho para o lado.

Claro, acontece a todos.

E é por isso que nós estamos a levar com estas tempestades todas na Península Ibérica, o que não acontecia até aqui por causa do anticiclone dos Açores, que fazia ali uma espécie de barreira protetora. E por causa disso, escolhi para fechar-

Olha lá, mas e se a gente arranjasse uma espécie de Bruce Willis, como ele fez com o "Armageddon", que desviou o cometa?

Eu estava a imaginar uma cana de pesca que desse para o puxar mais um bocadinho para o sítio de vez.

Muito mais plausível.

Não é?

Muito mais.

Ou uns ventos que o voltassem a colocar no sítio.

Megaventoinhas.

Não sei porque não penso nestas coisas.

Exato.

Lembrando os dias atlânticos do Bano.

Olha.

Não é? Magníficos dias atlânticos.

Que voltarão.

Eu espero que sim.

Eles vão voltar.

E espero que o anticiclone volte ao seu posicionamento normal para nos impedir de todas estas tempestades.

Ciclones, se vocês vissem a sinalética que eu estou a fazer com as mãos neste momento, é para vocês.

É para vocês. Os Bano no final do "Isto Não Passa na Rádio" esta semana, com canções para recuperar depois das tempestades. Espero que tenham gostado desta seleção que eu e o Tiago Pereira fizemos. Um abraço para estas zonas mais afetadas e também para quem nos ouve, onde quer que seja. Para a semana estamos de regresso com mais canções. Um forte abraço.

Até para a semana.