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Esta semana, no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: canções que descobrimos em abril. A música de Miguel Marôco, abertura do Isto Não Passa na Rádio esta semana. É final de mês, o que quer dizer que no Isto Não Passa na Rádio fazemos também uma revisão da música editada nas últimas semanas. E aqui está a música nacional para abrir, escolha do Tiago Pereira. Eu sou o Nelson Ferreira. Olá, Tiago, bem-vindo.

Olá, Nelson.

Bela escolha para abrir este programa. Miguel Marôco, "Farra e Folia", faz parte do seu novo disco.

Sim, "Desgraça". Vai haver concerto de apresentação dia 18 de junho, ainda falta, no Beleza, em Lisboa. Grande disco, grande jazz, funk, pop, cenas. Gente que toca. O Miguel Marôco toca com muita gente. Teclista, compositor, arranjador, etc. E o álbum é extraordinário. Acho que isto será certamente um dos discos do ano, neste 2026. Estou muito curioso para ver esta banda ao vivo e vou mandar, como é que dizem os jovens? É props?

Props, acho que é isso.

Um props especial para este baterista, Francisco Santos.

O início da música é logo.

Não sei de onde é que ele veio, de que planeta.

É ótimo.

Enfim. Mas é daquelas razões que me leva a desistir de alguma vez cumprir o meu sonho de aprender a tocar bateria. Não vale, pra quê? Vamos deixar ficar aqui.

Fazes bem, aqui, junto a mim, no Isto Não Passa Nada.

Grande disco, escutem isto.

Miguel Marôco com "Farra e Folia", na abertura do Isto Não Passa na Rádio. Temos muita música nacional e lusófona na edição desta semana, uma das novidades deste mês de abril. Espero que tenha sido em abril. Penso que foi em abril, que chegou um inédito de Buraka Som Sistema. Já falámos um bocadinho sobre ele, chama-se "Por um Mambo". Voltou "Por um Mambo", o regresso dos Buraka Som Sistema com um inédito, muitos anos depois das últimas canções. Esta faz parte de uma coletânea que celebra os 20 anos da editora Enchufada, à qual pertencem os Buraka. Branco, Calaf, Pedro da Linha, Maribel e muitos outros artistas têm canções nesta compilação que se chama "A Lisbon Club Story" e que um dos grandes atrativos é também este "Por um Mambo", um inédito, 12 anos depois do lançamento do último trabalho. Os Buraka que foram anunciados para um festival qualquer, no próximo ano, como regresso.

Não, este ano.

Este ano? Sim, desculpe, é este ano.

Alive.

Alive.

Dia esgotado, parece-me.

E uma canção nova, pelo menos para mostrar. Eles vão a Londres a 9 de maio com esta compilação. Este fim de semana, 26 de abril, não sei se ainda vão a tempo, há também evento da Enxufada no Porto.

Pensava que estavas a dizer que era em Londres este dia 26. Não sei se estás a par dos preços dos bilhetes de avião.

Estão maus?

Vamos ficar assim.

Então, se calhar, aproveitar no Porto, dia 26. Ficamos por aqui.

Sim, senhor.

Seguimos com a Yaya Bey.

Sim, Yaya Bey, cantora americana, dada às coisas do R&B nos últimos três, quatro anos. Tem-se fartado de gravar coisas, editar coisas, etc. Tem um novo álbum, que saiu este mês, chama-se "Fidelity" e a parte mais interessante, eu acho desafiante, da Yaya Bey é que ela parece que tem gozo em dar um twist às regras mais habituais do R&B ou, se calhar, dos tiques mais previsíveis ou expectáveis. Esta coisa do R&B, da soul e do funk, como qualquer género que tem um rótulo, que tem um carimbo, tem traços muito identificativos. O que isto quer dizer? Se tu, Nelson, decidires fazer uma canção R&B, soul, tu consegues.

Achas?

Sim, consegues. Tens ali uma série de parâmetros. É como se eu te pedisse um fado, também consegues.

Estás a acreditar demasiado em mim.

Não, consegues. Agora, se aquilo vai valer a pena, digamos assim, como se fosse um eufemismo, eu duvido. Eu confio em ti para várias coisas, não há problema para isso.

Eu tenho a ideia que a Yaya Bey já veio a Portugal, porque eu lembro-me que ela em 2022 ia a Guimarães, ao festival MutuoFlow, e depois cancelou. Eu acho que depois disso ela já regressou a Portugal, não me lembro quando. Se não, alguém a traga, por favor, que eu não me importava nada de a ir ver ao vivo.

E este disco, o que ela faz é mostrar, de facto, que ela está disposta a contornar essas regras e esses clichês, e há muita coisa imprevisível para ouvir nestas canções. Eu escolhi aqui uma cantiga que é um bocadinho mais encaixa, baby, encaixa naquilo que se calhar as pessoas mais esperam, mas é uma boa porta de entrada. Chama-se "Blue".

Baby, don't be shy about it. We can see it all over you. It's written all over your face. Baby, you look blue. Blue. Baby, the sky is too. Too. Baby, the sky is too. Over yourself. You ain't better than nobody else. You can't run from nothing that's yours to feel. From nothing that's yours to heal. And baby, listen. Your lover can't fix it. But time you thought he did. Comes back and reveals it. And hands it right back to you. So go ahead and cry about it. Baby, don't be shy about it. We can see it all over you. It's written all over your face. Baby, you look blue. Blue. Baby, the sky is too. Too. Baby, the sky is too.

Tão subtil, não é? A Yaya Bey.

Estás a ver este baixo a empurrar-te.

É ótimo.

Em direção à felicidade.

"Blue", trazida pelo Tiago Pereira, faz parte do seu novo disco. Como é que se chama o disco?

Chama-se "Fidelity".

Ok, "Fidelity". O regresso de Yaya Bey também neste abril e em destaque no "Isto Não Passa na Rádio". O regresso também, depois de algum tempo sem canções novas, Massive Attack. E só por causa disso tinha que os trazer.

Massive Attack com um dragão.

Que são a melhor banda do mundo.

Não é?

E o melhor cantor do mundo também, Tiago, aqui juntos.

Tecnicamente e tudo.

Tecnicamente e tudo. " Boots on the Ground" é uma canção de protesto. Aqui muitas mensagens por causa daquelas imagens do ICE, polícia anti-imigração nos Estados Unidos, e os Massive Attack de regresso também aos concertos com uma digressão que vai passar por Portugal este verão. E vamos a esta "Boots on the Ground", que eu estava aqui a discutir em off com o Tiago, que é Tom Waits, claro, e é Massive Attack. Não há grande ciência aqui nisto, não há nada de muito surpreendente, mas para quem gosta destes dois projetos, vê-los juntos e com uma mensagem que se adequa à cavernosa voz de Tom Waits, faz todo o sentido. Já voltamos com mais canções de abril.

Baggy legs dangle from a helicopter hold. Big chunk rhythm got me now. Brown, mean and young. Dumb and full of cum. What did you use a marine for? This is a fucking half machine gun war. With your boots on the ground. We'll trim your hedges. We'll fight your wars. Wade in the trenches and we'll fuck you till we're sore. With boots on the ground. We'll burn shiny bullets in an army of vans. Blow that horn, we'll sweep it up pants. Big titties. Well, we'll hunt around the burned down cities. Boots on the ground. Shooting up the town. I stay in this hole till Jimmy Hoffa is found. With my boots on the ground. Well, something goes ting when the cartridge is spent. Where do you think all your cartilage went? With boots on the ground. Now, who the hell are these federal pricks? Hiding in the Senate like a bloated-ass tick. Air-conditioned fuckstick loafers. Sitting in a room full of armed posters. A coal to a diamond, a vote in the law. They campaign up all the blood they can draw. Mold your world to soldiers just clay. How much does every soldier weigh? Cut you at the ankles and they throw that out of the way. With boots on the ground.

Estivemos há pouco no Isto Não Passa na Rádio com Tom Waits e Massive Attack em "Boots On The Ground", o regresso dos Massive Attack também com uma nova canção, o que não acontecia há já algum tempo. É um casamento que não era muito esperado, mas que parece funcionar. Para já, temos sugestões agora deste mês de abril. My New Band Believe. O que é isto, Tiago Pereira?

Olha, isto, não estava a par desta situação. Foi o nosso amigo João Bonifácio que nos alertou. Ele escreveu sobre isto em observador.pt, portanto, podem ir lá ver. Tem mais informação e está tudo explicadinho, muito melhor do que eu vou fazer aqui.

Até porque tem a prosa de Bonifácio.

Exato. Lembras-te de uma banda que era os Black Midi?

Sim. Eram a próxima grande coisa, the next big thing.

Indie, não sei o quê.

É verdade.

Este moço, o Cameron Picton, fazia parte da banda, era baixista.

Já acabaram?

Não sei, mas pelo menos estão em pausa, talvez. Estou perdido. Este disco tem o mesmo nome da banda, My New Band Believe. Vê-se logo pelo nome ao que é que vamos. Isto não é coisa normal. Isto é uma coisa meio folky, meio indie, meio aquelas canções que parecem rapsódias, que têm várias canções lá dentro.

Sei, está muito na moda isso. Não morro de amores por essa tendência.

Meio psicobritish. É ótimo.

Acelera e desacelera.

Isto é ótimo.

Enervam-me essas canções que aceleram e desaceleram.

Não necessariamente. São canções desafiantes. Eu gostava muito de ver isto ao vivo, porque isto mete muita coisa, não sei como é que isto se faz. Estou muito entusiasmado com isto. É gente que sofre horrores.

"Love Story" é o nome da canção.

Sim, "Love Story". Isto é um sofrimento atroz e eu estou muito contente.

Sabes aquela banda, os Black Country New Road?

Sim.

Sobretudo os discos-

Estou a adorar este final deles.

Tem aqui este lado meio barroco, não é?

É giro.

Tudo muito detalhar, muita coisinha.

Muito etéreo.

Mas é uma intensidade, é uma coisa.

Eu gostei.

Este moço deve ser muito complexo.

Principalmente porque é um sofrimento que te deixa feliz.

Estou muito contente com isto.

Muito bem. Chama-se My New Band Believe.

Mas não é naquele contentamento do: "Ainda bem que há alguém a sofrer muito mais do que eu".

Ok. Percebo. É pela beleza da coisa.

Exato.

És um homem sensível a isso.

É isso.

A Margarida Campelo tem também uma nova canção. Tenho que confirmar quando é que esta canção saiu, porque eu tenho a ideia que já em março ela existia e tinha vontade de a trazer. Não sei o que é que aconteceu ou se ela é mais de abril, mas aqui está ela. Chama-se "Musa de Improviso". A Margarida Campelo é incrível. Gosto que nesta canção haja aqui um lado que me remete para genérico de sitcom norte-americana dos anos 80 ou 90. Ouçam e digam se acham isto também ou se é só da minha cabeça.

Este flow da Margarida Campelo continua cá intacto e parece que ainda mais em evidência em "Musa de Improviso". Ela está de regresso com esta nova canção depois do disco de 2023, "Supermarket Joy". É ótima a Margarida Campelo. Acho que não há ninguém aqui a fazer isto com este flow e a voz doce que ela tem.

Sim. Não sei se reparaste, mas nós este mês estamos muito jazz.

Estamos crescidos.

Estamos.

Será?

É.

Triste isto.

É o rebentar da folha na primavera.

Isto vai continuar. Aviso, vai continuar, porque eu trago aqui um disco que-

Vai continuar na tua escolha e na minha, já vais ver.

Porque isto não é

Estava a ver o Bandcamp desta gente, porque se comprares o vinil, vai ser enviado a partir de maio. Ainda não foi prensado. Este disco chama-se "Villa", é de Fabiano do Nascimento com a Vitor Santos Orquestra.

Estamos no Brasil?

Estamos no Brasil, estamos com o Fabiano, que é do Rio de Janeiro, vive em Los Angeles. Toca tudo o que tem cordas. Faz arranjos, produz, é compositor e aqui junta-se com esta orquestra do Vitor Santos. Este é um disco que é jazz com bossa, com MPB, com cordas e muita imagem de cinema, muita fotografia, muita paisagem, muito instrumental, acima de tudo instrumental. É um disco extraordinário. Já nem me lembro, como é que se chama a canção? "O Tempo Foi o Meu Mestre"?

O Brasil deu-nos há pouco tempo o Amaro Freitas, também que é assim uma personagem meio cósmica.

Que já veio cá. Aqui não é tão ostensivamente, se quiseres, jazzy. Mas a quantidade de paisagens sonoras que ele consegue descrever é extraordinária.

Que bela banda sonora trazida aqui pelo Tiago Pereira. Recorda-me o nome?

Fabiano do Nascimento. Desculpa.

Estavas aqui nesta toada.

Estou há várias semanas maravilhado com isto.

Gostei muito. Gostei muito da forma como parece um tema instrumental e de repente parece ali um senhor a cantar. Muito surpresa.

Surpreende nas curvas. Nunca há curvas apertadas, mas é o suficiente para te surpreender.

A minha última escolha esta semana encaixa um bocadinho nesta. Eu trouxe a Júlia Mestre, de quem tu gostas muito.

Aprecio bastante, sou muito fã.

Como se chamava a banda dela?Bala Desejos. Ela integrante, como se costuma dizer, dos Bala Desejos, também já com uma carreira a solo. E há uma canção nova.

Quase todos eles têm carreiras a solo.

Sim, o Zé Ibarra também é ótimo.

Adoro o Morlimão.

E o que acontece? Julia Mestre acaba de lançar um single há algumas semanas chamado "A Fim de Verão".

Tu estás?

Estamos todos, não é?

Sei lá, há pessoas que não apreciam.

Eu não adoro o verão, ou melhor, eu não adoro muito calor.

Claro, mas aí estamos em sintonia.

Já sei que vem uma altura em que sofro um bocadinho. Dizer que a Julia Mestre vem a Portugal, por falar em calor, a 13 de agosto, na Casa Capitão, em Lisboa, se não tiverem ido a banhos nesta altura do ano, 1º de agosto em Lisboa é espetacular.

E é para fazer ainda mais fresquinho, não é?

É, vai ser espetacular. Só ver a Julia Mestre em palco, parece-me que já levamos ali como um alfarde de ar fresco nos olhos.

Vai ser fresco.

"A Fim de Verão" tem uma nostalgia, também é de outro tempo, parece uma canção de outro tempo.

É um calipo.

É, qualquer coisa assim de antigo, que nos remete para outros verões. Julia Mestre, no fecho do Isto Não Passa na Rádio esta semana, "A Fim de Verão". Estas foram as canções que para nós mais se destacaram e que saíram agora durante o mês de abril. De hoje a uma semana, o Isto Não Passa na Rádio está de regresso comigo, Nelson Ferreira, e com o Tiago Pereira. Um abraço, Tiago.

Até para a semana.