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Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: o regresso de um velho conhecido.

Sangue novo à sexta-feira. Fiz-te presa, prisioneira. Foi promissor, mas na forma tentada. É que o vapor bateu na dose errada. Quando a subida é maior, a queda custa mais. Vou embrulhar-me em suor que o tempo volta atrás. Fundar aumento de valor para consumir depois. E a descida a impor um agendamento a dois. A vida inteira vai passar por nós. E o teu engano foi esperar pior. Do que arrependimento, fogo sem aquecimento é só espasmo muscular. Tentei não morrer por dentro, mudei tudo para sempre e guardei o teu lugar. Para ver melhor. Não é fácil existir. Não é fácil. Não é fácil resistir. Ao medo de viver, ser só desta vez. A vida inteira vai passar por nós. E o teu engano foi esperar pior. Do que arrependimento, fogo sem aquecimento é só espasmo muscular. Tentei não morrer por dentro, mudei tudo para sempre e guardei o teu lugar. Para ver melhor.

Olá, bem-vindos a mais um Isto Não Passa na Rádio. Esta semana temos aqui duas ausências de peso, de vulto no programa. O Nelson Ferreira e o Tiago Pereira, membros deste painel, estão ausentes. Por motivos de felicidade pessoal, saíram daqui. É por causa disso que estão a ouvir a minha voz. Eu sou o Gonçalo Correia. Comigo tenho um convidado de luxo, um especialista musical, um perito da arte gastronómica e um dos fundadores deste programa, que já está a ficar velhinho, já começou há três anos. Falo do Diogo Lopes, que hoje me fez uma visita para eu não me sentir tão sozinho. Como é que estás, Diogo?

Ora viva, Gonçalo.

Está tudo bem?

Está tudo bem. Há muito tempo que já não te via assim através de um microfone.

Através de um microfone. É verdade, saudades. Já que temos aqui um velho conhecido a honrar-nos com a sua presença aqui no Isto Não Passa na Rádio, eu decidi arrancar com o Benjamim, que ao longo destes três anos foi quase sempre um habitué deste programa.

É verdade.

Há de se lembrar, Diogo, de algumas vezes em que o fomos passando aqui.

Eu acho que já está na altura de o convidar para vir aqui dizer algumas coisas.

Na verdade, ele foi um dos poucos convidados que trouxemos aqui, uma vez, eu e o Nelson.

Um dos poucos que aceitaram.

Sim. Um dos poucos que convidámos, na verdade, que eu e o Nelson estávamos sozinhos nessa semana e decidimos trazer aqui o Benjamim. Um programa sobre música alemã, antes de um Portugal-Alemanha, agora no último Europeu.

Muito específico.

Muito específico. Mas trouxe aqui a "Estrada da Luz", que é uma canção que o Benjamim revelou este ano. Foi uma canção, um tema que chegou a ser pensado para o último disco dele de originais, o terceiro disco desta fase dele em português, de escrita de canções em português, o "Vias de Extinção", um disco que saiu em 2020, mas a canção acabou por ser preterida do disco, porque há ali uma série de referências a um medo de viver e uma série de coisas que poderiam, na altura, quando o disco saiu, 2020, serem interpretadas um bocadinho, quase como Uma canção negacionista ou com ligação à pandemia e a ideia não era essa. Mas a canção ficou em standby até este ano, saiu este ano, e eu trouxe-a aqui para arrancar este programa, mas sobretudo, Diogo, estou curioso, conta-me o que é que tens andado a ouvir por estes dias, este verão, o que é que trouxeste aqui para o Isto Não Passa na Rádio?

Tendo em conta que a última vez que eu falei aqui para estes belíssimos espectadores, ouvintes, neste caso, e que tive o prazer de partilhar a vossa companhia aqui nos microfones, e desde já agradeço esta muito inspirada apresentação.

Foi sentida.

Sois demasiado gentis. Tive a ouvir muita coisa. Quando me perguntaste se eu queria vir aqui, eu fiquei muito entusiasmado, claro. E depois pensei: "Eu quero passar demasiadas músicas do que aquelas que vou ter tempo". Por isso eu prometi a mim próprio que ia me calar o máximo possível, ia deixar as músicas falarem por mim, de certa forma. Por isso, vamos ouvir mais e, pelo menos no meu caso, falar um pouquinho menos. E vamos arrancar com uma música que eu tenho ouvido em repeat nos últimos tempos, de um senhor que tem um nome fantástico, que se chama Tony Tornado, um brasileiro, ainda vivo, tem 92 anos hoje. E a canção chama-se "Me Libertei", do álbum de 1971, BR3. Vamos ouvir e já ouvimos um pouquinho. Ora bem, desengane-se quem achou que estava a ouvir Tim Maia, apesar de soar muito parecido. Não, era mesmo um senhor, Tony Tornado, cujo nome original é Antônio Viana Gomes. Tony Tornado tem muito mais piada.

Tony Tornado tem muito mais piada. Eu gostei muito disto.

Isto é muito bom e esta pessoa foi uma espécie de cometa Halley, porque ele apareceu e depois desapareceu, pelo menos na música, porque ele tem toda uma carreira enorme enquanto ator no Brasil. Entrou em grandes telenovelas como "Rock Santeiro", esse grande clássico, mas na música ele foi muito modesto. Eu duvido que ele tenha tido mais do que um ou dois discos no total, mas a história dele é fantástica. Ele, aos 12 anos, saiu de casa, disse que estava na altura de ir para o Rio de Janeiro. Ele é de uma pequena aldeia no sudeste do Brasil. Chegou ao Rio de Janeiro com 12 anos, começou a ganhar a vida a vender amendoins e engraxar sapatos. Depois acabou por entrar no exército. Chegou a lutar no Canal do Suez em 1957.

Possa! Caramba.

Mas depois, nos anos 60, quando as coisas acalmaram, ele começa a atuar, na altura ainda como Tony Checker, era o nome de palco dele. Ele sempre foi fascinado por monta como Little Richard ou mesmo o Chevy Checker e coisa assim. E ainda mesmo nos anos 60, ele decide levar esta paixão por este universo norte-americano mais a sério ainda, muda-se para Nova York, vive lá mais ou menos cinco anos, e enquanto lá estava, foi traficante de droga e fazia outras burlas.

Um mascate.

Exato. E foi nessa altura também que chegou a conhecer e acabou por ser amigo de Tim Maia, que estava em Nova York também na altura, por isso está tudo ligado.

Está tudo ligado. E vou aproveitar a deixa, porque vou trazer aqui o Tim Maia.

Este som é fantástico. Isto não foi combinado.

Não foi combinado, se fosse combinado, não corria tão bem. Vou trazer aqui uma canção do Tim Maia chamada "Sossego", um dos clássicos do Tim Maia. É um tema que aparece no disco Tim Maia Disco Club De 1978, viria a ser reeditado mais tarde em 1991. O ano anterior, de 77, é uma altura de disco sound a brilhar no Brasil. Chic, Kool & The Gang.

Ótima década.

Ótima década, ótima altura dos anos 70. Havia muitas discotecas, por exemplo, New York City Discotheque ou Frenetic Dancing Days Discotheque, eram coisas internacionais.

E com nomes grandes.

Sim, com nomes grandes. Puxava muito o som do disco sound americano e da música americana, trazia um pouquinho esse lado internacional. Mais ou menos neste caldo em que o Brasil estava, em que a noite brasileira estava e em que a disco sound estava, o Tim Maia deixa a banda com quem andava a tocar. Ele, nesta altura, não andava numa fase de carreira propriamente áurea, não seria a melhor fase, a fase mais popular da carreira dele. Vai pra estúdio, leva um senhor chamado Lincoln Olivetti, um teclista e arranjador que viria a ser muito importante no som do Tim Maia daí em diante e no disco funk e no disco sound. Viria a ser uma colaboração próxima entre os dois. Leva também membros da banda Black Rio pra estúdio e sai de lá com esse Tim Maia Disco Club, que é um ótimo disco e teve nesta, sossego, o regresso do Tim Maia à fase popular e à fase em que as pessoas o ouviam e era um músico adorado no Brasil. Depois viriam os problemas, mas antes disso, sossego. Quem é que não tem dias em que quer algum sossego?

Tantos.

Acho que é inevitável. Ouvimos aquilo de Tim Maia com esta sossego, este clássico do disco sound e do disco funk brasileiro, do Tim Maia Disco Club, que é o álbum em que começamos a sentir cada vez mais o Tim Maia a misturar aquele lado funk e soul que tinha, essa inspiração americana e essa emoção que ele tinha a cantar, com o ritmo mais de pista de dança e mais fim dos anos 70, início dos anos 80. Que seria uma bela altura da carreira dele.

Desculpa, Gonçalo, mas eu diria mais, diria que este foi o funk brasileiro que deu certo.

O funk brasileiro que deu certo. Foi este, talvez. Estamos nos aproximando do final da primeira parte. Diogo Lopes, vou te dar a honra.

Devolves-me a missão.

Sim, de seguir agora com mais uma música e antes de fazermos uma ligeiríssima pausa e já voltarmos. O que é que trazes aí?

Os ouvintes mais antigos deste programa, quem ainda se lembra de algumas coisas que eu ia trazendo, sabem que eu gosto daquelas coisas mais old school, aqueles standards americanos e coisas desse gênero. Gosto muito desse imaginário, por isso não podia faltar aqui também neste regresso algo desse gênero. E por isso trago aqui a canção "Till Then", dos Mills Brothers, que é uma canção muito simples, muito curtinha, que basicamente é como se fosse um soldado. A canção foi lançada em 1944, ou seja, já nos últimos pedaços da Segunda Guerra Mundial, e a letra, teoricamente, é um soldado a escrever uma carta pra sua amada, a dizer pra esperar por ele, que vai correr tudo bem, que ele vai voltar e que vai voltar tudo a ser fantástico e pra não desesperar. Acho que é uma canção muito fofinha.

É um bom adjetivo.

Que entretanto tem versões de variadíssimos artistas, desde o James Brown ao Pat Boone, ao Dean Martin, enfim, uma data de gente já cantou isto, mas eu gosto muito desta versão original. Tentei trazer mesmo o original de 44, que é a que nós vamos ouvir, por isso é que tem aquela fritadeirazinha de fundo.

Aquele grão.

Por isso, vamos então ouvir o que é que os Mills Brothers têm a dizer com esta "Till Then". Até já.

"Till Then", my darling, please wait for me. Till then, no matter when it will be. One day, I know I'll be back again, please wait. Till then, our dreams will live though we are apart. Our love, I know we'll keep in our hearts. Till then, when all the world will be free, please wait for me. Although there are oceans we must cross. And mountains that we must climb. I know every gain must have a loss. So pray that our loss is nothing but time. Till then, let's dream of what there will be. Till then, we'll call on each memory. Till then, when I will hold you again, please wait. Till then. Although there are oceans we must cross. And mountains that we must climb. I know every gain must have a loss. So pray that our loss is nothing but time. Till then, let's dream of what there will be. Till then, we'll call on each memory. Till then, when I will hold you again, please wait. Till then.

Isto Não Passa na Rádio, esta semana com o muito nosso amigo, é muito meu amigo, Diogo Lopes, que volta aqui, fez-nos uma visita em estúdio. Regressou para uma participação especial para nos contar aquilo que tem andado a ouvir. Já não o víamos há muito tempo, tínhamos saudades. Estamos aqui de volta precisamente das nossas escolhas de verão, daquilo que temos andado a ouvir por estes dias. E eu trago aqui uns senhores sobre os quais não sei grande coisa, o que normalmente é sempre bom sinal.

É sempre ótimo.

É um sinal desse lado misterioso e às vezes há pérolas que se encontram assim. Como um pouco de soul faz sempre bem, é sempre muito recomendável, trago os Brothers of Soul, um trio composto por Fred Bridges, Richard Knight e Robert Eaton, um trio de Detroit, que existiram ali pelos anos 60, 70. Mais 60, eu tenho ideia que eles acabaram no início dos anos 70. E, de facto, foram-se movimentando no circuito soul e sobretudo no circuito ali de Detroit. Não consegui encontrar muitas informações sobre eles. Encontrei uma canção que gostei muito, já não me recordo exatamente onde, já foi há algum tempo. Tenho voltado a ouvi-la por estes dias, mas há de ter sido nalguma compilação de soul ou nalguma mixtape de soul. A canção chama-se "I Guess That Don't Make Me a Loser" e é o tema, é o hit, o grande êxito da carreira dos Brothers of Soul e a canção pela qual ficaram conhecidos. Portanto, Brothers of Soul, não sei se está aprovado, Diogo, o que achaste disto?

Está aprovadíssimo. Eu acho que tenho a autoridade para poder dizer que uma pessoa que gostaria muito desta canção teria sido o Tiago Pereira. Isto está mesmo ali no comprimento de onda dele.

Eu acredito que o Tiago Pereira deve estar nalgum destino paradisíaco, maravilhoso, perfeito.

Exato, com três mojitos na mão ao mesmo tempo.

Sim.

Sem saber qual começar a beber primeiro.

Maravilhado. Eu imagino-o a ouvir esta música, a atirar bebida ao ar.

Exato, e a pensar que finalmente as férias começaram.

A correr direito ao mar para poder dar um mergulho, tal a epifania que terá tido. Mas se calhar vamos deixar-nos de cenários irreais e ficcionais.

É isso.

E vamos para a música. Diogo, continua a contar-nos, estou com curiosidade. Há bocado passaste ali um standard. Para onde é que vamos agora?

Não podíamos ir para mais longe daquilo que temos estado a passar, na verdade. Porque eu às vezes tenho de lutar contra mim próprio em tentar ouvir coisas novas, porque eu às vezes fico muito preso em ouvir coisas antigas ou muito antigas.

O Cardewal dizia que a vantagem do passado é que não acaba.

Mas é verdade.

Há sempre alguma coisa mais desconhecida.

Há sempre mais qualquer uma versão, e isso é intrigante. É uma espécie de digging digital. Isto para dizer que quis trazer também alguma coisa de mais recente e achei que esta dupla, o Joey Valence and Brae, encaixava aqui que nem uma luva, porque eles trazem-me grandes memórias de uma banda que eu adorei. Diria que, se calhar, uma das minhas bandas favoritas, que são os Beastie Boys. Eu desafio qualquer pessoa que goste de Beastie Boys a ouvir a música que nós vamos ouvir a seguir e não encontrar imediatamente uma série de pontes entre os dois. Mas estamos a falar de uma dupla de miúdos norte-americanos de 22 anos, que são uns miúdos que gostam de estar sempre na galhofa. Eles são sempre muito divertidos, os videoclipes deles são sempre muito divertidos.

São como nós.

Exatamente. Boa gente. E fazem sempre umas piadas. Por exemplo, eles têm sempre uma piada, todos os videoclipes que fazem, eles dizem sempre que aquilo foi gravado única e exclusivamente com recurso a uma consola qualquer dos anos 90. Por exemplo, um deles era que foi gravado com uma Nintendo DS, outro que foi gravado com uma Xbox 360, passo aqui a publicidade, peço desculpa, mas é tudo mentira, é só para gozar com a cara das pessoas.

Ok.

Eles são muito inspirados pelo universo dos videojogos, principalmente dos anos 90, como filhos dos anos 90 que são. E o que eu gosto particularmente deles é que eles conseguem fazer um tipo de hip-hop que hoje é muito raro de encontrar, que é um hip-hop descontraído, de malta que quer se divertir, quer brincar, quer fazer macacadas. Eles diziam aqui há uns tempos numa entrevista na NME que não são as pessoas que vão para a frente do microfone gabarem-se do seu Bugatti, porque raio é que eu haveria de fazer isso se o que eu conduzo é um Honda Civic?

Identificável, relatable.

Por isso, vamos deixar aqui o parlapi, vamos ouvir então Joey Valance and Brae com a música "Ready Set". Cá está. Gonçalo, agora pergunto eu, isto não soa a Beastie Boys?

Soa a Beastie Boys e soa a um concerto muito divertido.

Exatamente.

Imagino que isso possa ser uma noite muito bem passada.

Festão, sem dúvida.

Com estes rapazes. Vamos também fazer uma guinada, voltar ao Brasil, daqui, Diogo.

Sempre boas latitudes.

E vamos voltar ao Brasil por quê? Porque eu na semana passada fui ver Jorge Ben Jor.

Foste ao Brasil, não.

Seria mais interessante, mas não, fui ver o Jorge Ben Jor a Cascais, é o mais próximo Na minha vida que eu consigo chegar ao do Brasil. Mas gostei muito do concerto, foi um belíssimo concerto, um homem com 83 anos a tocar durante duas horas, quase a ser preciso arrancá-lo do palco, porque ele não queria sair, queria sempre tocar mais uma.

Ainda nos vai enterrar a todos.

É verdade, tal como o Keith Richards e a Rainha Isabel II e toda essa gente. Mas eu trago aqui uma música do Jorge Ben Jor chamada "W Brasil Chama o Síndico", que não conhecia a música, descobri a música no concerto. Ele tocou ao vivo cá em Portugal, e achei-a muito curiosa por um ou dois motivos. Além de ser uma belíssima música, ele refere o Tim Maia nesta canção e já o trouxe há bocado, portanto, achei que fazia bem fazer aqui uma ponte. Ele grita Tim Maia no refrão, e diz, quando é: "Chama o síndico", pelos vistos, síndico eu acho que até passou a ser a alcunha do Tim Maia a partir desta canção. Portanto, aqui o síndico é o Tim Maia. Naturalmente, se a canção chama à pedra o Tim Maia, tinha que ser uma canção com alusão a drogas, porque o Tim Maia, enfim, se há coisa que nunca faltava na vida. É verdade. Na cozinha tinha sempre por lá. Não, mas isto por quê? O refrão desta música, o Jorge Ben Jor canta assim: "Jacarezinho, avião, cuidado com o disco voador". E graças à internet e à imprensa brasileira, eu descobri o que isto queria dizer. Então Jacarezinho é a favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. Avião é uma gíria para dealers. E cuidado com o disco voador. O que é o disco voador? É também uma referência street name para polícias.

Ok.

Portanto, pareceu-me interessante todo o sentido oculto desta canção e ainda mais curioso ver o senhor de 83 anos cheio de energia, cheio de força a cantar isto em Cascais e descobri esta canção. Portanto, Jorge Ben Jor, "W Brasil Chama o Síndico". "Deu no New York Time", Jorge Ben Jor puxar também aqui, depois falamos da imprensa brasileira.

Isto é fazer name dropping.

Name dropping. Tim Maia, New York Time. Estou aqui a falar da favela do Jacarezinho e dos polícias discos voadores, mas é uma bela canção. Foi um belíssimo concerto. Tinha gostado um pouquinho mais até do concerto de 2019 no Porto.

O que o Vera depois fez, não é?

Se calhar, bom, tinha 80 anos, agora tem 83. Mais três.

Cada tipinho no Porto, isto vai ficando melhor com a idade.

Mas o de 2019 acho que foi um pouquinho melhor, até por uma questão técnica de som. O som estava melhor no Porto do que estava aqui, pelo menos nos lugares da Plev. Cá atrás, o som chegava com algum problema de definição. Mas isso agora também não interessa nada. Interessa a tua visita de hoje, aqui ao Isto Não Passa na Rádio. Foi um gosto enorme voltar a ter-te aqui durante quase uma hora.

O prazer foi todo meu.

E acho que só podias ser tu a fechar aqui este programa, este Isto Não Passa na Rádio especial. O que é que trouxeste para rematar?

Muito grato por essa honra. Eu acho que o tema deste programa eu quase podia ser só música brasileira, porque é pra lá que nós vamos outra vez.

Maravilha. Que beleza.

Exatamente. Aliás, aqui em off estávamos eu e o Gonçalo a discutir que devíamos fazer umas festas ou alguma coisa assim, só onde só se passava música deste gênero, que eu acho que ia ser muito divertido. Mas vou buscar aqui um senhor que eu sei que tu também gostas muito. Um senhor chamado Roberto Tadeu de Souza, mais conhecido por Bebeto. Ótimo nome. Paulista e considerado rei do swing brasileiro, que aparentemente era um grande fã do Corinthians, do clube de futebol.

Agora treinado por Vítor Pereira.

Exatamente. E a fazer uma bela carreira, diga-se. Parece que a coisa está-lhe a correr bem. Mas em 1977, salvo erro, ele lançou-

I speak from heart.

Exato, I speak the truth.

You speak the truth.

Ele lançou em 77 uma canção chamada "Flecha Negra", que era uma homenagem dele a um dos seus jogadores favoritos. A música começa: "essa música é uma homenagem a Ele", atenção, Ele com E maiúsculo, "todo mundo sabe quem é, Ele é o maior, é o alvinegro do Parque". Quem é este Ele, com letra maiúscula, é um senhor chamado Geraldão, um ponta-lança.

Polícia Militar.

Exato. Mas calma, porque ele às vezes era conhecido também como Geraldão Manteiga.

Geraldão Manteiga. Jesus.

Porque acho que ele era um fera a marcar gols, era um grandíssimo jogador, e então o Bebeto decide dedicar-lhe esta música. Só que depois correu-lhe mal, porque este Geraldão, depois de ele ter lançado esta música, ele pisgou-se do Corinthians para outro clube, e aí ele depois já foi dizer: "Não, isto não era bem pro Geraldão, isto era pra toda a equipe. Isto não é só pra ele".

Está bem.

Exato. Mas a verdade é que independentemente de a quem aquela é dedicada, é uma belíssima canção que brinca um bocadinho com este imaginário do futebol, que é sempre muito divertido e os brasileiros sabem fazê-lo como ninguém. E é uma canção espetacular.

Uma bela maneira de fechar.

Ela depois fez parte do disco "Cheio de Razão", que ele lançou em 79, que também é um ótimo disco. Mas acho que pareceu uma boa forma de fecharmos aqui com classe o nosso programa.

Espero que regresses, Diogo. Vamos ver se agilizamos isto para futuras edições.

O mercado de transferências é em 1 de setembro, não é?

Sim, nem que seja pra aparições especiais, como convidado.

Uns cameos.

Gostaríamos sempre de ter. E voltamos na próxima semana, não sei com quem. Vamos ver quem será o painel, é sempre imprevisível.

Se calhar então vens a minha entrevista.

Vamos ver o que é que acontecerá. Seirá alguma coisa dessa bola de cristal, não sei o quê. Um abraço e até pra semana.

É, essa música em homenagem a ele, todo mundo sabe quem é. Ele é o maior, é o alvinegro do Parque. É o flecha, flecha, flecha, flecha, flecha, flecha negra do Parque. São Jorge. É o flecha, flecha, flecha, flecha, flecha, flecha negra do Parque. Golaço. É o flecha, flecha, flecha, flecha, flecha, flecha negra do Parque. Coringão. Como é que é, Tobias? Zé Maria, Vladir, Moisés, Zé Eduardo, Caio. Esse é o time. Como é que é, Russo? Basílio. Flecha negra do Parque chegou e o povo alegre gritou. Como uma família unida que é, a galera gritava de pé. Como uma família unida que é, a galera gritava de pé. É o flecha, flecha, flecha, flecha, flecha, flecha negra do Parque. Como é que é, Russo? É o flecha, flecha, flecha, flecha, flecha, flecha negra do Parque. Como é que é, Rui Rei? Geraldão, esse daí é cheio, amor. Meu amigo Romeu, meu mano Romeu. Tarcísio, volta logo. São Jorge. Tem a fibra de um domador e jogando ele é o terror. Na cabeça da área se a bola sobrar, sai um gol pra galera vibrar. Na cabeça da área se a bola sobrar, sai um gol pra galera vibrar. Fala, seu Mateus. É o flecha, flecha, flecha, flecha, flecha, flecha negra do Parque. O homem que sabe. É o flecha, flecha, flecha, flecha, flecha, flecha negra do Parque. Esse sabe agir. Mateus. É o flecha, flecha, flecha, flecha, flecha, flecha negra do Parque. Golaço. Romeu, Romeu. Agora chegou o Sócrates. O seu Mateus está sabendo