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Já é quinta-feira, tudo a postos para mais um Jet Lag e para as viagens conduzidas pela Filomena Martins. Olá, Filomena, bom dia.

Bom dia.

Já sabes que eu gosto de marcar o passo, portanto quinta, amanhã é sexta, diz que sim.

E depois parávamos aí, não é?

Então, onde começamos este Jet Lag, Filomena?

Vamos para a Coreia do Sul, onde são mais nove horas. E vou já dizer: não se queixem dos impostos que pagam, porque os herdeiros do presidente da Samsung, Lee Kun-hee, acabam de revelar que vão pagar, e agora fiquem de queixo caído, 11 mil milhões de dólares, quase 9 mil milhões de euros em impostos sucessórios.

Eu fico de queixo caído, mas também começo a pensar qual é a herança que eles receberam. Também não me importava.

Não sei. Eles têm de pagar primeiro e só depois é que podem aceder à fortuna.

Isso já fica mais difícil.

A família vai pagar o total ao longo de cinco anos em seis tranches, porque não têm dinheiro agora, e vão ceder quadros, dizem eles, de Picasso, Miró, Dalí, Monet, Gauguin, entre outros, de certeza, aos museus para arranjar o dinheiro, que senão não vão lá. E só em 2026 é que terão acesso à herança do homem que era o mais rico do país e que morreu agora em outubro. Agora?

Agora.

Já faz uns meses. Isto o tempo agora em pandemia é contado assim. Quando tinha 78 anos. A herança vai ser dividida pela viúva e as duas filhas e o filho. O filho ficou à frente da empresa desde que em 2014 o pai tinha tido aquele enfarte que o tinha deixado incapacitado para o cargo. O rapaz, coitado, está atualmente na prisão. Foi condenado a uma pena de dois anos e meio por suborno ao anterior governo.

Olhe, acontecem desgraças, de facto.

Esta família está mal. Ele terá cobrado uns favores, digamos assim, para umas fusões que deram a liderança mundial à Samsung em aparelhos eletrónicos. A Samsung representa um quinto do PIB da Coreia do Norte, mas este valor que eles têm de pagar ao Fisco é metade do total do património da empresa, portanto, não é uma coisinha qualquer. A lei das heranças na Coreia do Sul aplica taxas bastante altas.

Ficam na dúvida: herança ou impostos?

É uma coisa a pensar, diria eu.

E depois da Coreia do Sul?

Vamos para a Coreia do Norte, são menos quatro horas, onde a pandemia deu tempo a mais uma criança prodígio, e ele resolveu aproveitar umas horas extra. E aos 12 anos, vai agora em maio, acabar o colégio e também o curso técnico universitário na mesma semana, a última de maio.

Aos 12 anos.

Sim, fez os dois anos que faltavam do secundário e os dois anos do curso ao mesmo tempo.

Bem, esteve fechado em casa a estudar, não?

Ele não foi só estudar, porque o rapaz chama-se Mike Weimar, também fundou a sua própria empresa, a Next Era Innovations, onde explica todos os seus conhecimentos sobre programação e robótica, uns sistemas simples, e também formou uma startup sobre tecnologia, daquela tecnologia que usamos em casa.

Impressionante, com 12 anos.

Sim. E mais, ele aprendeu sozinho, a ver centenas de vídeos e por tentativa e erro, diz ele, e acabou por se tornar considerado um génio da matemática e da ciência. Ele teve o primeiro iPad aos 18 meses e a primeira pergunta que fez, naquela altura, aos 18 meses, foi saber como é que funcionava o aparelho. Funcionava lá por dentro, não era por fora.

Dezoito meses, um animal.

Aqueles que desfaz os brinquedos, neste caso são dois brinquedos, para ver como é que é feito por dentro.

Exatamente. Ele diz que depois deste curso vai continuar na universidade, mas também garante que não deixou de ser um miúdo de 12 anos, porque faz desporto, joga com Legos e outros brinquedos e sai sempre com os amigos, para andar de bicicleta, essas coisas.

Eu acho que deviam tentar desmontar a ele também para saber se vai até ao mesmo, se é um robô lá por dentro.

Não sei. Eu aos 12 anos talvez fizesse umas caças ao tesouro, daqueles a brincar aos cinco.

Uma aventura, não era?

Não, aos cinco não.

Peço desculpa. É muito nova, Maria João.

Peço desculpa. A aventura é outra coisa.

Aqui o Jet Lag geracional.

Um Jet Lag.

Olha, Filomena, e depois deste menino prodígio?

Tente ver o vídeo, mas eu vou tentar contar a história. Vamos para o Kentucky, são menos quatro horas também. Nos Estados Unidos as rotundas são muito pouco comuns, não é coisa como cá.

Manda lá a bocazinha a Viseu.

Vá, vou avisar. Não, agora na Saltake são mais de umas mil. Em Viseu agora não sei quantas são, porque já não deve haver muitas mais, mas pelo país todo as mais mil vêm. Mas a inauguração desta rotunda no Kentucky tornou-se numa confusão tal de trânsito, que aquele vídeo que eu vos vou recomendar a ver, parece as horas de ponta em Nova Déli ou no Caire. São carros em contramão, parados no meio da rotunda, sem saber para onde ir, mas isto só mesmo vendo o vídeo. Eu recomendo, exponham rotunda. Porque eles não sabem conduzir nas rotundas.

Não sabem. Claro.

Não.

Ia falar em menino prodígio com 12 anos.

Há quem diga que nós também não, cá em Portugal, apesar de haver uma rotunda em cada esquina.

É, mas agora é porque eles, entretanto, também mudaram a forma de nós conduzirmos na rotunda, temos de ir pelo meio e depois passar para a ponta.

Vê, já estou perdida. Dizeste tudo, Filomena.

Mas eles lá, esta rotunda, tinha até separadores e tudo, mas os condutores acharam que, por exemplo, para virar à esquerda, era muito mais fácil Sair logo pela esquerda e entrar na rotunda em contramão, em vez de dar a volta.

O sentido prático dos americanos a funcionar. Se é para ir para a esquerda, porque é que eu tenho que dar a volta para a direita?

Exatamente.

Portanto, aquilo não é preciso haver curso. Não se faz curso para tirar a carta.

Não, nada. Bastou um condutor fazer asneira para todos os outros irem atrás e lançarem o caos absoluto. Até se vê mesmo um carro parado no meio, à espera para ver por onde podia passar, porque carros em contramão, carros a virem da direita, outros da esquerda. Vocês têm de ver mesmo o vídeo.

Dizias que para procurar este vídeo é só procurar por rotunda Kentucky, uma coisa assim, não é?

Rotundas e Kentucky, apanhas logo. Como a confusão se foi repetindo, o gabinete de transportes do Kentucky pôs vídeos e imagens nas redes sociais para ensinar como é que se faz, mas parece que a coisa ainda não está a correr nada bem e ninguém sabe as regras certas. E já dizem que a terra onde está a rotunda, Morehead, tem os piores condutores do mundo.

Isso é discutível. Sim, ia dizer que é preciso haver um concurso para apurar os piores condutores.

Eu confesso que nem no Cairo, nem em Nova Deli.

Viste uma coisa assim?

Não, nada. E olha que aquilo é mesmo muito complicado lá.

Então vamos espreitar. E que música escolheste para ilustrar esta ou outras das histórias?

Esta história, vamos a um velho clássico, de "Cars", "Drive".

"Drive", dos Cars. No fim do jet lag, sempre que o filme era bom.

Mas não, ninguém me leva a casa naquela rotunda.

Jogas pelo seguro. Pelo menos é amanhã para mais viagens. Um beijinho.

Até amanhã.

Obrigada.