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Interrompemos o episódio do Contracorrente para acompanhar os minutos finais do jogo que coloca frente a frente México e Equador. O jogo vai sorrindo à equipe da casa, que ganha neste momento por 2 x 0. Ao que tudo indica, vai ser uma grande noite de festa na Cidade do México. Eu sou Ricardo Lopes, comigo em estúdio tenho o jornalista João Lourenço. João, no início, atribuíste aqui um ligeiro favoritismo ao conjunto mexicano e parece que já não escapa, vão mesmo garantir a passagem aos oitavos de final.
Até porque ao Equador apenas restam sete minutos de tempo adicional, é o que foi atribuído pelo árbitro Slavko Vincic e como referias, Ricardo, era um favoritismo não só devido ao fator casa, mas acima de tudo a uma primeira meia hora de autêntico bom futebol por parte da seleção mexicana. Foi a partir daí que surgiram os dois únicos gols da partida, respectivamente ao minuto 22 e ao minuto 31. Primeiro foi o gol de autoria de Quiñones, numa jogada que partiu bem da ala esquerda ainda da defesa do México e que proveniente de uma bola das costas, o médio avançado dos quadros do Al-Qadsiah conseguiu abrir o marcador. Um pouco mais tarde, o mesmo Quiñones contemporizou dentro da área. Podia ter sido aqui o terceiro gol da equipe mexicana. É um remate muito bem colocado por parte de Orbelín Pineda, ainda junto à quina da área, um remate que sai colocado e muito perto da baliza defendida por Gállides. Estava a tentar fazer a reconstrução daquilo que foi a jogada do segundo gol, no entanto, ainda há o Equador no ataque. Vamos acompanhar esta ofensiva por parte desta formação tricolor. A bola que vai pra área, corta ali Gallardo, número 23 da equipe do México. E agora há uma falta com alguma intensidade sobre Orbelín. É Kendry Páez, o médio do River Plate, quem faz esta ação faltosa. Eu creio que o Slavko Vincic dá mesmo cartolina amarela e certamente punir o atleta que entrou já no decorrer da segunda parte. Minuto três desta compensação, pontapé livre de Raúl Rangel direcionado ainda. E agora há um conflito. Não havia necessidade de haver este desentender por parte de Hincapié do Equador e também Santiago Gimenez, avançado do AC Milan. Houve ali um tête-à-tête, um encostar de testas entre os dois protagonistas. Creio que o árbitro vai dar novamente luz verde para Raúl Rangel bater o livre.
Está à procura de alguém, o árbitro.
Está à procura de alguém, sim. Estou a tentar ver se estava a falar não com o guarda-redes Raúl Rangel, mas acima de tudo, acho que vai esperar. Ok.
É lei para este ano.
É lei para este ano, ou seja, Hincapié comunicou com Santiago Gimenez. Não sabemos o conteúdo desta conversa.
Tapou a boca.
Sabemos acima de tudo de que forma foi. Foi de mão tapada. Ora, certamente será um tema trazido pelo áudio-árbitro da Rádio Observador, Pedro Henriques, até porque estamos a falar, como disseste e muito bem, Ricardo, de uma nova legislação nos quadros da arbitragem, neste caso, deste Campeonato do Mundo. Nem todas as leis que estão aqui nesta prova da FIFA são cumpridas ou aprovadas pelos outros campeonatos, concretamente o Campeonato Português. No entanto, Slavko Vincic foi ao VAR.
Vai dar vermelho, atenção.
Exatamente. Vermelho confirma-se. A regra cumpre-se exatamente àquilo que está escrito na lei. Hincapié sai até em passo apressado do relvado do Estádio Azteca. E Ricardo.
É uma coisa que não se percebe. Ou seja, se é uma regra tão objetiva, por que o jogador opta mesmo assim por meter a mão à frente da boca para falar, se sabe que dá vermelho direto, como se vê?
E há que fazer também essa questão de se-
E já não é a primeira vez, não é, João, aqui no Mundial.
Sim, acima de tudo, há que saber se os atletas estão totalmente avisados para esta alteração das regras, até porque são coisas que muitas vezes, e falamos muito desta mão na boca, não no sentido mais maléfico do gesto, porque sabemos que a polêmica em torno do atleta do Benfica, Gianluca Prestianni, deu ainda muito o que falar, mas acima de tudo, nós, amantes do futebol, costumávamos ver muitas vezes a mão na boca, muitas das vezes na sequência de um pontapé livre, ou seja, o atleta colocava a mão à frente da boca para o adversário não fazer a leitura labial, para não tentar descobrir o que é que há de ocorrer nesse lance de bola parada.
Mas aqui não é o caso.
Aqui não é o caso, exatamente. Mas certamente a lei aqui a fazer efeito. Hincapié está já nas cabines. Creio que agora há uma falta ali um pouco mais também fora de tempo por parte de Pablo Méndez, o médio do Equador. E é uma falta, creio que é sobre Santiago Gimenez. Atingimos agora o minuto seis. Haverá certamente desconto sobre os descontos, Ricardo.
Muitas paragens.
Apesar da atuação do vídeo-árbitro ter sido até bastante rápida, haverá certamente mais algum tempo de compensação referente a esta partida que, a terminar assim, coloca o México nos oitavos de final do Campeonato do Mundo, oitavos de final que se jogam, neste caso, também neste Estádio Azteca, no dia 6 de julho, na próxima terça-feira, na madrugada de segunda para terça-feira. Creio que agora há uma ação faltosa por parte de um atleta do Equador, que é o número 16. Estou a tentar identificar o jogador. É Jordi Caicedo, entrou para o lugar de Nilson Ángulo, o extremo do Sunderland, que até fez história na última partida frente à Alemanha. Foi uma falta, neste caso, de Jordi Caicedo sobre o capitão da equipe do México, César Montes.
E João, dizer também aqui aos nossos ouvintes que o México vai jogar com o vencedor da partida entre Inglaterra e o Congo, que se joga ainda hoje, às 17h. À partida, os mexicanos preferiam defrontar o Congo.
Mas jogam em casa, por isso sabemos bem que a seleção da Inglaterra treme muitas vezes nestes momentos do Campeonato do Mundo e certamente terá um país inteiro em peso na Cidade do México, no Estádio Azteca, a ver se a seleção tricolor consegue atingir, pela segunda vez na história, os quartos-final. Há nova falta, cartão amarelo, neste caso, para Moisés Caicedo, médio do Chelsea, aqui ao minuto oito da compensação, ou seja, Ricardo, atingimos já esse desconto sobre descontos. A falta creio que é sobre Pineda, Orbelín Pineda. A falta ainda ali junto ao meio-campo. E se atingimos descontos sobre descontos, também atingimos o minuto depois das 05h em Portugal Continental e na Madeira, menos uma hora nos Açores. Continue com a Rádio Observador no acompanhamento integral deste Campeonato do Mundo de 2026. Já sabe que à meia-noite da madrugada de quinta para sexta, há esse Portugal contra a Croácia. Portugal vai pensar atingir os oitavos final. O que é certo é que, já oficial, o México está nessa próxima fase do Campeonato do Mundo de 2026. Vence por duas bolas a zero frente à seleção do Equador. Golos aos minuto 22 por Quiñones e também ao minuto 31 por Raúl Jiménez. Ricardo, vamos à crônica desta partida dos 16 avos final.
Vamos à crônica, 2 x 0 para o México, cai assim o Equador. Avizinha-se, como estávamos a falar, uma grande noite de festa na Cidade do México. Ninguém dorme hoje, são mais ou menos 22h, mas duvido. A noite com certeza vai ser longa.
E tem tempo.
João, falamos aqui de um jogo com poucos remates entre os postes, apenas quatro, três pro México e um pro Equador. Faltou também alguma ousadia aos equatorianos, que acabam até por terminar a partida com mais posse de bola. Há também aqui um gol do inevitável Raúl Jiménez, grande conhecido do futebol português, amado por muitos, odiado por outros. Eu pergunto desde já quem é que é a pérola deste jogo pra ti.
Não vou atribuir a Raúl Jiménez, apesar da grande vontade e da grande participação ofensiva, vou dar a quem lhe fez a assistência para o segundo gol. É Quiñones. Um gol, uma assistência, sem espinhas para o avançado do Al-Qashishá, 29 anos, ele que já vinha proveniente, vinha proveniente é quase uma redundância, mas que vinha dessa fase de grupos com três gols, era já o melhor marcador desta seleção mexicana no Campeonato do Mundo. Ora, com esta noite faz mais um. Quatro gols, uma assistência num avançado que, neste momento, com estes quatro gols, atinge seis na conta pessoal, no que toca, neste caso, a seis gols pela seleção tricolor. Foi um avançado que trouxe muita velocidade, muito drible, muita objetividade, acima de tudo, numa meia hora que eu considero como sufocante para a defensiva equatoriana. Foi uma meia hora muito forte inicial, uma seleção orientada por Javier Aguirre, que sabia que tinha que entrar bem, sabia que o Equador vinha supermotivado porque tinha conseguido vencer a seleção da Alemanha por 2 x 1 na fase grupos, no último jogo dessa fase grupos, que deu exatamente esse apuramento para os 16 avos final para a formação equatoriana. O México sabia que tinha que entrar bem e foi nos pés do Quiñones que verbalizou, verbalizou não, mas acima de tudo demonstrou essa vontade de resolver esta partida cedo. Quiñones é quase como a acelera deste México, o motor desta seleção mexicana, que agora certamente vai estar de cadeirinha para ver quem é que é o adversário, mas sabe que Quiñones está em muito boa forma, que tem ali uma seta apontada às balizas adversárias.
Pergunto então, João, quem consideras que foi o joker da partida, num jogo que ficou praticamente também decidido na primeira parte, embora 2 x 0, mas o Equador nunca se aproximou, nunca foi, de fato, uma ameaça.
Sim, e vou um pouco contra aquilo que está. Não vou contra, neste caso, não é discordar. Acima de tudo, vou dar outra opção, até porque o Observador, a equipe da seção de esporte do Observador, tem um artigo por cada seleção e lá identificam a principal figura de cada seleção e acima de tudo deixam pistas para aquilo que pode ser a revelação ou, neste caso O joker, não o joker propriamente dito, mas neste caso o pupilo, a jovem referência de cada seleção. Eles atribuem ao Bé Vargas, e bem, diga-se já, um médio que há pouco tempo se transferiu para o Atlético de Madrid. Mas vou dar um jogador mais jovem, de apenas 17 anos. Joga no Tijuana, do México, chama-se Gilberto Mora. Mora é um médio, um 10 propriamente dito. Tem sido apontado a vários clubes europeus, inclusive creio que até já foi apontado ao Benfica e ao Sporting. É um médio de baixa estatura, de 1,66 metro, ou seja, é um médio muito baixo, destro. Apenas 17 anos, mas acima de tudo, foi um autêntico dor de cabeça para a defensiva equatoriana. Por quê? Primeiro, porque teve na ala direita a grande ajuda de Quiñones. Era alguém que aparecia como joker, que começava a desmontar as costas do meio-campo do Equador e acima de tudo, muitas vezes aparecia em terrenos mais centrais. Concretamente, na primeira parte teve ali um, dois remates já junto à carreira de tiro, mais ou menos ao meio-círculo da grande área do Equador, em que causava bastantes calafrios à baliza defendida por Galíndez. Ou seja, Gilberto Mora pode dar o salto pra Europa, pode dar o salto para uma equipa que até pode ser portuguesa, creio que Gilberto Mora podia facilmente estar nos quadros de um Benfica, de um Sporting, de um Porto, de um Sporting de Braga. Acima de tudo pela sua espontaneidade, pela sua criatividade, pela sua também agressividade positiva que demonstrou nesta partida e acima de tudo, pela sua genialidade em alguns lances. A idade também o favorece, tem 17 anos e uma carreira pela frente e são exibições como esta que lhe abrem certamente as portas.
Avançamos assim nesta crônica, pergunto-te pela sentença, sei que não és juiz, mas pergunto qual é a sentença, o que há a retirar desta partida?
Não sou juiz.
Nem jurista.
Nem jurista, exatamente, mas acima de tudo consigo ver nesta seleção do México um pouco à semelhança daquilo que poderá acontecer amanhã nos Estados Unidos. Ou seja, são seleções que não estão tão bem cotadas naquilo que são os favoritos para a conquista final deste campeonato do mundo, mas são seleções que têm esse fator casa e que podem, acima de tudo, embalados pela multidão que é o respectivo povo dentro de portas, ter certamente essa motivação extra.
O 12º jogador.
E acima de tudo, muitas vezes a motivação, que é 200%, pode ter mais esses 210. Esses 10% que fazem muita falta, que fazem com que os jogadores consigam ir à segunda bola, consigam ir ao duelo, consigam certamente ir buscar mais facilmente o esférico à bandeira ala de canto ou à linha divisória, podem ir muito facilmente aos duelos, ganhar essa motivação. Acima de tudo, muitas vezes também jogarem perante a respectiva família, não é? Porque ter a família dentro de estádio e ainda por cima dentro do próprio país, é uma grande motivação. O México, que agora, em princípio, caso não haja um Paraguai desta vida como houve na madrugada de ontem frente à Alemanha, Inglaterra vai enfrentar a República Democrática do Congo. Sabemos que o Congo tem individualidades bastante perigosas nas suas fileiras, que o diga Portugal, mas que Inglaterra certamente será a favorita. Ou seja, enfrentaram uma Inglaterra, que em si fez uma boa fase, grupos, tem grandes individualidades como sempre teve, tendo um grande coletivo orientada por um bom treinador na pessoa do Thomas Tuchel. Mas acima de tudo joga em casa, com o Azteca cheio, com os jogadores que hoje demonstraram, pelo menos na primeira meia hora, uma agressividade positiva, uma objetividade, um futebol total, muito bons. Podem causar calafrios à Inglaterra e quem sabe atingir aquilo que foi o melhor resultado da história desta seleção mexicana em campeonatos do mundo. Os quartos de final em 1970. Jogar em casa contra uma Inglaterra, imagine-se México eliminar a Inglaterra em pleno Azteca. Certamente será um cenário já muito idealizado na cabeça dos mexicanos. Vamos ver. O que é certo é que já estão nos oitavos de final.
Pode sonhar, o México está atribuída a pérola, o joker e a sentença. Pergunto agora pela mentira. A seleção do Equador tem muitos mais trunfos defensivos do que ofensivos, com defesas do Arsenal, também do PSG, um ótimo médio defensivo também do Chelsea, mas nem com essa solidez defensiva conseguiu manter a baliza a zeros. É algures aqui que está a mentira nesta falta de eficácia, tanto no ataque e de não conseguirem ter esta coesão ofensiva na defesa.
Eu vou verbalizar a minha mentira e verbalizá-la neste caso ou ia escolher, neste caso, a equipa no total do Equador, porque acho que eles estavam muito entusiasmados, e bem, depois dessa vitória frente à Alemanha. Perderam muitas vezes a cabeça ou entraram, neste caso, fora das horas depois daqueles 30 minutos iniciais do México. Eu vou dar a mentira ao Hincapié.
Lá está.
Eu não tinha aqui escrito ainda totalmente a minha mentira, mas estes minutos finais deram que a escolha recai sobre este-
Por expulsão
...lateral esquerdo do Equador. Quer dizer, estamos a falar de atletas que têm as melhores condições do mundo pra treinar Certamente são assessorados, quer em termos de comunicação, quer em termos de regras, pelos melhores especialistas de cada país. O Hincapié foi campeão Inglaterra, não é nenhum zé-ninguém que de repente tem uma oportunidade no Equador e que, por exemplo, até jogava num campeonato sul-americano, que não é o mais competitivo de todos, ou seja, não estava a par daquilo que se passa nas novas regras de arbitragem. Em suma, Hincapié não é nenhum tosco. Dito isto de uma forma mais brejeira, não é nenhum tosco, até porque fez uma boa temporada ao serviço dos Gunners. E fazer uma asneira destas, numa altura em que se calhar até o Equador não conseguiria buscar o resultado, nem conseguiria levar a partida a prolongamento. Mas acima de tudo, levar um cartão vermelho, uma expulsão desta maneira, desculpem um pouco mais brejeira esta parte da crônica, mas eu acho que é um bocado estúpido. Não havia necessidade, como dizia.
Não era a altura para tal.
Não era a altura para tal. Eu acho que são erros que são infantis. Acho que Hincapié não faz uma boa exibição antes da expulsão, então com o cartão vermelho é melhor nem falar. Acho que foi a mentira. Esperava alguma solidez defensiva. Falavas bem, Ricardo, há valores bastante interessantes na defesa do Equador, não só o Hincapié, mas também o Pacho, que é o defesa central do Paris Saint-Germain. E de repente, alguém que devia ser o pilar desta seleção, ou pelo menos um dos jogadores com quem a seleção, ou neste caso, com que a equipa depositava mais esperanças ou mais confiança, de repente fazer uma asneira destas, eu acho que é um bocadinho estúpido. Fica Equador com um campeonato do mundo razoável, mas estes momentos é que se podiam evitar.
Fica por aqui esta crônica do jogo entre o México e o Equador, com o jornalista João Lourenço. Segue em frente o México para os oitavos de final. Grande festa na Cidade do México, certamente durante esta noite. Os equatorianos regressam para casa. Seguimos com a segunda parte do Contracorrente. A informação regressa às 18h em ponto. Está com a Rádio Observador. Tenha um bom dia.