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A seleção portuguesa começa a ganhar ritmo e ontem, domingo, com uma grande vitória frente à seleção da Noruega, a sensação nesse Mundial 2026. Sem Ronaldo, mas com João Félix e Gonçalo Ramos, a seleção das Quinas garante duas vitórias em dois jogos nesta fase de grupos da Liga das Nações. Tema para analisarmos nesta edição de "O Campeão É", hoje com Augusto Inácio, Gabriel Alves, o Bruno Roseiro e ainda o Pedro Henriques. Sejam bem-vindos. Eu sou o João Costa e Silva. Falamos aqui de dois jogos, duas vitórias para Jorge Jesus à frente da seleção nacional. Bruno Roseiro, ainda assim uma tarefa que não foi nada fácil e olhando aqui para as estatísticas, que o Pedro Henriques gosta muito de analisar, menos posse de bola, menos remates, menos oportunidades de gol. Não teve Ronaldo no 11 titulares. Valeram aqui os gols de João Félix e Gonçalo Ramos. Do lado da Noruega, tivemos Haaland também a marcar. É uma seleção nacional a provar que consegue ser muito mais do que aquilo que é sem Ronaldo, encontrar o caminho da vitória, mas é uma exibição que também não deixa encher o olho, como se costuma dizer.
Não acho que, mais uma vez, tenha sido brilhante, assim como não tinha sido com Gales. Faltou só em um número nessa estatística: gols.
Sim.
Portugal marcou dois, a Noruega marcou um.
E é isso que conta no final.
E é isso que conta. Ou seja, diria que o mais importante que sai da Noruega é, por um lado, a vitória, que é um passo importante, tendo em conta as aspirações de ficarem em primeiro da Liga das Nações e poder chegar aos quartos de final como cabeça de série para depois procurar essa Final Four. E diria que é também um resultado muito marcado pelo timing do 2 x 1. Poucos minutos depois do empate, numa altura em que tendencialmente a Noruega iria crescer, a própria forma como Gonçalo Ramos aproveita o erro do guarda-redes da Noruega acaba por ser um golpe naquilo que poderia ser uma tentativa de crescimento da Noruega e diria que o jogo fica muito marcado por isso. Depois tiro três notas rápidas. Uma primeira é: se o jogo com o País de Gales deveria demonstrar aquilo que Portugal consegue fazer com Jorge Jesus em termos ofensivos, o jogo com a Noruega seria importante para perceber o que Portugal já consegue fazer em termos defensivos. E parece-me que, em termos defensivos, apesar de algumas dificuldades que Portugal foi sentindo, sobretudo nos corredores laterais, o processo está um pouco mais adiantado do que está em termos ofensivos. Ou seja, percebendo aquilo que Jorge Jesus quer da sua equipa, está a anos-luz aquilo que Portugal pode fazer na frente e já se começa a aproximar muito daquilo que conseguirá fazer atrás. Apesar dessas dificuldades.
E percebe-se melhor por ser a seleção da Noruega, que é uma seleção que neste último mundial nos mostrou muito esse poder ofensivo, não é?
Sim, tem esse hype que vem desde o mundial, tem jogadores equilibradores na frente, tem laterais muito ofensivos, neste caso o Aursnes, que era uma adaptação, e o Hæstad, que derivou para a esquerda, tinha o Nüsha particularmente inspirado. Portanto, Portugal enfrentou desafios que com Gales não tinha enfrentado e diria que os superou bem, apesar dessas dificuldades pelas laterais, com o Renato Veiga a brilhar. Depois, duas últimas notas. Uma segunda para dizer que Jorge Jesus ainda não encontrou o seu meio-campo, ou seja, percebemos que entre João Palhinha e Rúben Neves, um deles vai sempre jogar. Quem é que depois fica à frente é sempre complicado, até porque existe um Bruno Fernandes, existem dois bicampeões europeus chamados Vitinha e João Neves e, portanto, não será propriamente fácil construir um meio-campo tipo. E uma última nota, fala-se muito da questão de Ronaldo. Eu diria tão simplesmente que com Gales poderia ter feito mais sentido jogar Ronaldo pelo tipo de jogo que Portugal iria enfrentar. Com a Noruega, faria muito mais sentido jogar com Gonçalo Ramos, porque era precisado um avançado, que seria, no fundo, também o primeiro defesa a morder os calcanhares dos centrais. E, portanto, a questão Ronaldo banco ou titular, para mim, resume-se a isto: era muito mais importante ter um Gonçalo Ramos na frente, como acabou por se comprovar em campo, do que ter um Ronaldo. Uma nota final para dizer que não percebi aquelas declarações de Jorge Jesus no final em relação às bolas paradas, sobretudo depois de uma era onde a própria equipa técnica da seleção tinha um especialista em bolas paradas.
E falou-se disso no mundial, não é?
Falou-se e veio Austin McFie, que foi muitas vezes referido pelo grande trabalho que andava fazendo as bolas paradas e de repente Jorge Jesus diz: "Eu peço-lhes para fazer aquilo que eles faziam e afinal eles não faziam nada, portanto, não aprenderam nada". Faz-me bastante confusão essa declaração no final.
Gabriel Alves, o que é que fica desta vitória e que notas é que podemos tirar também destas escolhas de Jorge Jesus? O Bruno Roseiro já falava aqui de algumas, uma vitória sem Ronaldo neste 11. Já estamos perante a gestão Ronaldo que tanto se falava e que tantos portugueses queriam?
Eu acho que falar é da gestão da equipa, daquilo que é a seleção nacional, e acho que o Jorge Jesus está a fazer essa gestão e não personalizar, porque a questão do personalizar, eu sei, pronto, as pessoas gostam de ouvir aquilo que lhes interessa. Não, vamos falar da gestão da equipa. E a verdade é que isto é uma equipa nova, portanto, é uma equipa que se está a projetar o futuro. É o futuro que o Jorge Jesus está a trabalhar. E obviamente que isto não é PlayStation, não são robôs, isto tudo tem o seu tempo, e o tempo e o espaço não são muito largos, são de uma dimensão Bastante reduzida. Portanto, tem que ir passo a passo. E é aquilo que o Jorge Jesus está a fazer. Há aqui jogadores que eu olho e que vejo que são jogadores importantes para o Jorge Jesus. Os dois centrais, Rúben Dias e Renato Veiga, muito bem o Bruno Roseira e o focou Renato Veiga. Fazia muitas faltas. Se não as fizesse lá, não fazia faltas. Diogo Costa, naturalmente, e o João Félix, que é neste momento, diria, a ponta de ouro da seleção nacional. Eu estou à vontade, porque o critiquei muitas vezes e era jogador que vinha à seleção, não jogava, etc e tal. Mas a verdade é que a saída dele para a Arábia Saudita, para as mãos de Jesus, enquanto Jesus treinador no Médio Oriente, obviamente fez dele um futebolista. É o talento e hoje é um futebolista de alta competição. E que bem que ele está. E atenção, ele pode ser o nove e meio, mas também, se for preciso, poderá ser o nove. E olha, estejam aí atentos, porque isso quando os mercados agora voltarem, se calhar vai haver aí trutas, aquelas que gostam de pagar, atrás do João Félix, porque o João Félix está a fazer não é só aquilo que é o gol, marcou dois gols, está nas vitórias de Portugal, mas é tudo aquilo que é a dimensão do jogo, que é preciso, o jogador que primeiro a defender, o jogador que ocupa o espaço, a articulação que tem com as várias linhas. Eu gosto muito de ver. E depois ontem, também de chamar a atenção para aquela questão das duas alas. O Neto de um lado, o Chico Conceição do outro. Por acaso eu e o Inácio tínhamos conversado sobre isso na sexta-feira, os dois conversando sobre futebol e a seleção. E a verdade é que Jesus veio fazer exatamente a profundidade que traz, a largura que traz. E quanto a João Neves, olha, uma coisa é índice atlético, chassi atlético. Outra coisa é índice físico. E João Neves esteve muito bem naquilo que foi a marcação, o estudo da marcação, a Odegaard, que é o arquiteto tático da Noruega. E a verdade é que Odegaard viu-se e desejou-se para poder explanar aquilo que é o seu jogo. Quanto a Niland, o Bruno tocou aí. E é aí que me parece que, de facto, Jesus estuda muito bem as equipas. Atenção que o Niland tinha tido um problema muito idêntico a este de ontem, de onde sai o gol do Gonçalo Ramos, muito bem executado, o pontapé. Estava estudado. Portanto, atenção, a concentração competitiva são extremamente fulcrais naquilo que é alta competição, que é no futebol, no basquete, no vôlei, onde quer que seja.
Augusto Inácio, muito boa tarde. Uma seleção com a corda na garganta, como dizias ontem, mas que consegue vencer. Pergunto-te que impacto é que pode ter esta vitória também no grupo, tendo em conta que o próximo jogo que se segue é mais uma vez fora e diante da Dinamarca, que venceu por 2 x 0, mas também já perdeu com esta Noruega.
Boa tarde a todos. Tirando o País de Gales, parece-me que é a equipa mais frágil. Portugal ontem tinha um teste muito importante e uma diferença muito grande entre o trabalho do selecionador da Noruega, que já está há cinco anos e meio a treinar esta equipa, e o Jorge Jesus está há poucos dias a treinar esta equipa e não tem tempo para treinar, para corrigir, como ele diz, na sala, mas a mensagem passa a ser muito mais depressa com as vitórias. Aqui ou acolá, com alguma dificuldade, é verdade. Portugal ganhou ao País de Gales, não fez um grande jogo, nem podia ter feito. Porque as mudanças táticas também são diferentes. E ontem tinha realmente um grande teste. Aquilo que me surpreendeu, ou seja, que me deixou mais preocupado, é que Portugal consegue fazer um a zero no período da primeira parte, em que o jogo começou muito enrolado parte a parte, contato físico, pouco discernimento, pouca ligação, e aos poucos Portugal começou a pôr a bola no chão e a trocar melhor a bola. Fez um gol, é verdade, mas depois houve momentos da primeira parte em que eu senti que o jogo estava partido, ou seja, Portugal havia uma decala grande entre defesa, meio-campo e ataque e que tinha quilômetros para percorrer o portador da bola da Noruega e que avançava no terreno com muita facilidade. Diria que Nusa praticamente é o cabo da cabeça ao cancelo, que nunca se encontrou. Nuno Mendes, parece-me a mim, que não está nas suas melhores condições físicas, aqui ou acolá, com algum receio, mesmo nas suas arrancadas e depois na recuperação com alguma dificuldade. Nas alas, Portugal teve alguma dificuldade, mas teve Chico Conceição e teve Pedro Neto, que não deixaram os laterais subirem, pelo menos davam luta para eles não poderem progredir. E aí nós temos falado, eu e o Gabriel, como acabou de dizer o Gabriel, na sexta-feira falamos nessa possibilidade dos laterais não poderem atacar, porque tinham que ter dois extremos. E Chico Conceição tem apetência para fechar também bem sem bola, Pedro Neto igual. Ou seja, ficou um bocado o jogo dividido, podendo cair para qualquer um dos lados, um gol ou outro, não sabemos para que lado é que é, porque havia muitos espaços para se chegar. E depois, o Bruno Rose tocou aí no ponto e é verdade, quando a seleção da Noruega faz o empate, e aqui deixando dar este reparo, esse tipo de livres contra nós e daqueles jogadores que não estão na barreira, a primeira coisa que têm que fazer sempre, isto é dos livres, isto é na primária que se aprende, sempre é cada vez que o marcador remata a baliza, mesmo que vá para fora, mesmo que a bola vá por cima da trave, mesmo que o guarda-redes defenda, a primeira coisa que os jogadores que não estão na barreira têm que fazer é correr para o nosso guarda-redes, neste caso o Diogo Costa, para o proteger de qualquer coisa. E o que eu acho é que isso não foi protegido, e daí o Haaland ter feito um a um, mas isso tem que ser retificado, como é evidente. E depois, claro, apareceu aquele bacalhau, aquele bacalhau que nos tocou a nós, bem grosso, daquele gol, que parece que é fácil marcar aquele gol, mas atenção, é de uma execução técnica muito boa, muito apurada, que o Gonçalo Ramos teve muito mérito. Além de ganhar essa bola, a execução não é nada fácil e ele conseguiu marcar dois, um. E depois, claro, Portugal esteve ali e o Jorge Jesus soube fechar na parte final, quando pôs o Bernardo Silva e quando pôs o Rúben Neves, aí ficou o meio-campo mais robusto. A Noruega já era das bolas paradas que se tornava perigoso, mas aí Portugal já estava, como se costuma dizer, em cima do cavalo. Por isso, é uma vitória boa, importante, não muito exuberante, mas isto é como se diz, passo a passo
E as coisas vão ao sítio.
Pedro Henriques, o homem dos pontos. Quais é que queres destacar? Já ouvimos aqui o Bruno, o Gabriel e o Augusto.
Eu vou já dar a minha nota de campeão, porque o tempo urge. Se me quiseres, tudo já enfiado, até com a seleção. Pode ser? Eu tenho cinco pontos de análise em relação ao jogo, muitos deles já aqui refletidos. Um, que eu gosto muito, são as estatísticas e tu começaste por aí muito bem. 62% de posse de bola para a Noruega, sete pontapés de canto contra dois, os tais 22 remates contra 12 e remates enquadrados seis contra quatro. Faltou a estatística mais importante, que o Roseiro destacou, que é a questão dos gols, marcámos mais. Eu acho que foi uma seleção crescida, ou seja, adulta, que soube sofrer. Conteve o Félix claramente a subir, já falámos aqui, e o Gonçalo Ramos a aproveitar aquilo que foi, entre aspas, a oportunidade e a ausência do Cristiano Ronaldo. E depois, já também foi aqui destacado, o brinde do guardião norueguês, o Neeland, que acaba por ter sempre impacto para quem marca e também impacto emocional e psicológico para quem sofre. Não gostei de ver o Cristiano Ronaldo a sair de fininho. E daí o Jorge Jesus dizer que o Cristiano não entrou porque o jogo modificou as minhas ideias, palavras dele, o jogo é que dita. E este é o meu quarto ponto. Gostei muito disto, porque finalmente não temos um selecionador em modo Roberto Martins ou Rui Borges, que levam normalmente as substituições feitas ainda aqueles timings. O jogo é que dita e é preciso saber ler. E esta foi talvez das características que eu, enquanto árbitro, quando arbitrava o Jorge Jesus no Belenense e no Braga, etc, todos os tempos, que sentia que era um treinador que de repente, ele próprio, quando substituía, na altura só se fazia três substituições, mexia claramente no jogo. Minha nota de campeão, se me permites, para despacharmos então, é uma nota 16, do pragmatismo e da capacidade que foi Portugal olhar o jogo de outra maneira. Portanto, quando não há a tal nota artística, há pelo menos o pragmatismo de teres um resultado que é positivo e isso deixa-te muito confortável no grupo. E por isso, nota 15 para Portugal, assente naquilo que eu chamo, meio a brincar, a fórmula R. Ou seja, ontem foi noite de Ramos, de Rúben e de Renato, que no meu ponto de vista, esta fórmula R, esteve na base desta vitória.
Muito bem. E Portugal segue na frente deste grupo com seis pontos. A Dinamarca tem três, os mesmos da Noruega, neste grupo A4 da Liga das Nações. Também gostava de falar sobre Vasco Vilaça, que ontem teve uma grande conquista, depois do ouro de Vanessa Fernandes em 2007, volta aqui a repetir uma grande proeza para o desporto português. Não vamos ter tempo, mas deixem aberto para as vossas notas de campeão e vou começar por ti, Bruno Roseiro.
É uma das notas, o 20 para Vasco Vilaça, é uma história que vale a pena conhecer.
Já tinha sido vice-campeão em 2021.
Já tinha sido vice-campeão, já tinha ganho a medalha de bronze e com uma nota que eu continuo muito com esta fisgada. A Vanessa foi campeã mundial em 2007 e foi buscar a prata a Pequim em 2008. O Vasco foi agora campeão mundial, provavelmente em 2027 vai tentar revalidar o título, mas atenção a Los Angeles 2028, que me parece que vai ser o seu grande foco. Destaque também para o Brandon McNulty. Acho que aquela vitória completamente inesperada no Campeonato do Mundo, sem o Pogačar, portanto, uma coisa mais aberta, é também de elogiar. E mais uma nota 20, esta para mim, se calhar, ainda mais imponente, para a Federação Espanhola de Futebol. Quando nós nos lembramos, Federação Espanhola de Futebol, lembramos agosto de 2023, caso Rubiales, toda aquela confusão depois daquele que tinha sido um dos pontos mais altos, que foi o primeiro título mundial da Seleção A Feminina. Ontem, Sub20 venceram também a Coreia do Norte na final do Campeonato do Mundo. São 16 títulos em 10 anos. É um trabalho demasiado bom para passar ao lado sem tentar perceber o que eles fazem de melhor para estar acima de todos os outros. E é um aspeto que eu deixo para reflexão, que é o que a Espanha faz de tão bom no futebol para do Sub17 à Seleção A, seja masculina ou feminina, limpar tudo. Acho que devíamos aprender com isso.
Só notas positivas. Gabriel Alves, não temos muito tempo, vamos acelerar.
Eu vou já dar a resposta ao Bruno Roseiro, que ele focou. O Luis Lafuente deu uma entrevista há poucas horas em que ele fala do desporto de base. É a base, é na base. Tudo acontece a partir do desporto de base. E obviamente, quando eu olho para o Duarte Vilaça, a quem dou 20, porque é de facto fantástico, eu pergunto o que seria se nós tivéssemos um bom desporto de base, onde é que estaríamos? Vou deixar também uma nota 16 para a gestão do Jorge Jesus, no seu global, mas vou deixar um 18 para o jogo Inglaterra-Espanha. Foi um grande jogo de futebol.
Augusto Inácio, para terminar.
Olha, também para o Vasco Vilaça, campeão do mundo, nota 20, como é evidente, mas também queria dar uma menção honrosa para o Ricardo Batista, ficou em terceiro lugar.
É verdade.
E também fez uma grande prova. Mas claramente para a Seleção Nacional, eu ainda há bocadinho quando disse que o jogo ficou partido quando Portugal ganhou 1 x 0, valemos naquela altura as grandes exibições do Rúben Dias e do Renato Veiga, principalmente Renato Veiga, que fez um jogo monstruoso. Por isso, nota 17 para a Seleção Nacional e que continue a crescer neste caminho, acima de tudo, com vitórias, que é o mais importante.
E o "Campeão É" que está de regresso amanhã, depois do Jornal da Uma. Um abraço a todos.