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Voltamos ao minuto 90 na Rádio Observador. Isto porque, João Lourenço, boa noite mais uma vez, há pênaltis para a Suíça. Colômbia, nem o prolongamento.

Nem o prolongamento.

Deu para desenvolver qualquer coisinha.

Eu posso aqui confessar aos nossos ouvintes que estou com uma enorme dificuldade em tentar encontrar a perna e também o jogo desta partida.

Dificultaram-te a vida.

Muito mesmo, porque, por um lado, a seleção da Suíça, neste caso, concretamente os elementos da defesa desta formação helvética tiveram bastante competência ao longo da partida. A destacar Manuel Akanji e também Granit Xhaka e concretamente o guarda-redes, mas vamos lá ver o que é que faz neste três pontapés de pênalti. Mas também dar conta de uma Colômbia que desperdiçou muito durante a partida. Dois lances que me saltam à vista, concretamente ao minuto 63. Oportunidade clamorosa falhada por Luis Javier Suárez, o avançado do Sporting. Tinha tudo para abrir o marcador, mas enviou a bola para um adepto que irá ter esta memória de levar uma bola do Campeonato do Mundo e já no tempo de prolongamento houve também um remate seco, sem qualquer tipo de oposição, neste caso, da defensiva da Suíça, por parte de Hamilton Campaz. A bola voltou a ir para a bancada. Não sei se outro adepto também ficou com esse esférico para recordação. O que é certo é que neste momento, Filipa, vai-se decidir quem bate primeiro, em que baliza é que vão ser convertidas estas grandes penalidades. Por isso, vamos acompanhar a pari passo aquela que é a terceira partida que será decidida na marca dos 11 metros. Recordar que já agora também é a minha terceira vez a fazer pontapés de pênalti neste campeonato.

Olha, é a minha primeira, portanto, vamos ver como é que corre.

Recordar que a primeira vez foi a Alemanha que caiu aos pés de Curaçao, isto ainda nos 16 avos de final. Na mesma noite, ou neste caso, na mesma madrugada, o encontro entre Marrocos e os Países Baixos também apenas foi decidido nesta marca dos 11 metros. Por isso vamos ter que aguardar, Filipa. Tem sido um jogo bastante duro de analisar e acima de tudo muito duro também para as equipas técnicas, que agora certamente vão acumular 120 minutos nas pernas.

Deu muito cansaço.

E quem fica a aplaudir é a Argentina, que já está descansadinha com o seu mate, que é uma bebida tradicionalmente da Argentina.

Já estão todos mais tranquilos.

Certamente com um bom churrasco para assistir esta partida entre a Colômbia e a Suíça.

E enquanto fazemos este compasso de espera, João, aproveito para te perguntar muito rapidamente se isto até agora, este 0 x 0, era um resultado expectável.

Totalmente. Há um equilíbrio em termos de remates à baliza, remates enquadrados, duelos em meio-campo, também as meras cometidas de parte a parte. Foi uma partida muito presa. Foi uma partida que, sinceramente, não sei se todos os telespectadores se aguentaram a ver até o fim.

Sem pelo menos fazer um scroll no telemóvel ao mesmo tempo.

Ou se não mudaram de canal para ver como é que estava a partida. E agora certamente se vão juntar, até porque depois dos pontapés de pênalti, não há mais nada. Por isso, a partir daqui a partida vai certamente estar resolvida, sentenciada, quem é essa equipa que vai passar aos quartos de final.

E que depois vai jogar com a Argentina.

Ou seja, a Argentina certamente já está de cadeirinha a ver quem será o adversário.

Qual é o clube que achas, clube não, a seleção que achas que a Argentina vai preferir?

Acima de tudo porque os pênaltis, na minha opinião, têm duas componentes: a componente técnica e a componente psicológica. A componente técnica, na fase que estas duas equipas chegam, certamente terá sido treinada ou por indicação do respetivo selecionador ou, acima de tudo, no final dos treinos, por brincadeira dos jogadores nos treinos, que querem sempre bater os pontapés de pênalti. Ou seja, estes momentos da partida são certamente treinados. Psicologicamente, é a chamada loteria, porque o cansaço acumula-se, físico e mental. E a esta distância certamente é muito difícil medir.

Uma roleta russa.

Vamos para o primeiro pênalti, Juan Quintero, número 20 da seleção da Colômbia, já se encaminha para a marca dos 11 metros. Tem pela frente Gregor Kobel, o guarda-redes da Suíça. O número 20 da seleção da Tricolor frente ao número um da formação helvética. Parte Quintero para a bola, vai para o remate e muito bem marcado ou, neste caso, muito bem enganado. Quintero bate para o meio da baliza, está feito um a zero.

Começa bem para a Colômbia.

É o primeiro gol da partida, Filipa. Finalmente! Passados 120 minutos e outros pausinhos, está inaugurado o marcador. Quintero, antigo atleta do Porto, faz um a zero na marcação dos pênaltis.

Tenho a confessar que eu passo sempre muito mal a nível de ansiedade com os pênaltis. Seja Portugal, seja o meu clube, seja o que for.

Portugal ontem apenas a decidir nos pênaltis.

Portanto, estou aqui que não me aguento.

Estaremos aqui certamente, neste caso, nos rescaldos daquilo que teria sido um sofrimento coletivo.

Sim.

Mas que também foi, porque Portugal acaba por sofrer.

Sofrer foi outro, exato.

Nos últimos minutos.

Vamos lá.

Vamos para o segundo pênalti, Camilo Vargas entre os postes, vai bater do lado da Suíça, o número 10, Granit Xhaka, o capitão de equipa. Pressão máxima para o atleta helvético vai partir pra bola e quase que defendia, mas é um pênalti que é bem marcado, é certo, mas Camilo Vargas estica-se todo para ainda tentar fechar a baliza da Colômbia. No entanto, a mão direita do guarda-redes do Atlas não foi suficiente. Marca Granit Xhaka 1 x 1.

Eu já estava aqui a achar que tinha sido uma defesa, mas realmente-

Muito bem aplicado o Camilo Vargas, em termos de técnica, defesa de guarda-redes, muito bem concentrado e acima de tudo um bom mergulho, mas que não foi suficiente. Granit Xhaka a marcar, neste caso, a colocar a bola na malha lateral da baliza da Colômbia. Segundo pênalti para a formação tricolor, Gregor Kobel na baliza. Estou a tentar identificar quem é o atleta quem vai marcar, número 23 é Davinson Sánchez. Ele há pouco estava se a queixar do joelho. Vamos lá ver em que condição física é que vai bater este pontapé de pênalti. Vem Davinson Sánchez, ele que neste momento está no campeonato turco. Frente a Gregor Kobel. Já partiu pra bola. Sánchez e bate na barra. É o primeiro percalço destes pontapés de pênalti. É um autêntico míssil do central colombiano, mas que bate no poste superior da baliza de Gregor Kobel.

E não passa a linha.

Não passa, creio eu, e certamente não. É mesmo em cima da linha. Sufrimento até o fim. Os nossos ouvintes certamente devem saber as regras. A bola para considerar golo tem que passar a linha na totalidade, o que não foi o caso, e Davinson Sánchez atira as mãos à cabeça. Há aqui uma janela de oportunidade pra Suíça.

Vamos ver o que é que vai sair daqui. Olha, também o número 23.

Vamos lá ver se o 23 não é um número de azar e é o antigo avançado do Benfica, Zeqiri, para bater este pênalti frente a Camilo Vargas. Há pouco adivinhou um lado, vamos ver se consegue efetivar essa defesa e tentar manter o 1 x 1. Bate Zeqiri, agora aqui um percalço, porque ele faz aqui uma paradinha, mas é muito bem marcado por Zeqiri. 2 x1, vantagem pra Suíça. Bola por um lado, o guarda-redes-

Para o outro

Para o outro, como manda a lei. Muitos adeptos não gostam desse tipo de paradinhas, parece que os deixam mais ansiosos. Sim, é uma coisa. Certamente os adeptos agora pegam em tudo.

Sim, é verdade. Também é verdade.

Sim.

E nisto a Suíça vai à frente.

Vai à frente.

Dois pênaltis marcados, Colômbia apenas um.

Mérito para Xhaka, mérito para Zeqiri. E agora Campaz tem essa oportunidade para se remediar de um falhanço de todo o tamanho já neste período do prolongamento. Campaz, número 21, frente a Kobel. Já vai partir e ui, ui, ui. Eu arrisco-me a dizer que é mal marcado, mas também é muito mal defendido por Kobel.

Os pênaltis hoje estão... Nem tenho palavras para descrever.

Tentar descrever acima de tudo aquilo que foi um lance, Filipa, porque Campaz bate para a meia esquerda da baliza de Kobel. O guarda-redes suíço defende, neste caso, adivinha um lado, mas é um mergulho muito esticado e a bola passa por baixo.

Sai pelos braços.

Por baixo do corpo, por baixo do tronco. É certamente um lance que Kobel deve estar a roer as unhas por não ter defendido.

Certeza.

Na marca dos 11 metros, já está outro central, Manuel Akanji. O central dos quadros, creio eu, já passou pelo Manchester City. Vamos ver o que é que Manuel Akanji faz neste pênalti. Bate pra bola o número cinco e falhou!

E passa por cima da baliza.

Eu sei que Manuel Akanji muitas vezes consegue ver nestes estádios partidas de NFL. Akanji, não é rugby, não é futebol americano. A bola passa autenticamente por cima.

É que não foi um bocadinho acima.

Da baliza do Camilo Vargas. Isto se fosse NFL era um grande ponto, era mais um ponto no marcador. Não é. E por isso, Filipa, mantém-se o 2 x 2 no marcador.

Continuamos a fazer-

Eu sinceramente, eu acho que ninguém quer inventar a Argentina.

Estão todos a querer fugir.

Devem ter gasto o saldo todo em hotelaria, por isso já ninguém tem dinheiro pra se manter mais nos Estados Unidos.

Agora lá vai a Colômbia.

Lá vem a Colômbia. É o número 19 e é uma grande defesa de Gregor Kobel. Mais uma defesa, desta vez conseguiu certamente remediar aquela defesa incompleta que fez. É Hernández, número 19, que falha este pontapé de pênalti. Cucho Hernández, o avançado do Betis, que bate um pênalti que também posso dizer que foi bem marcado, Filipa, mas novamente Kobel consegue fazer um movimento exemplar naquilo que é a manobra dos guarda-redes. Esférico batido pra direita e grande defesa de Gregor Kobel novamente. É a Suíça que se pode colocar em vantagem nesta quarta ronda de grandes penalidades. Vem a Suíça, já na marca dos 11 metros. É o número 26, estou tentar identificar enquanto ele já encaminha, Cedric Itten. Cedric Itten vai bater neste pênalti que é muito bem marcado. Muito bem marcado, Cedric Itten. Coloca a Suíça na frente deste marcador, a quarta ronda, ou seja, Filipa, se a Colômbia falhar, vai para casa. Mais cedo, vai para casa.

Vai a Suíça.

Há que dizer que se a Colômbia falhar, são as três equipas do grupo K, o grupo Portugal, que ficam totalmente arrumadas. Gregor Itten, que bate para o centro da baliza, mas que neste caso Camilo Vargas faz outro mergulho para a direita, não adivinhou o lado. Luis Díaz, o craque desta seleção.

Que deve estar cheio de nervos.

Que já teve carreira no Futebol Clube do Porto, no Bayern de Munique, é onde ele está, com passagens por Liverpool. É a figura desta seleção. É quase como o avô de família desta formação tricolor. Concentração máxima para o camisola sete. Bate Luis Díaz, paradinha, muito bem marcado. Muito bem marcado por Luis Díaz, bola para um lado, o guarda-redes para o outro. É um esférico que vai para o lado esquerdo, Cobal não adivinha o lado. Luis Díaz faz uma espécie de paradinha dentro das leis, até porque agora a FIFA repreende muito esse tipo de paradas na corrida para os 11 metros. Muito bem marcado por Luis Díaz. Neste momento, a Suíça pode marcar e marcando, vai para os quartos de final deste Campeonato do Mundo. Número 17, Ruben Vargas. Pode dar aqui um passo de gigante, certamente fazer história para a Suíça. Eles que até este Campeonato do Mundo nunca tinham vencido uma partida a eliminar de uma fase final de um Campeonato do Mundo. Isto não era moderno na altura, eles passaram, mas não havia ainda a fase de grupos. Por isso, Ruben Vargas tem aqui o ouro da Suíça nas mãos. Parte Ruben Vargas, já vai para a área! Suíça! Está nos quartos de final do Campeonato do Mundo. Ruben Vargas é o herói desta Suíça, consegue colocar a seleção helvética na próxima fase do Campeonato do Mundo, Filipa.

E faz-se a festa, naturalmente.

Suíça contra Argentina. Está marcado para os quartos de final. É festa enorme da seleção europeia. Desilusão natural na cara dos atletas da Colômbia. A Colômbia que até teve mais oportunidades, mas na hora H, falhou. E por isso, Ruben Vargas, e já com algum tempo que nos resta ainda até ao noticiário da meia-noite, para mim, e porque é o herói, é a pérola desta partida. Ruben Vargas, que começou do banco, entrou ao minuto 90 mais dois, já a pensar, não sei se só no prolongamento, mas quem sabe nos pênaltis. Estamos a aguardar as declarações de Muraki Aki na conferência de imprensa. Ruben Vargas, que foi titular na última partida, foi rebaixado ao banco neste jogo, é a pérola porque marca o pênalti decisivo.

E vamos já continuar com esta parte da crônica, João, já sabemos qual é a tua pérola. Quero saber qual é o teu joker.

Vou entregar ao Gregor Cobal. Mais uma vez, eu disse aos nossos ouvintes que estava a ser muito difícil escolher a pérola e o joker destas partidas, por isso acho de inteira justiça atribuir a quem foi decisivo nestes pontapés de pênalti. Gregor Cobal foi um desses. Um guarda-redes muito experiente da seleção da Suíça. Eu estou a tentar aqui captar os números deles, porque neste momento é o guarda-redes do Dortmund, 28 anos, 20 internacionalizações. É alguém que está no principal patamar do futebol do velho continente e consegue dar esta segurança à Suíça, não só nos 90 minutos, não só nos 120 minutos, mas concretamente e crucialmente nestes pontapés de pênalti. Em termos técnicos, mergulhos muito bem feitos por parte de Gregor Cobal, mesmo quando não adivinhava os lados, se o esférico fosse para o canto da baliza, certamente seria das mãos de Gregor Cobal. Boa exibição, certamente será um ponto seguro naquilo que será a próxima partida frente à Argentina.

Passamos à sentença, o que é que fica do jogo para o futuro?

Fica uma Suíça super motivada, porque elimina uma Colômbia que poderia ter aqui um favoritismo ligeiro na partida pelo coletivo, pelas individualidades, como o caso de Luis Díaz, caso de Abison Sánchez, o caso de James Rodríguez, que há pouco na crônica da Argentina-Egito, estava a dizer que estava um pouco melancólico, porque havia muitos jogadores da minha infância, da nossa geração, que eu via e cresci a ver jogar, concretamente o James, que deu o salto para a Europa pela mão do Futebol Clube do Porto e que grandes exibições fazia de dragão ao peito, dizer isso. E deu o salto para o Real Madrid, andou pelo Mônaco, foi companheiro de equipa do Cristiano Ronaldo. E certamente deve ter sido o último mundial deste craque, mas voltando à sentença e voltando à Suíça, é uma seleção super moralizada por estar a fazer história, mas também é uma seleção que já não vai dever nada à história, porque já conseguiu este feito histórico. Mas perante uma Argentina que treme Frente a Cabo Verde, que treme e se treme frente ao Egito, quem sabe se à terceira é de vez e a Suíça pode surpreender verdadeiramente os campeões do mundo. Surpreendeu a Colômbia e já agora dizer aqui um pequeno facto, porque a Suíça então prossegue caminho. Suíça, França, Espanha, Bélgica. Estou certamente a esquecer de outro. França, Espanha, Bélgica e Suíça. Não falta nenhuma, são quatro as seleções europeias que continuam em prova. Neste caso, o continente mais representado do mundo e por isso, sendo Portugal da UEFA e sendo Portugal uma seleção europeia, é sinal que as seleções europeias continuam na moda. Vamos lá ver se conseguem trazer o mundial para casa.

Vamos fechar com a mentira. O que é que aconteceu que não deveria ter acontecido, ou podemos dizer, o vilão desta partida?

O vilão foi a falta de gols.

Isso foi com certeza.

Foram 120 minutos. Parecia que alguém informou estas duas seleções: "Olha, joguem, divirtam-se, aproveitem, estão num campeonato do mundo. Quanto a remates, estavam ali: "É pá, isso logo se vê".

Logo se vê.

Logo se vê nos pênaltis. Principalmente a seleção da Colômbia, que não conseguiu faturar e teve oportunidades para isso. O futebol é gols e a falta deles faz-me falta a mim, faz-me falta a todos, e faz falta a um campeonato do mundo que já teve grandes gols. Tivemos gols nos pênaltis, mal fatto. Mas pronto, fica a mentira porque não houve gols. Eu gosto de gols, por isso.

É isso mesmo.

É isso.

"Minuto 90" com o João Lourenço, Suíça, Colômbia, tudo decidido nos pênaltis. A Suíça passa para os quartos de final. João, está feito.

Sim.

Este "Minuto 90".