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Estes são os Momentos de Glória.

Nos Momentos da Glória, o mercado de trabalho não está fácil, ou até está, visto que a taxa de desemprego é muito baixa, só que há profissões tramadas.

Eu genuinamente adorava saber what it takes to be a model em Portugal. Porque imaginem, eu sinto que já ando a tentar ser modelo desde os 17 anos em Portugal e nothing has ever worked out for me. Eu fiz para aí, mano, 100 € ao todo da minha vida, com a minha imagem, fiz 100 €. And that's not okay.

Não.

That's not okay.

That's not okay. Nada okay.

Ali o "mano" que se atrapalhou, devia ter sido bro.

Bro, oh, man. 100 € como modelo é muito pouco, é muito pouco até engomar a roupa. Eu na raspadinha já ganhei mais do que isso.

Eu gasto todo o meu dinheiro na minha beleza and I feel like it should be returned. I don't know if this seems conceited or not, mas I am, I think I'm the shit, and I think I have reasons to think I'm the shit. Por que ninguém me contrata para nada?

Porque é que ela vai alternando entre o português e o inglês?

Eu sou. Não sei, Luís.

My God.

I don't know.

Não, falta falar deste tema, que é o retorno do investimento das pessoas em maquiagem.

Ora aí está. Mas eu também investi muito no futebol.

Bué.

Bué guito. Comprei chuteiras, até um equipamento. Comprei uma Louis Vuitton na feira, como qualquer bom jogador.

E não foste de carrinha para o treino.

E não fui de carrinha para os treinos, fui no meu Lamborghini, mas nenhum clube me contratou. Man.

What's going on?

My God, that's amazing.

Amazing. Este hábito de falar português e inglês ao mesmo tempo também pode dificultar a vida perante potenciais empregadores.

E depois imaginem, eu sempre tive em agências e sempre fui a castings, mas não vou a muitos, porque também não me mandam muita cena, mas eu nunca fiquei em nada, fiquei em dois.

Eu sempre fui a castings, mas não vou a muitos. Nunca fiquei em nada, fiquei em dois. E depois é tramado quando as nossas melhores qualidades não são devidamente apreciadas.

And it's like, I don't know, what else can I do para vingar nessa área? Depois eu sinto que não há mercado para o meu tipo de beleza. Eu sinto que o meu tipo de beleza é convencional, Victoria's Secret Angel, estão a perceber? E em Portugal parece que não há muito mercado para isso. Há mais para se fores super tall e uma beleza more otherworldly type shit, ou então há for commercials, regular people for commercials.

Ela encaixa em vários tipos. Ela doesn't fit. As agências querem otherworldly or regular people for commercials. E ninguém quer Victoria's Secret's futuristic angels. Uma pessoa até começa a duvidar da sua própria beleza, ou não.

I genuinely don't know. Eu começo a achar que sou feia, honestamente. Mentira.

Don't do that.

Não, mas como deser, está aqui uma carreira.

Está espetacular, aliás, como vimos, preencheu aqui o Momentos de Glória praticamente todo. Mas o que é preciso é autoconfiança, como vimos no caso de João Neves. Autoconfiança. E por falar em auto.

Quero fazer uma pergunta genuína do fundo do meu coração, porque preciso mesmo de perceber. Cada vez mais andamos na rua e vemos carrões. Carrões! Olhem, eu hoje passei por uma miúda, parecia novíssima, estava num Porsche Cayenne incrível, grande carro, lindo de morrer, está tudo bem. Grandes Mercedes, grandes Audis. Mas depois vamos ver o valor desses carros, porque gostamos. Vamos ver, sei lá quanto mil, 60 mil, 80 mil e não sei o quê.

60 mil, 80 mil.

E não sei o quê.

E de onde é que vêm estes carrões todos?

O que as pessoas fazem para ter estes carros? Eu gosto tanto do meu, estou muito contentinha com o meu. Comprei-o pronto, é usado, em segunda mão, é antigo e mesmo assim eu rezo a Deus para ele não ter nenhuma avaria, porque isso me vai ter um peso grande. O que as pessoas fazem para ter tão e brutais carrões? Uma grande perfeição.

São modelos.

São modelos. Ganham 100 €. 100 € numa carreira. Este é um daqueles mistérios.

You're so funny, Paulo. You're gorgeous.

Amazing. Este é aquele mistério do Triângulo das Bermudas, só que aqui em vez de desaparecerem aviões, aparecem carrões. Mas querem saber o que as pessoas fazem para ter carrões? Miguel Milhão explica.

Eu venho de uma família onde o meu pai era pequeno empresário.

Foi crescendo?

Não, não foi crescendo. Eu fiquei estimulado pelo negócio desde os 14 anos e fui-me interessando pelo tema. E depois o meu pai deu-me capital para eu tentar fazer o meu próprio negócio. Ou seja, eu acabei por ser um bocado herdeiro.

Ora esta.

Mas estimulado.

É, sim, estimulado.

Muita proteína ali.

No fundo, como dizia o outro, a única maneira de chegar ao fim da vida com uma pequena fortuna, é começar com uma grande fortuna.