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Momentos de glória.

Vamos lá, então.

Bora lá, Paulo.

Então vamos.

Vamos lá. O problema da habitação não faz discriminações. Há quem sofra porque não tem casa e há quem sofra porque tem casa. É o caso de Salvador Sobral.

Eu sou privilegiado, Mário, tu sabes. Eu trabalho, tenho dinheiro. Tenho a sorte, muito por causa da Eurovisão, de ter uma carreira internacional que me permite ganhar dinheiro e viver daquilo que eu gosto. E o meu grupo de amigos catalães também tem essa sorte, também trabalham e têm, às vezes, rendas mais antigas ou casas próprias dos pais, porque nós ainda somos da geração que os pais compravam casa.

E Salvador anda claramente a sofrer pelos dois.

E o mais irônico de tudo é que eu sou senhorio aqui em Lisboa, porque eu comprei, pensava que ia viver aqui para sempre e sou inquilino lá. Então está tudo misturado.

Entre as duas candidatas.

Exato. Parece que é o meu interesse, mas como dizia o outro: "Eu não voto pelos meus interesses, eu voto pelos meus princípios". Não sei se foste tu que me disseste isso, mas alguém me disse isso um dia que eu marquei para sempre. E eu tento cobrar uma renda aqui em Lisboa muito mais democrática do que o resto, do que se passa aí no centro de Lisboa. E lá é verdade que eu pago uma renda que não é uma renda normal. Eu acho que é muito mais inflacionada do que era há uns anos, até porque havia um amigo meu que vivia lá quando eu vivi lá em 2011. Eu sei o quanto é que valia a renda antes. Portanto, tudo isto na minha cabeça causa-me tantos conflitos, muitos conflitos que eu tenho comigo mesmo, com a minha posição privilegiada. Enfim, é muito difícil ser socialista.

É muito difícil isto.

Ser inquilino e proprietário é difícil.

É horrível. É a Olívia patroa e a Olívia empregada.

Mas calma, que nestes momentos de sofrimento há sempre uma mão amiga. Rui Rocha faz aqui um apelo público.

Olá, malta. Hoje preciso vos pedir um grande favor. E peço desculpa até por estar a usar as minhas redes para isto, mas não é para mim, é para o Salvador Sobral. O que é que aconteceu? Salvador Sobral, pelos vistos, aqui há uns anos, comprou um apartamento em Lisboa, mas depois decidiu ir viver para Barcelona. E o que ele fez? Aí é que foi a asneira grande. Ele arrendou o seu apartamento, de que é proprietário em Lisboa, a uma pessoa. E o que é que se passa então? Ele está agora num grande sofrimento. Vocês já sabem que ele tinha tido aquele problema de voltar ao Spotify, o que para um socialista já é causa de grande sofrimento. Agora imaginem como ele está sendo proprietário, um socialista proprietário. Vejam bem, isso causa-lhe um sofrimento enorme. E portanto, eu não sei quem é o inquilino do Salvador Sobral. Se vocês conhecerem, peçam ao inquilino do Salvador Sobral um grande favor: ele que deixe de pagar a renda, que ajude o Salvador Sobral a encarar e a resolver este sofrimento que lhe está a causar na sua pele de socialista, o facto de ser proprietário. Malta, ajudem aí, localizem o inquilino e ele que deixe de pagar. Já agora, também, tenho a certeza que sendo o Salvador Sobral socialista, nem sequer vai acionar o despejo do imóvel. Ajudem, malta, que é por uma boa causa. Vamos lá.

Pronto, fica aqui o apelo a esse inquilino. É por uma boa causa. O protesto que está nas ruas é supostamente sobre a habitação, mas sabemos que a rua é uma casa grande, onde cabem todas as causas e à cabeça, obviamente, o programa do costume.

Precisamos de criar associações de moradores para tomarem conta das casas. Precisamos que as pessoas decidam o destino da sua habitação e precisamos que os trabalhadores tenham acesso direto aos meios de produção. Um programa comunista que atenda às necessidades de todos, derrubando o capital.

Paulo, deixa-me só dizer: trazeres sons de 1975 para este programa não acho que esteja bem.

Fomos à RTP Memória buscar estas coisas. Depois há outro, este não é tão de 75, há outro tema também relacionado. Tem tudo a ver com a habitação, que tem aparecido muito por aí.

Abaixo o sionismo, vai cair, vai cair. Abaixo o sionismo, vai cair, vai cair. E viva a Palestina, a resistir, a resistir. E viva a Palestina, a resistir, a resistir.

Israel e Palestina, não podia faltar. E na Praça Dom João I, no centro do protesto no Porto, aparecem ali vários problemas.

Dizem que eu sou esquizofrênica agora, obrigam-me a tomar injeções, porque dizem que eu tenho esquizofrenia. De repente, passei a ser esquizofrênica. Irão obrigar-me a tomar, como chamaram a polícia para me darem uma injeção. Agora em outubro, irei tomar a segunda injeção, porque dizem que eu fiquei esquizofrênica. Ou seja, eu ouço discursos de todas nós que estamos aqui, que somos todas esquizofrênicas. O que me está a acontecer a mim pode acontecer a qualquer pessoa. Por isso, peço a pessoas decentes da área da psiquiatria para virem nos ajudar, porque precisamos de relatórios médicos.

Não sei se as pessoas da psiquiatria já foram lá ajudar, mas nestas coisas há sempre o risco dos diretos.

Eu vou tentar aqui a minha sorte. Olá, boa tarde, em direto para a SIC. Por que decidiu juntar-se a este movimento?

Porque o Luís Montenegro, primeiramente, tem que ir para o porque é uma falta de respeito aquilo que ele está a fazer ao povo. Não está em direto? Dá para cortar?

Está em direto.

É uma palhaçada.

Estava em direto, claro. E é uma palhaçada, de facto. E por falar nisso, em palhaçada, o tema chegou ao Parlamento pela voz de quem? Do Chega, claro. Ex-deputado Rui Cardoso.

Vejam bem, veja bem o país, quem é que são os manifestantes que lá estão a protestar. Têm mesmo ar de quem se levanta às 06:00 para trabalhar todos os dias. Têm mesmo ar de quem trabalha por turnos, têm mesmo ar de quem se levanta para trabalhar no campo. Quem protesta às 3:00, ao dia de semana, não trabalha, não faz nada.

Nestas coisas, o deputado Rui Cardoso não se deixa enganar. Ele vai lá pelos sentidos. Primeiro pela visão, como vimos, mas também pelo olfato.

Estes manifestantes, senhores deputados, não precisam de habitação. Quando muito, precisam de um xampú e precisam de tomar banho. Isso é que eles precisavam muitas vezes.

E pronto, está feita a análise ao problema da habitação.