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Vamos lá então. Parece que o debate quinzenal que ocorreu sexta-feira não se realizou no Parlamento.

Ah, não?

Não, mas foi na escola de dança Alunos de Apolo.

Senhor Deputado Paulo Raimundo.

O senhor Primeiro-Ministro, com toda a franqueza e com todo o respeitabilidade, o senhor Primeiro-Ministro é um verdadeiro bailarino. Já sabíamos, tinha dotes de bailarino a dançar a dois. Também já sei que tem dotes de bailarino a dançar a três.

Dançar a três.

É difícil a três.

É difícil, mas olhe, Luís Montenegro é muito modesto nestas matérias.

Senhor Primeiro-Ministro.

Muito obrigado, senhor Presidente, senhor Deputado Paulo Raimundo, se há coisa para a qual não tenho jeitinho nenhum é para dançar.

Pronto, esqueçam isso da dança.

Modéstia.

Mas Paulo Raimundo estava mesmo muito generoso com o que ele disse.

Deputado Paulo Raimundo.

Senhor Primeiro-Ministro, não minimize os seus dotes de bailarino, porque, de facto, tem-se demonstrado aqui nesta casa.

É uma boa dança aqui entre os dois.

Sim.

Quem é que tinha que se meter na dança para passar uma dança a três? Hugo Soares.

Senhoras e senhores membros do Governo, senhor Primeiro-Ministro, eu começaria por dizer, já agora, ao senhor Deputado Paulo Raimundo. O senhor Primeiro-Ministro acabou de dizer que não tinha grande jeito para dançar, mas eu quero deixar descansado. Se houve governo que deu um grande baile aos portugueses, foi o governo apoiado por Vossa Excelência, foi o governo da Geringonça durante oito anos em Portugal. Esse, sim, deu um grande baile aos portugueses.

Ora bem, Paulo Núncio viu isto tudo, obviamente o CDS não quis ficar atrás, e preparou-se, mas ele aqui preparou-se logo para mudar de tema.

Senhoras e senhores deputados, senhor Primeiro-Ministro, para quem não sabe dançar, está a dar um grande baile às oposições neste debate. Um grande baile. Senhor Primeiro-Ministro, já tinha saudades de lhe dizer isto: temos novamente um bom orçamento de Estado para 2027.

Ora bem, cá está a dica. Temos um bom orçamento com esta deixa, que o Paulo Núncio fez ali a passagem das artes da dança para outra arte muito importante, que é a astrologia.

Parece que há quem esteja tão desesperado para aparecer que vem a terreiro para prevenir a desgraça das contas públicas. E eu não resisto. É o caso de um recente consultor de uma empresa espanhola de seguros e pensões. E, de facto, de pensões ele sabe muito, principalmente de reformas antecipadas, porque conseguiu, sabe-se lá como, obter a sua reforma aos 59 anos e uma reforma choruda. Eis que o reformado e pensionista Mário Centeno vem dizer que o diabo vem aí. O mesmo que falhou todas as previsões nos últimos anos e o mesmo que, como bom socialista, omitiu na sua análise os anos negros da bancarrota do governo José Sócrates. E, por isso, senhor Primeiro-Ministro, eu faço-lhe a pergunta: como é que o Governo responde a estes aprendizes do professor Chibanga, que não acertaram uma previsão nos últimos anos e que se armam agora em comentadores independentes?

Espera aí, mas o Chibanga não era toureiro?

Acho que havia um Chibanga toureiro também. Mas depois houve outro Chibanga. Isto tem quase 20 anos. Houve outro Chibanga dos Gato Fedorento. Vamos recuar.

Boa noite. Estamos aqui em direto do consultório do professor Chibanga, que nos vai fazer algumas previsões para 2007. Não é assim, professor? Não, professor Chibanga não faz previsão para 2007, só faz previsão para 2070. Por quê, professor? Porque em 2070 já não está cá ninguém para ver se era verdade ou mentira e é mais difícil chatear e processar professor Chibanga.

Ora bem, cá está, ficamos a saber aqui há umas semanas que a traição é uma coisa que serve fria. Mas nunca se esqueçam, de facto, nestas conversas, dos telhados de vidro também.

Quando pensares que o teu telhado é de vidro, antes de mandares a pedra, pensa que o telha-- espera aí, li mal. Quando tu achares que o teu telhado é todo de vidro, quando tu achares que o teu telhado tiver uma pedra, pensa, porque pedras, há muitas. É como o chapéu. Como o chapéu.