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Começa agora mais um Momentos de Glória. Paulo Ferreira?

Hoje há um tema: jornalistas chatos como tudo. Conhecem algum?

Quando é que vamos embora? Isto não tem fim hoje.

Têm a mania de fazer perguntas que incomodam até o mais pacato e bondoso dos entrevistados, autênticos escoteiros. André Ventura é um desses pacatos entrevistados e na resposta é um especialista naquela modalidade de tiro ao mensageiro. E na noite de quarta-feira deu mais um exemplo disso na entrevista à RTP. Perante os dados das eleições, a pergunta é: como é que Ventura reclama ser o líder da direita?

Desculpe lá, eu obtive menos gente e o senhor está a me dizer que o Chega apesar de ter subido a porcentagem, teve menos votos.

Teve menos 112 mil votos.

Mas quantas pessoas votaram menos? Por amor de Deus, deixem de enganar as pessoas. Façam um jornalismo sério. Vítor, desculpe lá, eu sei que custou ao país ver este resultado no domingo. Eu sei que custou. Mas é a vida.

Mas eu estava a perguntar como é que daquele resultado o senhor retira que é o líder da direita.

Nós tivemos 23,5%. Eu tive mais 900 mil votos do que nas últimas presidenciais. O senhor está a me perguntar se eu sou o líder da direita?

Está a perguntar, estão estes jornalistas a fazer perguntas.

Está a perguntar, basta.

Perguntas. Obviamente que este tipo de abordagem a perguntas incômodas aviva a nossa memória. Que outro político costuma indignar-se também bastante com algumas perguntas?

No ativo?

O senhor vive, como é que o senhor paga as suas despesas?

Isso é uma coisa inacreditável, que me pergunte isso. Talvez a resposta fosse mesmo dizer: "Desculpe lá, e o que o senhor tem a ver com isso? O que o senhor tem a ver com isso, Vítor Gonçalves?" Isso é uma pergunta de um jornalista? Como é que paga? É a pergunta do Correio da Manhã? É a pergunta típica do Correio da Manhã.

O Vítor Gonçalves.

Eu noto aqui uma tônica comum exatamente no Vítor Gonçalves.

Exato. Bom, mas deixando agora a árvore e olhando para a floresta, deixando o caso concreto, Ventura faz a sua avaliação ao jornalismo que é feito de uma forma genérica.

Dói-vos? Aceitem que dói menos. É como se costuma dizer, a vida é assim. Agora, deixem de fazer ativismo, passem a fazer jornalismo.

Deixem de ser ativistas. Tenham respeitinho, porque eu sou candidato.

Vítor, desculpe lá, chegou o tempo em que um candidato presidencial tem que dizer que o país está farto do vosso jornalismo. Desculpem lá, dizer isto assim, acho que já chega.

Eu não vou responder.

Eu não estou aqui para responder, eu estou a dar a minha opinião. Desculpe lá, eu sou candidato presidencial, tenho direito a ela, mesmo que a RTP não goste.

Mesmo que não fosse candidato presidencial, tinha direito a sua opinião.

Mas acho que representando mais de um milhão e meio de cidadãos, acho que tenho direito a dá-la e vocês também têm que ouvir.

Vamos voltar a outro animal feroz. Descubram aqui as diferenças.

E, portanto, o Estado agora, vocês jornalistas vêm me perguntar sobre delongas, sobre manobras dilatórias? Por amor de Deus!

Já que falamos de tempo.

Os subsídios que têm atrasado também.

Não, não têm, não é verdade isso. Vocês deviam ser um bocadinho justos. Por uma vez, fazerem um pouco de justiça. Isso não é verdade, repare.

Façam jornalismo justo, quer dizer, façam jornalismo correto, basicamente. Isto é assim. Bom, mas quando se trata de indignação com perguntas de jornalistas, António Costa continua a levar a taça. Temos que recordar aquele clássico que já leva mais de 10 anos.

Não faço.

Doutor António Costa, boa tarde. O primeiro-ministro deve pedir desculpa aos portugueses.

Desculpe lá, boa tarde.

Mas não percebe que o cidadão comum se sente indignado, doutor António Costa?

Acha normal me apanhar no meio da rua? Desculpa, não...

Estou a confrontá-lo com uma questão que está a marcar a atualidade.

Desculpa, não me vem confrontar com nada que eu estou a ir para o meu carro e não vai falar. Está bem.

O senhor não quer fazer declarações sobre esta matéria. Fará numa oportunidade posterior? Percebe que eu lhe faço esta questão, doutor António Costa, que é uma questão que preocupa as pessoas.

Desculpe lá, a senhora não pode aparecer atrás de um carro a fazer-me perguntas. Quando a senhora quiser falar comigo, marque uma entrevista e eu dou-lhe uma entrevista, está bem? Acha normal.

Mas não percebe que eu lhe faço uma questão sobre um assunto que está a marcar a atualidade?

O que eu não percebo é que estou eu a ir para o carro e a senhora aparece-me inopinadamente a fazer perguntas e o seu colega a filmar para pôr logo no telejornal. Boa tarde.

Posso cumprimentá-lo? Ainda se lembra de mim do Procopio?

Isto é um transum.

Isto é um transum.

Que aparece ali.

Eles podem saltar inopinadamente detrás de carros.

A falar de Procopio.

A taça vai para a Débora Henriques.

A Débora Henriques que esteve ali de microfone na mão e inopinadamente saltou detrás do carro.

Uma emboscada, isso é uma autêntica emboscada.

Isto continua muito bom. Bom, esta segunda volta vai ser animada, já sabemos. E Francisco Gomes do Chega tem aqui um bom ponto. Isto pode ser uma espécie de balbúrdia no zoo.

E até arrisco-me a dizer o seguinte: se a eleição fosse entre André Ventura e um hipopótamo amestrado, o PS e o PSD iam recomendar aos portugueses o voto no hipopótamo amestrado.

Hipopótamo amestrado, atenção, é importante. Também aqui é importante ir aos clássicos. Cristina Rodrigues, do Chega, recordava em dezembro, há pouco tempo, uma previsão feita já nesta corrida presidencial por Catarina Martins.

Catarina Martins disse recentemente que na segunda volta até o rato Mickey ganharia a André Ventura. E eu acho que é ridículo, de alguma forma, fazer esta menção uma pessoa que à partida acho que ainda nem sequer reuniu todas as assinaturas para poder ser candidata.

Já reuniu entretanto, sabemos disso. Catarina Martins foi candidata, mas esta comparação, de facto, não saiu bem. Depois do resultado de domingo ficamos na dúvida sobre quem é que o rato Mickey podia derrubar, de certeza.