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Passamos de uma música de um filme, dos Momentos de Glória, para outra música que toda a gente conhece: "Singing in the Rain", Gene Kelly, do filme Serenata à Chuva. Mas em Oeiras é diferente, não se dança à chuva, trabalha-se à chuva torrencial.

Uma situação absolutamente surpreendente. Chove torrencialmente em Oeiras e eu tenho aqui dois operários que os vi, apesar da chuva torrencial, não é que se mantêm a trabalhar?

Diabo, são

Estamos a ouvir esse fundo aqui, Oliveira.

Pois é, é o same shine. A música vem aí, depois da chuva.

Extraordinário. Chove e trabalha-se.

E trabalha. Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, gosta muito de andar pelas ruas do município e faz muito bem. E ao ver dois funcionários da Câmara a trabalhar à chuva, foi perceber o que se passava ali. A trabalhar à chuva?

Pessoal, digam-me lá. Vocês, cobram lá. Digam-me lá, vocês estão a trabalhar com esta chuva toda?

Então, temos que limpar as sarjetas.

Ah, limpar as sarjetas. Mas chove muito.

Pois, eu sei. Já tivemos no São João.

Eu já me sumi disso. Pois é, eu por acaso estava a sentir aqui qualquer coisa. "Isto é capaz de ser chuva", pensei eu. Disse eu para o meu colega. Limpar as sarjetas. Isto é estranho.

Vou vos dizer uma coisa. Eu estou encantado convosco.

Obrigada.

Eu sei que vocês são excelentes. Olhem, deixem aqui o marco aqui, Oeiras Valley. Olhem aqui. Parabéns.

Obrigada.

Assim os cidadãos sabem que podem estar tranquilos.

Muito tranquilos. Isaltino fica encantado, pede para filmar o símbolo da Oeiras Valley, que é o símbolo do município, que é para ninguém pensar que isto era os ladrões do Louvre disfarçados e que andavam a roubar tampas de esgoto. Mas vamos lá perceber porque é que os operários, como Isaltino lhes chama da primeira vez, estavam a limpar as sarjetas depois de começar a chover torrencialmente. Isaltino explica.

Mas a verdade é que a chuva muitas vezes arrasta determinados detritos, até as folhas das árvores, porque agora estamos no outono, e naturalmente que limpa-se a sarjeta, mas se for preciso meia hora depois a sarjeta está outra vez entupida com os detritos que vieram.

Os distritos. Vieram distritos.

Quando se juntam os distritos.

Primeiro os municípios, depois os distritos e um dia vêm os países por aí abaixo. Lembram-se no outro dia, Isaltino, numa entrevista, quando houve aquele problema na rotunda, acho que foi ou no mesmo dia ou no dia a seguir, ele avisou que a água vinha de Sintra. Sintra não é distrito, é outro município, também foi arrastado para cima.

É sempre a descer até ao mar.

É sempre. É geografia. Podia vir o furacão Melissa que os funcionários da Câmara de Oeiras estariam a limpar sarjetas. Bem-hajam. Isaltino, esse é que não podia ficar mesmo mais tempo.

Mas eu tenho que fugir daqui que está a chover cada vez mais. Vamos embora.

"Vamos fugir daqui, eu tenho que ir embora que isto está a chover cada vez mais". Isaltino viu os funcionários, foi falar com eles, percebeu o que eles estavam ali a fazer, tentou chegar a uma conclusão.

Explicou a técnica.

Explicou o que se passa aqui. Quando chove, as sarjetas entopem com as folhas, com os detritos que são arrastados pela chuva e então é preciso novamente limpar. E estão lá os funcionários da Câmara de Oeiras para limpar à chuva ou ao sol. São os maiores.

É assim que se chega a 60 e tal por cento nas eleições.

É assim, à chuva ou ao sol.

Também.

Andar à chuva. Mas Isaltino anda à chuva e não se molha.

Se calhar não molha porque tinha de ir embora.

Não se molha. Tinha lá o senhor com o guarda-chuva. Nós não podemos ver na rádio, mas estava um assessor a segurar um guarda-chuva estoicamente, a aguentar ali.

Porque alguém tinha de filmar.

Claro, senão molhava e estragava o telemóvel. Ontem falámos aqui do Prata Rock Gate. O socialista abandonou um debate na Sic Notícias, em que do outro lado estava Rodrigo Tasha, do Chega, e diz-se por aí que combinaram resolver as coisas às 18h no portão da escola, não? Pronto. Não, mas parece que já houve novidades, houve desenvolvimentos e está tudo bem. Vão fazer as pazes.

Não interrompi o meu oponente uma única vez, mesmo depois de nos chamar tudo aquilo que quis. E coitadinho do menino, quando eu respondi, rabinho entre as pernas e fugiu para casa. Comprem lá um biberão e uma chucha, e se souberem onde o menino está, enviem para ele mamar na chuchazinha, está bem? Miguel, um abraço. Cresce e aparece. Não faças posts no teu Instagram e enfrenta as pessoas, cobardolas.

Nível. Isto é claro. Isto não estão a fazer as pazes, não. Isto está a ir pela sarjeta quase. Biberão, chuchazinha, cresce e aparece, cobardolas. De facto, há sarjetas que nem os funcionários da Câmara de Oeiras conseguem desentupir. Nem eles.