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Começa aqui mais um Nem Tudo o Que Vai à Rede é Bola, já com o painel habitual restabelecido, comigo, João Filipe Cruz, a Mariana Fernandes e o Bruno Roseiro, editor de desporto, que foi o resistente e que certeza teve muitas saudades nossas. Já vamos ver. Na segunda parte, vamos ter em entrevista o presidente dos Belenenses, Patrick Morais de Carvalho, que foi reeleito líder do clube do Restelo ainda este ano, depois de cinco temporadas consecutivas a subir. O Belenenses está de volta às divisões profissionais e ao futebol profissional. Vamos guardar essa conversa para a segunda parte. Primeiro, vamos aos destaques. Estamos em 2023, isto não é novidade. Vamos à figura, e a figura é Cristiano Ronaldo. Bisou nos dois jogos da seleção, voltou a marcar pelo Al-Nassr na Liga Saudita e é, a pouco mais de dois meses do final do ano, o jogador com mais gols em 2023. Tem 41 mais do que Erling Haaland. Parece esquisito estarmos a destacar o Cristiano em 2023, mas está cá.

Sim, e sobretudo, mais até do que os 41 gols, é pensar no ponto de partida de Cristiano Ronaldo em 2023. Ou seja, acaba o Campeonato do Mundo, não se sabe até se vai sair da seleção, se vai ficar, porque acabou o Campeonato do Mundo no banco, porque as coisas não correram bem. Houve aquela entrevista ao Piers Morgan, que levou à rescisão com o United e à passagem para a Arábia Saudita, para o Al-Nassr. Portanto, quando nós entramos em 2023, não sabemos ao certo o que é que poderá ser Cristiano Ronaldo. Dez meses depois, ou quase 11 meses depois, aquilo que nós vemos é: um, aquilo que ele tinha dito em relação ao futebol na Arábia Saudita confirmou-se. Ou seja, que ele ia ser apenas o primeiro, que ia haver um investimento forte da Arábia Saudita e, sobretudo, que outros jogadores mais ou menos conhecidos, digamos assim, porque, por exemplo, o Al-Hilal contratou o Neymar, mas claramente o reforço é o Mitrović, todos os dias vemos isso. Mas mais jogadores conhecidos iriam chegar, assim aconteceu, também com a ajuda da compra por parte do fundo soberano de quatro dos principais clubes da Liga Saudita. Em termos de seleção, não só ficou como continua titular, é o melhor marcador da fase de qualificação, que foi o apuramento mais rápido de sempre da seleção, e conseguiu ajudar, sem termos tanto aquela conversa do jogamos melhor ou pior com o Ronaldo. A verdade é que números, factos, em oito jogos, Portugal não só consegue oito vitórias como marca 32 gols, ou seja, uma média de quatro gols, que nós já não estávamos propriamente habituados. E depois, quando nós olhamos para a realidade saudita, é certo que nunca poderemos comparar os adversários contra quem Ronaldo está a jogar ou contra quem o Haaland ou o Mbappé estão a jogar. Ainda assim, há um crescendo da Liga Saudita e aquilo que ele fez agora com o Damac, por exemplo, é mais uma reviravolta, podia ter sido em qualquer parte, seja fosse Premier League, fosse Liga Saudita, porque é um livre direto. E eu já há muito tempo que já não me lembrava de ver o Ronaldo marcar um livre direto. Há muito tempo que o via acertar na barreira ou atirar por cima, mas conseguiu assim dar a volta. E o que é que nós vemos? Estamos a acabar o ano de 2023. Provavelmente, até poderá ganhar esta corrida, que não tem propriamente um prêmio, digamos assim, mas poderá terminar o ano civil como o melhor marcador à frente do Haaland e Mbappé, mas sobretudo, algo que se abre daqui para frente. Ou seja, já não há dúvidas que Ronaldo vai ao Campeonato da Europa com 39 anos. Aquilo que me parece cada vez mais é que este rendimento vai mostrar que o Ronaldo ainda vai querer ir ao Mundial de 2026 com 41 anos. E aí, pode abrir-se uma porta a um pequeno problema, porque a seleção contava com o Ronaldo até o Europeu 2024, se calhar, provavelmente, já não contaria até o Mundial 2026, e é preciso perceber se Ronaldo nessa altura ainda será uma solução como é hoje ou se poderá eventualmente ser um problema.

E a questão é mesmo essa, Mariana. Ronaldo na seleção, há muito tempo, como o Bruno dizia, tem persistido essa dúvida se Ronaldo é ou não uma ajuda nesta fase, mas a verdade é que tem sido.

Sim, eu acho duas coisas aqui. Como o Bruno já disse, acho que se esvaziou um bocadinho essa ideia, seja em termos práticos, seja em termos mais empíricos, de que a seleção nacional joga sempre melhor quando Cristiano Ronaldo não está em campo. Isso foi muito sublinhado recentemente, no mês passado, no duplo compromisso anterior, quando Portugal tem uma exibição mais apagada na Eslováquia com Ronaldo e depois golea de forma histórica o Luxemburgo sem Ronaldo, que estava castigado. E aqui neste duplo compromisso, outra vez, que acaba por carimbar o apuramento, esvazia-se por completo essa ideia. Além disso, e numa segunda vertente, eu acho que nos tínhamos todos esquecido que Ronaldo é um jogador autossustentável, e ele explicou-nos isso há muitos anos numa metáfora que agora usamos todos, que usa ketchup. E ele explicou, na altura, que há muito tempo, quando andava tudo também muito preocupado com a ausência de gols, ele explicou que o ketchup só tinha de começar a sair. E Cristiano Ronaldo, durante muito tempo, é verdade, e com muita confusão à mistura, não tinha colocado o ketchup a sair. A partir do momento em que conseguiu, agora estamos só a assistir àquilo que na verdade andamos a ver há 20 anos. Se estávamos à espera de continuar a vê-lo ou de voltar a vê-lo já com esta idade na Arábia Saudita, se calhar não, e é isso que nos está a surpreender a todos.

Vamos ver como acaba o ano e se acaba com Cristiano Ronaldo no topo dos melhores marcadores de 2023. Vamos continuar contigo, Mariana. Vamos ao número quatro. Será o número de títulos mundiais que a Nova Zelândia ou a África do Sul vão passar a ter no rugby depois da primeira final em 1995. Recordar que o jogo final do Campeonato do Mundo deste ano de rugby está marcado para sábado e estas duas estão lá sempre, quase sempre.

Sim, é desde logo uma final histórica por ser a reedição dessa mítica final de 1995 em Joanesburgo, onde a África do Sul do François Pienaar venceu a Nova Zelândia em casa para se sagrar campeã do mundo pela primeira vez, num torneio que foi muito utilizado por Nelson Mandela em termos políticos e também sociais Para unir o país num período pós-apartheid e ainda com o fim do apartheid e desse regime muito recente. Se recuarmos ao início deste campeonato do mundo, há mais de um mês, no início de setembro, percebemos que apesar desta final ser entre as duas maiores potências históricas do rugby mundial, também é uma final um bocadinho improvável, pela ausência de França, que jogava em casa, que derrotou a Nova Zelândia logo no jogo inaugural e que parecia ter essa vaga de fundo para chegar a uma decisão. Pela ausência também de Inglaterra, que apesar de ter partido com muitas dúvidas internamente, vinha numa espécie de caminho de recuperação até anímico e eliminou Fiji, e até pela ausência da Austrália, que esteve na final 2015 e que, como sabemos, não passou da fase de grupos num grupo onde até estava Portugal. Quem ganhar no próximo sábado em Saint-Denis torna-se a potência histórica e absoluta do rugby internacional. A Nova Zelândia tem quatro finais e três vitórias, só perdeu mesmo em 95 com os sul-africanos e a África do Sul venceu as três finais em que participou, incluindo a última em 2019, ou seja, se ganhar no sábado torna-se bicampeã mundial, o que significa aqui que quem ganhar este mundial 2023 vai tornar-se o recordista isolado de conquistas da modalidade.

E Bruno, olhando para o caminho das duas seleções, vês dificuldades acrescidas para alguma delas, tendo em conta que o mundial começou há mais de um mês, como dizia?

Sim, para a África do Sul, deixa-me dizer-te que seria completamente improvável, depois das primeiras jornadas da fase de grupos, pensar que a final seria Nova Zelândia e África do Sul, embora fique um bocadinho aquela ideia de é um bocadinho mais do mesmo, mas não parecia que fosse assim. Parece-me que a Nova Zelândia tem vantagem pela maneira como chegou a esta final, ou seja, a África do Sul fez dois jogos fisicamente muito complicados, sempre a ganhar no final. Agora com a Inglaterra, acho que é cruel a maneira como a Inglaterra perde o jogo, porque de facto não merecia, mas a África do Sul mais uma vez mostrou esse estofo e temo que, na final, possa acusar um bocadinho o desgaste já dessas duas vitórias muito desgastantes em termos físicos. Mas ainda assim, deixa-me dizer que por mais que se goste do rugby na Nova Zelândia, uma vitória da África do Sul era qualquer coisa que valia a pena, que mais não seja só para ver a reação daquele país.

Está marcada essa grande final para sábado às 20h portuguesas. Nova Zelândia, África do Sul vai ser o ponto final no campeonato do mundo de rugby. Vamos passar para o nosso marco desta semana, que é o segundo recorde mundial da meia maratona em veteranos, conseguido, Bruno Roseiro, pela Rosa Mota em três semanas.

Sim, eu nem sei bem descrever. Surpresa não é propriamente a melhor palavra, mas nós há três semanas percebemos que a Rosa Mota ainda estava a competir a sério quando ela consegue bater o recorde mundial da maratona na categoria dela, que é dos 65 aos 69 anos, em Riga. E agora, de repente, temos mais esta notícia de um novo recorde. Tirou três segundos a essa marca. É muito interessante ver o caminho que ela faz nesta corrida, porque é quase um relógio suíço, ou seja, a marca que faz aos cinco, aos 10, aos 15, aos 20, é sempre ligeiramente acima dos 20 minutos, tal e qual um relógio suíço como era quando era atleta não veterana. Acho que é sempre uma notícia importante para assinalar um facto que muitas vezes nós temos tendência a esquecer, que é ainda hoje a Rosa Mota é a única atleta que foi campeã olímpica mundial e europeia da maratona, sendo que é um dos maiores expoentes do desporto nacional, na minha ótica, a par do Carlos Lopes e da Fernanda Ribeiro. O Nelson Évora e o Pichardo também ganharam tudo em termos de jogos mundiais, europeus, mas diria que é um bocadinho diferente, e é diferente por uma razão. Foi com o Carlos Lopes e com a Rosa Mota, sobretudo estes dois, embora a Fernanda Ribeiro para mim se calhar fosse a atleta mais completa de todos os cinco campeões olímpicos, mas foi com eles que os portugueses começaram a perceber que não tinham necessariamente de ser inferiores aos outros e não tinham necessariamente de se comparar em termos de condições de trabalho. Recordar que o Carlos Lopes, duas ou três semanas antes de ser campeão olímpico, foi atropelado ali ao pé do Estádio da Luz quando estava a treinar no meio da Segunda Circular. Era este o paradigma que se vivia no desporto nacional, mas foram eles que nos mostraram que poderíamos ir um bocadinho mais à frente e é bom também recordar estas figuras. Rosa Mota, que ainda continua a bater recordes, Carlos Lopes, que será sempre Carlos Lopes, e já agora, não foi mencionado, mas também o professor Mário Muniz Pereira.

E pelo meio, Mariana, houve mais um recorde quebrado também na meia maratona.

Quebrado, eu diria quase pulverizado. Porque aqui também em Valência, o Samuel Barata retira mais de um minuto à marca de Luís Jesus na meia maratona, que durava há mais de 25 anos. Tornou-se o primeiro português de sempre a cumprir a distância em menos de uma hora, cruzou a meta aos 59'40. Também fica essa ideia, para além da Rosa Mota, também este recorde do Samuel Barata, que não é apenas um recorde. Para além de ser uma marca que durava há muito tempo, é uma distância muito considerável e ainda esta ideia de ter sido o primeiro a baixar do registo da hora na meia maratona.

E depois dos recordes, vamos à citação de Miguel Oliveira sobre o interesse da Honda na sua contratação para uma vaga deixada em aberto por Marc Márquez. Diz o Falcão que continua focado naquilo que tem de concreto, que é o contrato com a Aprilia e a RNF até 2024, mas quando o maior construtor do mundo o aborda, nunca se fecha essa porta.

Sim, estamos habituados a este tipo de movimentações, tanto na Fórmula 1 como no MotoGP. A partir de cerca de metade da temporada, quando as decisões começam também a ficar mais fechadas no mundial, surgem estas primeiras trocas de equipa, os rumores da mudança de cores, este autêntico carrossel, que depois é também uma dança das cadeiras, porque quando sai um tende a entrar outro. Estamos habituados a ver isto. E este ano, no MotoGP, este carrossel foi colocado a girar por Marc Márquez, que no meio de uma temporada muito agitada, com muitas quedas, com várias lesões, anunciou a saída da Honda, onde estava há uma década e onde conquistou seis títulos mundiais, e a ida para a Gresini Ducati. Quase de forma consequente, começaram a surgir os rumores de que Miguel Oliveira poderia ser o eleito para substituir o piloto espanhol, algo a que também já nos habituamos. Parece que Miguel Oliveira é sempre a primeira carta do baralho a sair quando há um lugar vago no MotoGP. O cenário atualmente é fácil de descrever. Miguel Oliveira assinou pela RNF Aprilia no ano passado, tem contrato até 2024, mas a verdade é que a temporada não está propriamente a correr bem, entre uma mistura de muito azar e que tem sido uma espécie de desilusão com as quedas, as lesões, todos os abalroamentos que já aconteceram e também alguns imprevistos mecânicos que tem tido. Pelos pingos da chuva, o Miguel tem conseguido até demonstrar que com as condições certas, no contexto certo, tem possibilidade de tirar o melhor desta moto. Vamos ter de esperar para perceber o que acontece, aliás, tal como aconteceu há um ano com a troca da KTM pela Aprilia, que demorou muito tempo, com muitos rumores, com muitas reviravoltas em todo esse processo, mas que acabou por se confirmar. Mas eu acho que é óbvio que o Miguel Oliveira, tal como ele explica aqui nesta nossa frase, olha com bons olhos para uma eventual ida para a Honda, não só pelo prestígio, como pela possibilidade de se tornar mais competitivo. E acho que vai tentar explorar este interesse de forma a retirar aquilo que de melhor também poderá cair para o seu lado.

E Bruno, qual será o objetivo do piloto português nesta altura?

Muito simples, é subir a uma equipa de fábrica. Ou seja, seja a Honda, seja a própria Aprilia, porque entretanto o Alex Espargaró já veio dizer que a Honda é uma espécie de Barcelona, é sempre a maior, por mais que os resultados não estejam a aparecer. Aquilo que o Miguel Oliveira queria em 2024 era uma equipa de fábrica, seja ela a Honda, seja a Aprilia, e daí também ele ter dado tanto lastro a esta questão da Honda o ter contactado.

Vamos ao túnel. Pergunta à espera de resposta: o que vamos ter, Portugal, na organização do Campeonato do Mundo?

Estive uma hora e meia a ver uma audição que me respondeu cerca de zero, ou seja, de uma forma até política, aquela audição não faz sentido nenhum, porque nesta altura também não se pode dizer muito mais. O que é que em termos internos se considera? Um, e isso já foi confirmado hoje por Ana Catarina Mendes, que de facto é uma das poucas coisas que ela pode confirmar, Portugal entra com três estádios: Luz, Dragão e Alvalade. Todos eles já estão preparados para receber jogos do mundial, se fosse preciso. Em termos de infraestruturas de apoio, centros de treino, etc, Portugal também não terá de fazer um investimento assim tão grande. Parece-me mais ou menos óbvio que o descalabro que aconteceu em 2004 nunca irá acontecer no Mundial 2030. Estão também previstos ainda, informação interna ainda nesta altura, 13 a 15 jogos. Ana Catarina Mendes hoje falou só acima de uma dezena, mas será este número, 13 a 15. Agora, há aqui um ponto que me parece que pode fugir um bocadinho das contas que a parte portuguesa tem feito nesta organização do Campeonato do Mundo, que é uma entrevista de Joan Laporta, que tinha de falar sobre o caso Negreira e dizer aquelas coisas do costume, onde ele fala de um madridismo sociológico, que é mais um soundbite para fazer do Barcelona uma bandeira da Catalunha e estão todos contra a Catalunha, para tentar proteger um pouquinho o clube daquilo que poderão ser as sanções do caso Negreira. Mas no meio desse madridismo sociológico que ele diz que existe em Espanha, ele fala que vai haver uma guerra em relação à final do Campeonato do Mundo, porque ele considera que o Camp Nou é maior e está mais apto e claramente a organização quer levar a final para Madrid. E depois há aqui um outro ponto paralelo que é Marrocos vai construir um estádio com 113 mil espectadores. Curiosamente, até a construtora é uma construtora espanhola e até por esse investimento, que é o maior estádio em África e o segundo maior do mundo, quer receber a final. E quando nós começamos a olhar, temos Madrid, temos Barcelona, temos Marrocos que ainda quer a final e depois claramente Portugal acha que vai ter uma meia-final que é a do Estádio da Luz. E eu pergunto, dos quatro só poderão ficar três. E eu quero considerar que nesta altura Portugal já estará a garantir mesmo que uma das meias-finais será no Estádio da Luz, porque caso contrário arrisca-se a perder entre Barcelona, Madrid e Marrocos.

E vamos ver, em 2030, vamos ver se temos uma meia-final desse Campeonato do Mundo ou não. Na segunda parte, Patrick Morais de Carvalho, presidente dos Belenenses. Estamos de volta para a segunda parte do "Nem tudo o que vai à rede é bola". Daqui a pouco vamos estar à conversa com Patrick Morais de Carvalho, presidente reeleito em junho do Clube Futebol os Belenenses, que está há cinco épocas a subir de divisão. Já chegou à Segunda Liga, não está propriamente a correr muito bem este regresso aos campeonatos profissionais. Os azuis do Restelo estão nesta altura em 15° lugar, um ponto apenas acima da linha de água, e enquanto esperamos por Patrick Morais de Carvalho, é de salientar o percurso dos Belenenses desde que se reinventaram, por assim dizer, depois da cisão com a B SAD, que entretanto também já terminou. Foram cinco épocas em grande dos Belenenses. Bruno, Mariana.

Sim, pelo menos tem uma vantagem, e eu acho que o próprio Patrick Morais de Carvalho irá confirmar isso. Se dúvidas existissem em relação ao fato de haver uma massa adepta que era mesmo do Belenense e não da B SAD, acho que isso ficou confirmado a partir do momento em que os jogos dos tritais têm centenas ou milhares de pessoas e os jogos da B SAD tinham pessoas quando lá iam os grandes e pouco mais. E depois tem um outro dado curioso que é

No ano em que o Belenenses regressa às competições profissionais, é o ano em que o projeto BSAD acaba.

Quase irônico, não é?

Sim, acho que estava escrito, acho que era suposto ser assim.

A verdade é isso mesmo. Claro que não será caso único, mas não deixa de ser curioso, e num país que vive o futebol como Portugal vive, ver uma massa adepta ainda, neste século XXI, a ir atrás daquilo que é o clube e não necessariamente do estatuto, porque a verdade é que a BSAD, na altura, estava no primeiro escalão, a jogar contra Benfica, Futebol Clube do Porto, Sporting, a receber os grandes em casa. E vimos os verdadeiros adeptos deste clube irem atrás daqueles que tiveram que começar do início nos distritais. Obviamente que o sentimento tem muito a ver com isso, mas acho que parte disso teve a ver também com tudo o que traz o Estádio do Restelo. Acho que o facto de este Belenenses, do verdadeiro Belenenses, digamos assim, ter continuado a jogar no Restelo, independentemente de ser nos distritais, e de ter subido também no Estádio do Restelo, até esta segunda liga, também teve bastante impacto e também acrescentou bastante significado a tudo aquilo que este Belenenses tem vindo a fazer nos últimos anos.

Esse, pra mim, é o maior patrimônio deste Belenenses, o estádio com a melhor vista de Portugal. Eu sei que não é propriamente o foco de interesse de um clube de futebol ter um estádio com uma grande vista, mas é, de fato.

Deixa-me só salientar, acho que às vezes nos esquecemos, um estádio que entra na história do futebol português também, como um dos estádios que já recebeu uma final europeia, porque não nos podemos esquecer que este Estádio do Restelo recebeu a final da Liga dos Campeões Feminina, quando em Portugal, pelo menos, ainda não se falava de futebol feminino como se fala hoje em dia. O Estádio de Alvalade vai recebê-la também em 2025, mas este Estádio do Restelo recebeu, na altura, Marta, por exemplo, recebeu a Alexandra Popp, algumas das melhores jogadoras de futebol do mundo daquela altura e ainda de agora, e acho que é de salientar também.

Estávamos a falar da questão dos adeptos e é muito engraçado. Não é propriamente engraçado, não tem graça nenhuma, mas, de facto, foi curioso e tenho um grande amigo que é pastel. Faço aqui uma declaração de interesses. E desde o primeiro dia em que houve a cisão, foi notória a cisão também dos adeptos e a prontidão da grande massa dos adeptos do Belenenses em seguirem a equipa que começou tudo de novo. Foi decaindo, como diziam, as presenças de adeptos da BSAD quando o Belenenses começou tudo do zero. E ao contrário, víamos grandes deslocações e grandes massas, inclusive a jogos fora. Bem sabemos que na altura em que o Belenenses recomeçou tudo, jogava sobretudo com equipas do mesmo distrito, mas foi curioso também vermos a corrida dos sócios e adeptos do Belenenses para apoiar o clube futebol, os Belenenses. Já aqui está o presidente dos Azuis do Restelo, Patrick Morais de Carvalho. Muito boa tarde. Obrigado por ter aceitado este nosso convite para estar aqui na Rádio Observador. Foi reeleito já este ano, mas começo por lhe perguntar como tem sido este regresso. Uma pergunta que já lhe fizeram muitas vezes. Como tem sido este regresso do Belenenses às divisões profissionais, depois de cinco anos de constantes subidas? Ainda existem mais dores de crescimento ou a realização deste percurso, para já, supera tudo?

Olá, é com muito gosto que estou aqui na Rádio Observador. Os últimos cinco anos foram fantásticos, porque houve uma espécie de renascer do Belenenses, o resgate de uma identidade muito própria, que nos obrigou a descer aos confins do inferno, à sétima divisão. E só um clube com uma massa associativa e com uma massa crítica como tem o Belenenses é que poderia ser capaz de concluir com sucesso este percurso. Chegados agora aos campeonatos profissionais, é necessário um período de adaptação. O clube é muito grande, é um clube eclético, com mais de 4000 atletas e treinadores, com muitas modalidades e, portanto, os nossos esforços não estão concentrados exclusivamente no futebol. Mas chegamos agora a um momento em que o rigor no futebol profissional e o equilíbrio orçamental dos clubes que competem na primeira e na segunda liga está mais escrutinado do que nunca. E o Belenenses tem que encontrar armas com os seus próprios meios para fazer face a todas essas obrigatoriedades e necessidades para poder competir nos campeonatos profissionais. Para se perceber um bocadinho a dimensão das coisas, nós estamos este ano zero na Segunda Liga. Neste regresso, estamos a competir com um orçamento muito limitado e cujas receitas advêm exatamente dos direitos audiovisuais, das apostas e de três ou quatro patrocinadores que conseguimos regimentar para este caminho.

E em termos de cotização, isso não tem muito impacto em termos de orçamento, um. E dois, gostava de lhe perguntar, olhando para 2018 e olhando para aquilo que é hoje a realidade do Belenenses, se houve um aumento no número de associados, tendo em conta que falam muito da importância desse baixar até aos infernos para juntar, digamos assim, a família Belenense e até poder conseguir recrutar algumas novas gerações que se calhar não conheciam tão bem o clube.

Sim, isso tem se feito sentir, mas o incremento do número de associados e o valor das cotas é inócuo em termos de futebol profissional. Não é residual, é inócuo por uma razão muito simples: todas as receitas do Clube Futebol Os Belenenses, que tem um orçamento na casa dos € 2 milhões, estão todas destinadas a pagar o passivo do clube, a pagar contas correntes do clube, a pagar as modalidades do clube e a pagar o futebol de formação do clube. Portanto, todas as receitas que são do clube, são do clube. O clube está a injetar zero na Belenenses SAD que nós tivemos que criar. São dois orçamentos completamente distintos e, portanto, nós na Belenenses SAD estamos a fazer este campeonato.

Mas até fazer a SAD também era assim?

Não, aí só havia o clube. O ano passado, na Liga 3, havia receitas do clube que eram canalizadas para o futebol, porque o futebol estava parqueado no Clube Futebol Os Belenenses. Agora, chegado aos campeonatos profissionais, existe a obrigatoriedade de fazer uma SAD e, portanto, nós estamos com um orçamento mínimo a fazer este campeonato da Segunda Liga, que é 1,3 milhões de euros, que são as receitas que já tive a oportunidade de lhe dizer que temos. E de facto estamos a competir contra realidades que são muito díspares da nossa, porque existem orçamentos cinco, seis, sete vezes superiores ao nosso.

E quantos sócios é que tem os Belenenses?

12 mil. Tem 12 mil sócios.

E quantos é que tinha em 2018? Ainda se recorda?

Nós em 2014, quando eu cheguei à presidência do clube, tínhamos 33 mil sócios. Entretanto, foi feita uma renumeração, porque em 2011 fecharam-se as piscinas olímpicas do Restelo. Nós tínhamos muitos sócios, que eram os chamados sócios piscineiros, que eram sócios do Belenenses para poderem praticar natação no clube. Quando se fez a renumeração, que foi em 2016, passamos para cerca de 9 mil sócios e portanto, neste momento temos 12 mil. Estamos em crescendo. Desde que chegamos agora aos campeonatos profissionais, inscreveram-se mais 700 e qualquer coisa sócios. Mas como lhe digo, o valor das quotizações é para o clube, não é para a SAD. Conta, sim, o valor imaterial e o apoio que nós sentimos da massa associativa para este projeto.

Quando a subida de divisão ficou garantida no final da temporada passada, e nessa temporada onde só faltou mesmo o título da Liga 3, que foi para a União de Leiria, também outro regresso aos escalões profissionais, o Patrick ainda disse que não esperava recandidatar-se à presidência do clube. Acabou por fazê-lo, acabou por ficar para mais um mandato. Perguntava-lhe o que é que mudou e se existiu aqui algum pedido de alguém especial que o tenha feito a pensar que tudo aquilo que tinha acontecido aqui, todo o projeto dos últimos cinco anos, não podia cair.

Todas as pessoas que me são próximas e que me são especiais, por razões familiares, pediam para eu ir embora, para sair. Portanto, ninguém me pedia isso. O que eu senti foi que este caminho de honra e dignidade que tínhamos feito até ao momento, de alguma forma, muitos sócios me faziam ver que se a figura do presidente, que acabou por protagonizar esta luta que nós tivemos que travar, não só no plano desportivo, mas essencialmente no plano jurídico, de resgate da marca Belenenses, o podermos vender a participação social na nossa sociedade desportiva, na nossa SAD, porque todo o país desportivo e jurídico dizia que era impossível, que um clube que tivesse fundado a sua SAD não poderia vender o capital social e ficaria agarrado a ela eternamente. Isso foi uma luta jurídica incrível que tivemos que travar e que tinha muito risco e que felizmente conseguimos vencer. Durante cinco anos, o Belenenses teve que triunfar do ponto de vista jurídico, com pressões de todo lado e do ponto de vista desportivo para assegurar as subidas de divisão. E agora, de alguma forma, chegando à Segunda Liga, chegando aos campeonatos profissionais, muitos sócios que eu respeito e que prezo e que sempre me apoiaram desde 2014, fizeram-me ver que seria importante a minha continuidade, porque não se vislumbrava outra figura no universo do clube que pudesse dar seguimento a isto que estávamos a fazer. E eu, por uma questão de honra e de chamamento íntimo, achei que nesta hora não devia virar as costas ao clube. Foi isso que aconteceu, sabendo que é muito difícil, porque é muito difícil gerir as expectativas da massa associativa do Belenenses. Nós este ano estamos na Segunda Liga, com este orçamento. Vai ser um campeonato muito duro, com muitas dificuldades, em que provavelmente vamos perder muito mais vezes do que aquelas que vamos ganhar. É dito à massa associativa que temos que estabilizar na Segunda Liga, que vem aí um momento fundamental para toda a indústria do futebol, que é a centralização dos direitos audiovisuais. E o Belenenses tem que resistir até que essa centralização chegue, que o mais tardar vai ser em 27/28, mas estamos a lutar internamente no seio da Liga para que possa ser antecipada e possa ser já na próxima época. O Belenenses tem que estar nas competições profissionais quando chegar o momento da centralização, por variadíssimas razões, e portanto, é preciso resistir até lá. Mas fazer a gestão da expectativa da massa associativa do Belenenses é muito difícil, porque o Belenenses é um clube grande, na verdadeira aceção da palavra. É um dos poucos clubes em Portugal, só existem quatro ou cinco clubes em Portugal, em que os sócios são realmente do Belenenses e não têm mais nenhum clube. Eu ainda outro dia tinha um jogador experimentadíssimo, que está no nosso plantel, que tem mais de 200 jogos na Primeira Liga, que foi capitão do Nacional da Madeira muitos anos, do Paços de Ferreira, e que à terceira jornada estava a ser vaiado, ele e o treinador, no Restelo, e ele no fim veio-me dizer: "Presidente, já joguei em tanto lado e nunca vi uma coisa destas, à terceira jornada estarem a mostrar lenços brancos ao treinador e a estarem a insultar o treinador e toda a gente". Eu disse-lhe: "É verdade, já jogaste em todo lado, mas nos clubes onde tu jogaste, quando acabava o jogo, os adeptos que estavam na bancada a apoiar, iam todos ver o Porto, o Benfica e o Sporting, que é o clube deles. E aqui estes índios todos que vês na bancada são todos do Belenenses, não têm outro clube. Portanto, isto é um clube diferente e é completamente diferente jogar aqui ou jogar nos outros clubes todos onde estiveste até agora e tens que te habituar". Porque isto é o Belenenses.

E deixe-me pegar pelos adeptos do Belenenses, porque depois de ter sido consumada a continuidade enquanto líder do Clube Futebol os Belenenses, fez pela primeira vez em nove anos um apelo para que quem pudesse contribuir com uma quota suplementar para ajudar o Belenenses neste ano de transição. Pergunto-lhe qual foi o feedback que teve desde então.

É bom que se diga que não fui eu que fiz esse pedido. Foi um sócio em assembleia geral que apresentou essa proposta e que foi votada em assembleia geral e que foi votada favoravelmente. Eu por acaso até me abstive, porque não tinha conhecimento. Não são movimentos pelos quais eu tenha muita simpatia, mas de facto houve perto de 300 sócios que contribuíram. O valor angariado não foi nada de extraordinário, superou um bocadinho os €30 mil e essa importância foi canalizada para algo para o qual o clube teve dificuldade. Nós chegamos agora à Segunda Liga e tivemos que passar por um processo de licenciamento, primeiro da SEDUC e depois pelo processo de licenciamento do Estádio do Restelo, e fomos confrontados com um nível de exigências que de facto não estava no nosso horizonte. São centenas de milhares de euros e aqueles clubes que chegam da Liga 3 à Liga 2, neste caso o Belenenses, União de Leiria é um caso um bocadinho diferente, porque é um estádio camarário e a câmara é que paga a festa, mas no caso do Belenenses e do Lank Vilaverdense, que foram as outras duas equipas que subiram à Segunda Liga, nós entendemos que devia haver um período transitório para essas equipas adaptarem e poderem licenciar-se, porque quem chega dos campeonatos amadores vive para o dia a dia. A tesouraria é o dia a dia, não há financiamentos bancários e os clubes vivem com muitas dificuldades. Chegar a uma Segunda Liga em que necessariamente esses clubes já têm um orçamento muito mais baixo do que os rivais que lá estão e serem obrigados, à cabeça, a fazer investimentos de 600, 700, €800 mil, que logicamente vão empobrecer ainda mais a capacidade orçamental para a época seguinte, eu acho que distorce a competição, a integridade das competições, a verdade desportiva e tem sido uma luta que já não vai aproveitar ao Belenenses, mas eu acho que no seio da Liga isso tem que ser urgentemente pensado e tem que ser canalizadas importâncias para apoiar esses clubes que vêm da Liga 3. Quando eu falo em distorção, se vocês pensarem, e eu também comecei a olhar para isso agora, a Liga tem um orçamento de €26 milhões. Há mérito da direção da Liga, há mérito de quem está na Liga para conseguir receitas no volume de €26 milhões, mas €26 milhões é um orçamento cinco, seis vezes superior ao maior orçamento da Segunda Liga e na Primeira Liga tem Porto, Benfica, Sporting e Braga com um orçamento maior do que a Liga Portugal. Não há Liga Portugal sem haver sociedades desportivas, sem haver clubes. Essas verbas da Liga Portugal, mais do que para outra coisa qualquer, deverão ser canalizadas para as sociedades desportivas, para podermos também melhorar as infraestruturas e podermos melhorar o espetáculo que oferecemos e assim também valorizarmos a centralização dos direitos audiovisuais.

Já falou aqui na necessidade de criação da SEDUC, quando houve a subida à Liga 2. Já falou aqui também da centralização dos direitos televisivos, que será para muitos clubes, e nomeadamente para o Belenenses, também muito importante, daí a necessidade de permanência nos escalões profissionais. Aquilo que lhe perguntava é: no meio deste trajeto, houve também um contacto, por exemplo, de um clube espanhol, do Celta, que achava que podia chegar aqui e comprar o Belenenses. Aquilo que eu lhe pergunto é: um, como é que vê esse tipo de abordagens? E dois, qual é o risco dos clubes nacionais perante estes fenómenos que têm aparecido? E agora, nomeadamente, também comentou recentemente a hipótese do Chelsea poder entrar no capital social do Sporting.

Aquilo que entendo é o seguinte: o grande desafio do Belenenses agora nos próximos anos é a discussão de qual é o modelo de financiamento da nossa sociedade desportiva e do nosso futebol. Os modelos de financiamento que hoje são conhecidos no futebol português, no futebol europeu e um bocadinho no futebol mundial, são modelos de financiamento que não interessam ao Belenenses. Quais são? Primeiro, fundos de investimento, os multiproprietários, como se diz em português, que adquirem clubes muitas vezes no mesmo país e muitas vezes em clubes diferentes. No fundo, querem assegurar toda a cadeia de produção do talento futebolístico, de miúdos desde os 10, 11, 12 anos, nomeadamente da América do Sul, até à Premier League. Nós entendemos que isso põe em causa a integridade das competições, a verdade desportiva, permite driblar uma série de regulamentos da FIFA que são fundamentais, como os transfer ban, por exemplo, os direitos de formação, os mecanismos de solidariedade, permite inflacionar o valor das transferências dentro dos clubes que pertencem ao mesmo fundo e é um modelo de financiamento que não interessa ao Belenenses. Um segundo modelo que começa agora a querer ganhar algum protagonismo é o modelo de clubes a comprar clubes. Eu costumo dizer que fiquem descansados porque o Belenenses não quer comprar o Benfica, não vai comprar o Benfica, nem vai comprar o Porto, nem vai comprar o Sporting. O Belenenses não vai comprar nenhum desses clubes. E a mim, pessoalmente, é uma coisa que me repugna. Eu dei noutro dia o exemplo do Chelsea, porque vi de facto notícias de que o Chelsea estava em Portugal para comprar o Sporting e eu disse até em sede de Liga e o meu colega Frederico Varandas riu-se daquilo que eu estava a dizer, mas é verdade. Eu entendo que é uma vergonha para Portugal, uma vergonha para o Sporting, poder sequer passar pela cabeça de um clube, seja ele qual for, que venha a Portugal e compra uma das maiores marcas portuguesas do desporto, que é o Sporting, que é um clube produtor de talento futebolístico e o que faria se calhar sentido era o Sporting ir comprar alguém. Agora o Sporting ser comprado ou o Belenenses, ou o Porto, ou o Benfica, ou o Braga, ou o Vitória de Guimarães, ou o Marítimo, é uma coisa que me repugna. O Belenenses nunca vai ser a equipa B de nenhum clube da Europa, da América do Sul, seja do que for. É um modelo que também não nos interessa. Outro modelo que está muito em voga são os célebres investidores maioritários. Nós entendemos também que clubes da dimensão do Belenenses, com a massa crítica do Belenenses, têm que ter sempre a maioria do capital social das suas sociedades desportivas. Temos que encontrar um modelo de financiamento disruptivo, que seja diferente daqueles que já existem. Temos que ter a mesma coragem que tivemos em 2018, quando contra tudo e contra todos, de forma disruptiva também, nos separamos da nossa SAD, fomos para a última divisão distrital, vendemos o capital social da nossa SAD. Isso foi validado pelos tribunais quando toda a gente dizia que era impossível, foi validado na primeira instância, na Relação, no Supremo, no Constitucional. É isso que o Belenenses vai ter que encontrar, um modelo de financiamento disruptivo, diferente daqueles que existem hoje.

Patrick Morais Carvalho, muito obrigado por ter aceitado o nosso convite uma vez mais. Muitas felicidades para o Belenenses e acaba aqui mais um episódio de "Nem tudo o que vai à rede é bola" na Rádio Observador.