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Não se fala de outra coisa. Imaginem estar em um dos maiores palcos do futebol mundial, num jogo da Liga dos Campeões, o ambiente todo em nervos, à flor da pele, e de repente alguém decide cortar o cabelo. Aconteceu mesmo durante o jogo entre o Real Madrid e o Bayern de Munique, no mítico Estádio Santiago Bernabéu. Um adepto resolveu transformar o lugar na bancada numa barbearia improvisada. Mas não foi um corte rápido, não foi como cortar as três bancadas. A coisa foi muito bem preparada, era digno de um salão profissional, capa de barbeiro, máquina, tudo ali, em plena bancada, enquanto o jogo decorria. Claro que chamou a atenção de todos e que se tornou viral. Mas isto não foi espontâneo, não foi por acaso. Parece que faz parte de uma ação publicitária de uma barbearia de Gibraltar. Ou seja, enquanto milhares de pessoas estavam ali focadas no jogo, foi ali um cliente VIP a sair com um novo corte de cabelo no meio da Champions. E isto levanta a questão: quanto é que isto deve ter custado?
A tal questão da publicidade.
E mais importante, será que o corte ficou mesmo bem?
Deve ter custado.
Temos de imaginar.
No futebol, os cortes são muito importantes. Há cortes que são providenciais.
E parece que isto está a virar tendência. Já houve outros casos semelhantes, com apostas ou promessas cumpridas em pleno estádio de futebol, como o adepto do Bodø/Glimt, que jogou contra o Sporting e que também cortou o cabelo na bancada depois da vitória por 3 x 0. Mas aí foi ele que cortou a si próprio com a máquina.
Há aqui, de facto, uma relação entre futebol e cabelos.
Eu quando vi esta notícia, só vi: "Adepto corta cabelo".
Lembraste como é que está o estado da trunfa do outro? Como é que está a galha? O Manchester United tem tido bons resultados ultimamente, melhorou bastante.
Mas ainda não esteve aquela série.
Eu acho que ainda não chegou aos cinco jogos.
Senão já tínhamos visto.
Nós já tínhamos visto o corte de cabelo, deve estar lindo neste momento. Isso é que era bonito.
Cortar em direto.
Não, no centro do Real Madrid, durante o jogo.
No intervalo.
Não, durante o jogo.
Pelo menos no intervalo ou no início. Ou seja, no futebol já vimos tudo: invasões de campo, pedidos de casamento, agora parece que é o corte de cabelo que está na moda. Corte de cabelo em direto.
Mas em versão flash mob, não é?
Eu há duas semanas cortei o cabelo, mas foi tradicional.
E correu bem o corte?
Correu bem, bastante bem.
Então por que tu estás a contar, se foi tudo normal?
Para dizer que ainda há pessoas.
Seguem os meios tradicionais.
Essa é a notícia, é haver pessoas que ainda vão ao barbeiro.
Tu foste ao barbeiro, não cortaste tu próprio?
Não.
É que não tem nada de interesse, percebe, João? Não interessa nada, foi tudo normal.
Não, só que o meu barbeiro é-
És especial, o teu barbeiro é que é especial.
As conversas do barbeiro, não é só nos salões de cabeleireiro.
Do que se fala no barbeiro? É de bola.
Fala-se de muita coisa, fala-se do estado da economia.
Seca.
Seca. Depois fala-se de outras coisas que aqui não posso dizer.
Por quê?
Porque são coisas que-
O sumo da conversa tu não queres revelar.
Claro. Fala-se sobre viagens à Hungria, por exemplo, sobre reparação de estores.
Isto são as conversas que o Bruno leva ao barbeiro.
Não, fiquei com o contacto de um senhor que faz reparação de estores e que apareceu lá enquanto eu estava a cortar o cabelo.
Todo tipo de estores? Elétrico também?
Elétrico também.
João, preciso ir a Gibraltar.
Para quem precisar, exatamente. Há aqui muitas coisas úteis.
Não sou muito fã de estores elétricos, mas vamos ver como é que corre desta vez.
E agora passamos para um assunto completamente diferente, o Festival de Cannes. Não de canas de senhorio, mas de Cannes.
Nem de cana.
Nem de cana. Festival de Cana, não sei se há aqui algum que já tenha ido para a prisão. O festival vai decorrer entre 12 e 23 de maio, agora foi anunciada a programação, também os filmes que estão a concurso e na apresentação, quer a presidente do festival, quer o diretor-geral, fizeram uma defesa do cinema contra a inteligência artificial. Reconheceram o óbvio, que a inteligência artificial já está presente nos estúdios, nas salas de montagem, no processo criativo. Não há volta a dar, não vamos voltar atrás. E disseram que não vão fechar os olhos a isso, mas recusam que seja a ditar as regras. Dizem também que a inteligência artificial sabe muito bem imitar, mas nunca saberá como sentir. Pode ser uma perspectiva otimista. Quanto à competição oficial, este ano o festival afastou-se um pouco de Hollywood, concentrou-se em cinema de outras paragens. Vamos ter um filme a concurso de Pedro Almodóvar, também já um clássico do Festival de Cannes, o "La Marga Navidad". Também um filme do cineasta iraniano Asghar Farhadi, que foi rodado em França, "Parallel Tales", "Ship in the Box", do japonês Hirokazu Kore-eda, e "The Man I Love", do norte-americano Ira Sachs, que não é propriamente um filme de Hollywood, estamos a falar de um realizador independente. Não haverá cinema português na seleção oficial de longas-metragens. Haverá, fora de competição, filmes de Steven Soderbergh, que aliás, apareceu para o mundo do cinema com grande destaque no Festival de Cannes em 1989, se não estou em erro, com "Sex, Mentiras e Vídeo", o filme que o celebrizou. Vamos também ter "Her Private Hell", de Nicolas Winding Refn, e "Objet du délire", de Agnès Jaoui.
Oh, meu Deus!
"O Gosto dos Outros", lembram-se do "Gosto dos Outros"? Fez um grande sucesso aqui há uns anos. Agnès Jaoui está de volta. E foi também feita aqui uma defesa, a par do anúncio da programação, não só da originalidade e da criatividade em oposição à inteligência artificial, mas também uma defesa da sala de cinema, da experiência de cinema.
Em sala.
Em sala.
Com ou sem pipocas.
Faz toda a diferença. Eu acho que há filmes que não faz mal, há outros em que perturbam um bocadinho a experiência. Provavelmente aqui em Cannes não há pipocas. Também já se sabia as Palmas de Ouro de carreira, que seriam atribuídas, ontem foram reforçadas. A atriz, cantora e realizadora norte-americana Barbra Streisand vai receber uma Palma de Ouro de carreira e também o realizador neozelandês Peter Jackson, o responsável, entre outros, por "O Senhor dos Anéis". Mas outros filmes antes disso, que também o tinham tornado uma celebridade do cinema independente, mas depois ficou mais conhecido, claro, por esse trabalho com "O Senhor dos Anéis", também foi premiado com o Oscar, e serão os dois a receber aqui a Palma de Ouro de Carreira. O júri da seleção oficial será o realizador sul-coreano Park Chan-wook, aqui também mostrando esta abertura ou outras cinematografias. Aliás, como é tradição também no Festival de Cannes, vamos ver. Há um extenso artigo no Observador, de Francisco Ferreira, que me mostrará também a analisar um pouco e a refletir um pouco sobre esta seleção oficial do Festival de Cannes, que será em maio, está quase aí.
E depois vêm os vestidos também.
Pois é, passadeira vermelha, que é sempre um momento.
Um must.
Um must, não podemos perder.