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Não se fala de outra coisa.

Não se fala de outra coisa. Pelo menos no meu círculo de amizades, não falamos de outra coisa. De escritores de grande sucesso. Escritores que vendem 100 milhões de exemplares em todo o mundo. É um clube restrito do qual eu faço orgulhosamente parte com o Dan Brown. Dan Brown, que está no clube dos escritores que mais vendem no mundo e também está agora de volta ao grupo dos casados.

Não é só por ter casado.

Não é só por ter casado, isso acontece a muita boa gente. Acontece aos melhores.

As tragédias estão sempre à virada da esquina.

Isso acontece muito frequentemente. Agora, casar com uma das quatro amantes.

Isso é que é.

Quatro amantes?

Uma das quatro.

Uma das quatro? Mas isto é o quê? Um harém? Isto é um sultão? Dan Brown, espera aí.

É preciso material para os livros.

Exatamente, precisava de material para os livros.

A situação é que o autor do "Código Da Vinci" foi casado entre 1997 e 2018, 2019, 2020. Acho que separou em 2018, mas o divórcio ficou concluído em 2020. Há aqui órgãos de comunicação que apontam para o meio. Foi em 2019.

Havia muito livro para dividir.

Foi dos mais caros de sempre. Se calhar no mundo da literatura foi.

Um dos mais.

Sim, porque acho que a fortuna dele estava avaliada em mais de 100 milhões de dólares. Mas, para explicar, ele era casado com a pintora e historiadora de arte Blythe Brown, que depois do divórcio o acusou de manter uma vida paralela. Mas não era uma, eram mais quatro. Diz que tinha quatro amantes. Isso ela que disse, acho que pegou a história. Ele, depois de fazer uma investigação digna do "Código Da Vinci", veio desmentir. "Não, isso é tudo mentira." Porque a ex-mulher acusou-o de canalizar recursos do casal para as amantes comprarem das sumptuosas no valor total, diz ela, de mais de 100 milhões de euros. Estas coisas que acontecem quando as pessoas se divorciam. Acontece aos melhores.

Acontece aos melhores. Mais uma tragédia.

Mais uma tragédia que é esta troca de acusações. E ele agora, a verdade é que casou com Judith Petersen, uma treinadora de cavalos holandesa, que, de facto, e isto ele não desmentiu, fazia parte do lote de quatro amantes que lhe eram atribuídas pela ex-mulher.

Que lhe eram atribuídas.

O que ele diz é que não: "Eu não tinha nada a ver com isso."

"É uma das minhas conhecidas."

Ele tinha com uma, não com as quatro.

Que era esta.

Assumiu uma namorada.

Assumiu uma. Eu fiquei mais descansado. Isto não é para todos, não é para quase ninguém. Ter quatro amantes, claro, quer dizer, isso dá muito mais trabalho do que escrever best-sellers, imagino eu.

E custos, como se vê.

Custos muito grandes. Mas parece que não só casou, como também lhe dedicou este último livro, "O Segredo dos Segredos". Segredo ainda mais dos segredos do que todos os outros segredos anteriores. Foi dedicado agora à nova mulher, Judith Petersen, e vamos ver como é que as coisas lhe correm para ver se daqui a uns tempos não está a voltar ao mesmo e a ser acusado de ter quatro amantes.

Tudo oficializado, basicamente. Todos os dias vai havendo notícias também sobre o caso que envolve e as suspeitas que envolvem o ator António Capelo. E começa a aparecer o impacto também dessas acusações que tem sido alvo. O espetáculo "Ninguém", que é um monólogo que o ator interpreta, estava previsto ser exibido, subir ao palco do auditório do Cineteatro João Verde, em Monção, isto com data marcada para o próximo dia 4 de outubro. Acaba de ser cancelado. Informação confirmada pelo próprio teatro. E isto surge, de facto, nesta altura em que Capelo, de 69 anos, está a ser acusado, sobretudo por antigos alunos da escola que liderava no Porto, de situações de alegado assédio e abuso sexual ao longo de décadas. O caso está a ser investigado pela Inspeção-Geral do Ensino. "O Observador" tem sido um dos meios de comunicação que tem investigado. E no trabalho que fez há uns dias com relatos de alegadas vítimas, dizia que era o segredo, ou elas dizem que era o segredo mais mal guardado do Porto. Do Porto, porque a Academia Contemporânea de Espectáculo, é assim que se chama a escola, é no Porto. E no Facebook, o Cineteatro publicou uma nota sobre o cancelamento do espetáculo, citando motivos alheios àquela sala de espetáculos. Não é dito mais nada, um pouco como a questão das razões pessoais também, quando se tenta justificar a saída de alguém de alguma organização. Na agenda cultural do município, a página que estava dedicada ao evento também foi apagada. António Capelo não quis responder ao Observador sobre os motivos do cancelamento da peça e também Pedro Aparício, diretor do Teatro Gilão, que se demitiu ele próprio da direção da ACE este mês, depois destas suspeitas, e é produtor do espetáculo também, não quer pronunciar-se. Portanto, começam, no fundo, a haver impactos que até se diria normais decorrentes da situação, mas é um caso que está ainda a começar e vamos ver o que é que dão as investigações neste caso.