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Começa agora mais um episódio de Mundo IA, o jornal diário da Rádio Observador sobre a inteligência artificial. O episódio de hoje tem edição do Rui Casanova. Olá, Rui. Começamos no Reino Unido. O governo britânico vai investir €120 milhões num novo laboratório de biossegurança com IA.

Um laboratório que vai utilizar ferramentas de inteligência artificial avançadas para detetar e responder a possíveis ameaças biológicas. A OpenAI e a Anthropic vão contribuir com outros €240 milhões. O anúncio é feito pelo governo britânico em comunicado. O executivo de Andy Burnham descreve este laboratório como a primeira organização do mundo dedicada à biossegurança com inteligência artificial.

Mas o que é que vai fazer ao certo, Rui?

Para já, este laboratório tem duas tarefas, dois objetivos: identificar novas ameaças biológicas de forma antecipada e acelerar o desenvolvimento de vacinas e tratamentos. O governo britânico ressalva que este laboratório, este espaço, vai funcionar como uma organização independente, sem fins lucrativos, sendo que para já não é conhecido quem vai liderar este projeto, não se sabe onde vai ser ao certo, nem quando é que vai começar.

Entretanto, a SpaceX contraiu €35 milhões em dívida para financiar a compra de GPUs, os chips usados para criar sistemas de IA.

O anúncio é feito por Elon Musk, o dono da SpaceX, numa publicação na rede social X. O empresário explica que nas últimas semanas os mercados de dívida praticamente bloquearam o acesso a financiamento para qualquer empresa que não tenha receita substancial independente de data centers de inteligência artificial. Elon Musk não revela os nomes dos credores nem divulga a taxa de juros, sendo que a SpaceX também não tornou públicos os termos do financiamento. Elon Musk avança apenas com este valor: €35 mil milhões em dívida, com o objetivo de financiar chips para desenvolver novos sistemas de inteligência artificial.

E Rui, agora um alerta: os chatbots de IA são como fast food. Às vezes é muito bom, mas ao fim de um ano é pouco saudável.

É o alerta feito pela investigadora norte-americana Amelia Miller, que se dedica ao estudo da ligação entre os humanos e a tecnologia e também os impactos negativos dessa mesma relação. Em entrevista ao Observador, esta investigadora explica que, sem dúvida, a IA pode ter aspetos positivos no nosso dia a dia, mas chama a atenção para a excessiva dependência emocional criada sobretudo pelos chatbots. Miguel Pina Andrade.

Amelia Miller explica que muitas pessoas começam por usar ferramentas como o ChatGPT por razões profissionais, mas depois acabam por desenvolver, quase sem notar, uma relação emocional com a máquina. De tal forma que a investigadora decidiu lançar-se numa nova atividade: coaching de relações entre humanos e a inteligência artificial. A ideia é ajudar os utilizadores a gerir e a criar regras para essa interação, evitando que as máquinas prejudiquem as relações reais. Amelia Miller faz uma comparação muito simples. Para ela, a intimidade artificial é como fast food. No início, sabe muito bem ter um chatbot que é atencioso e nos acha inteligente, mas viver dependente disso durante meses ou anos torna-se tóxico. Esta investigadora dá workshops e faz sessões onde ensina pequenas estratégias para cortar essa atração. Por exemplo, pedir ao chatbot para numerar as mensagens e expor o tempo ali perdido ou então incentivar a passagem para o mundo offline. Sugere, por exemplo, que se escreva num diário de papel ou se cole um post-it no espelho, em vez de procurar sempre a validação digital.

Miguel Pina Andrade, aqui com os destaques desta entrevista ao Observador de Amelia Miller, uma investigadora de 29 anos. É formada em Ciências Sociais e Ciência da Computação. Dedica-se ao estudo do impacto da tecnologia no nosso dia a dia. Uma entrevista conduzida pela jornalista do Observador, Cátia Rocha, que está disponível na íntegra no nosso site.

E Rui Casanova, a fechar. A plataforma de inteligência artificial Grok divulgou o primeiro excerto de um filme totalmente gerado por IA.

Um filme baseado na obra "A Odisseia", de Homero. Esta iniciativa surge alguns meses depois de Elon Musk ter prometido uma versão historicamente precisa para rivalizar com a recente adaptação de Christopher Nolan. Este excerto foi criado em colaboração com a Wonders Studios e o realizador Dev Walker. Falamos de um excerto de sete minutos divulgado na rede social X. Apresenta Ulisses a preparar-se para a guerra de Tróia e combina efeitos visuais realistas com narração. Vamos aqui ouvir uma parte desse excerto.

"There was once a king whose cunning knew no equal. But an old oath had bound him to a distant war. To escape it, he played the madman, sowing salt into his own fields."

É o que estamos aqui a ouvir em fundo, este excerto de sete minutos divulgado pela Grok na rede social X.

Mas Rui, este projeto parece mesmo um filme, é realista?

Mais ou menos, Maria João. Há aqui algumas falhas. As imagens mostram algum tremor, estão um pouco tremidas. Nota-se, portanto, que as personagens são geradas por IA. A produção também tem sido alvo de críticas pelo diálogo rígido, falta de ritmo e ausência de emoção humana. Há quem compare nas redes sociais estas imagens a um videojogo. Veremos se em breve os filmes produzidos pelo Grok ou outros sistemas de inteligência artificial podem rivalizar com as produções de Hollywood.

Pois é, fica por aqui este episódio de Mundo IA. Voltamos amanhã com mais novidades, alertas e curiosidades sobre esta tecnologia.