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Ora, de mais um "Não se Fala de Outra Coisa".

Não se fala de outra coisa, não se fala de mais nada a não ser Taylor Humphrey. Nem por isso.

Quem é Taylor Humphrey?

Taylor Humphrey. Escolher o nome de um filho é talvez das decisões mais importantes da vida de uma pessoa.

E do filho. Há muitos que reclamam.

Exatamente. É, de facto, uma tarefa muito importante.

Sim.

É preciso ter muitas cautelas e por isso não é de estranhar que esta senhora, Taylor Humphrey, seja uma consultora de nomes para bebés e que cobra alguns dos seus clientes cerca de $30 mil.

$30 mil?

Pois é. Claro que estamos a falar de celebridades. Este aqui é o pacote mais caro.

O Elon Musk recorreu.

Não, esse foi sozinho.

Pensou sozinho. Não tinha $30 mil.

Não, não tinha $30 mil para pagar.

É exagero, mas pensou bem. Sim.

Taylor Humphrey vive em San Francisco, nos Estados Unidos, tem 37 anos, tem mais de 100 mil seguidores nas redes sociais e até agora ajudou, segundo contas da própria, mais de 500 famílias.

Famosas.

Envinheiradas ela não revela.

Ela diz que são famosas.

Ela não revela, não quer expor.

Claro, é sigilo.

Sigilo, porque quer dizer. Mas isto tem um método, não é feito à toa. Ela também tem outros pacotes mais baratos, de $1500, em que as pessoas aí-

É só o diminutivo. Levas com o refugo.

Pode ser através de chamada telefónica, que as famílias dão alguma informação.

Maria. É Maria e João. Maria e João. E João, não é Maria João.

E é assim que ela faz. Estas pessoas só têm $1500 para escolher o nome do bebé.

Sim, não vê mapa astral, não vê nada dessa coisa.

Mas olha que ela faz numerologia em relação aos nomes.

Numerologia tem tudo a ver com o Elon Musk.

Claro. E atribui um número a cada letra e depois traça a personalidade da pessoa.

Eu fazia isso no preparatório, para ver se o meu namorado gostava muito de mim.

Mas não ganhavas $30 mil.

Não ganhava nada. Nem juízo.

Perdeste uma ótima oportunidade de ter aqui uma carreira. Mas há, de facto, um público e clientela para este tipo de negócio, porque toda a gente reconhece que a escolha do nome é muito importante e pode ter impacto na vida futura das pessoas.

Não sei porque é que estás a dizer isso, Aníbal.

Aníbal.

Achas que um Aníbal nunca se candidataria a primeiro-ministro? Nem a presidente da República, nem pensar. São duas coisas.

Acho muito difícil. Acho extremamente improvável. Mas nos Estados Unidos, há uns anos, fizeram um estudo sobre os nomes de pessoas que enviavam os currículos para empresas e havia logo uma seleção feita à partida, em função dos nomes. Por exemplo, aqueles nomes que eram associados mais à população afro-americana, tipo Keisha.

Vamos voltar às nacionalidades.

E às etnias. E aqueles nomes tipo Tiffany, mais associados à população branca. Claro que faz bastante diferença. E esta consultora de nomes também procura que as celebridades evitem alguns erros que têm sido comuns. Por exemplo, houve aqui uma celebridade que batizou o filho de Aquaman. É uma influência das redes sociais e é este tipo de erro que Taylor Humphrey quer que as celebridades evitem. Quer dizer, não exagerem, não façam escolhas que depois podem arrepender.

Pois, a prazo depois as coisas parecem outra coisa.

E ela tenta adequar a proposta dos nomes, as sugestões dos nomes, à história das famílias e também aos valores que estas famílias pretendem passar para os filhos.

Eu o noto muito entusiasmado com este trabalho. Ele já está a juntar dinheiro para o próximo filho.

Não, eu não estou a juntar dinheiro. Eu queria era ser consultor de nomes.

Então, monta o teu negócio. Vai. Confia. Abre uma empresa.

Isto aqui também foi uma espécie de autoajuda para esta senhora, porque estava num momento a enfrentar algumas dificuldades por causa de uma doença autoimune, e então descobriu este passatempo.

Precisava de um desafio.

Descobriu que tinha jeito para escolher nomes para as crianças dos outros, que acho que é perfeitamente legítimo.

É a madrinha.

É a madrinha, sobretudo quando pode-se ganhar $30 mil a escolher um nome para os filhos de outras pessoas.

E que tal um feriado novo? Isto era uma coisa que vos agradava.

Viva o Santo António, viva o São João, viva 10 de Junho e a Restauração.

É o 24 de junho, que José Luís Carneiro foi a mais recente voz que se associou à ideia do feriado para assinalar a Batalha de São Mamede. Meninos, o que foi a Batalha de São Mamede? 24 de junho, próximo ano, calha numa quarta-feira.

Batalha de São Mamede, foi o D. Afonso Henriques, ou não?

Contra quem?

Contra quem? Olha, contra alguém.

Contra a mãe.

Contra a mãe.

Tudo por causa do nome Não gostou do nome e quis independentizar-se. Em 2028 vai fazer 900 anos sobre a Batalha de São Mamede e há uma petição, antes de José Luís Carneiro se ter associado a isto, exatamente para tornar esta a data fundadora de Portugal. A verdade é que se sabe muito pouco sobre esta batalha. Sabemos que Afonso Henriques teria 18 ou 19 anos, portanto estava ali num problema de adolescência com a mãe. Estava a andar a vós. Estava apoiado pelas quatro principais famílias nobres do Condado Portucalense. Fiquem a saber.

Isto é muito "Guerra dos Tronos".

Os Sousa, os Maia, os Ribadouro e os Baião estiveram ao lado.

Ribadouro isso não é uma cervejaria?

É verdade, fizeram frente às tropas de Dona Teresa de Leão. Afonso Henriques ganhou, Dona Teresa exilou-se na Galiza e a partir daí a história conta tudo o resto. Só que sabemos muito pouco. Não sabemos o local exato, acredita-se em alguns locais, algures por Guimarães. Não se sabe quantos militares é que participaram, não se sabe quantos morreram, não se sabe se Afonso Henriques estava mesmo lá, provavelmente sim, na retaguarda, mas não necessariamente. E até mesmo os historiadores dividem-se sobre as grandes datas fundadoras de Portugal. Além da Batalha de São Mamede, há também a de Ourique, em que as forças de Afonso Henriques lutaram contra as do Império Almavida, mas temos também o Tratado de Zamora, 1143 é a data que todos nós aprendemos como aquela que celebrou a data fundacional. Celebrou a paz entre Afonso Henriques e D. Mia. 5 de Outubro. Foi a 5 de Outubro. Há também a bula Manifestis Probatum. Também aprendemos na escola, 1179, quando o Papa reconhece a independência de Portugal e de Dom Afonso Henriques e dos sucessores como reis. Agora, quem decide os feriados, os historiadores podem ter aqui uma parte importante, mas a decisão cabe aos políticos e, se calhar, ainda mais aos economistas.

É São Bento. Já cantava o Carlos Paião. O Carlos Paião cantava: "Viva até São Bento se nos arranjar mais um feriado para festejar."

Pois, e às vezes cancelam-se feriados, às vezes percebe-se que os feriados estimulam a atividade econômica.