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Não se fala de outra coisa.
Não se fala de outra coisa e desta coisa fala-se muitas vezes, porque é uma fotografia já antiga. É a fotografia do padre mais famoso do célebre calendário romano. Eu aposto que se virem a fotografia vão reconhecê-la, porque ela reaparece periodicamente na comunicação social. É a fotografia de um jovem vestido de padre, com um belo rosto, um sorriso à Mona Lisa. Não é um sorriso daqueles a mostrar os dentes todos. Aliás, nem mostra os dentes.
Não mostra.
É um meio sorriso.
É sempre para deixar um misto de tentação.
É um mistério. Já foi tirada há 23 anos esta foto.
Está desatualizada, portanto.
Não, aí é que está. Não está desatualizada, porque continua a fazer sucesso nas lojas de souvenirs em Roma, lojas que vendem o tal célebre calendário romano e o protagonista da foto chama-se Giovanni Galizia, tinha, na altura, 17 anos. Foi fotografado à porta da igreja barroca Gesù di Casa Professa, em Palermo, que é a sua cidade natal. O que é que acontece? É que ele não é padre. Não é, nunca foi e nunca pensou ser.
Como é que isso é possível?
É verdade. E ele contou a história agora, na última semana, à agência AP: "Perguntaram se eu queria participar neste projeto e aceitei, e rapidamente saí à frente da igreja, no centro de Palermo, vestido de padre." Quem nunca? Isto é uma coisa que acontece frequentemente. Foi questionado sobre o sorriso, Giovanni Galizia diz que alguns consideram que é um sorriso sexy, mas que o que ele vê é um sorriso de embaraço. E porquê? Porque tinha os amigos a assistirem a tudo e a rirem-se dele estar vestido de padre, com a batina. Ele diz que não há nada de sensual, não há um indício de insinuação. Bem, mas isso não cabe a ele avaliar.
Eu estou a ver aqui uma fotografia dele atualmente com o calendário de 2027. Isto continua.
2027? Todos os anos.
Do próximo ano?
Claro, porque a fotografia é um sucesso. Eu aposto que já houve muita boa gente a converter-se ou a pensar em converter-se, ou se calhar a abandonar a religião por causa desta fotografia de Giovanni Galizia. Ele contou um pouco mais da história. Diz que o fotógrafo chamava-se Piero Pazzi e que ele queria descrever as cidades através de uma série de fotos. Veneza teria os gondoleiros e Roma teria, claro, os padres. E então encontrou em Palermo o padre ideal, que afinal não era padre, mas continua a fazer muito sucesso.
Não me leva a questionar se os outros são, porque depois há outros meses.
Pois.
O Fernando Lisboa era só capa.
Eu, por acaso, não sei se estava num dos meses. Mas aquilo acaba por aparecer em canecas, noutras recordações. Diz-se: "Quem vai a Roma tem de ir ver o Papa", mas não é preciso ver o Papa, basta ver este padre que não era padre.
Exato. E em Hong Kong não se fala de outra coisa, porque abre de hoje a oito dias a primeira loja de pastéis de nata portugueses em Hong Kong.
Opa!
É verdade.
Olha, devíamos estar lá em dia.
É verdade, de hoje a oito dias. Mas os pastéis começam a vender-se já hoje, ainda assim. É um espaço situado na zona central de Hong Kong que, após vários anos, a responsável por esta instituição, a maior instituição da comunidade lusocendente de Hong Kong, decidiu convidar um grupo muito conhecido para lançar a Manteigaria Fábrica de Pastéis de Nata em Hong Kong. E vai abrir precisamente de hoje a oito dias, apesar de hoje já se poder provar. Sendo que este responsável, o diretor-geral da empresa, explica à Lusa que esta ligação já vem de longe. Ele viveu em Lisboa, num prédio adjacente à primeira Manteigaria no Chiado.
O cheirinho.
Exatamente. Surgiu a oportunidade e diz que não pensou duas vezes. Ficou muito motivado, entusiasmado por abraçar esta oportunidade, porque, diz ele, é a primeira vez que uma empresa portuguesa e com este produto português se tenta estabelecer a este nível em Hong Kong. É a primeira experiência que ele tem. Parte da equipa de 12 pessoas já está a ser treinada nas lojas da Manteigaria em Macau, onde já existem Macau, já há 12 pessoas a serem treinadas. E o que é que têm de especial estes pastéis de nata ali em Hong Kong? Porque eu imagino que existam algumas réplicas ou alguns pastéis deste género lá em Hong Kong.
O que é que eles têm de especial?
É que, ao contrário de parte da pastelaria vendida em Hong Kong, que não é feita fresca, estes pastéis de nata são feitos na própria loja. A cada meia hora sai uma fornada de pastéis de nata nesta loja de Hong Kong. Portanto, são mais quentinhos, mais fresquinhos, e são feitos ali na hora.
Tenho saudades de comer um pastel de nata destes.
Muitas saudades. Eram uma maravilha.
Saía bem, aliás, não adiantava.
Eu acho que o último pastel de nata que comi foi na Cidade do México.
Foi?
Não sei se foi o último, é capaz de não ter sido o último. Mas no estrangeiro foi.
No estrangeiro?
No estrangeiro.
E soube bem?
Soube bem. Soube muito bem. Num café de um português, como não podia deixar de ser. E muito popular entre os mexicanos. Aliás, o pastel de nata-
Eu gosto de pastéis de nata. Travesseiros sempre.
Basta conhecer esses doces para se ficar encantado. Razão tinha o atual governador do Banco de Portugal.
Exatamente, quando falou. Mas deixa-me só dizer também que esta receita, que está a ser testada em Macau e que vai ser vendida em Hong Kong, tem uma particularidade que é uma redução para metade do açúcar presente no pastel de nata. Não sei se dá na mesma coisa, mas é um bocadinho mais saudável. O certo é que já foram gastos cerca de 4 milhões de dólares de Hong Kong, que são 450 mil euros, para abrir este espaço nesta que é uma das cidades mais caras do mundo. É um investimento que a empresa espera recuperar em dois anos, portanto vai ser fácil. Esta maravilhosa loja situada, diz o responsável, no centro de uma cidade com 7 milhões de habitantes e que quer atrair tanto turistas como os próprios residentes, os locais que trabalham em muitos escritórios à volta, para provar os nossos famosos pastéis de nata.