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Não se fala de outra coisa. Parece que Donald Trump tem tido alguma dificuldade em manter-se acordado durante os eventos na Sala Oval.

Olha, também eu. Não na Sala Oval.

Deixem o Trump dormir. No último, houve um senhor que desmaiou, não sei se viram as imagens. E aí, sim, ele saltou da cadeira. Saltou, não, levantou-se.

Levantou-se.

Levantou-se da cadeira, mas até isso acontecer, ele pareceu estar a lutar para se manter acordado enquanto o secretário de saúde, o Robert F. Kennedy Junior, e dois outros deputados revavam no discurso. E como começaram logo a circular imagens dessa conferência de imprensa, o Washington Post foi fazer a análise dos vários feeds de vídeo que andaram a circular e descobriu que Donald Trump passou uns 20 minutos, aparentemente, a lutar para manter os olhos abertos no evento de quinta-feira. Nas imagens, vê-se ele a fechar os olhos, a colocar a mão na testa, a inclinar-se na cadeira. Lembra-se o que fazíamos nas aulas, quando estávamos com muito sono?

Então?

Para combater aquela vontade de dormir.

Ainda hoje.

Em algumas reuniões.

Hoje ainda é pior.

Olha o Paulo, agora.

Em algumas reuniões. Há quem explique que é para evitar estas coisas mais demoradas, mais paradas, que ele, um presidente de 79 anos, mantém normalmente um cronograma de viagens muito vigoroso. Até os próprios assessores dizem que lutam para o acompanhar. Mas agora, depois destas cenas, ele está a ser muito criticado, sobretudo pelos democratas, que o lembraram daquilo que Trump chamava ao antecessor, o Sleepy Joe Biden. E houve quem não perdesse tempo a ridicularizar o presidente norte-americano, recuperando a alcunha do Dozy Don, ou seja, o Don Dorminhoco. Portanto, agora é alcunha contra alcunha, ver qual deles está mais para as curvas. 79 anos, está mais velho.

Quem nunca passou por uma destas que atire a primeira pedra.

É verdade.

É muito difícil em algumas situações se manter.

Sobretudo quando se tem horários malucos para dormir.

E aquelas cerimónias.

Sim, não deve ser vida fácil. Independentemente das asneiras que ele faz, não deve ser vida fácil.

Lembramos-

E, às vezes, uma pessoa tem noites mal dormidas e custa muito manter.

E todos nós nos lembramos daquela-

Andar de pinçada com obras lá na Casa Branca, preocupado. Olha o barulho! A escolher as louças da casa de banho e isso tudo.

Só preocupações. Desgasta uma pessoa.

Mas quem não tem? Olha, quem desgasta, o que está a desgastar muito, e é um assunto muito sério, tem a ver com liberdade de imprensa, diria eu. Em relação a Itália, o correspondente de uma agência de notícias em Bruxelas, a Agência Nova, foi demitido. Ele estava há um mês a trabalhar nesta agência, e foi demitido depois de ter colocado uma questão sobre Israel à porta-voz da Comissão Europeia. Qual foi a pergunta, ipsis verbis, dirigindo-se à porta-voz, disse o jornalista: "Repetiu várias vezes que a Rússia devia pagar pela reconstrução da Ucrânia. Acredita que Israel também devia pagar pela reconstrução de Gaza, uma vez que destruíram quase toda a infraestrutura civil?" Foi esta a pergunta colocada. Não foi respondida, a resposta foi muito evasiva. O momento ficou rapidamente viral e duas semanas depois desta pergunta, o jornalista recebeu um e-mail da agência empregadora a dizer que a relação laboral terminaria no dia 1 de dezembro. O porta-voz da agência depois confirmou, não alegou razões nesse e-mail, mas depois confirmou que tinha sido por causa de uma pergunta tecnicamente incorreta, uma questão que já teria sido explicada ao jornalista, que, diz o porta-voz da agência, não conseguiu entender a diferença formal e substancial. No primeiro caso, no caso da Rússia, foi a Rússia invadir um país independente sem ser provocada. Israel limitou-se a responder a um ataque. O jornalista insiste que a pergunta estava correta, diz que é um facto que Israel destruiu quase completamente Gaza, não é uma opinião, pelo contrário, diz ele, seria enviesado ignorá-lo e não colocar esta pergunta. Isto está, naturalmente, a dividir, nomeadamente os eurodeputados. Muitos colocaram-se ao lado do jornalista, muitos acabaram até por fazer a mesma pergunta à Comissão Europeia, alegam que nenhuma pergunta é descabida, depois a resposta caberá. Caberá depois essa distinção ser ou não feita. A questão ainda ganhou maior importância em Itália, com a Ordem dos Jornalistas e a Federação Nacional da Imprensa Italiana a dizer que este não é um único caso, mas começa a haver sinais de censura no país. Lembram estes jornalistas que é inaceitável que uma questão, independentemente de ser desconfortável, custe o trabalho a um jornalista. Isto não vai acabar, porque aqui já este fim de semana havia um outro jornalista a colocar a mesma questão, ou melhor, a colocar a questão do despedimento à Comissão Europeia. A Comissão Europeia alega, a resposta era: "Nós somos defensores da liberdade de imprensa", e o jornalista replica: "Então, já agora, acha que Israel deve reconstruir ou não Gaza, colaborar nos esforços de reconstrução de Gaza?" O assunto vai continuar seguramente a ser falado.