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Não se fala de outra coisa. Do Noma, aquele restaurante em Copenhague, três estrelas Michelin, e de como caiu em desgraça com as notícias em torno do chefe e um dos cofundadores do restaurante e do conceito, que entretanto foi crescendo por todos os lados. Foi, de facto, o Noma arrastado pelas notícias por causa do nome do Noma. Não será assim, René Redzepi, não me atrevo a tentar dizer corretamente o nome deste homem, que acabou por se demitir da empresa, agora na sequência das alegações de que terá abusado, humilhado, maltratado os funcionários durante anos. Foi num crescendo. A gota d'água terá sido agora o conceito do pop-up Noma em Los Angeles, que ia arrancar. Os patrocinadores retiraram o apoio. Abriu, aliás, na quarta-feira, e o chefe que deveria liderar esta operação acabou por anunciar que se iria afastar. Aparece no vídeo a pedir desculpa à equipa, ainda assim a admitir que um pedido de desculpas não chega, assumindo as responsabilidades pelos atos e dizer que não foi capaz de lidar com a pressão. O que é certo é que as últimas semanas têm sido marcadas, de facto, por um historial de violência. Começa com um antigo responsável pelo laboratório de fermentação. Imagine-se o conceito do restaurante que tinha um laboratório de fermentação, mas foi esse antigo funcionário que começou a publicar relatos dos abusos que testemunhou, partilhou histórias também que foram enviadas por outros funcionários. E no último fim de semana, o New York Times publicou também uma reportagem com relatos arrepiantes de coisas que aconteciam no restaurante. Fala mesmo de humilhações sexuais, algumas delas, socos, enfim, uma coisa muito complicada, e também a utilização de estagiários não remunerados durante anos a trabalhar 16 horas por dia, os estagiários e não só. É um relato que mostra um pouco os bastidores da alta cozinha, da pressão, da forma como este trabalho se tornou também uma indústria muito competitiva levada ao extremo. Vivemos por aquela série "The Bear", não é? "The Bear", exatamente. É um estresse permanente. É um estresse permanente. Acontece também na vida real e está a acontecer num dos restaurantes mais prestigiados, e a questão da reputação é muito importante também.

Como se vê.

Como se vê.

Porque a ascensão foi alta, mas agora também a queda.

A queda está a ser muito estrondosa.

Muito bem. Olhe, quem está de parabéns por estes dias é o Twitter. Fez no sábado, exatamente 20 anos, que foi publicado o primeiro tweet, na altura ainda uma coisa experimental, mas bastaram três anos depois do lançamento para conquistar políticos, celebridades, enfim, músicos, atletas, toda a gente, se quisermos, e estes tornaram-se seguidos por milhões de pessoas. Mas foi de facto a 21 de março de 2006, que Jack Dorsey, que é um dos cofundadores do Twitter, entretanto, como sabemos, já o venderam a Elon Musk. Ele publicou o primeiro tweet sempre, ele próprio, que dizia: "Só a configurar o meu Twitter." Twitter aqui escrito até com abreviaturas, T-W-I-T-T-E-R. Mas foram precisos depois mais alguns meses, desde esta primeira comunicação inicial, até o Twitter estar disponível para o grande público. Isso aconteceu então em julho de 2006. Na altura, as mensagens limitadas a 140 caracteres. Entretanto, aumentaram já para cerca do dobro.

Agora sim, as discussões são profundas.

Profundíssimas. Agora dá pra argumentar ali, nem sabemos às vezes fazer conta de caractere. Barack Obama foi um dos primeiros a juntar-se à rede ainda em 2007, e ainda é o segundo utilizador com maior número de seguidores. São quase 120 milhões. Quem é que está à frente dele? Quem é o utilizador com mais seguidores? É o próprio Elon Musk, claro, o dono da atual rede social, que tem quase o dobro dos seguidores de Barack Obama, tem 237 milhões. Ora bem, vamos aqui um bocadinho a um jogo do primeiro tweet. O primeiro tweet da conta pessoal de Obama foi ainda antes da campanha para as presidenciais de 2008, nos Estados Unidos, que ele viria a ganhar. E ele escreveu na altura: "Pensar que estamos a apenas uma assinatura de acabar com a guerra no Iraque." Sobre a guerra, sobre uma guerra no Oriente Médio. Portanto, há coisas que não mudam apesar do tempo. Na altura, ele era candidato e este foi o seu primeiro tweet. Mais tarde, quando já estava no segundo mandato, Obama passou a ter uma outra conta na rede, é a conta POTUS, aqui, portanto, as iniciais de President of the United States, é a conta oficial usada pelo chefe de Estado norte-americano, ou que era usada por ele como chefe de Estado, e nessa conta oficial ele escreveu: "Olá, Twitter, é o Barack mesmo. Seis anos depois, finalmente estão a dar-me a minha própria conta." Esta conta está disponível ainda, mas não é usada desde que Obama saiu da Casa Branca. Funciona agora como um arquivo do 44º presidente. Sabemos que Donald Trump utiliza a sua própria conta no Twitter. Elon Musk, então o dono da Tesla e também do X, publicou pela primeira vez em junho de 2010, portanto, foi daqueles que chegou mais tarde, comparando aqui com Obama. E o seu primeiro tweet foi: "Por favor, ignorem os tweets anteriores. Era alguém a fazer-se passar por mim. Sou mesmo eu." Em 2009, Trump tinha outra personalidade no Twitter. A sua estreia foi muito diferente do papel que ele tinha na altura, da postura que tem agora e que marcou depois a sua caminhada até a Casa Branca. O que dizia esse primeiro tweet publicado em maio de 2009? Dizia: "Liguem-se e vejam Donald Trump no 'Late Night Show' com David Letterman a apresentar a lista dos 10 melhores esta noite." Ora bem, Trump, na altura, era o anfitrião, o apresentador de um concurso televisivo, "The Apprentice", o estagiário, basicamente. No fundo, ele escolhia alguém para trabalhar numa das suas empresas. Depois o seu perfil mudou, sabemos, ao ponto a que chegamos agora. Donald Trump utilizou também o Twitter para fazer a criação daquilo que é a sua persona política. Não é só de político que se faz o Twitter. O português Cristiano Ronaldo tem 106 milhões de seguidores na plataforma. É a quinta conta mais seguida. Antes dele, está o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que tem o quarto lugar com 106,4 milhões, portanto, uma diferença curta de Cristiano Ronaldo. Obviamente que o primeiro-ministro indiano conta com o país com mais população no mundo neste momento, portanto, tem uma base de potenciais seguidores muito maior. Ronaldo estreou-se em junho de 2010 com um tweet simples a dar as boas-vindas à conta. O Vaticano, por exemplo, chegou ao Twitter em 2012, em várias línguas, como se entende, foi o Papa Bento XVI, o primeiro líder da Igreja Católica a ter conta no Twitter, a conta @Pontifex, no caso da conta em português, depois há que acrescentar o _pt. E uma mensagem, obviamente, papal: "Queridos amigos, é com grande prazer que me dirijo a vós através do Twitter. Obrigado pela vossa generosa resposta. Abençoo-vos a todos do fundo do coração." Foi o que escreveu o Papa nessa altura. Depois, uma referência mundial também, nos negócios e na tecnologia, Bill Gates. Chegou lá em janeiro de 2010, com um: "Olá, mundo. Estou a trabalhar no duro na carta da minha fundação, que será publicada a 25 de janeiro." A Fundação de Bill Gates viria depois a nascer com um trabalho importante na área humanitária de saúde, sobretudo em África. Enfim, algumas primeiras palavras no Twitter, 20 anos depois, àquela referência das últimas palavras famosas. Aqui vamos ver. Aqui são as primeiras.