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Hora de mais um Não Se Fala de Outra Coisa. Paulo, eu sei que chegaste agora de férias, mas acho que não dizes que não a um spa de vinho e cerveja.

Vamos a isso. Nunca se diz que não a uma coisa dessas.

Já abriu em Lisboa, em plena baixa, no Chiado, um spa totalmente inovador em Portugal, o Beer & Wine Spa Lisbon. Mais português do que isto não há.

Vamos lá ver esse nome. Senão antes perdi-se de produtos. Vamos lá.

De onde é que vem a ideia? Da República Checa, onde já é tradição usar cerveja e vinho em terapias de relaxamento, porque dizem que o lúpulo, a cevada e até a levedura têm propriedades benéficas para a pele, para o corpo. Não faz saber muito sentido da parte de dentro.

Para mergulhar.

Este novo spa fica na Rua do Alecrim, tem várias banheiras de madeira, sauna, uma sala de descanso, até aqui parece um spa normal, mas no lugar da água há cerveja ou vinho. E mais, cada banheira vem equipada com uma torneira de cerveja para que enquanto estamos de molho, possamos beber à vontade. E sim, as bebidas são ilimitadas.

Mas não estamos de molho na cerveja.

Também não. É para fazer bem à pele, não é só ao interior. Há dois circuitos principais: o básico custa cerca de €54, dá acesso ao banho de vinho ou cerveja, sauna, zona de relaxamento e bebidas sem restrição. E depois há o premium.

Bebidas sem restrição?

Sim, sempre sem restrição. Depois há o premium de €79, que além disto tudo, abre as portas a uma carta completa, desde champanhe a uísque.

Na parte das bebidas, não da parte dos banhos.

Estou todo torcido.

Mas nos banhos também é possível fazer mistura ou não convém? Ou a mistura faz mal?

Se calhar faz bem à pele. Quem não bebe álcool ou tem menos de 18 anos tem um circuito próprio por €29, com direito a banhos, sauna e bebidas sem álcool. Para acompanhar o spa, não se fica só pelas bebidas, também há tapas e sushi.

Isso do spa já começa a ser um detalhe no meio disso tudo. Tu começas a contar-nos a história do spa, agora já há tapas, há bebidas ilimitadas. Ok.

É esquecer o conceito de spa que conhecíamos até hoje.

Ajuda à digestão e o spa fazer mal.

Claro, vamos lá, mas e esses banhos? Onde é que estão essas bebidas e essas tapas?

Há muitos espalhados pelo mundo, agora Lisboa também tem o seu Beer and Wine Spa Lisbon. Mais português do que isto não há.

Eu gostava de saber se as castas dos vinhos também têm importância. Queria um banho numa Touriga Nacional.

Exatamente. Syrah. Syrah.

Syrah. Muito bem. Olhem, não se fala de outra coisa, do assassinato de Charlie Kirk e do impacto das ondas de choque que isso está a provocar e do mundo estranho em que nós vamos estando. E dá para perceber isso por algumas reações. Dezenas de mensagens nas redes sociais sobre o assassinato de Charlie Kirk, incluindo algumas que celebraram a sua morte, e nós lemos seguramente bastantes, estão a ser denunciadas por ativistas conservadores nos Estados Unidos, por funcionários eleitos republicanos, portanto, membros da administração americana, de entidades públicas americanas. E há mesmo um site de doxxing. Doxxing é a prática comum nas redes sociais de divulgar, de partilhar ou obter e partilhar publicamente informações pessoais privadas, como o nome completo de pessoas que eventualmente estão na rede social sob anonimato, o local onde trabalham, eventualmente a morada, números de telefone e por aí fora. No fundo, fazer o disclosure desse tipo de informação, expor as pessoas de alguma maneira. E há um site que foi criado para isso, chama-se Charlie's Murderers, onde estão a ser reunidas um conjunto de mensagens, mensagens essas públicas nas redes sociais, as tais que celebraram ou pelo menos diminuíram a morte de Charlie Kirk. O domínio deste site foi registado anonimamente, já recebeu 30 mil submissões. Submissões são pessoas que enviam para lá.

Informação.

Informação. Vão às redes sociais, ao Twitter, ao Instagram e por aí fora, fazem o copy da imagem de uma mensagem que tenha celebrado de alguma maneira.

E enviam para esse.

E enviam e depois é publicado imediatamente.

Como uma denúncia.

Uma denúncia. Uma denúncia, lá está, de factos que são públicos, porque aquilo, no fundo, reúne. Mas é uma denúncia para todos os efeitos. Esta pessoa que tem este perfil, que se chama XPTO na rede social, escreveu isto nas redes sociais sobre a morte deste influenciador político, se quisermos. Há 30 mil submissões. Atualmente há algumas dezenas que estão publicadas, destas participações que estão publicadas no site. E os próprios dinamizadores deste site dizem que brevemente ele será convertido numa base de dados pesquisável de todas as denúncias, filtrável por localização e por setor de atividade. Dizem eles que se trata de um arquivo permanente que vai ser continuamente atualizado de ativistas radicais que apelam à violência. É assim que eles chamam às pessoas, que de alguma forma, enfim, ou diminuíram ou até aplaudiram a morte de Charlie Kirk. No X também há uma conta que começou um trophy case, que é uma mega thread, portanto uma mega colagem de mensagens de todas as pessoas que estão a ser despedidas.

Pois, era isso que eu ia falar.

Exatamente. Está a acontecer. E esta conta vai sendo atualizada à medida que as notícias chegam. Há dezenas de entradas de pessoas que dizem ter perdido o emprego.

Pelo menos isto em vez de parar ainda alimenta mais este ódio.

Obviamente, não vai acalmar os ânimos, certamente. Há dezenas de pessoas que dizem ter perdido o emprego devido aos seus comentários na sequência da morte de Kirk. A MSNBC, uma das cadeias principais de televisão norte-americanas, despediu o analista político Matthew Dowd, que afirmou que a retórica de Kirk podia ter contribuído para o tiroteio. E o próprio presidente Trump, obviamente, já comentou este caso, diz que este tipo foi despedido, cito Donald Trump, que é um tipo terrível, é um ser humano terrível, mas despediram, não ouvi dizer que estão a despedir outras pessoas. Foi o que o Trump disse na Fox na sexta-feira de manhã sobre isto. Algumas pessoas cujos posts foram assinalados dizem que, de facto, estão a ser alvo de uma enxurrada de assédio, receiam ser vítimas de violência. Algumas autoridades republicanas eleitas estão a divulgar as pessoas que publicaram mensagens sobre o assassinato de Kirk, incluindo alguns funcionários do setor público, como professores. Há uma senadora republicana do Tennessee que afirmou que um funcionário da universidade desse estado devia ser demitido depois de escrever que tinha zero simpatia pela morte de Kirk. A universidade confirmou à CNN, através de um comunicado, que o funcionário foi mesmo despedido com efeitos imediatos. E está a haver, de facto, esta caça, se quisermos, esta procura de pessoas que de alguma forma mostraram alguma indiferença pela morte deste Deste divulgador.

É um pouco mais do que indiferença em alguns casos.

Em algum caso é celebração.

Alguém que diz que tem zero simpatia pela morte não está propriamente a celebrar.

Não está a celebrar. Há tudo, nós sabemos. Há a indiferença, há a relativização, há a celebração também.

Sim, claro.

E há pessoas que tentam analisar isso de outra maneira, que é olhar para aquele tipo de discurso e perceber até que ponto não é um discurso que ele próprio pode levar a uma violência. Sem nunca, obviamente, nem de perto nem de longe, justificar a utilização de violência, muito menos o assassinato de alguém.

É saber também até que ponto isso pode ser, de alguma forma, penalizado, até judicialmente.

O incitamento ou a celebração, se quiseres, ou agora as consequências que eventualmente são temos aqui várias camadas.

A pessoa pode ser despedida se o patrão decidir.

Nos Estados Unidos, sim.

Nos Estados Unidos, sim. Mas será equilibrado?

Ser despedida pela opinião nem é algo que o próprio Charlie Kirk defendesse.

Estamos a falar de opinião, por muito chocante que seja, para algumas pessoas são coisas escritas nas redes sociais, ao contrário do que possa ser um incentivo à violência.

Claro. Mas o caminho que tudo isto está a seguir é preocupante. E esta questão da base de dados a partir de um site levanta 1001 questões, não só judiciais, como de presença no espaço público, se quisermos.

Claro.