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Rádio Observador, são 10h. As notícias com Carla Jorge Carvalho. O PSD considera o virar de costas de Pedro Delgado Alves, no final do discurso do presidente da Assembleia da República, uma falta de respeito. Ainda assim, os sociais-democratas admitem rever o acesso às declarações de rendimentos dos titulares políticos. Foi no Explicador desta manhã. Em causa está o momento em que Aguiar Branco criticou o excesso de escrutínio dos políticos, defendendo que transformou a política num reality show. Pedro Delgado Alves mostrou-se contra, virou as costas durante a sessão solene, uma atitude criticada hoje pelo vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Hugo Carneiro. Diz que a lei da transparência, tal como está, acaba por tornar a política cada vez menos atrativa.

Foi criado um emaranhado de normas ao longo dos últimos anos, provavelmente até por declarações políticas do senhor deputado Pedro Delgado Alves. E ele tem bastante responsabilidade nisso e talvez também sinta essa amargura. E esse emaranhado de normas, de facto, afasta muitas das vezes os melhores da política. Eu lembro-me de todos os deputados terem sido passados a pente fino por um determinado órgão da comunicação social e toda a sua vida patrimonial apareceu sem qualquer relevância numa determinada publicação jornalística. Isso promove o voyeurismo.

Hugo Carneiro, que admite também que o PSD poderá vir a promover no Parlamento uma alteração legislativa ao acesso às declarações de rendimentos de políticos, contrariando assim a posição assumida por Hugo Soares, que já defendeu que a declaração de rendimentos e interesses deve deixar de ser de acesso público. Pedro Delgado Alves volta a justificar o protesto, diz que está a crescer um discurso na Assembleia da República que tem como objetivo diminuir o escrutínio sobre os deputados e o governo. Alerta que esse é um dos principais problemas que a democracia está a enfrentar.

Quer-se fazer um exercício de melhorar esse equilíbrio e esse balanço? Pode-se fazer esse raciocínio, pode-se ver se, no caso concreto, há situações que podem ser simplificadas na comunicação de informação. Agora, acima de tudo, não se deite fora o bebé com a água do banho, não se mate a transparência. E o tema que eu coloco em cima da mesa e o tema que me parece especialmente criticável ontem é esse. Há uma narrativa a crescer junto de alguns decisores políticos para eliminar, restringir fortemente a transparência da fiscalização das contas, do funcionamento da administração pública, no acesso a documentos produzidos pela administração pública, e esse é o problema que a democracia tem.

Pedro Delgado Alves no debate desta manhã no Explicador com o CHEGA, a deputada Cristina Rodrigues, a defender uma legislação mais equilibrada entre a transparência e o acesso público à informação do património dos políticos. Ainda assim, Cristina Rodrigues admite que os discursos de José Pedro Aguiar Branco e de António José Seguro na sessão solene do 25 de Abril pareceram contraditórios.

Eu subscrevo as palavras do Hugo Carneiro relativamente a esta matéria, sem prejuízo de também acharmos que é importante que possa haver um escrutínio público. Agora, tem que haver um equilíbrio e atingirmos esse equilíbrio é da maior dificuldade.

E ainda não estamos nessa fase do equilíbrio?

Eu acho que podemos não estar. Aliás, nós se olharmos para os dois discursos, tanto do presidente da República como do presidente da Assembleia da República, de facto, eles pareceram ligeiramente, talvez contraditórios, ou pelo menos um talvez estivesse a pedir mais transparência e outro a pedir mais equilíbrio, o que reflete que é necessário haver discussão sobre esta situação.

Cristina Rodrigues, Pedro Delgado Alves e Hugo Carneiro, os convidados do Explicador desta manhã dedicado ao discurso de José Pedro Aguiar Branco na sessão solene do 25 de Abril. E falamos agora da privatização da TAP. O antigo administrador da companhia aérea, Miguel Frasquilho, não dá como garantido que a guerra no Medio Oriente prejudique o valor de compra da empresa. Esteve na comissão de inquérito da Rádio Observador há instantes. Miguel Frasquilho desvaloriza os impactos do conflito no Medio Oriente neste processo de privatização da TAP, sublinha a importância das rotas americanas e aguarda agora as propostas da Air France, KLM e da Lufthansa.

Vamos ver, temos que aguardar. Para já são dois competidores muito fortes e eu acho que qualquer um deles dá garantias de que continuaremos a ter uma TAP forte, aliás, mais forte, porque vai ficar junto a uma grande família de aviação.

Mas será que o preço será menos apetecível agora, não?

Veremos. Porque a TAP tem vários ativos que são muito interessantes. Eu diria que os dois mais valiosos, e sobretudo o mais valioso, está nas rotas para o Brasil. A TAP é praticamente monopolista, voa, salvo erro, para 12 cidades brasileiras. Não há outra airline que faça isto nas rotas para a Europa. Os brasileiros veem a TAP como a sua companhia.

Miguel Frasquilho, antigo administrador da TAP, o convidado da comissão de inquérito da Rádio Observador. O empresário apela ainda a uma maior flexibilização no mercado de trabalho. Dá como exemplo o caso da Dinamarca. Nos Estados Unidos, o suspeito do tiroteio no jantar de correspondentes da Casa Branca vai ser hoje presente a um juiz. Pode vir a ser acusado de tentativa de homicídio de Donald Trump. Possibilidade admitida pelo procurador-geral interino dos Estados Unidos numa entrevista à CBS. O suspeito, professor Cole Thomas Hall, de 31 anos, residente na Califórnia, foi detido depois do tiroteio no jantar com jornalistas e com algumas das principais figuras do Estado norte-americano. Atingiu um agente dos serviços secretos que foi hospitalizado, mas que entretanto já teve alta. Está para já acusado de agressão, disparo de arma de fogo e tentativa de homicídio contra agentes federais. Escreveu um manifesto minutos antes do tiroteio, em que admitia que os alvos eram elementos da administração Trump, sem especificar quais. E a segurança do evento está a ser criticada. A Casa Branca não atribuiu segurança máxima ao jantar de correspondentes, apesar da presença de um elevado número de governantes. Escreve o Washington Post que normalmente os serviços secretos ficam responsáveis por coordenar a segurança destes eventos, mas não foi o que aconteceu no sábado. O presidente dos Estados Unidos foi o segundo elemento da Casa Branca a ser retirado pelos agentes. O primeiro foi o vice-presidente, J.D. Vance. À entrevista à CBS, Donald Trump afasta qualquer atraso na resposta das autoridades, explica que foi ele próprio a dificultar o trabalho dos agentes pela curiosidade sobre o que estava a acontecer.

It was a little bit me. I wanted to see what was happening

A culpa foi um bocado minha. Eu queria ver o que se passava e não lhes facilitei a vida. Queria ver o que estava a acontecer à minha volta. Estava rodeado de ótimas pessoas e provavelmente tornei a atuação dos agentes mais lenta. Depois, começamos a andar, a sair, pediram para eu me baixar. Pediram, por favor, para me atirar para o chão. E foi o que fiz, e a primeira-dama também se baixou.

Ainda nesta entrevista, Donald Trump descreveu o suspeito como uma pessoa doente. Na análise esta manhã, o tenente-general Marcos Serronha acredita que a tentativa de ataque neste jantar terá sido um ato isolado e explica que até pode ajudar a recuperar a popularidade de Trump, olhando para o que se está a passar no Irão.

Evidente que o processo investigativo continua, mas tudo acho que é a descartar. Foi um ato isolado, por assim dizer, não enquadrado em nenhum grupo. Se esta situação tiver inserido uma alteração na dinâmica de perda de votos que Donald Trump estava a ter, pode eventualmente dar-lhe mais lastro em termos internos, da questão interna dos Estados Unidos relativamente à guerra do Médio Oriente, e dar a possibilidade de Trump ter uma postura mais em prol do esforço de guerra do que nos parecia que estava a ter até agora.

Análise do tenente-general Marcos Serronha no gabinete de guerra desta manhã. Donald Trump garante também que a viagem do rei Carlos III de Inglaterra aos Estados Unidos vai acontecer com total segurança. É uma visita oficial que começa hoje, continua até quinta-feira. O Palácio de Buckingham confirma também que a visita se mantém, apesar desta tentativa de ataque do último sábado. São 10:08, já a seguir o Contracorrente. Primeiro, Carla, que outras notícias merecem destaque a esta hora? Ainda a atualidade internacional, pelo menos 14 pessoas morreram e outras 37 ficaram feridas no ataque de ontem de Israel ao Líbano. Os números são divulgados hoje pelas autoridades libanesas numa publicação na rede social X. O exército de Israel acusou o Hezbollah de violar o cessar-fogo e, por isso, diz que teve de agir. Ainda pelo Médio Oriente, o Irão apresentou uma nova proposta para a reabertura do Estreito de Ormuz, informação avançada pelo portal Axios. Com esta proposta, ficam adiadas para mais tarde as negociações sobre o programa nuclear. Um responsável norte-americano citado pela mesma fonte adianta que Donald Trump deve analisar hoje o atual impasse e possíveis passos a seguir. O lucro da Galp disparou mais de 40% desde o início deste ano. No primeiro trimestre, a petrolífera portuguesa lucrou 272 milhões de euros. A contribuir para estes resultados esteve o aumento de 23% na produção de petróleo e gás natural, dados divulgados esta manhã pela Galp. O IPMA subiu o número de distritos sob aviso amarelo. Amanhã, por causa das previsões de chuva e trovoada, passam de oito para 11. Hoje, os distritos de Vila Real, Viana do Castelo e Braga vão estar sob aviso amarelo entre o meio-dia e as 18h. O IPMA prevê aguaceiros, por vezes fortes, possibilidade de queda de granizo e de trovoada. E agora vamos falar de uma despedida de solteiro, no caso de solteira. Vocês são daqueles que vão? Tia, há tanto tempo não vou. Não.

Eu também não.

Séculos. Também não. Porque é que ris, Paulo?

Porque é suposto as solteiras estarem com as amigas e os solteiros-

Sim, mas e de solteiro também. É suposto, não quer dizer que aconteça.

Nunca fui muito fã disso, confesso. Mesmo do princípio. Enfim, nós não vamos discutir filosofia agora.

Há aqui uma história. Não, não vamos. Vamos antes para um caso que aconteceu de uma despedida de solteira em Florença, à Itália, a noiva foi com as amigas. Sabem como é o ambiente, não é?

Florença é sempre um bom sítio.

E estavam na rua, a noiva foi desafiada a subir para cima de uma estátua de Neptuno, o deus romano dos mares. Já está. Vamos ver como é que isto acabou. Subiu e- E teve de descer. Eu sei. Foi pressionada a descer. Foi pela polícia, porque a estátua não ficou em bom estado.

É património.

Não ficou em bom estado. Não, foi apanhada em flagrante pela polícia e teve de pagar 5 mil euros de multa.

Espero que cubra os prejuízos da estátua.

O casamento é que acabou. Acabou-se a cascata de marisco. E de chocolate.