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Jornal das 6 com Miguel Vitor Dias. Sem se comprometer com uma decisão do partido, o líder parlamentar do Chega, aqui na Rádio Observador, vincou que o governo merece uma moção de censura.
E acusa Luís Neves de, com as declarações de hoje, ter dado a entender ao primeiro-ministro que quem manda é mesmo o ministro. Pedro Pinto esteve no explicador da Rádio Observador e embora não se tenha comprometido com uma decisão sobre a apresentação de uma moção de censura, diz que o governo acaba por merecê-la.
A moção de censura será ou não decidida pelo líder do partido e Direção Nacional. Estamos a ver qual o melhor timing, qual a melhor altura.
Mas não vai ser hoje? É que o timing definido tinha sido hoje.
A verdade é esta: Luís Neves e, particularmente, este governo merecem uma moção de censura. E merece uma moção de censura porque este governo já não serve ao país.
Pedro Pinto, líder da bancada do Chega, diz que André Ventura vai anunciar entre hoje e amanhã o que pretende fazer. O líder parlamentar voltou a sugerir que Luís Montenegro está refém deste ministro da Administração Interna.
Fala como se fosse ele o primeiro-ministro, dizendo inclusive hoje que só sai quando ele quiser. Reparem bem, eu nunca ouvi nenhum ministro, de nenhum governo, nem do Partido Socialista, nem do PSD, quando existia PSD, a dizer declarações destas. Luís Neves hoje disse assim, disse a Luís Montenegro: "Quem manda aqui sou eu. Eu saio quando eu quiser, quem manda neste governo sou eu." Foi isso que Luís Neves quis dizer. É importante que os portugueses percebam, Luís Neves certamente terá alguma coisa sobre Luís Montenegro. O que é que Luís Montenegro terá a esconder para que não demita imediatamente Luís Neves?
Pedro Pinto, com acusações ao primeiro-ministro, diz que não há volta a dar e que a carreira de Luís Neves enquanto ministro deste governo já acabou.
Luís Neves já não tem credibilidade. Por muito que tente, por muito que venha agora às vezes que quiser falar aos jornalistas, com a agressividade que tem falado inclusive com os jornalistas, com a arrogância e com a prepotência que tem falado com os portugueses e contra, particularmente, quem o enfrenta, eu acho que já não tem credibilidade, não pode estar neste governo. E o Presidente da República devia chegar a Terreiro e dizer assim: "Senhor Primeiro-Ministro, está na hora. Como ministro, acabou. A carreira de Luís Neves como ministro acabou." Não tem condições porque o povo português já não vê Luís Neves como ministro.
Pedro Pinto, no explicador da Rádio Observador, diz também que o Chega não vai desistir de avançar com uma comissão parlamentar de inquérito sobre a liderança de Luís Neves na Polícia Judiciária. Para já, de André Ventura, apenas uma publicação nas redes sociais. Diz o líder do Chega que as declarações de Luís Neves foram impressionantes, inenarráveis e inqualificáveis e deixa a pergunta sobre o que saberá Luís Neves sobre o primeiro-ministro.
Entretanto, Luís Neves, ao início desta tarde, falou na Madeira. Disse que nada o vai afastar do cargo de ministro da Administração Interna.
O antigo diretor da PJ diz que não se deixa intimidar e que agora está até mais motivado para desempenhar o cargo de ministro. Isto para combater o populismo. Durante a cerimónia de comemoração do aniversário do Comando Regional da PSP da Madeira, Luís Neves desafiou diretamente André Ventura para lhe colocar as questões que entender.
No próximo dia oito, dentro de oito dias, na parte da tarde, terei a audição regimental no Parlamento. Quer dizer ao utente André Ventura que estou totalmente disponível para lhe responder a qualquer questão que ali seja colocada.
Luís Neves no momento de resposta aos jornalistas. O ministro que durante o discurso oficial respondeu aos casos dos últimos dias e disse que nada o vai afastar do cargo que desempenha atualmente.
Percebeu que não me pode atacar por inação. Percebeu que não me pode atacar por desconhecimento. Escolheram, por isso, a única estratégia que conhecem: lançar suspeitas, atacar a honra e tentar intimidar com base na mentira. A mim não me intimidam. Jamais me intimidarão. Escolheram, por isso, repito, esta única forma. Daqui digo, com absoluta serenidade e total firmeza: nada nisto me intimida ou condiciona.
Luís Neves que garante ter cumprido sempre a lei, que os bens apreendidos em operações policiais devem ser postos ao serviço de quem combate o crime. O ministro critica as investigações jornalísticas que têm por base invejas de pessoas que afastou no passado e rejeita ter a autoridade política diminuída.
Cometi um ou outro erro, que já o reconheci com toda a humildade, mas que não põe em causa a minha ação. Todos sabem que nunca procurei esconder, fosse o que fosse, mas há uma distância que não permitirei que seja apagada entre os erros que assumi e aquilo que se falam de crimes que não cometi. Quero também repetir com toda a frontalidade que aquilo que me cabe assumir. Nunca tomei uma decisão que pudesse prejudicar o Estado. Nunca, jamais, em tempo algum. E disponibilizei-me sempre, e continuo disponível, para todo o escrutínio judicial, financeiro, político e jornalístico.
Luís Neves durante a cerimónia de aniversário do Comando Regional da Polícia de Segurança Pública da Madeira a responder aos casos conhecidos nas últimas semanas.
E depois dos esclarecimentos do ministro, a Iniciativa Liberal mantém que Luís Neves não tem condições para continuar no governo.
Mariana Leitão diz que a continuidade de Luís Neves não combate o populismo, pelo contrário, alimenta-o. Num vídeo enviado às redações, a presidente da Iniciativa Liberal insiste que o ministro não tem condições para continuar e acusa Luís Montenegro de irresponsabilidade.
Ao contrário do que o senhor ministro da Administração Interna, Luís Neves, disse esta manhã, a sua continuidade no governo não combate o populismo, muito pelo contrário, alimenta-o. E Luís Neves não tem condições para continuar ministro. A sua permanência no governo cria uma crise grave nas instituições, destrói a imagem da Polícia Judiciária, arrasta o governo e impede-o de se concentrar em governar, colocando-o em crise permanente e reforça de forma grave a narrativa populista no país. É por isso absolutamente irresponsável deixar que Luís Neves continue no governo. E se o Primeiro-Ministro não tem coragem para o admitir, por razões que só ele saberá, então Luís Neves deve colocar a nação à frente da sua circunstância pessoal e demitir-se.
Mariana Leitão, a líder da Iniciativa Liberal, em reação às declarações de Luís Neves, num vídeo enviado às redações.
Luís Neves falou ao início da tarde. A oposição tem deixado críticas durante as últimas horas e Luís Montenegro tem, nesta altura, agenda. Está a participar numa homenagem a Francisco Pinto Balsemão.
Está marcada para esta tarde a inauguração de uma nova avenida Francisco Pinto Balsemão, em Cascais. O Primeiro-Ministro marca presença na cerimónia, que conta também com outros membros do Governo e da família de Francisco Pinto Balsemão. A acompanhar esta cerimónia vai estar o Vasco Maldonado Correia. Vasco, já chegou o Primeiro-Ministro e há alguma expectativa sobre os esclarecimentos que poderá dar depois das declarações de Luís Neves?
Está prestes a chegar, Miguel, até porque toda a gente que vai participar neste evento começa agora a encaminhar para esse local onde Luís Montenegro vai sair do carro, por isso isso deverá acontecer nos próximos segundos. Só falta mesmo Luís Montenegro para arrancar essa cerimónia, que começa com a inauguração da placa desta avenida. Fica com o nome de Francisco Pinto Balsemão, neste dia em que o antigo Primeiro-Ministro faria 89 anos. A avenida vai ter 2,5 km e vai terminar praticamente ao pé da Casa da Guia de Cascais. Presentes na cerimónia estão alguns ministros, Miguel Pinto Luz, também Margarida Balseiro Lopes e, além disso, a porta-voz do PSD. Neste momento, chega também Luís Montenegro, como dizia há pouco. Sabemos já que haverá várias intervenções, uma delas do próprio Luís Montenegro, a fechar a cerimónia. Falta saber se haverá ou não, nessa intervenção ou num outro momento, espaço para que Luís Montenegro responda a essa eventual moção de censura, já ameaçada por André Ventura. Não é certo que o faça. Noutros momentos já recusou fazê-lo. Haveremos como decide hoje.
Ficamos a aguardar com a reportagem do Vasco Maldonado Correia, que está em Cascais para esta cerimónia de homenagem ao fundador do PSD.
A Ministra da Saúde anunciou esta tarde que faltam 850 enfermeiros ao SNS.
Ana Paula Martins relativiza o desperdício de mais de 3 mil enfermeiros, devido à demora na aprovação dos planos de desenvolvimento das unidades de saúde. A ministra diz que os novos profissionais têm oportunidades de emprego além do SNS, nomeadamente no setor privado e no setor social. À margem da inauguração de um centro de saúde que foi requalificado em Porto de Mós, Ana Paula Martins revela que as unidades de saúde precisam entre 850 a 870 enfermeiros, mas que contratar não é a única solução disponível.
O número de enfermeiros que nos foram transmitidos como sendo necessários para suprir as necessidades neste momento são à volta dos 850, 870 enfermeiros. Estão concentradas as necessidades, cerca de dois terços são os do Vale do Tejo. O que eu queria dizer também é que, mais uma vez, não é só através da contratação. A contratação é uma parte importante, mas é também através da ampliação de horários.
A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, em declarações recolhidas pela Agência Lusa, que admite ainda que a situação nas urgências de Lisboa e Vale do Tejo vai continuar sob pressão nos próximos tempos.
Falamos agora do Ministro da Reforma do Estado, que considera que as polémicas que envolvem as pastas da Administração Interna e da Educação não prejudicam a capacidade reformista do atual governo.
Uma posição transmitida por Gonçalo Saraiva Matias numa iniciativa ao lado de Fernando Alexandre, esta tarde numa escola em Carnaxide. O Ministro Adjunto e da Reforma do Estado foi apresentar a simplificação de procedimentos para os diretores escolares e diz que a capacidade reformista do Governo está pujante, apesar de admitir algumas dificuldades.
A capacidade reformista do Governo está pujante. Nós estivemos aqui hoje precisamente a trazer digitalização às escolas e ao processo de início do ano letivo, trazendo a ativação da chave móvel digital para os professores, que passam a poder assinar os seus contratos de forma digital. Nós não negamos a existência de dificuldades, mas essas dificuldades não nos fazem parar. O pior que pode acontecer num processo de reforma é nós deitarmos a toalha ao chão quando as dificuldades aparecem. O senhor ministro não fez isso, o governo não faz isso. Nós continuamos o processo de reforma porque sabemos que ele é em benefício dos portugueses.
Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Saraiva Matias, durante esta ativação de procedimentos de simplificação administrativa para os diretores das escolas públicas.
O Ministro da Educação diz que está de consciência tranquila quanto ao inquérito aberto pelo Ministério Público às falhas na correção dos exames nacionais.
O pedido para a abertura do inquérito foi feito pela FENPROF, que alega terem sido dadas ordens para se classificar itens em que as respostas teriam sido perdidas. Esta manhã, à margem da tomada de posse do reitor da Universidade Técnica do Porto, Fernando Alexandre descartou quaisquer responsabilidades.
Aquilo que a FENPROF disse, em relação ao que será transmitido aos professores, isso, se aconteceu, nunca veio nem do ministério, nem do Educa, nem do Júri Nacional de Exames.
O Ministro da Educação diz que cabe ao sindicato provar o que disse e defendeu processos disciplinares para os professores que terão dado essas ordens.
E o governo assegura que estão concluídas mais de 30 mil casas públicas, ao abrigo das verbas do PRR, para a habitação.
O prazo terminava ontem. A informação é avançada esta tarde pelo Ministério das Infraestruturas e Habitação num comunicado, que explica que o objetivo do Governo foi cumprido e ultrapassado. Isto porque, segundo o ministério, liderado por Miguel Pinto Luz, a meta inicial definida em 2021 pelo governo do PS era a de disponibilizar 26 mil habitações públicas. O Executivo diz que conseguiu executar 31.700 casas. O comunicado adianta também que para o cumprimento desta meta, foi preciso reforçar as verbas em quase 3 mil milhões de euros através do Orçamento do Estado.
O Governo assegura que estão concluídas mais de 30 mil casas públicas, ao abrigo das verbas do PRR. E entretanto, nas finanças, o Orçamento do Estado para 2027 já tem mais de 4.500 milhões de euros comprometidos.
O Governo indicou à Assembleia da República que as medidas já adotadas para o Orçamento do Estado do próximo ano representam um encargo de 4.700 milhões de euros. Este documento é entregue anualmente pelo Governo ao Parlamento e antecipa assim o valor já comprometido antes de se cortar com as novas medidas.
Passam três minutos às 18h. Miguel Vitor Dias, que outras notícias estão em destaque a esta hora?
Damos conta apenas de duas notícias da atualidade internacional. Os Estados Unidos estão a levar a cabo novos ataques contra alvos iranianos no Estreito de Ormuz. Num comunicado publicado nas redes sociais, o Comando Central diz que os bombardeamentos são uma retaliação aos ataques da Guarda Revolucionária do Irão contra navios comerciais. Não há para já indicação de vítimas ou danos materiais. Na Alemanha, o país responsabilizou oficialmente a Rússia pelo incidente com um drone carregado com explosivos no aeroporto de Leipzig. O ministro do Interior alemão denuncia que a ação integra a estratégia de guerra híbrida de Moscovo contra a Europa. Em resposta ao incidente, a Alemanha vai encerrar o consulado russo em Bona e também o embaixador russo foi convocado pelo Executivo alemão.
Miguel Vitor Dias regressa às 18h30.