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Jornal das sete, com o jornalista José Rafael Lopes. A antiga presidente do Instituto de Apoio à Criança e antiga procuradora, Dulce Rocha, diz que se tem registado uma desvalorização da violência em Portugal.

E lamenta que sejam feitas queixas sucessivas às autoridades que não dão em nada antes de um homicídio acontecer. É uma posição assumida por Dulce Rocha, aqui na Rádio Observador, na análise ao caso do adolescente de 15 anos suspeito de ter matado a mãe em Algés. O jovem terá asfixiado a progenitora com recurso a um golpe de mata-leão, encontra-se agora à guarda das autoridades. O menor foi sozinho, a 17 dias do crime, a uma esquadra da PSP em Oeiras para denunciar que a mãe o agredia. Dulce Rocha diz que as autoridades não avaliaram corretamente o que estava em causa e lamenta que tal aconteça tantas vezes.

Lamento, não se percebeu que era tão grave assim. Pensou-se que ainda seria possível manter a situação das crianças dentro da família, que não havia uma evolução tão irreversível, que não havia violência extrema. Isso acontece em muitas situações.

A antiga presidente do Instituto de Apoio à Criança explica que existe uma equipa de análise para estes casos de homicídio em contexto de violência doméstica e avisa que este grupo de trabalho tem alertado para várias situações onde as queixas são desvalorizadas.

Muitas vezes há queixas sucessivas, chega a haver oito queixas antes do homicídio e, portanto, há aqui um padrão de desvalorização da violência. É sempre muito difícil aceitar que a violência é tão grave que culmina num homicídio.

E isso por parte das vítimas?

Mesmo, até por parte das vítimas.

As explicações de Dulce Rocha, antiga presidente do Instituto de Apoio à Criança, escutada no Explicador, aqui na tarde política da Rádio Observador, dá conta de que se tem registado uma desvalorização da violência em Portugal, com muitas queixas ignoradas pelas autoridades.

E é um novo caso que envolve uma criança pequena e que está a marcar este dia em Braga. A mãe de uma criança de três anos foi constituída arguida depois deste menino ter sido encontrado sozinho nas escadas de um prédio lá em Braga. Em cima da mesa poderá estar um crime de exposição ou abandono.

A informação foi avançada pela PSP de Braga, que há instantes emitiu um comunicado a dizer que este menino de três anos e a irmã de 15 foram entregues à guarda da Segurança Social. Em comunicado, a PSP acrescenta que os factos foram participados ao Ministério Público e confirma esse estatuto de arguido para a mãe do rapaz de três anos, que estaria ao cuidado da irmã de 15 desde o fim de semana. Foi encontrado sozinho esta madrugada nas escadas de um prédio. Ambos os menores estão bem. Em cima da mesa está essa possibilidade de um crime de exposição ou abandono.

O Hospital de São José, em Lisboa, está a enfrentar um grave problema com dezenas de casos, chamados casos sociais. São doentes que já tiveram alta médica, mas que permanecem no hospital porque não têm para onde ir.

E esses casos estarão a bloquear a capacidade de internamento no hospital e a aumentar a pressão sobre as urgências. A garantia é do presidente da Unidade Local de Saúde de São José, Miguel Paiva. À agência Lusa, diz que atualmente tem 51 doentes com alta clínica que continuam internados por falta de resposta social e, ao mesmo tempo, há um número semelhante de doentes que esperam uma cama.

Eu tenho 51 doentes sociais neste momento no hospital, que estão internados e não deviam estar cá. E o número de doentes na urgência, à espera de cama, que é sensivelmente da mesma dimensão. Esse é o nosso problema. O que estamos a procurar é encontrar, enquanto não houver essa solução estrutural no SNS para este problema, é encontrar dentro da nossa instituição uma solução alternativa para que os doentes não fiquem na urgência, porque nós precisamos do espaço da urgência para os doentes agudos que todos os dias nos entram. Na semana passada a média foram 460 doentes por dia.

A situação agrava-se com a elevada procura das urgências. O presidente da Unidade de Saúde explica ainda que 42% dos doentes que chegaram à urgência vêm de fora da área de influência do hospital.

E apesar de o tempo estar a virar, ainda continuam alguns incêndios de grande dimensão em Portugal e agora há indicação, José Rafael Lopes, que o fogo está de volta ao Conselho de Boticas.

O incêndio que deflagrou ontem no Conselho teve durante a tarde de hoje uma reativação. Há pelo menos uma frente ativa. Empenhados no combate às chamas em Boticas está quase uma centena e meia de operacionais e ainda meia centena de veículos e dois meios aéreos.

Além deste incêndio, há três outros grandes incêndios ativos no país. Em Arouca continua o trabalho.

O fogo segue com três frentes ativas. A situação mais preocupante é em Rio de Frades. A autarca de Arouca, Margarida Belém, dá ainda conta de um reforço dos meios no terreno face às dificuldades no combate humano.

Temos as três frentes ativas e temos algumas situações muito delicadas e de difícil combate. A situação mais preocupante neste momento é Rio de Frades, mas temos um conjunto de aldeias que são ainda preocupação e aumentamos a área ardida. Mas o importante aqui também é referir que, fruto do reforço dos meios aéreos, que contamos ainda que possam ser reforçados durante a tarde, porque é impossível com estas condições do terreno, com estes declives, com estas escarpas, é muito difícil a atuação humana.

O ponto de situação da presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém, sobre o incêndio que lavra no Conselho, um registo aqui da RTP. Estão quase 600 operacionais no terreno, apoiados por duas centenas de veículos e seis meios aéreos.

Importa também saber como estão as coisas no Conselho de Torre de Moncorvo.

O fogo alastrou-se a Carrazeda de Ansiães, mas na localidade a Proteção Civil dá já grande parte do perímetro como consolidado. Em Arriscado, o prognóstico continua favorável. Ainda assim, no combate às chamas estão mais de 500 operacionais, apoiados por quase 170 veículos e dois meios aéreos. Já em Santo Tirso, a expectativa é de que o incêndio entre em resolução ainda durante o dia hoje. A esta hora em Santo Tirso estão mobilizados 210 operacionais, quase 70 veículos e ainda dois meios aéreos.

Vamos ao futebol. Amanhã jogam Benfica e Braga nas competições europeias. Começamos pelo Benfica. Marco Silva quer a equipe no melhor nível.

O Benfica joga com o Aarhus, da Dinamarca, é o último obstáculo antes da entrada na fase de liga da Liga Europa. A primeira mão joga-se no Estádio da Luz, encontro marcado para às 20h. Em conferência de imprensa, Marco Silva sublinha que o Benfica tem de assumir o controle da partida e destaca o jogo físico da equipe dinamarquesa.

É uma equipe que nos irá causar dificuldades, de certeza absoluta. É uma equipe que nos vai obrigar a estar ao nosso melhor nível, de certeza também. É uma equipe que tem capacidade, que gosta de levar o jogo para o lado mais físico. É uma equipe que tem esse carimbo e essa característica intrínseca, e para nós é muito importante estarmos a um nível que nos permita ter um controle do jogo, que nos permita saber que são dois jogos que vão se decidir e não só um. Mas queremos que o impacto de jogar em casa com os nossos adeptos no jogo, que nós vamos precisar para que possamos ter o resultado que nós queremos, que é ganhar.

Palavras do treinador do Benfica em conferência de imprensa, onde Marco Silva diz que compete à equipe encarnada dar o melhor para conseguir chegar o mais longe possível na Liga Europa.

O Braga recebe o Austria de Viena.

Também em playoff de uma prova europeia, mas neste caso a Liga Conferência. Os bracarenses recebem o adversário austríaco em casa. Carlos Vinícius quer que a equipe bracarense esteja melhor do que esteve na última eliminatória, antes da chegada à fase de grupos, à fase de liga da Liga Conferência. O jogo do Sporting Braga com o Austria de Viena está marcado para amanhã, no Estádio Municipal de Braga, às 20h.

São jogos que vamos acompanhar aqui em direto na Rádio Observador. E há outras notícias a marcar este dia.

O governo espanhol está a planear a transferência urgente para a Espanha continental de 500 menores migrantes que chegaram a Ceuta no mês passado. É uma decisão tomada depois de, na semana passada, o governo espanhol ter afirmado que qualquer pessoa que entrasse de forma ilegal no território seria deportada. De acordo com a Euronews, o governo de Pedro Sánchez avança que estão em andamento os trabalhos para a transferência urgente para a Espanha continental de 500 meninas migrantes, apesar da União Europeia apoiar o retorno das menores desacompanhadas, de novo, para Marrocos. Donald Trump vai encontrar-se com Kim Jong-un no final deste ano. É uma confirmação do presidente dos Estados Unidos, após o Wall Street Journal ter avançado uma notícia nesse sentido. De acordo com o jornal, o encontro pode acontecer em novembro, na Conferência de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, que vai decorrer em Shenzhen, na China. E Ricardo, para fecharmos a tarde política, queres recordar o dia do eclipse e a grande emissão que fizemos aqui na Rádio?

Que grande emissão fizemos nesse dia. A partir do telhado do mato em Lisboa, infelizmente não conseguimos estar em Rio do Norte. Tínhamos lá o Martim Andrade, mas nós não conseguimos.

É que passada uma semana, exatamente uma semana, começam agora a chegar os efeitos secundários.

Mas são problemas oculares? Não.

Não. Felizmente, não é nada médico, mas para muitos pode ser um problema igualmente grave.

Então.

É que há pessoas que estão a inspirar-se no eclipse para escolherem nomes de bebês, mais especificamente bebês nascidos durante os fenômenos.

Até tenho medo. Quais são?

Ora bem, a título de exemplo, isto acontece não só neste eclipse, mas também noutros fenômenos astronômicos. Vou dar-te um exemplo que aconteceu em 2017. Nos Estados Unidos, uma mulher norte-americana chamada Freedom, o marido chama-se Michael Eubanks, é o apelido deste casal. Tiveram um bebê durante o eclipse solar total, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Escolheram o nome peculiar Eclipse Elizabeth Eubanks.

Coitada da criança, uma criança chamada Eclipse. Cá eu acho que é impossível isso, em Portugal.

Cá não é possível, mas, por exemplo, a revista Crescer da Globo dá-nos outro exemplo. A Alicia Alvarez deu à luz em 2024. O nome escolhido para a bebê: Sol Celeste Alvarez. É só mais um exemplo de muitos casos de bebês com nomes ligados a isso.

Sol e Celeste acho que já são nomes mais aceitáveis. Pelo menos conheço pessoas que têm esse nome, Sol e Celeste, e de quem gosto muito. O Zé Luiz, olha, também já te estou a batizar. O Zé Rafael Lopes vai regressar às 19h30.