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Boa noite, o meu nome é Miguel Gato e este é o Jornal da Uma, na Rádio Observador. Joe Biden está fora da corrida à Casa Branca. O presidente dos Estados Unidos apoia Kamala Harris nas eleições contra Donald Trump. Biden assume que é do melhor interesse do país e do Partido Democrata deixar a corrida às presidenciais neste momento. O ainda presidente diz que servir o povo norte-americano foi a maior honra da sua vida. João Gama.

São oito parágrafos, uma página, um comunicado publicado nas redes sociais que muda a corrida à Casa Branca. Joe Biden escreve que nos últimos três anos o país fez um enorme progresso, enumera os investimentos que realizou durante a sua administração, que considera históricos. Diz que neste momento os Estados Unidos têm a maior economia do mundo. Insiste, o presidente dos Estados Unidos, que deixa o país na melhor posição para liderar o mundo que alguma vez esteve. Diz que servir enquanto presidente norte-americano foi a maior honra da sua vida e que, apesar da intenção de procurar a reeleição, acredita que é no melhor interesse do país e do Partido Democrata deixar, neste momento, a corrida à Casa Branca. Joe Biden pretende continuar a servir como presidente dos Estados Unidos, mas não será o candidato democrata que vai enfrentar Donald Trump nas eleições de novembro. Deixa um agradecimento em particular à vice-presidente Kamala Harris, que classifica como uma parceira extraordinária e promete falar à nação esta semana para dar mais detalhes sobre a sua decisão. O comunicado termina assim, é partilhado sem qualquer informação adicional, mas minutos depois, e também na rede social X, como legenda de uma fotografia ao lado de Kamala Harris, nos jardins da Casa Branca, desfaz as dúvidas. Joe Biden fala diretamente para os democratas, diz que a primeira e a melhor decisão que tomou foi escolher Kamala Harris como seu braço direito nestes últimos anos e que agora tem o seu total apoio para ser a candidata do partido contra Donald Trump. "É tempo de nos unirmos e vencermos Trump. Vamos fazer isto." É como acaba, Joe Biden, estas publicações na rede social X.

O jornalista João Gama com o comunicado de Joe Biden, onde anunciou a desistência da corrida à Casa Branca. Biden escreve que a vice-presidente dos Estados Unidos tem o seu apoio total para ser candidata do Partido Democrata. Kamala Harris, que já aceitou ser candidata à Casa Branca, diz que vai merecer e ganhar a nomeação, promete unir o Partido Democrata e o país em torno da sua candidatura. E para quem acha que falta pouco tempo para as eleições, a vice-presidente dos Estados Unidos escreve que faltam 107 dias até à eleição e que juntos os democratas vão vencer a corrida à Casa Branca. Entretanto, somam-se reações à esquerda e à direita. Barack Obama deixa elogios ao antigo número dois, diz que vai ser recordado como um grande patriota, fala apenas de Joe Biden como um amigo e um companheiro e nada diz sobre quem deverá correr no seu lugar. É o contrário do que fazem dezenas de democratas. Por exemplo, Bill e Hillary Clinton anunciam formalmente o apoio ao nome de Kamala Harris, escrevem em comunicado que o futuro da América depende da sua eleição e da vitória contra Donald Trump. À direita, Trump reagiu à desistência de Joe Biden, dizendo que foi o pior presidente da história dos Estados Unidos e sugere também na rede social Truth Social que o debate com o novo candidato democrata deve ser realizado na Fox News. No Partido Republicano, são várias as vozes que questionam se Joe Biden está apto para continuar à frente dos Estados Unidos. Posição defendida por J. D. Vance, o nome escolhido por Donald Trump para a vice-presidência, em caso de vitória republicana em novembro. Defende que se Joe Biden não tem condições para se candidatar, também não tem condições para continuar no cargo de presidente até ao final do ano. Mas as reações à desistência de Joe Biden não ficaram apenas pelos dois maiores partidos norte-americanos. O candidato independente, Robert F. Kennedy, elogiou a decisão de Biden de ter abandonado a corrida à presidência, mas também deixou críticas ao Partido Democrata por, segundo o candidato, ter ocultado o estado de saúde do presidente dos Estados Unidos.

Há pouco mais de um ano, quando decidi ser candidato, previ que o presidente Biden sofria de uma doença degenerativa que não ia melhorar, que o impedia de governar de forma eficaz. A reação do Partido Democrata a esse estado de saúde evidente foi escondê-lo dos americanos e usar o seu poder para garantir que ninguém desafiasse Joe Biden no cargo de presidente.

Robert F. Kennedy, candidato independente à corrida para a Casa Branca, em reação à desistência de Joe Biden da corrida às presidenciais. Na análise, Lívia Franco diz que Biden saiu pela porta da frente ao anunciar a desistência da corrida à Casa Branca. A professora na Universidade Católica e especialista em política norte-americana fala num motim por parte do Partido Democrata contra o atual presidente. Ainda assim, destaca o caráter de Joe Biden, apesar de não ter sido bem tratado.

Tratou-se de um motim interno no Partido Democrata, em condições que eu acho que não são muito honrosas para o próprio Partido Democrata, mas que, em última análise, acaba até por elevar o perfil de Joe Biden como um homem que é sério e como um homem que, apesar de tudo, percebeu que os Estados Unidos são mais do que uma pessoa. Sai depois de uma longa carreira de 50 anos, que é um homem com integridade, e saiu desta maneira, onde não foi muito bem tratado, mas do seu ponto de vista pessoal, de facto, ele sai com dignidade.

Lívia Frank, em declarações à Rádio Observador, a especialista em política norte-americana diz que Kamala Harris tem um trabalho árduo pela frente se for a sucessora de Joe Biden. Já Luís Tomé diz que as próximas semanas vão ser um teste de fogo para Kamala Harris, que vai ter de provar que consegue vencer Donald Trump. Em declarações também na Rádio Observador, na emissão especial desta noite de domingo, o professor catedrático da Universidade Autónoma de Lisboa disse que a pressão vai ser enorme e que Kamala Harris tem noção de que há muitos democratas que não a querem como candidata presidencial.

Ela é a primeira a ter a noção de que há muitas fações e algumas figuras de vulto do Partido Democrata que não a querem como candidata presidencial. E, portanto, certamente que ela articulou com Biden a desistência deste da corrida presidencial e assumir ela essa função, mas tem a noção, aliás, de várias das reações de alguns notáveis que têm congratulado Biden por ter desistido, não referem o nome de Kamala Harris e o apoio que lhe poderiam de imediato prestar, ao contrário de outras figuras, como Soros, que têm chegado à frente e de imediato dado apoio a Kamala Harris.

Declarações do professor catedrático Luís Tomé, que refere também que o futuro de Kamala Harris depende das sondagens dos próximos dias. Viramos para a política nacional. O PCP diz que o orçamento do Estado não vai salvaguardar os interesses do país. É uma acusação de Paulo Raimundo num discurso do partido em Braga. O secretário-geral comunista afirma que o governo está a apertar a esmagadora maioria dos portugueses para continuar a beneficiar uma pequena minoria. Paulo Raimundo vai ainda mais longe, não se conteve nas palavras para garantir que há algo mais importante do que a estabilidade.

Que se lixe a estabilidade, porque a estabilidade deste orçamento, a estabilidade desta política, resulta na instabilidade de milhões e de milhões de pessoas. Um orçamento que tem como baliza apertar para que o sustento orçamental vá parar a uma dívida que nós não estamos em condições de pagar da forma como os que querem que nós paguemos, de que é que serve este orçamento? Serve para apertar a vida da maioria, para salvaguardar os interesses de alguns. É a isto que serve? É um orçamento destes que serve ao país? Não serve de nada um orçamento destes ao país.

Declarações de Paulo Raimundo em Braga, onde reafirmou o voto contra do PCP ao orçamento do Estado da Aliança Democrática. Ainda assim, o secretário-geral dos comunistas acredita que PS ou Chega vão acabar por ceder e o orçamento vai mesmo ser aprovado na Assembleia da República. Este domingo foi também um dia marcado por desporto. Nuno Borges venceu o Open de Bastad, na Suécia, frente ao gigante Rafael Nadal. Uma vitória importante e única na carreira do tenista e logo contra um dos maiores nomes do ténis. Os parciais de 6-3 e 6-2 foram suficientes para que o tenista luso se tornasse no segundo português, depois de João Sousa, a vencer um torneio ATP. No final do encontro, faltavam as palavras a Nuno Borges para descrever este feito.

Não sei o que dizer. Desejei este momento durante muito tempo. O ténis não acontece como estamos à espera. Parte de mim também queria que o Rafa ganhasse. Hoje não foi sobre jogar o meu melhor ténis, foi sobre jogar melhor nos momentos mais exigentes. Foi uma atmosfera fantástica. Sei que todos queriam que o Rafa ganhasse, mas foram muito amigáveis, todos a aproveitar este dia para jogar ténis. Estou a adorar Bastad, é a primeira vez na Suécia e não perdi. Adoro estar aqui.

O tenista Nuno Borges, que já tinha descrito o encontro frente a Rafael Nadal como o seu jogo de sonho. A Rádio Observador ouviu esta tarde o treinador do tenista português, que não poupou nos elogios ao atleta.

Na minha opinião, como treinador e vivendo diariamente, acompanhando diariamente a carreira dele, acho muito merecido, porque é de facto um trabalhador extraordinário, um atleta com uma humildade de outro nível e com uma capacidade de superação e de resiliência muito acima do normal, e isso faz dele um excelente atleta, que tem vindo a melhorar muito nos últimos anos também. Por isso acho que este é um título muito merecido e que deixa toda a equipa, a equipa do Central Training, não sou só eu, toda muito orgulhosa deste feito histórico.

O treinador de Nuno Borges, Rui Machado, que diz que agora a prioridade é preparar os Jogos Olímpicos, que são um objetivo da carreira do tenista português. Este é um feito que levou o primeiro-ministro a dar os parabéns ao atleta. Luís Montenegro fala numa vitória imperial frente a um mítico Rafael Nadal. Diz ainda que é uma demonstração da qualidade do desporto nacional. Outra reação menos eufórica foi a da Confederação do Desporto de Portugal, que insiste que falta a aposta do governo no desporto e que apenas com mais investimento é possível criar mais jogadores como Nuno Borges no ténis. Daniel Monteiro, presidente da Confederação, elogia os atletas nacionais, mas acredita que é preciso tornar o desporto obrigatório nas escolas, principalmente no primeiro ciclo.

Se tivermos uma base de praticantes reduzida, significa que no topo vão chegar muito menos atletas que poderiam chegar se tivéssemos uma base alargada de praticantes, se o desporto fosse acessível a todos, desde logo no primeiro ciclo de escolaridade, que é algo também que a Confederação do Desporto de Portugal tem vindo a exigir e a apresentar como proposta ao governo, que é a introdução de três tempos semanais de caráter obrigatório a todas as crianças do primeiro ciclo de escolaridade, para precisamente poderem ter formação física, motora e poderem se iniciar na prática desportiva para um dia podermos ter mais João Almeidas, mais João Sousas e outros atletas de relevo e destaque.

A proposta da Confederação de Desporto de Portugal diz que a prestação dos atletas portugueses são um bom sinal para os Jogos Olímpicos, que começam já na próxima semana. E na Volta à França, Pogačar era o vencedor anunciado, mas o destaque vai para o ciclista português João Almeida, que terminou em quarto lugar na classificação geral. Há 45 anos que um atleta português não estava tão bem classificado na prova rainha do ciclismo. O último a consegui-lo tinha sido Joaquim Agostinho. Agora João Almeida fê-lo e logo na estreia na prova rainha do ciclismo. Quarto lugar para o português numa prova ganha por Tadej Pogačar. O esloveno não deu hipóteses e ganha à frente de Jonas Vingegaard. Repete o triunfo de 2020 e 2021.