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A hora. As notícias com Maria João Brás. Boa noite. Sebastião Bugalho acusa o Bloco de Esquerda e o Chega de utilizarem o caso da morte de Odair Moniz para ganharem votos. O eurodeputado considera que o debate sobre a segurança deve ser mais abrangente.

Há uma tentativa de polarizarem a sociedade e de abrirem clivagens porque não têm outra maneira de encontrarem votos para os seus partidos. Portanto, a prioridade da sua ação política é abrir brechas e feridas na sociedade e transformá-la neste campo de batalha e guerra cultural que vimos nas últimas semanas, em vez de servir os portugueses e procurar soluções positivas ao lado deles. Eu não me revejo nisso. Eu acho que nós corremos um risco no espaço público português, aqui nas televisões, de uma certa elitização do debate sobre a insegurança em Portugal.

Sebastião Bugalho, em entrevista à SIC Notícias, a propósito da morte de Odair Moniz, o eurodeputado do PSD não nega que haja racismo em Portugal, mas alerta também para as dificuldades das forças de segurança.

Sendo branco e português, nunca sofri racismo. Já vi à minha frente racismo acontecer, mas eu nunca sofri racismo. A minha posição face às comunidades que se dizem vítimas de racismo, que dizem que têm medo quando são abordadas pela polícia, que sentem que quando são abordadas pela polícia, são abordadas de forma diferente devido à cor da sua pele, a minha posição é de empatia. Portanto, obviamente que apresento aqui as minhas condolências à família do Odair Moniz. Isso a mim parece-me claro. Mas eu também nunca fui polícia. Eu também nunca fui membro de uma força de segurança. Portanto, também tenho a minha empatia com as forças de segurança, que muitas forças partidárias ou que algumas forças partidárias têm tentado estigmatizar como se fossem todos racistas ou todos de extrema-direita. Também não me parece que isso seja correto.

Sebastião Bugalho foi também questionado sobre a queixa-crime contra o Chega. O eurodeputado diz que não se revê neste tipo de abordagem, mas admite que o Ministério Público deve investigar. E ainda sobre a morte de Odair Moniz, o homem baleado há pouco mais de uma semana por um agente da PSP no bairro da Cova da Moura, decorreu esta noite a segunda vigília em homenagem a Odair Moniz. A cerimônia, que juntou mais de uma centena de pessoas, decorreu desta vez com tranquilidade, sem tumultos. Há uma semana, a primeira vigília deu origem a desacatos, que resultaram no autocarro incendiado no bairro do Zambujal. Seguiram-se dias de tumultos em toda a Grande Lisboa. A situação aparenta estar mais calma. Na última noite, não foram registadas ocorrências significativas relacionadas com os tumultos. Ainda assim, uma semana depois da morte de Odair Moniz, os moradores do bairro do Zambujal continuam a pedir justiça. E depois dos tumultos na semana passada, na zona da Grande Lisboa, o presidente da Junta de Freguesia de Alfragide, onde está inserido o bairro do Zambujal, pede policiamento de proximidade e o regresso de mediadores policiais. À Rádio Observador, o autarca aponta ainda para outras soluções.

Estes mediadores são figuras importantes, na medida em que eles provêm do próprio bairro, conhecem muito melhor as pessoas do bairro e, portanto, é interessantíssima esta situação. Agora, repare, no nosso caso, nós temos aqui no bairro do Zambujal várias associações que têm um papel muito ativo no bairro e que acabam por desempenhar essa situação.

Para o presidente da Junta de Freguesia de Alfragide, o problema está para lá dos moradores.

Esta conflitualidade que há, por vezes, não com os moradores, que eu separo essa situação, mas com alguns gangues que existem e que residem nestes bairros ou, pelo menos, que entram nestes bairros e que geram desacatos.

António Paulo, presidente da Junta de Freguesia de Alfragide, em entrevista à Rádio Observador. Ainda na atualidade nacional, 12 anos depois do início da investigação sobre o caso EDP, António Mexia e João Manso Neto estão acusados pelo Ministério Público da prática de dois crimes de corrupção. Os ex-líderes do grupo terão alegadamente corrompido o antigo ministro da Economia, Manuel Pinho. A EDP terá beneficiado pelo antigo governante em cerca de 840 milhões de euros em contratos de fornecimento de eletricidade. O redator principal do Observador, Luís Rosa, explica como funcionou o alegado esquema.

No caso Manuel Pinho, está em causa um crime de corrupção por Manuel Pinho ter tomado várias decisões relativas à legislação que implementou os contratos PEC e teve como alegada contrapartida, algo que o Observador já tinha noticiado. No caso da alegada contrapartida do crime de corrupção do Manuel Pinho, estão em causa aulas que o Manuel Pinho deu na Universidade de Colômbia e o valor que a EDP deu de patrocínio à Universidade de Colômbia para, alegadamente, segundo o Ministério Público, contratar Manuel Pinho.

O Observador apurou ainda que o Ministério Público pediu que os 840 milhões de euros fossem retirados aos arguidos a favor do Estado. É uma notícia em destaque no site do Observador. E no desporto, o Futebol Clube do Porto goleou o Aves por 5x0. É a quarta vitória seguida conquistada pelos Dragões. Vítor Bruno, treinador dos azuis e brancos, afirma que a equipa conseguiu fazer um jogo sólido.

Foi um jogo muito sério, muito adulto, de uma equipa que quis muito ganhar desde o primeiro minuto. Apesar de se colocar em vantagem cedo, procura sempre mais e mais. É essa busca incessante que nós temos que ter. Respeitando muito o adversário, olhando para ele com os olhos certos. É uma equipa que tem individualmente muita valia, coletivamente, que não tinha sofrido gols nos últimos três jogos em casa. E acabamos por fazer um jogo sólido, como disse, muito robusto. Esse tem que ser o nosso grande pilar, o nosso investimento diário de trabalho, de ir à procura daquilo que temos ainda para melhorar, que ainda é muito

E do lado do AVS, o técnico Vítor Campelos admite que este foi um jogo que correu mal à equipa.

Correu tudo mal, mas há coisas que nós temos que aprender com os erros. Como é óbvio, sabemos do valor do Futebol Clube do Porto. Falamos que teremos que ser uma equipa muito organizada, muito comprometida, muito agressiva, no bom sentido, nas disputas de bola e nos duelos, e deveríamos ter uma vontade muito maior do que o nosso adversário de vencer o jogo. Não foi isso que aconteceu. Alguns jogadores estiveram muito aquém daquilo que podem render.

A análise de Vítor Campelos, treinador do AVS, num som captado pela Sport TV. Rodri Hernández é o vencedor da Bola de Ouro deste ano. É a primeira vez que o médio espanhol do Manchester City é distinguido com o prémio de melhor jogador do mundo. Rodri torna-se assim o terceiro futebolista espanhol a ser galardoado com uma Bola de Ouro. O último jogador espanhol a receber este título foi Luís Suárez em 1960. E na atualidade internacional, a uma semana das eleições presidenciais norte-americanas, as sondagens estão renhidas entre Kamala Harris e Donald Trump. Os chamados swing states ou estados indecisos vão ser mais uma vez decisivos. É o caso da Pensilvânia, onde estão os enviados especiais d'O Observador. Os jornalistas Cátia Bruno e Diogo Ventura estiveram em Pittsburgh, a segunda maior cidade do estado da Pensilvânia. A editora de Internacional d'O Observador, Cátia Bruno, conta-nos quais são alguns dos fatores que pesam na decisão dos eleitores norte-americanos.

Estivemos com manifestantes antiaborto, que nos explicaram que a sua motivação é essencialmente religiosa, que consideram que a vida começa no momento da conceção e, portanto, não há forma de poder defender o direito ao aborto. Curiosamente, no entanto, falámos com um eleitor que isso não se traduzia no seu voto em Donald Trump. Também não tenciona votar nos democratas, mas considera que Trump não é suficientemente um homem cristão para o fazer votar nele, apesar de estar alinhado com ele na questão do aborto. Agora estivemos com uma ativista a favor do aborto, que ela própria teve de lidar com uma situação dessas quando descobriu que tinha uma gravidez com uma criança que teria graves problemas de saúde, de deficiência, e que, portanto, decidiu abortar, e que desde então se tornou uma ativista muito destacada aqui em Pittsburgh sobre essa matéria. Chegou a estar no discurso da União de 2023 para representar esses eleitores que são muito mobilizados por este tema e, portanto, podemos conseguir perceber bem como é um tema divisivo e que orienta também muito o voto de alguns eleitores.

A reportagem dos enviados especiais d'O Observador às eleições presidenciais dos Estados Unidos, que acontecem desta terça-feira há uma semana. E no Médio Oriente, os deputados israelitas aprovaram legislação que pode ameaçar o trabalho da Agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos. Esta agência presta ajuda à população em Gaza e na Cisjordânia. Uma destas leis impede a agência de conduzir qualquer ação dentro de Israel. Outra das leis aprovadas inclui o corte de todas as relações entre a Agência das Nações Unidas e as autoridades israelitas. Relembro que na sequência das condenações de António Guterres à guerra em Gaza, o secretário-geral das Nações Unidas foi banido de entrar em território de Israel. A comunidade internacional, onde se inclui Portugal, já veio condenar as mais recentes decisões de Tel Aviv. É o ponto final deste noticiário. Regressamos à 13h30. Até já.