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É uma hora. As notícias com Guilherme Pires.
Boa noite. É uma da manhã, hora de atualizar as notícias na Rádio Observador. O antigo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e ainda por outros quatro crimes que estava acusado. Quatro dos cinco juízes do Supremo Tribunal Federal do Brasil votaram a favor da pena proposta pelo juiz relator do processo, Alexandre de Moraes. E além da condenação por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro foi ainda condenado por organização criminosa, tentativa de abolição do Estado democrático de direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio protegido. A Justiça considerou que Bolsonaro foi chefe da organização criminosa que tentou impedir a tomada de posse do atual presidente, Lula da Silva, depois da vitória nas eleições de outubro de 2022. Esta é a primeira vez que um antigo chefe de Estado brasileiro é condenado judicialmente por envolvimento numa conspiração para derrubar a democracia. E, ao mesmo tempo, outros aliados do antigo presidente do Brasil foram também condenados. O antigo ministro da Defesa e da Casa Civil, Walter Netto, foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão. O antigo ministro da Justiça, Anderson Torres, e o almirante Almir Garnier, são condenados a 24 anos de cadeia. E outro antigo responsável pela pasta da Defesa, Paulo Sérgio, foi condenado também a 19 anos de prisão. Já o antigo assessor de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, foi condenado por unanimidade a dois anos de prisão em regime aberto. E o escritor e jornalista brasileiro João Gabriel Lima refere que, apesar do cenário polarizado no Brasil, 50% dos brasileiros concordam que Jair Bolsonaro é culpado dos crimes de que foi acusado.
Eu não acredito que a condenação vá levar a tumultos, a alguma coisa muito diferente. Acho que pode haver protestos, mas há um detalhe interessante que, apesar da polarização no Brasil, esse julgamento, as provas que foram apresentadas contra Jair Bolsonaro, convenceram a maioria dos brasileiros da culpabilidade do Jair Bolsonaro.
A análise do escritor e jornalista brasileiro João Gabriel Lima, em declarações à Rádio Observador, depois da condenação de Jair Bolsonaro. E o presidente dos Estados Unidos mostra-se surpreendido com esta condenação. Donald Trump lembra ainda os problemas legais que enfrentou no passado. Diz que o julgamento de Bolsonaro foi o que tentaram fazer com ele próprio alguns anos antes nos Estados Unidos.
"Eu vi esse julgamento, conheço-o muito bem. Eu acho que ele foi um bom presidente do Brasil. É muito surpreendente que isso tenha acontecido. É muito semelhante ao que tentaram fazer comigo, mas não conseguiram."
Não é a primeira vez que Donald Trump critica os processos enfrentados por Bolsonaro no Brasil. Em julho deste ano, fez uma publicação nas redes sociais em que classificou o caso como uma caça às bruxas. Olhamos agora pra atualidade política nacional. António José Seguro admite que ainda espera por um pronunciamento do PS sobre qual candidatura vai apoiar. Na noite desta quinta-feira, em entrevista à TVI CNN, o candidato presidencial reiterou a ideia de que se apresenta como a candidatura unipessoal e suprapartidária, mas ainda assim espera que o PS cumpra com o que prometeu.
Se há uma eleição em Portugal onde os partidos não têm monopólio, é esta. E, portanto, decorre da vontade e da convicção de cada um. E por isso, o Partido Socialista, como todos os outros partidos, tem a sua estratégia, os seus timings, que eu respeito, e também respeito no Partido Socialista. Respeito agora, como respeitei há três meses, quando lancei a candidatura. O líder do Partido Socialista disse que o PS se pronunciaria sobre as candidaturas presidenciais depois das autárquicas e, portanto, espero que isso aconteça.
Declarações de António José Seguro. Diz ainda que não guarda ressentimentos de vários membros do Partido Socialista que consideram que este candidato não reúne as condições necessárias pra entrar na corrida a Belém. Mas face a um país com uma média de eleições muito alta, o candidato presidencial quis dizer que não se vai resignar a governos ou a um país a prazo.
A média de realização de eleições andou ali nos quase quatro anos, quase o tempo de uma legislatura. No entanto, nos últimos seis anos, tem sido de ano e meio em ano e meio. Ora, este período, este calendário, significa que nós temos governos a prazo, e governos a prazo transformam o país a prazo. É isso que nós queremos pro nosso país? Eu não quero, nem me resigno. E, portanto, considero que o papel do presidente da República é chamar a atenção pra estas situações e, sobretudo, para questões tão relevantes como salvar o Serviço Nacional de Saúde.
Declarações do candidato à Presidência da República, António José Seguro, força ainda o sentido de urgência implícito na candidatura que apresentou, por considerar que pode dar um contributo essencial para melhorar as condições de vida no país, nomeadamente no setor da saúde. E, por outro lado, Rui Moreira está fora da corrida a Belém. O autarca do Porto anunciou na noite desta quinta-feira que não vai ser candidato às eleições presidenciais de janeiro. Refere que fez uma avaliação íntima e familiar e, além disso, Rui Moreira explica que outros fatores levaram a esta decisão.
Há aqui o risco de uma candidatura muito personalizada como a minha, independentemente do resultado que pudesse ter, poder vir a fraturar o centro e o centro-direita e estarmos, de facto, a proporcionar que candidaturas antissistema venham, seja a chegar a uma segunda volta, seja à Presidência da República. Aquilo que me parece é que neste momento isso não seria entendível e percebi que também por causa disso. Não houve um grande entusiasmo, se assim quiser.
As declarações do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, entrevistado na noite desta quinta-feira na SIC Notícias. Em julho, o autarca admitiu estar a ponderar uma candidatura à Presidência da República, ressalvando sempre que só tomaria uma decisão final a partir deste mês. Mudamos de tema. Demitiu-se a direção da ACE, a Escola de Artes no Porto, depois de virem a público denúncias de alegados abusos por professores. Em duas páginas nas redes sociais, alunos e antigos alunos da escola partilharam testemunhos de intimidação, abusos e humilhação dentro do recinto escolar, bem como abordagens impróprias de professores e um dos principais visados é o ator António Capelo, que deu aulas nesta escola de artes até 2022. Em declarações à Agência Lusa, o ator diz que está a ser vítima de uma cabala e reitera que são falsas as acusações anônimas que estão a ser publicadas nas redes sociais.
Rejeito categoricamente qualquer tipo de ação que leve a um ato sexual com alunos. Rejeito categoricamente. E eu estou a ser julgado na praça pública de uma maneira absolutamente inominável.
As declarações do ator António Capelo e a direção da ACE anunciou demissão num comunicado divulgado às 17h desta quinta-feira, nas páginas oficiais da escola nas redes sociais. É o ponto final neste noticiário. A informação regressa à 01:30 da manhã com uma síntese de notícias. Até já.