Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
É uma hora. Boa noite. Está na hora de atualizar toda a informação aqui com a Rádio Observador. Está na hora do jornal da uma da manhã. Eu sou o Martim Madeira e começamos com as eleições no Brasil. É oficial, Flávio Bolsonaro vence a primeira volta das presidenciais no Brasil, o que significa que a decisão do próximo presidente brasileiro fica para a segunda volta. Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, teve 47,89% dos votos, ultrapassou os números do pai quando o Jair Bolsonaro venceu a primeira volta em 2018. Lula da Silva, do Partido Trabalhador, ficou em segundo com 44,15%. Em terceiro, Augusto Curry, do Partido Avante. Em quarto, Renan Santos, do Partido Missão, ambos com menos de 3% das intenções de votos. E agora na segunda volta, o frente a frente será entre Flávio Bolsonaro e Lula da Silva. Saberemos o próximo presidente brasileiro no dia 25 de outubro. E pra gente explicar melhor este resultado na primeira volta, temos conosco o jornalista do Observador, José Carlos Duarte, que está a acompanhar de perto estas eleições. Boa noite, José Carlos. Esta vitória de Flávio Bolsonaro na primeira volta, podemos dizer que é uma espécie de surpresa ou não?
Boa noite. Sim, é uma surpresa. As sondagens não davam a vitória de Flávio Bolsonaro nesta primeira volta. Normalmente era Lula quem aparecia à frente, com uma percentagem em redor dos 47%. Ou seja, seria a votação desta noite inversa, Lula teria esses tais 47 e Flávio 44. Portanto, as sondagens não previram muito bem esta vitória da direita nas eleições brasileiras, na primeira volta das presidenciais. E é realmente surpreendente como Flávio Bolsonaro, tendo em conta que tem uma terceira via, ou seja, os candidatos que não é Lula da Silva, são também candidatos do espaço político de direita. Ou seja, ele consegue aqui um resultado bastante bom, a três pontos percentuais de obter a maioria simples e assim conseguir ser presidente logo à primeira volta, num cenário em que tinha que partilhar votos com os candidatos de terceira via. Portanto, há aqui um resultado bastante expressivo por parte do filho de Jair Bolsonaro e acho que há aqui uma grande probabilidade dele vencer a segunda volta. Acho que será muito difícil pro Lula da Silva recuperar esta vantagem, também tendo em conta que a terceira via não é propriamente fã do atual presidente. Portanto, acho que Flávio Bolsonaro tem aqui uma grande chance de chegar ao Palácio do Planalto no dia 25 de outubro.
Não há mesmo uma forma, por exemplo, de Lula da Silva na segunda volta. Normalmente vemos essas surpresas, sabemos que normalmente quem ganha a primeira volta, depois vai pra segunda com uma maior força, mas falavas dessa intenção dos partidos de direita. Portanto, existindo essa maior vertente de opções na direita, achas que agora se vai canalizar tudo em Flávio Bolsonaro na segunda volta?
Eu diria que sim. Eu diria que vários dos eleitores que votaram, seja em Augusto Curry, seja em Renan Santos, vão agora canalizar o seu voto pra Flávio Bolsonaro. Obviamente que não vai ser uma transferência direta.
Mas por que esta surpresa? O que achas que motivou esta surpresa nos brasileiros pra Flávio Bolsonaro sair na frente? O Brasil, por exemplo, tinha com Lula saído do mapa da fome, por exemplo, um desses critérios. Por que esta vitória tão expressiva de Bolsonaro, ou esta reviravolta tão expressiva de Bolsonaro que não se esperava?
Eu acho que teve a ver com dois fatores. O primeiro é o crime e segurança, continua a ser um tema que preocupa muitos brasileiros, a questão dos roubos na via pública, seja as questões também relacionadas com o narcotráfico. É uma bandeira do candidato Flávio Bolsonaro. Ou seja, ele sabe aprofundar e sabe explorar bastante bem esse tema. E Lula da Silva, pra muitos brasileiros, não conseguiu dar uma resposta eficaz a esse problema. E Flávio é bastante bom nessa vertente, o pai é militar, portanto, tem todo aí também um historial que acaba por dar força a esta mensagem no combate ao crime organizado, por exemplo. E acho que também outro dos motivos teve a ver com uma trama judicial que houve no Supremo Tribunal Brasileiro. Isto tem tudo a ver com o juiz Alexandre de Moraes, o juiz relator e que liderou o processo que levou à prisão de Jair Bolsonaro. E este juiz está envolvido, a ligação não foi comprovada, ele nega, mas está envolvido no mega escândalo financeiro no Brasil, que se chama o caso Master. E Alexandre de Moraes está aqui na calha pra ser julgado, ou seja, um juiz do Supremo Tribunal no Brasil pode sentar-se no banco dos réus. E este tema, e sendo Alexandre de Moraes uma personalidade bastante polarizadora no Brasil, acabou por beneficiar Flávio Bolsonaro, mesmo que Flávio também esteja alegadamente envolvido aqui no caso Master. Ou seja, esta trama judicial acabou por prejudicar diretamente Lula da Silva, diria, porque Lula da Silva nunca escondeu a sua proximidade também a este juiz. E ao mesmo tempo, Flávio soube explorar bastante bem estas incoerências do poder judicial e acho que também é um dos motivos pelos quais ele venceu esta primeira volta. Acho que crime e justiça acabaram por ser os grandes argumentos que o levaram a chegar mais perto da presidência.
E a última pergunta que te faço, José Carlos, que foi um tema muito badalado também nos media e é uma pergunta que se calhar já sabes pra onde é que eu vou neste caso, que é a questão da proibição das bets no Brasil. Foi um dos temas muito badalados, muitos influencers, por exemplo, demonstraram um enorme apoio depois a Flávio Bolsonaro, porque ficaram contra Lula da Silva, em proibir as apostas desportivas num país como o Brasil, onde as apostas desportivas bem que já estão entrosadas na sociedade e que fazem quase parte da vida dos brasileiros. Achas que isso também teve um fator negativo pra Lula da Silva?
Eu diria que sim, acho que houve eleitorado que, sem dúvida, se afastou do presidente brasileiro por causa dessa questão, porque é uma questão que o Brasil é um país de futebol e acho que também as bets, as apostas desportivas entram muito no dia a dia das pessoas e acho que, se calhar, esse motivo talvez tenha afastado eleitores de centros urbanos, afastarem-se um bocadinho do Lula da Silva. Aliás, onde o candidato do PT perdeu relativamente perdeu votos face a 2022 foi em grandes cidades, São Paulo e Rio de Janeiro, onde não estou a dizer que não haja noutras partes do Brasil, mas é aí que se concentram mais apostadores. Faz sentido, também onde estão os maiores clubes de futebol no Brasil. Portanto, eu acho que talvez tenha tido algum impacto no voto urbano, especialmente no voto masculino, e talvez tenha sido aqui um motivo que levou Lula Silva a perder alguns votos. Mas eu acho que isso também está integrado mais na economia do Brasil e também é uma questão mais ideológica. Dito isto, ou seja, Flávio Bolsonaro defende uma desregulação mais dos mercados, mais a favor das betas, enquanto o Lula é mais protecionista, é um político de esquerda, ao final do dia. Portanto, há sempre aqui esta diferença de fundo que faz com que Lula tivesse optado por esta medida.
Obrigado, José Carlos, por essa tua análise a estas eleições no Brasil. Sei que depois também vais estar a acompanhar. Agradeço esta análise. As eleições no Brasil vão para uma segunda volta. Saberemos o próximo presidente brasileiro no dia 25 de outubro. O frente a frente será mesmo entre Flávio Bolsonaro e Lula da Silva. Passamos agora para o desporto, isto porque vamos falar de Cristiano Ronaldo. Jorge Jesus finalmente falou sobre o tema. O selecionador português abre a porta ao antigo capitão já na próxima convocatória. Prometeu e cumpriu. Jorge Jesus tinha dito que só após esta primeira ronda de jogos da Liga das Nações iria abordar a polêmica em torno do abandono de Cristiano Ronaldo. E na conferência de imprensa pós-jogo, o selecionador nacional de futebol afirmou que se Ronaldo quiser voltar, será aceite na seleção nacional.
Para mim, o Cris, na próxima convocatória, será, caso ele esteja a jogar no Nasser, será um jogador convocável. Se ele quiser, regressar à seleção, porque já volto a dizer, não dá para entender só porque foi ele que criou, e se calhar bem, porque ele é um símbolo, este problema todo de aquecer e não aquecer, entrar e não entrar. Isso acontece com todos os jogadores. Quantos jogadores hoje aqueceram e não entraram? Quantos? Vai haver algum problema? Não. O Cris é diferente, cá está, é o símbolo.
Jorge Jesus revelou ainda que fez um pedido especial ao que diz ser o símbolo da seleção nacional e de Portugal.
Eu quero que ele esteja. Ele sabe que vai acabar. Isto não dura para sempre a todos. Mas gostava que ele acabasse na seleção como ele quer. Ele é que vai decidir como ele quer. Porque foi assim que falámos os dois. Eu disse: "Eu preciso de ti. A minha primeira convocatória, eu preciso de ti, preciso que tu estejas ao pé de mim, jogando ou não jogando, eu preciso de ti". E agora digo a mesma coisa.
Para além do selecionador nacional, falou também o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, em declarações exclusivas à RTP, afirmou que o país precisa de fazer uma vénia a Cristiano Ronaldo.
Cristiano Ronaldo hoje representa o símbolo maior da portugalidade e, portanto, nós temos que prestar a vénia ao Cristiano Ronaldo. E deixe-me lhe dizer uma coisa, o Cristiano Ronaldo está na seleção nacional por mérito desportivo próprio e isso tem que ser absolutamente inquestionável. E, portanto, ele fará sempre parte deste grupo de trabalho, sempre que tecnicamente ele se tiver capaz. O Cristiano sabe disso, sabe que é esse o sentimento. Sobre o tema em concreto, deixe-me lhe dizer que estamos claramente perante um mal-entendido que tem que ser resolvido dentro de casa.
As palavras de Pedro Proença, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que também falou publicamente pela primeira vez sobre toda esta novela a envolver Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus. E na reação aos esclarecimentos de Jorge Jesus e de Pedro Proença, Filipe Coelho deixou uma crítica ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Afirma que Pedro Proença abre um precedente grave na gestão da seleção principal com a integração de Cristiano Ronaldo na equipa principal.
Não percebo que mensagem é que Pedro Proença quer fazer passar com este tipo de passagem de pano em relação à atitude de Cristiano Ronaldo, porque é o que Pedro Proença acaba de fazer e a pergunta da jornalista é obviamente pertinente. A partir daqui, todo e qualquer jogador pode decidir fazer o que bem entender. Sabemos que não é assim. Sabemos que não é assim, porque o estatuto de Cristiano Ronaldo parece estar para durar e está para durar porque há quem legitime este tipo de comportamento e não deveria ser o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, bem pelo contrário, a fazê-lo. Portanto, em suma, diria que é uma declaração absolutamente lamentável de Pedro Proença.
Aqui a reação do comentador da Rádio Observador, Filipe Coelho, sobre este caso de Ronaldo. E do caso Ronaldo passamos ao que realmente importou nesta noite de futebol. Portugal venceu a Noruega por 2 x 1 e consegue assim o melhor arranque de sempre na Liga das Nações. Garante já o apuramento para os quartos de final da prova. Quatro vitórias em quatro jogos. A Federação Nacional de Futebol superou a edição anterior, em que Portugal conquistou e que começou com três vitórias. A Noruega até começou com a vantagem, com gol aos 36 minutos. Portugal reagiu rápido com um gol de João Cancelo dois minutos depois e outro gol de Gonçalo Ramos a 10 minutos do fim. Após a partida, o selecionador Jorge Jesus revelou que este pleno de vitórias o surpreendeu. Diz que também não estava à espera de ter um início assim.
E hoje ganhamos sem fazer o jogo como fizemos com a Dinamarca, mas o importante era ganhar, era o apuramento e neste momento já estamos apurados, já carimbamos o apuramento. Quatro jogos, quatro vitórias. É um percurso que, se calhar, eu quando comecei não pensava que era capaz de ter quatro jogos, quatro vitórias, independentemente de acreditar muito nesta equipa. E pronto, e agora há que esperar pelos últimos dois jogos na próxima convocatória.
Portugal soma agora 12 pontos no grupo A4, mas o primeiro lugar ainda não está garantido. É a terceira vez em cinco edições que Portugal passa aos quartos de final. Nas duas edições anteriores venceu a competição. É a notícia de fecho deste jornal da uma da manhã. A informação está de regresso à 13h30 com a síntese de notícias. Até já.