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Começa agora o Jornal da Meia-Noite, edição da jornalista Diana Rosa. E Diana, começamos com o debate entre Henrique Gouveia e Melo e António Filipe. Apesar da maioria dos temas resultar em desacordo entre os dois candidatos, houve espaço para concordância num tópico: estão contra a substituição temporária de Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente da República foi ontem operado a uma hérnia no Hospital de São João, no Porto. Tem recebido visitas das altas figuras da nação e pode até ter alta amanhã. O almirante Gouveia e Melo, esta noite, considera que desde que se mantenham as capacidades cognitivas do atual chefe de Estado, não há motivos para um presidente interino.

Felizmente, tudo indica que não foi um problema de saúde muito grave e que foi resolvido em tempo e, portanto, Deus queira que recupere rapidamente pra poder exercer em pleno as suas funções. É preciso perceber se ele está verdadeiramente impedido de exercer as suas funções.

Ele hoje promulgou diplomas.

Pronto, em termos cognitivos, em termos da sua capacidade pra decidir e pra pensar. Não parece que assim seja e, portanto, não vejo que o quadro seja esse.

O candidato apoiado pelo PCP também concorda. António Filipe diz que deve ser cumprida a lei constitucional.

Sobre isto, a Constituição resolve isto. Ou seja, eu creio que houve alguma confusão acerca desta questão da substituição temporária. A substituição temporária que está prevista na Constituição prevê o caso em que o próprio presidente da República, sabendo que vai estar incapacitado durante um determinado período, em que requer ao Tribunal Constitucional que seja reconhecida essa incapacidade transitória e que então aí o presidente da Assembleia da República assume como presidente interino. E, portanto, a questão não se coloca.

Está em curso o regular funcionamento da instituição.

Está, já promulgou diplomas e, portanto, está tudo normal. Só o estado de saúde é que ainda não estará completamente, mas creio que amanhã já terá alta.

A concordância dos dois candidatos neste tópico. Marcelo Rebelo de Sousa está a recuperar de forma favorável. Amanhã de manhã recebe a visita de José Luís Carneiro, secretário-geral do Partido Socialista, antes de ter, provavelmente, alta médica.

E neste debate para as presidenciais, houve outro tema que marcou, foi a guerra na Ucrânia e as negociações de paz que decorreram hoje em Moscovo. Entre os dois candidatos, houve trocas de acusações.

A começar, Rita, por Gouveia e Melo, que afirma que o candidato apoiado pelo PCP se enganou sobre quem foi o invasor neste conflito.

Até é preciso ter uma posição. Por quê? Porque essa posição são posições de princípio e nos separam completamente. O doutor António Filipe chegou a dizer que o presidente Zelensky era apoiado por fascistas e por neonazis. Eu acho que se enganou em quem é que invadiu quem. Portanto, quem invadiu e quem quebrou a paz internacional foi a Rússia que invadiu a Ucrânia.

Já António Filipe acusa Gouveia e Melo de estar mais próximo de ser como o presidente russo e de querer mandar jovens portugueses para guerras desnecessárias.

Olhe, não está mais longe do senhor Putin do que eu. Se alguém está nos antípodas do senhor Putin politicamente, sou eu, não é o senhor. Não fui eu que disse que os jovens portugueses iam morrer onde nos mandassem morrer. Se a NATO nos mandasse morrer, iriam morrer a qualquer lado. Eu não acho isso. Eu acho que os jovens portugueses não têm que morrer em lado nenhum, apenas se fosse pra defender o interesse nacional e a defesa do território nacional.

E este foi o 11º debate de 28. O próximo vai ser amanhã, às 9:00 da noite, na RTP, entre o candidato apoiado pelo PS, António José Seguro, e o candidato apoiado pelo PSD, Luís Marques Mendes.

E ainda sobre a guerra na Ucrânia, o encontro entre Vladimir Putin e o enviado dos Estados Unidos foi produtivo, mas não foi alcançado qualquer acordo sobre os territórios ocupados na Ucrânia, o que adianta o Kremlin depois do encontro.

Ainda não foi escolhida nenhuma solução de compromisso sobre os territórios, mas algumas propostas americanas podem ser discutidas. De acordo com a Agência France-Presse, o conselheiro diplomático russo Yuriy Ushakov disse que a discussão, que durou cerca de cinco horas, foi útil, construtiva e os contactos entre Moscovo e Washington vão continuar, mas ainda há muito trabalho a fazer para se chegar a um acordo. O conselheiro russo especificou que as discussões não se centraram na redação concreta de um consenso, mas sim na substância, e que foram discutidos vários documentos apresentados a Moscovo sem entrar em pormenores.

E ainda hoje, Vladimir Putin ameaçou entrar em guerra com a Europa, embora diga que não é esse o objetivo da Rússia.

Mas se tiver de ser, será.

Não vamos entrar em guerra com a Europa, já o disse centenas de vezes. Mas se a Europa quiser de repente entrar em guerra conosco e começar, então estamos prontos agora. Não pode haver dúvidas. Se a Europa iniciar uma guerra contra nós, parece-me que isso acontecerá muito rapidamente. Isto aqui não é Ucrânia.

Sobre esta ameaça, ouvimos no Gabinete de Guerra, aqui na Rádio Observador, o major-general João Vieira Borges diz que estas declarações são preocupantes para a Europa. O tom das ameaças de Putin são mesmo para levar a sério.

É uma linguagem muito perigosa. Sinceramente, fiquei preocupadíssimo com este tipo de discurso. Ultrapassa as questões de dissuasão, ultrapassa respostas políticas, entra naquela esfera que já vimos na Segunda Guerra Mundial e na Primeira Guerra Mundial. É muito complicado ter um dirigente político de um Estado como a Rússia dizer que vai destruir até o último ucraniano.

A Europa, neste momento, não pode confiar nos Estados Unidos como um aliado militar. É o entendimento do major-general João Vieira Borges. Diz que os Estados Unidos de Donald Trump não são um amigo fidedigno.

E é um dos destaques do Gabinete de Guerra desta noite, que já pode ouvir em podcast. E voltamos, Diana, à atualidade nacional. A ministra Maria Lúcia Amaral pediu à Inspeção-Geral da Administração Interna a abertura de processos disciplinares aos 11 elementos das forças de segurança detidos por suspeitas de exploração de imigrantes no Alentejo.

E que saíram em liberdade desses militares da GNR, assim como agentes da PSP, constituídos arguidos no âmbito do processo Safra Justa. De acordo com o Ministério da Administração Interna, a IGAI solicitou ao Ministério Público o envio de elementos que constam do processo de inquérito-crime. Vão depois ser analisados por forma a avaliar a necessidade de aplicação de eventuais medidas cautelares. Dos 17 detidos pela Polícia Judiciária, três deles ficaram em prisão preventiva, neste caso falamos de civis. Há ainda 10 militares da Guarda Nacional Republicana e um PSP com termo de identidade e residência.

E agora com sete minutos para lá da meia-noite, que outras notícias estão a marcar a atualidade?

Começamos, Rita, com a operação Portugal Sempre Seguro, que fiscalizou em três dias mais de 2200 estrangeiros, 30 estavam em situação ilegal no país. São os dados provisórios do Sistema de Segurança Interna. Em comunicado, o SSI adianta que entre os dias 26 e 29 de novembro, a operação, que junta várias polícias e entidades do Estado, fiscalizou no total quase 5 mil pessoas, mais de 1500 veículos e perto de 200 estabelecimentos. Foram detidas 25 pessoas, mais de metade por crimes rodoviários. Na Serra da Estrela, a queda de neve obrigou ao corte da estrada no maciço central. Falo da Estrada Nacional 339, que atravessa o ponto mais alto da montanha. A circulação está cortada em Piornos, no Conselho da Covilhã, e Lagoa Comprida, em Seia, bem como a ligação para a Torre. É uma informação da Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera colocou hoje os distritos da Guarda e de Castelo Branco sob aviso amarelo devido à queda de neve. A seleção feminina perdeu hoje contra o Brasil, num jogo de preparação para a qualificação do Mundial 2027 de futebol. Foi goleada por 5x0. O jogo decorreu em Aveiro, no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa. A seleção canarina começou logo a ganhar com um jogo no primeiro minuto de Gabi Zanotti. Portugal veio para este jogo com duas derrotas nos últimos dois jogos. Rita, para descontrair, costumas ver filmes de Natal no Natal?

Aliás, só vejo filmes de Natal no Natal. Não consigo, em agosto é impossível ver filmes.

Quando é que é para ti Natal suficiente para ver filmes de Natal?

Já começa.

Se estás a ver, para mim não é Natal ainda.

Já é.

Então olha, que filmes é que vês?

"Sozinho em Casa" já não vejo, mas agora que sou mãe vou passar a ver mais, certeza.

Então olha, vê lá que sabes de que filme é que é esta música.

Eu sei porque está no título, não vou mentir.

Qual título?

"Die Hard". Parece um rap pop de Natal.

Eu gosto muito. É que a Sky News, Rita, publicou um estudo sobre uma questão que achou pertinente, que era se o "Die Hard", ou em Portugal, "Duro de Matar", era ou não era um filme natalício. Parece que a questão é debatida há muitos anos, eu não fazia a mínima ideia. O canal britânico diz mesmo que, e passo a citar: "É um debate que tem dividido famílias há anos, com caixas de bombons atiradas com raiva". Eu estou a imaginar Ferrero Rocher a voar pela sala.

E aleijam, porque têm aquele relevo.

As nozinhas. Eu nunca pensei que desse nisto.

E qual foi o resultado dessa sondagem?

O resultado da sondagem-

É de Natal ou não é de Natal, o "Die Hard"?

Pronto, então vou-te dizer. De acordo com o Conselho Britânico de Classificação de Filmes, 44% dos inquiridos dizem que não, não é um filme de Natal, 38 dizem que sim, o resto são indecisos que provavelmente veem, como tu, "Sozinho em Casa".

Pois, esse sim é um filme de Natal.

Agora é assim, eu nunca vi o "Die Hard" passar na televisão no Natal.

E eu nunca vi o "Die Hard".

Não sei se isto é uma coisa de televisão britânica ou não, mas na televisão portuguesa vejo os "Sozinhos em Casa" todos.

Sim, e animação.

E oiço bastante Mariah Carey a passar na rádio, "Die Hard" nunca me ocorreu.

Olha, é assim que fechamos com o "Die Hard". Será uma música de Natal ou não? Logo se vê. E é assim que fechamos o jornal da meia-noite, edição da jornalista Diana Rosa. Eu sou Rita Camarneiro e estou de saída. Já a seguir, fique com o "Porque Sim, Não é Resposta".