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Jornal da Meia-Noite, uma edição do jornalista Martim Madeira. Começamos, Martim, pelo desporto. Em Rio Maior, o Benfica quis trancar os três pontos a sete chaves.
Benfica 7, Casa Pia 0. Uma vitória, Vicente, perfeita em termos bíblicos para Estiani. Rafa, Pavlídis e Duran foram os autores dos sete gols das Águias para completar esta obra perfeita de Marco Silva. Foi a uma segunda-feira, não foi a um sábado, mas na mesma, sete gols. Na flash interview, o técnico das Águias realça a capacidade de reação da equipe ao empate da primeira jornada e deixa ainda um fator diferenciador que deu esta vitória. Fala nos adeptos.
Depois de um resultado bem negativo para nós no começo do campeonato, a reação tem que ser assim, chegar e ganhar o próximo. Não estou falando sequer dos números, mas chegar e ganhar o próximo jogo. E falar dos nossos adeptos também. Acredito que a grande diferença do jogo da primeira jornada para este, teve realmente aí. É óbvio que jogamos fora de casa, mas praticamente jogamos em casa e há que realçar o apoio desde o primeiro minuto, empurrar a equipe pra frente e fazem a diferença. Ficou bem provado hoje que fazem toda a diferença para nós e retiraram-nos isso na primeira jornada e por culpa nossa não ganhamos aquele jogo, mas retiraram-nos algo que é a força deste clube, a grande força deste clube. E hoje conseguimos demonstrar isso com o apoio deles.
Já do lado do Casa Pia, uma derrota muito amarga. O técnico adjunto, Alexandre Santana, reconhece o mau jogo do Casa Pia, mas acredita que seja um processo de aprendizagem e crescimento para o clube.
Estamos cientes que nestes momentos muitas pessoas gostam de se esconder, mas dentro deste clube, quer estrutura, quer equipe técnica, quer jogadores, temos homens com H grande e é com isto também que nos vai fazer crescer e que nos vai fazer caminhar.
Declarações dos treinadores à Sport TV. O Benfica consegue assim a primeira vitória do campeonato. Agora segue-se na quinta-feira o jogo frente ao Aarhus, da Dinamarca, no Estádio da Luz, a contar para o playoff de acesso à Liga da Europa, que pode-se acompanhar, claro, aqui na Rádio Observador, com relato e análise.
Para já, seguimos nesta edição da meia-noite com a Procuradoria-Geral da República, que abriu, Martim, um inquérito à morte do ciclista Finley Tarling, que morreu na Volta a Portugal.
Um inquérito que decorre no Ministério Público de Ponte de Lima. À RTP, a PGR adianta que o corpo do ciclista vai ser alvo de uma autópsia. Finley Tarling, de 19 anos e natural do País de Gales, morreu durante a oitava etapa da competição. O jovem ciclista colidiu contra uma viatura externa à organização da Volta, que entrou indevidamente no circuito da prova. O acesso por onde entrou esta carrinha não foi considerado um local prioritário para a atuação das autoridades.
E Martim, ainda sobre a morte do ciclista Finley Tarling na Volta a Portugal, a Federação Portuguesa de Ciclismo aplaude a abertura de um inquérito por parte da Procuradoria-Geral da República.
Este inquérito, que vai decorrer, como dizia, no Ministério Público de Ponte de Lima, à Rádio Observador, o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, diz que esta é uma boa notícia.
Para nós é uma ótima notícia, porque o que a Federação pretende é esclarecer, sem que antes existam especulações que podem não ser coincidentes com a verdade, e significa que a Justiça está a funcionar e que está ativa e naturalmente que nos vai certamente ajudar a esclarecer aquilo que pode ter passado no local e que, para nós, organizadores, queremos que realmente este assunto fique clarificado e que todos os portugueses fiquem a saber o que realmente se passou.
Cândido Barbosa assegura ainda que a Federação Portuguesa de Ciclismo de tudo fará para ajudar o processo de investigação em curso.
Damos de tema nesta edição, subiu para sete, Martim, o número de feridos no incêndio em Valongo, dois deles bombeiros.
É uma confirmação da proteção civil do Porto à Rádio Observador. O incêndio no Conselho de Valongo começou esta manhã em Sobrado e, de acordo com a fonte da autarquia local, há nesta altura várias habitações em risco. O comandante dos bombeiros de Valongo garante que neste momento o município enfrenta apenas uma frente ativa e prevê a resolução do incêndio até ao final do dia. Ainda não se verifica, o incêndio continua ativo. Vamos então escutar estas declarações do comandante dos bombeiros de Valongo.
No total, nós temos sete feridos, dois deles populares, que foram transferidos para o Hospital São João, e cinco bombeiros. Dos cinco bombeiros, quatro deles por exaustão e um por queimaduras de terceiro grau. Penso que até o final do dia conseguimos controlar esta frente.
Comandante dos bombeiros de Valongo, Bruno Oliveira, à RTP sobre este incêndio. O incêndio já obrigou ao corte de um troço da Estrada Nacional 209, que liga o Porto a Lousada, e a autarquia já procedeu ao corte de mais estradas municipais. No terreno estão perto de 203 bombeiros, apoiados por quase 63 viaturas.
Também a marcar a atualidade nacional, Martim, e depois de ter sido acusado de discriminação e incitamento ao ódio pelo Ministério Público, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira garante que nenhum grupo étnico está a ser excluído no acesso à habitação social.
Garante Rui Cristina que, na verdade, qualquer pessoa pode concorrer aos programas de habitação social e que a autarquia de Albufeira não pretende criar regras especiais para nenhum grupo étnico em específico.
Eu quando fizer habitação, será para todos. Todos poderão concorrer mediante o nosso regulamento municipal habitacional, porque ao estar a fazer única e exclusivamente habitação para um grupo de etnia, eu estou a ir contra a inclusão, porque isto é inclusão, isso será exclusão. Já lhe disse e volto-lhe a repetir: vamos fazer habitação municipal e todos serão livres de poder concorrer a essa habitação.
Incluindo a comunidade cigana, no caso.
Sim, claramente. Se as pessoas tiverem condições para concorrer e para receberem a habitação, receberão.
Rui Cristina, entrevistado pelo jornalista Ricardo Lopes da Rádio Observador em novembro do ano passado, o autarca de Albufeira afirmou que nenhum grupo étnico minoritário teria acesso exclusivo à habitação social. O Ministério Público considera que Rui Cristina agiu com o intuito de discriminar e secundarizar a comunidade cigana.
E entretanto, o autarca de Albufeira queixa-se também da perseguição por parte do Ministério Público.
Mas o advogado Paulo Sargossa da Mata explica que não há qualquer teor político na acusação. Foi o explicador desta tarde. Ainda assim, o advogado avisa que o caso pode acabar por ser arquivado.
O que eu acho é que o Ministério Público fez a aplicação da lei rigorosamente. Caberá à defesa explicar as circunstâncias, o modo, a razão de ser e, eventualmente, alguma causa de justificação, desculpação ou de exclusão até do tipo, dizendo: "Atenção, isto era uma declaração política, tinha este objetivo. Em rigor, não foi nada disso que fizemos e, como dizia o Duarte muito bem, é uma pessoa ainda por cima pela qual ele tem apreço, eu não conheço, mas que não faria esta declaração de um ponto de vista insultuoso". Foi isso que eu entendi.
Paulo Sargossa da Mata, no explicador da tarde política, onde esteve também o antigo deputado do PSD, Duarte Pacheco, que critica quem está a descontextualizar as declarações do autarca.
No contexto, também diz que há de fazer construções para todos. Ora bem, para todos significa, pelo menos na minha leitura, que também para este grupo, naturalmente. Agora, não quer dizer é dar o privilégio a alguém. Pode haver outras pessoas com outras opções e que digam: "Não, há aqui um grupo que está mais necessitado e eu vou fazer para ele". Mas não foi isso que o Rui disse.
Duarte Pacheco e Paulo Sargossa da Mata no explicador da Rádio Observador.
E no Médio Oriente, Martim, vivem-se momentos de tensão entre os aliados árabes dos Estados Unidos e Donald Trump.
Poucas horas depois do Irão ter afirmado que chegou a um acordo com Oman para a passagem de navios pelo Estreito Ormuz, Donald Trump deixou claro à Fox News que, e cito, "se Oman atrapalhar, vai bombardear o país até não sobrar mais nada". Maria Miguel Marques.
"Oman não se está a portar muito bem". É o que diz Donald Trump aos jornalistas na Casa Branca, em reação à própria ameaça que fez ao aliado árabe. Mas Trump esclarece que está confiante, diz que o estreito de Ormuz está praticamente aberto e deixa no ar o desejo do controle da via marítima.
Eu gosto da ideia de declarar o estreito de Ormuz um território americano. Eles podem ser um incômodo, mas o bloqueio tem sido muito eficiente. Estamos a conseguir passar lá milhões de barris de petróleo por semana. Se virmos os números que estamos a fazer, é como se o estreito estivesse aberto. Os preços do petróleo estão a descer e vão continuar a descer, a menos que decidamos fazer algo muito mais drástico do que estamos a fazer. O Irão está em grande perigo. O país é uma desgraça e as forças militares iranianas estão totalmente derrotadas.
Donald Trump continua a insistir no controle de Ormuz e diz que está a manter conversas com a Guarda Revolucionária do Irão, apesar das forças iranianas negarem. Isto numa altura em que, de acordo com a Sky News, o Irão apreendeu um petroleiro de uma companhia dos Emirados Árabes Unidos, aliados norte-americanos, que navegava no estreito de Ormuz.
A jornalista Maria Miguel Marques com as últimas atualizações nas negociações em Ormuz e apesar da confiança de Donald Trump, o preço do petróleo Brent disparou de novo, já ultrapassa os US$ 90, não chegou.
E continuamos a falar dos Estados Unidos e do Médio Oriente, isto porque os norte-americanos esperam começar a desarmar o Hamas em 30 dias.
São declarações do enviado especial norte-americano Jared Kushner à Fox News, depois de uma reunião com o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, em que, de acordo com os media norte-americanos, como a CNN e a Axios, Kushner persuadiu Netanyahu a deixar o Hamas mostrar que está disposto a desmilitarizar-se. Isto porque o primeiro-ministro israelita mostra grandes preocupações relativamente à palavra e ao compromisso da organização terrorista em Gaza. A Axios indica mesmo que Kushner deu o exemplo da última negociação que teve com o Hamas para persuadir Netanyahu, reunião essa que resultou na libertação de todos os reféns israelitas na altura. Agora, à Fox News, o enviado especial norte-americano mostra-se confiante de que o desarmamento começará dentro de 30 dias. Nestas declarações à Fox News, Jared Kushner.
Esperamos ver progresso nos próximos 30 dias. Espero tirar algumas das armas e tapar alguns dos túneis próximos 30 a 60 dias. Precisamos de cooperação dos dois lados para haver mais progresso, mas fizemos muitos progressos. Para Israel, achamos que isto é uma situação vencedora, porque se o Hamas cumprir com tudo isto, seria a eliminação de uma grande ameaça para Israel. Mas caso isso não aconteça, todos vão ver que eles não querem paz e nesse caso, Israel terá todo o apoio dos Estados Unidos para acabar com o trabalho em Gaza.
Ainda nesta mesma entrevista, o enviado especial dos Estados Unidos afirma que na reunião que teve com o Hamas, a organização disse tudo o que a administração Trump queria ouvir e que vai deixá-los mostrar que estão comprometidos com o desarmamento para além desta reunião, mas ainda sobre Israel. Na Casa Branca, Donald Trump recusa-se a confirmar se apoia Netanyahu nas próximas eleições israelitas. O presidente norte-americano diz que prefere ficar afastado.
Doze minutos para lá da meia-noite. Tempo ainda para conhecer outras notícias que importa destacar nesta hora, Martim.
Os custos governamentais de empréstimos das principais economias mundiais atingiram o nível mais alto desde a crise de 2008. Em causa está a preocupação com o impacto da guerra no Irão pelos governos dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França, da Alemanha e do Japão. De acordo com o jornal The Guardian, os mercados financeiros indicam que existe quase 85% de probabilidade do Banco Central Europeu aumentar as taxas de juro já no próximo mês. Ainda na guerra do Médio Oriente, o presidente da Turquia pediu a Donald Trump para que as negociações com o Irão continuem para reduzir as tensões entre os dois países e ofereceu o apoio de Ankara aos esforços de paz. É o que avança a presidência turca em comunicado. A presidência turca afirma que Erdogan e Trump também discutiram a guerra em Gaza ao telefone, um pacto de defesa assinado entre a Turquia, Arábia Saudita e Paquistão, e as relações bilaterais. O texto acrescenta que Erdogan disse a Trump que os ataques de Israel contra os palestinianos em Gaza aumentaram, tendo em conta que a segunda fase do plano de paz de Trump já devia estar em vigor. A fechar, Vicente, e porque hoje falámos do Benfica, jogou o Benfica, falamos de um treinador que passou pelo Benfica recentemente, José Mourinho.
É, o mais recente treinador do Benfica antes de Marco Silva.
Exatamente. Olha, por quê? Porque José Mourinho apareceu ontem no jogo do Real Madrid frente ao Schalke com o olho pisado.
E onde é que o Benfica entra nisto? Se o olho tivesse pisado e ter qualquer coisa encarnada, podemos dizer que é um olhar Benfica, mas não sei se é por aí.
Não, não sei. Também não sei se foi alguém do Benfica, esperemos que não. Mas de acordo com o jornal desportivo espanhol AS, o treinador português levou uma bolada durante o treino. De acordo com a publicação, uma bola atingiu os óculos do treinador português, estes partiram, o que provocou um hematoma e foi por isso que Mourinho teve que comandar a equipa com o olho negro. Se tivesse ferido, estava a respirar Benfica.
É, podia ser um olhar Benfica, mas sendo que é um olho negro, pode ser um olhar académica, que tem estado bem no regresso à Segunda Liga, portanto, se calhar, já está Mourinho a pensar no futuro. São os sacrifícios da profissão, digamos assim. Ponto final nesta edição da meia-noite com o jornalista Martim Madeira, que está de regresso esta terça-feira, a partir das 20h30 para atualizar as notícias. Mais uma noite informativa por aqui na Rádio Observador. Um abraço, bom descanso, Martim.
Obrigado.